
Se você não conseguiu ir em nenhum dos meus últimos bailes de carnaval esse ano, sua última chance esse ano é no próximo domingo, quando entro num vórtice chamado Baile de Carnaval Inferninho Trabalho Sujo, que, como preza a natureza do local, nosso querido portal interdimensional chamado Picles, vai saber o que pode acontecer. É uma festa à fantasia que acontece no meio do bairro de Pinheiros, depois que os blocos dizimaram o enorme canteiro de obras que é a região, quando refugos e refugiados da folia se encontram com os heróis e heroínas que encararam passar o domingo de carnaval assistindo à apresentação de uma banda chamada Carnaindie, que mistura hits de axé music com covers de Strokes e não deixa ninguém parado! Depois, assumo a discotecagem com minha copilota agente do caos Bamboloki, fazendo sair glitter derretido do cérebro de quem estiver na pista. O Picles fica no número 1838 da rua Cardeal Arcoverde e se prepara porque vai ser LOCO. Bora!

Encontrei Kiko, Thiago e Juçara logo que cheguei na Casa de Francisca nessa quinta-feira saindo do elevador que agora dá acesso ao camarim em direção ao palco. Pude cumprimentá-los rapidamente antes que eles começassem a apresentação e desejar um bom show (no caso deles redundância, mas a saudação importa) quando Thiago frisou: “Sabe que hoje é aniversário daqui, né?”. Não estava sabendo, mas há exatos sete anos a Casa de Francisca arrancava suas raízes na rua José Maria Lisboa nos Jardins para replantá-las no coração de São Paulo, há poucos metros da Praça da Sé, no Palacete Tereza que hoje é a cara do lugar. Feliz por estar participando mais uma vez de um momento histórico desse palco sagrado (ainda mais com show do Metá Metá!), também comemorei que esse poderia um bom começo de carnaval, embora a vibração fosse distinta. Até que começaram a cair umas fichas: primeiro que aquele começo de carnaval tinha começado algumas horas antes, quando a polícia federal deteve o passaporte do meliante que ocupou a presidência da república, aproximando-o de seu destino desejado, a cadeia. O efeito dominó que as notícias da quinta-feira causaram (e seguem causando) inevitavelmente desdobraram-se na série de piadas e numa contagem regressiva que a prisão do desgraçado poderia ser o início do carnaval (eu acho que não vai rolar agora, vai ser um carnaval fora de época daqui a pouco). E depois me lembrei do show que vi daquele mesmo Metá Metá na outra Casa de Francisca, no fatídico dia 12 de maio de 2016, quando o Senado autorizou o início do golpe na Dilma. Foi o começo da era de trevas da qual ainda estamos saindo e lembro direitinho (até escrevi sobre isso na coluna que tinha na Caros Amigos na época) de como aquela notícia pesou nosso encontro antes do show e como o show em si foi um exorcismo daquele futuro ruim que sabíamos que viria. Oito anos depois, lá estava o mesmo Metá Metá – só os três de novo – em outra Casa de Francisca comentando a possibilidade de prender a pessoa que só chegou onde chegou porque derrubaram a presidenta naquele passado não tão distante. Ainda não estamos festejando o que deve ser festejado, mas o futuro sombrio (que ainda se avizinha, à espreita, fingindo-se de desentendido) está mais distante do que estava naquela noite de 2016. E mais uma vez era a música que mostrava o rumo a ser seguido. Viva a resistência cultural! Viva a Casa de Francisca! Viva o Metá Metá! Viva o Brasil e viva a música!
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O carnaval começa mesmo essa sexta e lá vou eu! Desta vez abro o baile à fantasia que a Charanga do França tá puxando na Casa de Francisca a partir das 19h30, pra quebrarmos tudo como normalmente fazemos. O desafio agora é ver quanto tempo que o Palacete fica aberto depois da maratona de boas vibrações emitidas nas quase três horas que duram o show da Charanga. A noite promete tanto que os ingressos estão esgotados desde a semana passada!

Maravilhosa a apresentação que Nina Maia fez nesta terça-feira no Centro da Terra. Mostrando parte do repertório que estará em seu disco de estreia, que ainda está sendo gravado, ela mostrou-se intensa e delicada na mesma medida, indo da introspecção à explosão sonora sempre com sua bela voz como fio condutor. Com poucas pausas e interação mínima com o público, ela suspendeu a expectativa dos presentes ao alternar momentos sutis e sensíveis – seja somente ao piano, cantando sobre bases eletrônicas pré-gravadas ou em dupla com sua eterna parceira Chica Barreto – com outros mais expansivos, que levam sua musicalidade rumo ao jazz e à MPB com a cozinha formada pelo baixo de Valentim Frateschi e a percussão de Thalin com acréscimos do cello de Chica e do violão de Yann Dardenne na última música da noite, “Amargo”, que será seu próximo single. A luz da dupla Retrato (Ana Zumpano e Beau Gomez) também ajudou o clima de introspecção e expansão entre luzes e sombras — e um espelho no palco.Cheia de si e com plena confiança da firmeza de sua voz e composições, ela está pronta para acontecer. E isso que foi só primeiro show do ano.
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Mais uma vez temos o prazer de receber Nina Maia no palco do Centro da Terra, desta vez apresentando-se como uma artista solo. Em Inteira, ela traz as canções que comporão seu disco de estreia com arranjos que vão da intimidade musical entre piano e voz ao formato banda, misturando música eletrônica, pop experimental, MPB e jazz. Além dela, sobem também ao palco do teatro nesta terça-feira os músicos Valentim Frateschi, Thalin e Nina Maia e o produtor Yann Dardenne, que a auxiliam na construção deste trabalho. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão esgotados.

