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“Eu tenho pensado em como abordar a cultura popular, porque há uma grande contradição, profunda, que é a contradição do nosso país, que é o fato de quando a gente elogia, defende e gosta da cultura popular, a gente sabe que essa cultura é a cultura dos condenados da terra, dos oprimidos, das pessoas que não tiveram nada”, Siba interrompeu a festa que fez com a Fuloresta nesse fim de semana no Sesc Pinheiros para salientar a disparidade entre a celebração que conduzia no palco e a realidade que faz essa folia existir. “E parece que a gente quer que continue existindo gente condenada nesse país pra que continue existindo cultura popular, então talvez seja o caso de olhar lá para o horizonte e defender o fim da cultura popular, ou seja, que a cultura popular seja a cultura desse país”. Um fim de semana concluiu o reenlace do mestre pernambucano com seus companheiros e mestres de Nazaré da Mata, com quem já percorreu todo o país e viajou pelo exterior. O reencontro aconteceu há poucos meses, no Pernambuco, e as duas apresentações ocorridas em São Paulo só vieram reforçar a importância deste novo momento, principalmente a partir da perspectiva destes anos de trevas que atravessamos. E mais do que a felicidade de poder brincar ao som dessa música, que é tradicional e moderna ao mesmo tempo (teve que nem reparasse que eles puxaram “Barbie Girl”, do Aqua, entre outros temas pop, em um determinado trecho do show), foi incrível rever mestres como Barachinha, que engatou dois embates de rimas com Siba, um deles dando uma volta ao redor do público do Sesc, e Mané Roque, dançando e pulando mais feliz que todos os outros músicos reunidos, fazendo o que fazem de melhor. A festa não pode parar!

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Vamos para mais um mês de atrações no Centro da Terra? Além da temporada de segunda-feira e dos shows de terça, neste mês teremos música ao vivo também às quartas, por isso são mais quatro shows durante o mês que começa na semana que vem. E é com maior satisfação que apresento o dono das segundas-feiras do mês: boogarinho Dinho Almeida, que começa a investigar seu trabalho solo na temporada Águas Turvas, primeiro tocando sozinho no palco (no dia 4 de setembro), depois acompanhado de Bebé e Felipe Salvego (dia 11), da dupla Carabobina, Desirée Marantes e Bruno Abdala (dia 18) e finalmente ao lado de sua irmã, Flavia Carolina (no dia 25). A primeira terça do mês, dia 5, traz mais um novo projeto de Thiago França, que volta-se ao free jazz acompanhado de Marcelo Cabral e Welington Pimpa, apresentando seu Thiago França Trio. No dia seguinte, a primeira quarta do mês (dia 6), é a hora de conhecer o trabalho autoral da instrumentista brasiliense Paola Lappicy, que antecipa seu primeiro disco solo no espetáculo Que Mágoa é Essa?, ao lado de Dustan Gallas, Caio Chiarini, Leandrinho, Léo Carvalho e Luciana Rosa. Na terça seguinte, dia 12, é a estreia do conjunto Comitê Secreto Subaquatico, formado por João Barisbe, Helena Cruz, Clara Kok Martins, Lauiz Orgânico e Fernando Sagawa, que apresentam-se no espetáculo Perigosas Criaturas Amigas. Na segunda quarta do mês, dia 13, Maurício Takara encontra-se com Guizado em uma noite de improviso livre chamada Hábitos Generativos. Na outra terça, dia 19, o palco do Centro da Terra recebe o encontro das bandas Bike e Tagore no espetáculo MPB ou LSD?, em que contam a história da psicodelia no Brasil desde os anos 60 até hoje, desenhando uma genealogia da qual as duas bandas fazem parte. Na quarta, dia 20, é a vez de Marília Calderón fazer terapia no palco no espetáculo Que Cida Decida, acompanhada de Felipe Salvego. Na última terça-feira do mês, dia 26, o baiano Enio e o pernambucano Zé Manoel misturam seus trabalhos autorais no espetáculo Encontros Híbridos seguido, no dia 27, do espetáculo Canta pra Subir, em que a cantora paulistana Sophia Ardessore, acompanhada de Nichollas Maia, Abner Phelipe, Fi Maróstica, Matheus Marinho e Lucas Alakofá dão passos além de seu primeiro disco, Porto de Paz. Um bom mês, diz aí. Lembrando que os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda neste link.

