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Outro grande encontro aconteceu no festival Glastonbury, desta vez no sábado, quando duas divas inglesas da pista de dança, donas de álbuns excelentes lançados no ano passado dividiram vocais no palco, quando Jessie Ware recebeu Romy para, juntas, lançarem ao vivo a irresistível “Lift You Up”, um house fino que faz a ponte entre as vertentes dance de ambas, cuja versão de estúdio já está disponível nas plataformas digitais neste domingo. Senso de marketing afinadíssimo com o senso estético, uma musicaça lançada do jeito certo.

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“Essa noite, vou fingir que estou no Tame Impala”, brincou a cantora Dua Lipa nessa sexta-feira, no meio de sua apresentação no festival inglês de Glastonbury, quando convidou seu amigo e produtor Kevin Parker para dividir os vocais em seu hit “The Less I Know the Better”. Que momento!

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Seria só o show de lançamento de um EP, mas o Quartabê aproveitou para transformar a apresentação dessa sexta-feira no Sesc Vila Mariana em um espetáculo celebrando sua primeira década, numa sessão de tirar o fôlego. A primeira parte da noite foi baseada em Repescagem, disco que lançaram há pouco e que funciona como um complemento do álbum de 2018, que celebra a obra do mestre Caymmi e a primeira surpresa da noite surgiu logo que as cortinas se abriram, revelando apenas as silhuetas de suas integrantes, todas empunhando um violão, que não é o instrumento de nenhuma delas – e sim de Dorival. Aos poucos, cada um desceu da bancada em que começaram a brincar com o instrumento-base da música brasileira e tomou seus lugares à frente de suas ferramentas musicais: Chicão entre teclados e piano de cauda, Maria Beraldo e Joana Queiroz entre saxes, clarinetes e clarones e Mariá Portugal pilotando sua bateria. E assim começamos a colocar os pés na praia do baiano, envoltos pelo transe instrumental conduzido pelas quatro. A próxima surpresa veio como um voz do além, quando outra silhueta surgiu atrás do grupo – era a primeira convidada da noite, Ná Ozzetti, improvisando antes de sua entrada formal, quando participou da música que canta no recém-lançado EP, “Maricotinha”, esta misturada com “Batuque no Morro”, de Herivelto Martins, uma favorita do saudoso Zé Celso Martinez Correa, que o grupo homenageou nesta inclusão, como Chicão explicou. Depois foi a vez de receber a antiga integrante Ana Karina Sebastião e seu contrabaixo elétrico parecia nunca ter saído da banda, quando visitaram o autor homenageado do disco que gravaram quando a carioca integrava o grupo, Li​ç​ã​o #1: Moacir, em homenagem a Moacir Santos. A musicalidade e o carisma da segunda convidada engrossou ainda mais o caldo da noite e o público, boquiaberto, assistia em silêncio tanto os momentos mais intensos quanto os mais silenciosos, transformando a celebração da primeira década da banda em uma festa para os ouvidos – e olhos, este graças à integrante honorária do grupo, a iluminadora Olivia Munhoz, que brilhou mais do que o normal, como é quando apresenta-se com o grupo. “A gente faz uma linda trilha pra luz da Olivia”, brincou Beraldo, ao apresentar o time que faz o show e não estava no palco. A noite terminou com nova participação de Ná Ozzetti, quando as quatro voltaram à bancada de trás do palco com os violões, a luz destacou suas silhuetas e pudemos ver a participação sensível da cantora veterana que, na segunda volta ao palco, apenas dançou – lindamente. Fácil fácil um dos melhores shows do ano.

