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Show

Tenho um segredo pra te contar: o último espetáculo musical de março no Centro da Terra é um evento único, como o desabrochar de uma orquídea ou uma aurora boreal. A cantora e compositora Manda Conti, que vara madrugadas fazendo lives solitárias com seu violão, mostra suas próprias composições na apresentação Um Segredo Meu, na segunda vez que sobe a um palco. Dona de uma voz delicada e firme ao mesmo tempo, ele reuniu um time de músicos de respeito – Luis Cunha ao violão e direção musical, Batata Boy nos teclados, José Pedro no piano e vocais e Helena Cruz no baixo – para mostrar suas canções em público, muitas delas pela primeira vez, colocando-se em algum lugar entre a doçura das melodias de Stevie Wonder, Suzanne Vega e Carole King e uma instrumentação que soa jazzy, folk e ambient ao mesmo tempo. O espetáculo começa pontualmente às 20h e ainda há ingressos à venda neste link.

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Missa à música

Na última noite da temporada Aprendendo a Rezar, Luiza Brina reuniu duas sacerdotisas da canção como ela para transformar um conjunto de orações em uma missa à música. Ao lado de Iara Rennó e Josyara, ela passou por músicas de seu terceiro álbum Prece, que será lançado neste mês de abril, e por rogos escritos pelas duas convidadas, harmonizando cordas e vocais de três mulheres fortes de nossa música de forma sublime. A noite começou e terminou com a mesma canção, a prece “Oração 18”, que ela apresentou na terceira noite da temporada no Centro da Terra, e que será lançada ainda esta semana. Um desfecho divino.

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E a Charlie XCX que, às vésperas de lançar seu disco novo, anunciou nesta segunda-feira que incluiu São Paulo como uma das sete cidades que visitará no próximo mês de junho? Brat, que ela vem antecipando nas redes sociais como seu disco de boate, ainda não tem data de lançamento anunciada, mas é bem provável que ela já passe por Barcelona, Londres, Nova York, Chicago, Los Angeles, Cidade do México e São Paulo no fim do semestre desfilando músicas de um disco recém-lançado. A diferença entre as apresentações é que na Espanha e nos EUA ela fará shows, enquanto na Inglaterra, no México e no Brasil apenas discotecará em noites que ela se refere como “partygirl”. A apresentação na metrópole brasileira acontecerá no clube Zig, na Barra Funda, e o link para comprar os ingressos é esse (se é que ainda há algum). Não me empolguei com o primeiro single do disco, “Von Dutch”, muito aquém da média de seu disco anterior, o irresistível Crash, mas sempre é bom ver a noite paulistana sendo reconhecida em escala mundial. O que não falta é gringo falando que a vida noturna daqui tem dado de goleada nas tradicionais capitais da noite mundial.

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Dos maiores nomes da música preta brasileira (e ela mesma responsável por criar esse rótulo, no disco ao vivo de mesmo nome lançado há vinte anos), Sandra Sá arrasou como de praxe na segunda de suas duas apresentações que fez neste fim de semana no Sesc Vila Mariana. Acompanhada de uma banda enxuta e pesada (Junior Macedo na guitarra, Misael Castro no baixo, Maikon Pereira na batera e Bebeto Sorriso na percussão), ela atravessou pouco mais de uma hora de show reunindo um rosário de hits invejável. Ela abriu a noite pesando seu “Soul de Verão” (sua versão para a música-tema do filme Fama, de 1980) passou por “Demônio Colorido” e depois emendou baladas irresistíveis como a imortal “Retratos e Canções”, “Sozinho”, “Solidão” e “Certas Coisas” (de Lulu Santos, que a levou às lágrimas). Depois passeou por sucessos alheios ao citar dois exemplos de música preta brasileira que transcendem a cor da pele ao emendar uma música “de um neguinho do interior das Alagoas” (“Flor de Lis” de Djavan) com outra de “um branquelo playba, carica e universitário” (“Madalena” de Ivan Lins), puxando depois um Sérgio Sampaio (a clássica “Eu Quero Botar Meu Bloco na Rua”), um Cazuza (“Blues da Piedade”, em que fez referência à prisão dos mandantes do assassinato de Marielle Franco, “já começou…”) e uma Marina Lima (“Uma Noite e Meia” calibrada no samba). Na segunda metade da noite, voltou ao seu próprio repertório, passando pela gigante “Bye Bye Tristeza” (definida por ela mesma como “uma oração”, quando regeu o público dividindo-o em dois corais durante o refrão), “Dançando com a Vida”, “Boralá” e encerrando com seu primeiro grande sucesso, a irresistível “Olhos Coloridos”. E como essa mulher segue cantando pacas: além de rimar raps em várias músicas, também declamou poemas novos sobre velhas canções e soltou sua voz mostrando-a intacta em vários momentos. Se tiver a oportunidade de assistir a um show da mestra, não titubeie: Sandra Sá – que tirou mais uma vez o “de” do meio de seu nome artístico – ao vivo faz jus ao seu legado e não deixa ninguém parado, seja fazendo dançar ou rolar lágrimas. Uma divindade da música que nos move com seus pulmões.

