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Maior satisfação receber no Centro da Terra mais uma apresentação do projeto Onira, criado pela poeta brasiliense Tatiana Nascimento e peli músico e produtor paulista Jovem Palerosi, que mostram o espetáculo Sonhar a Tempestade, pensado especialmente para a ocasião desta terça-feira. Os dois vem misturando som e poesia desde o ano passado e agora juntam-se à contrabaixista Lea Arafah (que também faz a arte do cartaz), à vídeo-artista Daisy Serena e à iluminadora Bruna Isumavut para reverenciar o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana homenageando existências negras trans, travestis e nao-binárias e as referências à dissidência sexual e/ou deserção de gênero trazidas no panteão por Orixás como Otim, Iansã, Oxumaré, Oxum, Oxossi e Ossaim. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda na bilheteria ou no site do Centro da Terra.

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A segunda noite da temporada BNegron Convida que o compadre BNegão está apresentando no Centro da Terra também foi a estreia de um mago das teclas e das produções no palco. Freelion, pseudônimo usado pelo baiano Sandro Mascarenhas para fundir sua mescla de ritmos caribenhos, reggae e pagodão eletrônico baiano, brilhou em sua primeira apresentação, misturando sozinho levadas primas em diferentes instrumentos, seja a escaleta, os sintetizadores, a MPC e até o piano do teatro – tudo para uma celebração de ritmo e groove que fez o público levantar-se das poltronas no final da apresentação. Ele ainda convidou o MC Dante Oxidante e o anfitrião da noite para subir no palco e fazer alguns números, entre elas a irresistível “Essa é Pra Tocar no Baile”, que fez com que todos dançassem no teatro. Estreia de responsa!

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Dá gosto ver um projeto musical tomando forma. Não faz nem um ano que Manu Julian assumiu seu projeto solo ao topar um convite que fiz para que se apresentasse no Centro da Terra e ela vem desenvolvendo uma ótima sincronia com seu dupla musical, o guitarrista Thales Castanheira. A apresentação deste sábado aconteceu no Mamãe, ali na Barra Funda, e mesmo com a plateia cheia de convidados ilustres, a vocalista não perdeu a pose, cada vez mais à vontade com o repertório que, embora ainda tenha composições de suas outras bandas (Pelados e Fernê) e versões que faz desde aquele primeiro show em outubro do ano passado (como “Você Não Vai Passar” eternizada por Ava Rocha e “Novedades” do grupo argentino El Príncipe Idiota), está cada vez mais autoral, embora algumas músicas, como de praxe, ainda não tenham título definido. Mas já estão aí. Vai Manu!

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Sábado teve a primeira das duas apresentações que o duo O Grivo realizou no Sesc Vila Mariana, fazendo trilha sonora para filmes com um século de idade. O projeto experimental fundado pelos músicos e luthiers mineiros Nelson Soares e Marcos Moreira mistura instrumentos eruditos, populares e criados por eles mesmos para superpor camadas sonoras que se complementam de forma ímpar, transformando suas apresentações em instalações sonoras que conversam também com as artes visuais – como teatro e dança. O fim de semana da dupla em São Paulo foi dedicado à sétima arte e se a apresentação do domingo ficou por conta da trilha sonora do clássico do expressionismo alemão O Gabinete do Dr. Caligari, de 1920, a apresentação que vi no dia anterior teve múltiplas facetas, uma vez que os dois músicos optaram por musicar curtas surrealistas daquela década um século atrás, que incluíam obras de Marcel Duchamp (Anemic Cinema, 1926), Man Ray (Emak Bakia, 1926), René Clair (Entr’acte, de 1924), Hans Richter (Rhythmus 21 e Rhythmus 23, ambos de 1921) e Walter Ruttmann (Opus III, de 1924), além de um curta temporão desta geração feito por Orson Welles (The Hearts of Age) em 1934. O clima onírico surrealista das peças pairava sobre músicas tocadas por instrumentos pouco ortodoxos como gongos e outros instrumentos de percussão de orquestra, cordas e teclas superpostas a loops de computador, entre a sinfonia e a sonoplastia e ao casamento reto e direto – mas nem por isso menos vago – quando os dois assumiam guitarra e bateria. Para viajar sem sair do lugar.

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Blues na sua cara

Corri dali pro Porta Maldita, mas não consegui assistir ao show das catarinenses Dirty Grills, mas pelo menos cheguei a tempo de ver o Orange Disaster, a banda do Carlão Freitas – que também toca comigo no Como Assim? – mais difícil de fazer shows pois seu baterista, Davi Rodriguez, não está morando no Brasil. Foi o primeiro show do grupo que vi, com Carlão fazendo as vezes de guitarra e baixo mesmo tocando só guitarra, enquanto o outro guitarrista, Vini F., se joga no noise, mas sem nunca perder a base musical do quarteto, enfiando um blues elétrico na sua cara a poucos centímetros de cair no caos sonoro dos Stooges, matendo a tensão necessária pra manter a paisagem sonora ideal para o vocalista J.C. Magalhães agir como um pregador apocalíptico, de chapéu, óculos e dedo em riste, hipnotizando o pequeno público que encheu o Porta Maldita.