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Findo o primeiro semestre, vamos começar o segundo já na segunda-feira com mais uma safra de shows inéditos no Centro da Terra. A temporada do mês terá apenas três datas pois seu anfitrião, o grande mestre BNegão, estará com a agenda mais atribulada do que o normal – e nos três shows da leva BNegron Convida trará novíssimos artistas com os quais ele dividirá o palco nas segundas 15, 22 e 29. Mas o julho musical do Centro da Terra começa já no primeiro dia do mês, quando Lucca Simões mostrando os rumos que está trilhando no que se tornará seu primeiro álbum a partir do espetáculo Dizer Novo Adeus, que conta com Chico Bernardes, Lucas Gonçalves e Eduarda Abreu em sua banda, além da participação de Gabriel Milliet. Dia 2 é a vez da antiga banda Goldenloki se reinventar num formato ainda em transformação num espetáculo chamado Protoloops, quando os irmãos Dardenne (Otto e Yann), Thales Castanheira e Martin Simonovich em que levam a psicodelia de sua antiga banda para os rumos da eletrônica, num projeto que ainda não tem nome definido e contará com as participações das cantoras Nina Maia e Marina Reis, de Valentim Frateschi nos teclados e sampler, de Felipe Vaqueiro da guitarra e projeções do Danileira. Dia 16 recebemos o projeto Des Chimères, criado pelos artistas Grisa e João Viegas, misturando timbres acústicos e eletrônicos enquanto navegam entre a música brasileira, o jazz e a chanson française. Além de um repertório de inéditas, eles também mostram composições de seus trabalhos solo dentro do formato deste espetáculo. Na terça-feira dia 23 é a vez de expandir o Onira, projeto da dupla formada pela escritora Tatiana Nascimento e pelo instrumentista Jovem Palerosi, que mistura poesia falada, sonoridades afrofuturista, eletrônica e o material de sonhos. Na apresentação que forjaram para o Centro da Terra, Sonhar a Tempestade, reúnem-se à contrabaixista Lea Arafah, à videoartista Daisy Serena e à iluminadora Bruna Isumavut para celebrar Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana ao homenagear as existências negras trans, travestis e nao-binárias e à dissidência sexual e/ou deserção de gênero de orixás como Otim, Iansã, Oxumaré, Oxum, Oxossi e Ossaim. O mês termina no dia 30, quando o grupo Música de Montagem apresenta o espetáculo O Grito do Escuro em que mostram parte do seu repertório atual – do disco Rua – e canções inéditas ao lado dos cantores Rubi e Ana Deriggi. Os espetáculos começam sempre às 20h e os ingressos já estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.

#centrodaterra2024

Em turnê pela Europa, Patti Smith surpreendeu todo mundo quando, ao apresentar-se em Dublin, na Irlanda, nesta quinta-feira, anunciou que cantaria uma música que a lembrava dos “juventude selvagem” que teve ao lado de seu falecido marido, o lendário Fred “Sonic” Smith, do grupo MC5, pouco antes de entrar numa versão emotiva de “Summertime Sadness”, de ninguém menos que Lana Del Rey. Lindo demais, veja abaixo: Continue

Uma sexta em plena quinta-feira! Essa foi a vibe do último Inferninho Trabalho Sujo do semestre, que contou com duas atrações musicais desnorteantes, cada uma à sua maneira. A noite começou com o quarteto indie-prog-jazz Cianoceronte, ainda mais azeitados do que da última vez que os vi ao vivo, justamente quando estrearam o novo baterista Demian Verano. Com o novo integrante completamente sincronizado com os outros três (a tecladista e vocalista Eduarda Abreu, o baixista Victor Alves e o guitarrista Bruno Giovanolli), a banda nem precisa trocar olhares para acompanhar as trocas de andamento e tempo que seu som quase todo instrumental propõe, numa apresentação que ainda contou com a participação do saxofonista Gabriel Gadelha. Showzão.

Depois foi a vez da dupla Desi & Dino fazer sua estreia oficial, segundo os próprios. Juntos, Desirée Marantes e Dinho Almeida reuniram eletrônicos e pedais para, cada um com seu instrumento, puxar vibes espaciais e oníricas: Dinho com a guitarra cheio de efeitos e o vocal completamente à solta e Desi com seu violino hipnótico, empilhando camadas de drone com melodias improvisadas. Os dois colocaram a plateia do Picles – que, mais uma vez, reunia boa parte da cena independente cheia de curiosidade – em um transe bem específico, por poucos minutos que abriam portais nas cabeças dos presentes. Puro delírio. Depois pude receber de volta a querida Francesca de volta à nossa pistinha e foi uma noite daquelas, quem foi sabe. E te prepara porque o julho do Inferninho Trabalho Sujo, comemorando um ano na ativa, vai pegar fogo! Aguarde e confie.

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O último Inferninho Trabalho Sujo do mês de junho acontece excepcionalmente numa quinta-feira, mas com o mesmo fogo da sexta. A noite começa temperada pela psicodelia indie-prog do grupo Cianoceronte, que mistura rock clássico com música brasileira e está produzindo seu primeiro álbum. Depois deles é a vez da dupla Desi & Dino, formada pela violinista e produtora gaúcha Desirée Marantes ao lado de seu compadre goiano Dinho Almeida, dos Boogarins, que conduz a noite numa viagem daquelas. Depois recebo de volta a querida Francesca Ribeiro, que nos presenteia com o calor de quem acabou de voltar de sua primeira turnê internacional para inflamar ainda mais as temperaturas madrugada adentro. Quem conhece sabe… O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde e a primeira banda entra às dez da noite, por isso chega cedo pra sentir todo o calor dessa noite junina…