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Laceando o retorno

Fui no segundo show que O Terno fez no Espaço das Américas em sua turnê de retorno e a apresentação manteve o riscado da noite de estreia, só que conseguiram ser mais compactos sem necessariamente sacrificar o conjunto da obra. Foram 29 canções distribuídas duas hora e vinte minutos, dez a menos que da noite anterior, e só uma mudança no repertório, quando “Bote ao Contrário” entrou no lugar de “Vamos Assumir”. E, como na primeira apresentação, o momento de ouro é quando os metais deixam o palco, mostrando que o entrosamento entre Tim Bernardes, Guilherme D’Almeida e Biel Basile é mais que musical e não apenas roqueiro, como dá para perceber, por exemplo, na versão ao vivo para “Eu Vou” – e isso era palpável ao cumprimentá-los após o show, quando mostravam-se realmente empolgados com a volta e com os próximos shows. Oxalá os inspire a compor um novo álbum, reforçando a tensão criativa entre os três. Voa Terno!

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Química intacta

Valendo! Começou nessa sexta-feira a turnê de retorno do grupo O Terno, que encerra a série de shows de seu quarto disco, Atrás/Além, interrompida pela pandemia há quatro anos. Mas mesmo com tanto tempo sem tocar juntos, é recompensador ter a certeza de que a química entre Tim Bernardes, Guilherme D’Almeida e Biel Basile segue intacta – talvez ainda mais afiada. Os três se entendem musicalmente sem precisar olhar na cara um do outro – e quando o fazem percebem a certeza do som que estão fazendo, e a excitação de ter lotado o Espaço das Américas ajudava muito nisso. Por isso que meu momento preferido nas duas horas e meia de apresentação tenha sido quando o naipe de metais quase onipresente deixa o palco e os três podem fazer o som que é sua assinatura musical, nem que por apenas três canções (“Pra Sempre Será”, “Eu Vou” e “O Cinza”, esta última épica!). É óbvio que cordas, metais e mesmo o piano de cauda funcionam com a sonoridade do grupo, mas quando Tim rasga a guitarra solando, Peixe torna seu baixo uma âncora que sola (uma aparente contraditória mistura de John Entwistle com Peter Hook) e Biel trafega por seu set com graça e peso ao mesmo tempo a essência do grupo torna-se evidente – e suas auras brilham com a mesma intensidade – algo que era sublinhado visualmente com a ótima luz de Olívia Munhoz, que age como se fosse integrante do trio. A ênfase no disco mais recente (um irmão caçula do 4 do Los Hermanos, que insiste no percurso mais dócil da mistura de indie rock com MPB) acaba por tirar peso e eletricidade da apresentação, aproximando-a da sonoridade da carreira solo de Tim, o que reflete-se na escolha da única versão da noite, “O Sonhador”, de Leandro e Leonardo. E o que poderia ser um show de grandes sucessos da banda (afinal, os quatro anos sem subir no palco pediam) acabou pesando para a segunda metade da história da banda: foram 23 músicas do terceiro e quarto disco contra apenas cinco dos dois primeiros. Felizmente fecharam com “66”, primeiro hit do primeiro disco, que justamente colocou o dedo do grupo de volta na tomada, eletrizando a plateia ao final. E isso que só foi o primeiro da turnê…