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O cearense Mateus Fazeno Rock sentiu o peso da responsabilidade na apresentação que fez nesta quinta-feira na Casa Natura Musical. Reunindo um time de peso para mostrar seu Jesus Ñ Voltará, um dos grandes discos do ano passado, em grande estilo, ele quase escorregou na saída e bambeou quando um problema técnico o fez parar a apresentação para recomeçar do zero. Podia ter atropelado o erro e seguido em frente, mas sabendo da importância da apresentação, preferiu fechar as cortinas e voltar com tudo – invertendo inclusive o repertório para não simplesmente repetir a abertura original. E nestes momentos que você percebe a grandeza de um artista. Visivelmente nervoso na abertura que deu errado, ele voltou com sangue nos olhos e crescia a cada nova música – e a cada novo convidado. E que time: Fernando Catatau, Don L, Jup do Bairro, Brisa Flow e Mumutante, todos eles entrando no universo dramático do autor da noite, mesmo quando cantavam músicas próprias. A vocalista Mumutante era mais que participação especial e esteve durante todo o show com o grupo de Mateus (que ainda conta com os excelentes dançarinos Larissa Ribeiro e Raffa Tomaz e o DJ Viúva Negra), funcionando como segunda voz e calçando perfeitamente com o domínio que Mateus ia tendo do palco, seja só rimando ou tocando guitarra ou violão. E ele segue vindo…

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Você sabia que o Centro da Terra agora tem uma curadoria de cinema? Pois fui assistir a um dos filmes pautados pela Chica Mendonça, a curadora das quartas-feiras, pois teria uma surpresa musical ao final. O documentário A Música Natureza de Léa Freire, de Lucas Weglinski, está entrando em circuito comercial e teve sua pré-estreia no nosso teatro num dia que muita gente ficou pra fora, pois a protagonista do documentário, compositora, arranjadora e musicista histórica que felizmente está tendo sua importância resgatada recentemente, estava presente na sessão. E não apenas na plateia, ao final da exibição, Lea Freire subiu ao palco do teatro primeiro tocando piano ao lado do baixista Fernando Brandt, mas logo passou para seu instrumento do coração, a flauta transversal, quando convidou o mestre Filó Machado para dividir o palco com os dois. O violonista foi um dos primeiros parceiros de Lea, que transita entre a música erudita, a bossa nova e o choro e transpõe barreiras entre gêneros musicais com uma leveza e graça impressionantes – e vê-la ao lado de Filó, que comemorou os 50 anos da parceria, logo após assistir a um filme que, entre outras coisas, celebrava aquele encontro foi emocionante. Então já anota aí na agenda que toda quarta-feira tem filme lá no Centro da Terra – e algumas vezes podem vir boas surpresas como a desta quarta à noite…

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Agora já pode contar: vamos comemorar um ano de Inferninho Trabalho Sujo em grande estilo na semana que vem, trazendo ninguém menos que os grandes Boogarins, que armam mais um ritual de cura e libertação na próxima quinta, dia 25, no palco da noite que incinera corações e quadris com a fina flor da melhor música produzida no Brasil hoje, epicentro do caos em Pinheiros que também está fazendo aniversário — seis anos de Picles! E depois dos goianos, eu e Fran assumimos mais uma vez a madrugada, desfilando hits e fazendo todo mundo dançar. Os ingressos já estão à venda! Viva o Inferninho Trabalho Sujo e viva o Picles — e essa é só a primeira novidade deste primeiro aniversário. Outras virão! Queima!

Outro golaço da Balaclava! Depois de trazer o Tortoise pra tocar no Cine Joia, a gravadora indie paulistana subiu ainda mais o sarrafo ao anunciar duas datas dos Smashing Pumpkins no Brasil em novembro! O grupo liderado por Billy Corgan vem passando por uma fase de reabilitação, já tinha avisado que viria a Buenos Aires e a turnê The World is a Vampire joga luz em parte do repertório clássico da banda, com os sucessos dos anos 90, além de fazer com dois integrantes da formação original, o guitarrista James Iha e o baterista Jimmy Chamberlin. Os shows acontecem em Brasília (dia 1° de novembro, no Nilson Nelson) e em São Paulo (dia 3, no Espaço das Américas) e os ingressos começam a ser vendidos em breve – os de São Paulo começam a ser vendidos ainda esta semana, no dia 19, e os de Brasília ainda terão sua data anunciada. Resta saber se são os dois únicos shows da banda no Brasil e se haverá alguma atração de abertura nos dois shows… Quem você sugeriria para abrir para os Pumpkins? Continue