A noite de quarta terminou com o encontro de duas novas bandas na Porta Maldita, que é uma das melhores pequenas casas de show do underground de São Paulo, quando os baianos dos Tangolo Mangos, tocando onde dá em São Paulo desde que os chamei pro Inferninho Trabalho Sujo no Picles, encontraram-se com o quarteto paulistano Os Fonsecas – dois grupos que mostram a intensidade de uma nova geração de artistas que equilibra-se entre a MPB e o indie rock e que aos poucos vem se estabelecendo em diferentes cidades do Brasil. Com a casa cheia em plena quarta-feira, a noite começou com uma apresentação bem mais firme da que havia visto do grupo encabeçado pelo vocalista Felipe Távora, que acaba de lançar seu primeiro álbum, Estranho Pra Vizinha. À frente de um dos melhores power trios da nova cena de São Paulo (Valentim Frateschi no baixo, Caio Colasante na guitarra e Thalin na bateria), o vocalista tinha mais presença de palco e estava mais à vontade com os músicos, o que não aconteceu no primeiro show que vi deles naquela mesma casa – depois ele me confessou que aquele show anterior havia sido muito “caótico”. Como naquele outro show, este também terminou com a participação do vocalista do Tangolo, Felipe Vaqueiro, tocando sua já famosa gaita. Uma boa amostra do que está vindo por aí…

Depois dos Fonsecas foi a vez dos Tangolo Mangos subirem no palco para mostrar quase todo seu disco de estreia Garatujas, além de músicas de seus primeiros EPs e outras inéditas. O grupo vem de uma sequência intensa de shows paulistas: além do Inferninho Trabalho Sujo, eles ainda tocaram em Campinas, Santo André e abriram para a Sophia Chablau & Uma Enorme Perda de Tempo na Casa Natura, além de participar de uma festa junina no Porta como banda surpresa, domingo passado, sempre com o guitarrista dos Fonsecas, Caio Colasante, como quinto integrante. Essa sequência pode até cobrar um preço pelo cansaço, mas inevitavelmente deixa qualquer grupo tinindo e o guitarrista Felipe Vaqueiro, o baixista João Denovaro, o percussionista Bruno Fechine e o baterista João Antônio Dourado estavam completamente entrosados, enfileirando músicas em alguns casos de improviso. O grande momento do show acabou por coroar o encontro das duas noites, quando chamaram o baixista da banda de abertura, Valentim Frateschi, para cantar seu single “Falando Nisso”, música que o próprio Tim revelou ter sido composta inspirada na banda baiana. Antes da noite terminar ainda chamaram o tecladista do Eiras e Beiras, Eduardo Barquinho, para acompanhar o grupo por três músicas, que encerraram a apresentação com o público cantando músicas gigantescas a plenos pulmões. Esta nova onda está só começando a crescer…

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Jadsa subiu no palco do auditório do Sesc Pinheiros nesta quarta-feira com uma banda enxuta e já dando os passos decisivos para o que deverá ser seu segundo disco, Big Buraco. Ela começou a experimentar este conceito numa temporada que fizemos ano passado no Centro da Terra, quando chamou, como ela mesma lembrou, Fernando Catatau, Alessandra Leão, Juçara Marçal, Marina Melo, Josyara, Marcelle, Kiko Dinucci e Giovani Cidreira em diferentes noites para começar a desbravar o conceito sobre um buraco enorme que carregamos e que precisamos preencher durante nossas vidas. Desde então vem experimentando novas formações e desbravando ainda mais esse abismo espiritual interior enquanto vem gravando estas experiências no que deverá ser este disco, desta vez com a produção do maestro carioca Antonio Neves – e o motivo desta apresentação no meio da semana foi celebrar o encontro dos dois no mesmo palco em que o próprio Neves fez seu primeiro show, ainda com 14 anos de idade. Ao lado dos dois, outra dupla singular, uma cozinha precisa reunida como braços direitos de cada um, do lado de Jadsa o percussionista e manipulador de efeitos Felipe Galli e do lado de Antonio o monstruoso baixista Paulo Emmery. Mas as separações se desfazem logo na primeira música e aos poucos os quatro se amalgamam em uma só entidade, que vai para um universo diferente do disco de estreia da baiana, Olho de Vidro. Neves não tocou no seu instrumento principal, o trombone, dividindo-se entre a guitarra, a bateria e o trompete, deixando Jadsa brilhar com sua voz e guitarra em momentos que iam do reggae à MPB, do jazz à psicodelia. A apresentação culminou na única faixa não-inédita da noite, “Um Choro”, que Jad compôs para o EP que Juçara Marçal lançou como continuação de seu soberbo Delta Estácio Blues.

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“Eu não sou Jesus, mas tenho as mesmas iniciais”, apresentava-se Jarvis Cocker, vocalista do Pulp, pela metade dos anos 90 quando tornou-se um dos grandes nomes do pop britânico – e embora não tenha precisado usar estas credenciais, lá estava ele, domingo passado, dividindo os vocais com Jim Reid, do Jesus & Mary Chain, na última noite do festival italiano Medimex, na cidade de Taranto. Jarvis foi chamado para participar do show da clássica banda indie escocesa e assumiu os vocais no grande hit da banda, a irresistível “Just Like Honey”, num momento épico para o indie britânico. Quem dera…

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