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Ana Spalter e Felipe Távora entrelaçaram instrumentos, vozes e repertórios nesta quarta-feira, ao fazer a primeira apresentação em dupla no Teatro da Rotina. Com a casa lotada, os dois passearam pelas próprias canções, encontrando pontos em comum entre melodias e temas e reduzindo os arranjos quase sempre a um violão e um teclado, pilotados respectivamente por Felipe e Ana, que também encontraram-se no bom humor (com algumas piadas infames) com o qual conduziram a noite. Numa apresentação minimalista e delicada, os dois cativaram o público presente, fazendo-os cantarem trechos de músicas que sequer conheciam. E além das próprias composições, passearam por músicas de Gilberto Gil (“Drão”) e Edu Lobo (“Zum-zum”), esta última dividida com a voz fantástica de Luiza Villa. Os dois encerraram a apresentação cantando “Gosto Meio Doce”, música de Távora que foi imortalizada pela dupla Nina Maia e Chica Barreto.

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Basta um pequeno detalhe, como esse:

O Instagram do Cine Joia deixou um emoticon com os olhos arregalados num post recente da turnê que o grupo inglês Idles está fazendo pela Europa, levantando a possibilidade de um show da banda em São Paulo. Será?

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A produtora e musicista Lorena Hollander conduziu o público que foi ao Centro da Terra nesta terça-feira em uma jornada interior. Apesar de apontar para o satélite natural do planeta ao batizar o espetáculo de seu projeto Ushan como Ao Redor da Lua, ela mergulhou em uma jornada interior dividida em três partes. Na primeira delas, entre apitos e um kotô, ela foi acompanhada pelo baixo de Samuel Bueno e pela bateria de Martin Simon e apresentou a paisagem sideral no cenário ao mesmo tempo em que conduzia o público para uma introspecção lisérgica que misturava baixo e bateria de rock psicodélico a beats, distorções digitais e mantras vocais ao timbre peculiar do instrumento asiático. Depois entrou numa viagem de improviso ao lado da convidada da noite, Sue, que trouxe sua guitarra e seus processadores sonoros para duelar com o kotô e os processadores de Lorena, em um improviso intenso. A terceira e última parte trouxe Samuel e Martin de volta ao palco, quando a líder da noite nos conduziu pelo momento mais expansivo e intenso da noite, entre efeitos e uma cimitarra na cabeça. De deixar todos perplexos.

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Adoro quando essas coincidências acontecem. Conversei faz tempo com a Lorena Hollander, autora do projeto Ushan, sobre a possibilidade de fazermos uma apresentação no Centro da Terra e entre datas que vão e voltam, conseguimos acertar o espetáculo para o dia 19 de março – sem perceber que esse dia marcava justamente o fim do ano astrológico e de um ano regido pela lua! Seu projeto musical é regido por nosso satélite e o nome Ushan também faz referência à Lua, inspiração também para o disco Banho de Lua, de 2022, e o clipe “Lunar”, cuja equipe ela reuniu para esta celebração no Centro da Terra. Misturando música brasileira, música eletrônica e rock, a apresentação contará com Lorena tocando o instrumento asiático koto, além da guitarra, sintetizadores e voz, que ainda reuniu o baixista Samuel Bueno, o baterista Martin Simon, o cenógrafo Cleverson Salvaro, as projeções de Carol Costa e a luz de Morim Lobato, além de contar com a participação especial da Sue, tocando guitarra e disparando samples. O espetáculo Ao Redor da Lua começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda neste link.

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