Pop mundano

Lá vou eu de novo comentar sobre a festa que eu mesmo faço, mas o Picles ficou pequeno pro Xepa Sounds do Thiago França. Cheguei logo depois do show do Garotas Suecas e o bicho já estava pegando – Juka me chamou num canto e falou: “cê tá fudido Matias, eles já tocaram todas as músicas que você toca”. É que a verve mundana do projeto mais low profile do maestro da Santa Cecília toca nos mesmos pontos da minha discotecagem: é Spice Girls e Dua Lipa por um lado, Rouge e Caetano Veloso por outro e o cabra ainda terminou a noite mandando “Total Eclipse of the Heart”. Restou pra mim e pra Bamboloki a inglória tarefa de manter a pista cheia, mas depois de uma sequência nortista emendamos Wanderley Andrade com electrosummerhits, passando por RBD e Maria Bethania, Strokes e New Order, Madonna e Run DMC, Lady Gaga e Specials. Foi insano – quem foi sabe. E a próxima é no dia 7 de setembro, com DUAS bandas.

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Os Garotas Suecas estão em ponto de bala. Uma banda que é uma família e um grupo de amigos ao mesmo tempo e que sobrevive às tretas e à rotina deste tipo de convívio por quase 20 anos consegue manter uma conexão espiritual entre seus integrantes que inevitavelmente transparece no som. Mais do que nas canções e composições, os quatro têm uma dinâmica de palco que só um relacionamento desta categoria poderia prover e isso ficou muito evidente ao trabalhar com o grupo no show de lançamento de seu disco mais recente: 1 2 3 4 foi composto e gravado antes, durante e depois da pandemia e funcionou como tábua de salvação para a saúde mental dos quatro integrantes, que transformaram sua execução em um exercício contínuo. Tanto que quando começamos a definir como seria esse show de lançamento o que menos preocupava era a entrega da banda, todos estavam confiantes de seu poder e coesão musical que isso era o menor dos detalhes. O que fizemos juntos no show que eles apresentaram no Sesc Vila Mariana nesta quinta foi justamente ter uma noção de perspectiva histórica – tanto na biografia do grupo (que teve diversas fases visitadas pelo repertório, embora a ênfase fosse o disco recém-lançado) quanto no contexto maior da música produzida em São Paulo, o que os fez emendar “Saudosa Maloca”, de Adoniran Barbosa, com sua “Gentrificação” (mostrando que o drama das duas canções, mesmo décadas de distância uma da outra, é o mesmo) e pinçar um clássico de Tatá Aeroplano (“Tudo Parado na City”), que inclusive estava presente sem saber que ouviria uma versão de uma música sua e que transformou-se numa música do Garotas justamente por sua fluência como conjunto. O número quatro que paira sobre o disco – é o quarto de uma banda de quatro integrantes – espalhava-se em outros aspectos, como a ênfase no fato que é uma banda com quatro vocalistas (cantando, inclusive, números vocais em que abriam notas em coral) ou a capa do disco (originalmente uma tela de Thiago Haidar) dividida em quatro colunas atrás dos quatro. Um show que mostrou que, mesmo quase vinte anos em atividade, os Garotas Suecas ainda têm muito o que mostrar.

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(Foto: Fausto Chermont/Divulgação)

Nesta quinta-feira o grupo Garotas Suecas finalmente mostra seu recém-lançado quarto álbum, 1 2 3 4, ao vivo no palco do auditório do Sesc Vila Mariana. Acompanho o grupo desde antes de eles terem lançado seu primeiro disco – e lá vão quase vinte anos vendo a banda abrir caminhos pelo underground brasileiro ao mesmo tempo em que faziam pontes no exterior. Mas desde que venho trabalhando como curador me tornei mais próximo dos integrantes da banda, fizemos shows e uma temporada no Centro da Terra juntos ao mesmo tempo em que pude acompanhar diferentes estágios do processo criativo do grupo, especificamente o disco que compuseram durante a pandemia. E conversando sobre os rumos do disco, começamos a trabalhar juntos – e além de ter assinado o release do disco novo da banda também fui convidado para dirigir o novo show do grupo, que estreia nesta quinta. Foi um jeito de conhecer melhor Tomaz, Nico, Irina e Perdido, que mostram esse disco que reflete os anos de trevas que atravessamos recentemente. A apresentação começa às 20h e chegando em cima da hora sempre dá pra conseguir uns ingressos.