O que você vai fazer no próximo dia 14 de agosto? Herbie Hancock conseguiu marcar um encontro com seus compadres dos Head Hunters para revisitar o clássico disco funk composto em 1973 que finalmente o livro da sombra de Miles Davis e colocou-o em seu próprio sistema solar. O aniversário de 50 anos do disco ao vivo acontecerá a princípio apenas no Hollywood Bowl, em Los Angeles, mas não duvide se começarem a pintar outras datas por aí. Ele postou um vídeo nesta terça-feira em sua conta no Instagram convidando os chapas Harvey Mason, Bennie Maupin e Bill Summers para reviver aquele delírio musical meio século depois e de todos os responsáveis por aquela joia, apenas o baixista Paul Jackson (que morreu em 2021) não estará presente, sendo substituído pelo grande Marcus Miller, outra lenda do instrumento. Os ingressos já estão à venda no site do Hollywood Bowl – e se você não conhece esse disco, faça-se esse favor agora mesmo!
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Começamos muito bem a temporada 2024 no Centro da Terra nesta segunda-feira, quando recebemos o MC fluminense Dadá Joãozinho para mostrar a próxima fase de seu trabalho, que está sendo construída no palco. Depois da boa recepção de seu disco de estreia, Tds Bem Global, o produtor rearranjou canções deste primeiro trabalho no espetáculo Global Inabitual, em que, sozinho, desconstruiu suas faixas, deixando seu canto livre para experimentar novas paisagens sonoras. Com o auxílio luxuoso da luz de Mau Schramm, Dadá saudou parceiros como Bebé, Alceu e Joca, além de reverenciar Maria Beraldo numa versão particular para sua “Da Menor Importância”. Foi bonito.
#dadajoaozinhonocentrodaterra #dadajoaozinho #centrodaterra2024 #trabalhosujo2024shows 13
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Teve Dua Lipa, Billie Eilish, Lana Del Rey, Taylor Swift, Jay-Z chochando geral porque Beyoncé não ganhou de novo, Miley Cyrus, U2 e Billy Joel, mas o Grammy deste ano teve um sol e todos orbitaram ao redor da primeira apresentação de Joni Mitchell na premiação. Ela recebeu o prêmio de melhor disco folk do ano pelo disco ao vivo que lançou ano passado, Joni Mitchell at Newport, que registrava a aparição surpresa da mestra no clássico festival, quando foi acompanhada da amiga e musicisita Brandi Carlile, que a apresentou como “a matriarca da imaginação, uma verdadeira mulher da renascença, minha e sua heroína. Carlile também esteve presente na apresentação ao vivo que Joni fez, acompanhada de outras artistas como Lucius, Blake Mills, Jacob Collier e Allison Russell, quando cantou uma versão deslumbrante para seu clássico “Both Sides Now”.
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A primeira apresentação de 2024 no Centro da Terra é o produtor e MC de Niterói, Dadá Joãozinho, que, com seu disco de estreia – lançado pelo selo norte-americano Innovative Leisure – Tds Bem Global, conseguiu estar entre as revelações nacionais do ano passado. Nesta primeira apresentação no teatro, ele expande o conceito do disco e começa a mostrar os próximos passos de seu trabalho, fundindo música instrumental, jazz, beats quebrados e vocais rimados em Global Inabitual. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão sendo vendidos neste link.

Show dos Boogarins é sempre um acontecimento transcendental – a liga desenvolvida entre os quatro filhos do Centro Oeste transforma qualquer momento de entrosamento musical dos quatro em um delírio particular que pode ser esticado por horas se eles quiserem. Às vésperas da primeira turnê pelos EUA desde o período pandêmico, o grupo passou pelo Sesc Vila Mariana neste fim de semana celebrando os dez anos do aniversário de seu disco de estreia, Plantas Que Curam, que finalmente ressurgiu em vinil após anos fora de catálogo, e assistir a Dinho, Benke, Rapha e Ynaiã passeando por um repertório que já tem uma década não só reforça a importância do grupo na história da psicodelia brasileira como mostra que sua evolução é coesa, intensa e ampla, fluindo quase organicamente. A apresentação deste domingo contou com a íntegra do disco de 2013 – em ordem diferente -, trazendo ainda faixas que não entraram na edição original e que ressurgem nesta nova versão (como “Resolvi Ir”, que, como faziam há dez anos, fazia o show começar já engatado, “Olhos”, “A Sua Frente” e “Refazendo”), “Foi Mal” e uma faixa inédita, do próximo disco (“Cais dos Olhos” – é isso, Benke?). Por uma hora e meia de transe, o quarteto do cerrado nos submeteu a uma hipnose sonora auxiliada pelo time-família titular para além do palco (Renatão e Alejandra no som, Chrisley como roadie, Rolinos nas imagens e Igor na luz) que expandia minutos por horas psíquicas. O final da primeira parte do show, em que “Infinu”, “Fim”, “Doce” e “Eu Vou” se fundiram em uma só, foi só um dos vários exemplos que eles colocaram em prática a natureza psicodélica de seu som. Uma viagem pesada.
#boogarins #sescvilamariana #trabalhosujo2024shows 12
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