Universos colidem nesta quinta-feira em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Picles. A banda da vez é o trio Xepa Sounds, liderado por Thiago França e ancorado pela percussão de Pimpa e Samba Sam em uma noite de delírio pop que vai da dance music à pagodeira, só no beat e sax – e como essa edição vai pegar fogo, melhor garantir seu ingresso antes da hora pra não correr o risco de ficar de fora. Depois assumo a discotecagem até o fim da madrugada e quem me acompanha é esta que você já deve ter sonhado com ela sem saber de seu nome: Bamboloki, que traz o puro suco dos anos 2000 para a pista de dança. O Picles fica no coração de Pinheiros – enquanto ele ainda tem um – no número 1838 da Cardeal Arcoverde e se deixar o Thiago começa a tocar na hora que abre, às oito da noite. Vem!

Velhos camaradas

Bubu, Ricardo, Benjão e Marcelo já haviam se reencontrado uns com os outros depois do período tenso da pandemia, Um tá morando em Portugal, outro veio pra São Paulo e dois seguiram no Rio, distância que acabou causando um fato inédito na história do quarteto Do Amor – pela primeira vez eles compuseram um disco separados, sem tocar aquelas músicas juntos. Problemão, disco que encerra a trilogia bad vibe iniciada com Fodido Demais (2017) e seguido por Zona Morta (2019), foi vivido ao vivo pelos quatro pela primeira vez nesta terça-feira, no Centro da Terra, quando, depois de três dias matando a saudade de tocar juntos no estúdio que Bubu montou em casa, eles finalmente se reencontraram no palco. A casa cheia ouviu o grupo passar por todo o disco lançado este ano mas também por diferentes fases de sua discografia, além de versões para músicas dos Beatles (“Eight Days a Week”, cantada pelo baterista) e João Donato (reverenciado em sua “Naturalmente”). Mas o mais impressionante é ver como a dinâmica musical destes velhos camaradas, uma new wave meio torta, entortada justamente pela música brasileira, parente dos Talking Heads, do Ween e dos Picassos Falsos, segue intacta, cada vez mais envolvente, seja pelo calor da música ou pelo humor infame. Showzaço!

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Maior prazer em realizar a reunião do grupo carioca Do Amor nesta terça-feira, no Centro da Terra. Sem se encontrar pessoalmente desde antes da pandemia, o clássico grupo independente formado por Gabriel “Bubu” Mayall (guitarra e voz), Gustavo Benjão (guitarra e voz), Ricardo Dias Gomes (baixo e voz) e Marcelo Callado (bateria e voz) sobem juntos no palco pela primeira vez desde 2019, quando mostram tanto músicas de seu recém-lançado disco quanto canções de seus mais de 15 anos de carreira. O espetáculo Problemão Do Amor começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link

Entre extremos

Mais uma noite no Centro da Terra dentro da temperada Linha do Tempo Contínuo que Sandra Coutinho está conduzindo às segundas de agosto lá no teatro – e desta vez ela puxou dois extremos de sua carreira. Na primeira parte, juntou-se a Paula Rebellato (teclados, efeitos e voz) e Mari Crestani (guitarra e sax) para meia hora de improviso livre, uma de suas viagens atuais. Depois foi a vez de recriar o manifesto pós-punk new wave new age AKT, supergrupo liderado por Sandra no início dos anos 90, cujo repertório foi recriado por Bibiana Graeff (teclados, acordeão e vocais), Silvia Tape (guitarra e vocais) e Rodrigo Saldanha (bateria), num exercício pouco nostálgico cuja química da nova formação pede por novas composições. E na segunda que vem Sandra encerra a temporada puxando o lado B das Mercenárias! Imperdível!

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E já que vínhamos falando dos Talking Heads, viram o trailer novo que a A24 preparou para o relançamento de Stop Making Sense, o filme que Jonathan Demme fez sobre a banda de Nova York ao vivo? Ainda não tem notícias sobre a vinda do filme para o Brasil, mas ia ser tão bom se pudéssemos ver por aqui…

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