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Show

Que prazer receber nas quatro vezes em abril a celebração de 25 anos de São Paulo que o mestre Paulo Beto completa neste 2025. O mineiro criador do projeto Anvil FX chegou há um quarto de século na cidade e nos próximos quatro começos de semana comemora este aniversário com comparsas, cúmplices e camaradas de diversas frentes musicais, transformando cada apresentação em um mergulho em uma de suas facetas artísticas. Na primeira noite ele convida Marco Nalesso, Nivaldo Campopiano, Paulo Casale e Lucinha Turnbull para realizar o projeto Santa Sangre no palco do teatro. Na segunda seguinte, dia 14, ele traz Miguel Barella, Tatá Aeroplano, Edgard Scandurra e Luiz Thunderbird em mais uma mutação de seu grupo Zeroum. Depois, dia 22 (que cai numa terça, porque a segunda anterior é feriado e o teatro não abre), ele traz sua Church of Synth ao lado de Arthur Joly e Tatiana Meyer para encerrar no dia 28 com o Anvil Opake que conduz ao lado de Fausto Fawcett, Tatiana Meyer, Bibiana Graeff, Apolonia Alexandrina, Mari Crestani e Silvia Tape. Os espetáculos acontecem sempre pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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Vocês ouviram uma das músicas novas que Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo lançou no Lolla no fim de semana passado? Chama-se “Ao Sul do Mundo” e fala por si só. Assista abaixo: Continue

Bandas de MPB

O fim de semana fechou com mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Redoma, quando reuni duas novas bandas paulistanas que acrescentam o teclado à formação baixo, guitarra e bateria para passear por um repertório que conversa com a história da música brasileira recente – bandas de MPB! A Devolta ao Léu, que começou os trabalhos da noite, começa ali na virada dos anos 50 para os 60, puxando elementos de samba jazz e bossa nova com música pop brasileira. Desfalcados de um de seus fundadores (o guitarrista Eduardo Rodrigues, que estava fora de São Paulo), o quarteto chamou o baixista Roberth Nelson da banda Saravá para o palco e o baixista original do grupo, Leo Bergamini, assumiu a guitarra nesta apresentação. Completam o grupo a vocalista e tecladista Bru Cecci, com sua voz pequena e precisa como os timbres de seu teclado, e o baterista virtuose Rafa Sarmento, fazendo um pequeno showcase de um determinado período de nossa MPB e trazendo-o para este século, tocando um repertório inteirinho autoral. Promissor.

Depois foi a vez da já conhecida Orfeu Menino, liderada pela vocalista Luíza Villa, fazer um show quase inteirinho autoral – uma evolução considerável de repertório que a banda se impôs há menos de um ano, apresentando músicas novas a cada novo show. O entrosamento dos músicos segue intacto e impressionante, mantendo as viradas surpreendentes do baterista Tommy Coelho, a presença – marcada por seu vocal – do teclado de Pedro Abujamra, o groove melódico do baixo de João Ferrari e agora o brilho soul funk brasileiro da guitarra do novato João Vaz. O grupo começou a apresentação vestindo máscaras, que achei que fossem tirar na versão que fazem para “Cara Cara” de Gilberto Gil (“tira essa máscara, cara cara, quero ver você”), mas eles não só não tocaram essa música como limitaram-se a apenas duas versões alheias nesse show: “Pega Rapaz” da Rita Lee nos anos 80 e “Tudo Joia”, que trouxeram no bis – quando tocaram com o guitarrista mineiro Arthur Scarpini, a primeira participação especiais que o grupo tem em seus shows e este encerrou com “Pega Mal” – e lembro que quando os conheci, quando Luíza veio me propor seu show em homenagem à Joni Mitchell há pouco mais de um ano, esta era sua única música autoral. Tá evoluindo bem…

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Este fim de semana tem mais um Inferninho Trabalho Sujo no Redoma, em pleno domingo! Desta vez, a festa reúne duas bandas novatas que bebem na fonte da música brasileira dos anos 60 e 70 para fazer música deste século. A Devolta ao Léu, formada por Bru Cecci (teclado e voz) Eduardo Rodrigues (guitarra), Rafa Sarmento (bateria) e Leo Bergamini (baixo), está dando seus primeiros passos com influências de rock experimental e artistas brasileiros como Itamar Assumpção, Clube da Esquina e Erasmo Carlos, enquanto a Orfeu Menino, formada por Luíza Villa (voz), João Vaz (guitarra), Pedro Abujamra (teclado), João Ferrari (baixo) e Tommy Coelho (bateria), passa por Marcos Valle, João Donato, Edu Lobo, João Bosco e Joyce, rejuvenescendo o espírito do jazz brasileiro para o século 21. E quando as bandas não estiverem no palco, sou eu quem deixa o som rolar – e os ingressos já estão à venda neste link!

Com duas datas na Nova Zelândia, não era muito difícil prever que os dois shows que Dua Lipa faria naquele país trariam dois dos maiores hits neo-zelandeses de todos os tempos, embora poucas pessoas além dos fãs destes artistas saibam que estas músicas vieram lá das bandas da Oceania. Depois de cantar “Royals” da Lorde em seu primeiro show no arquipélago no meio do Pacífico na quarta passada, nessa sexta a cantora inglesa escolheu o irresistível hit oitentista “Don’t Dream is Over” do grupo Crowded House, com a presença do próprio líder da banda no palco, Neil Finn. E como sempre, ela fez bonito. Sua próxima parada acontece no fim de semana que vem, quando ela começa o braço europeu de sua turnê mundial, começando pela Espanha. Alguém chuta o que ela pode cantar?

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Hipnose ruidosa

Na segunda edição do Inferninho Trabalho Sujo na Casa de Francisca, duas bandas da pequena gravadora paulistana em ascensão Selóki Records tomaram conta do clássico templo da música brasileira em São Paulo, ao trazer duas camadas de hipnose ruidosa que espalharam uma tensão noise inédita em seu Porão. A noite começou com a aparição da Madre de Luiza Pereira, grupo em que a ex-vocalista da banda Inky dissolve suas tensões pessoais e exerce sua paixão pela microfonia melódica acompanhada de um trio demolidor, formado por Desirée Marantes (na segunda guitarra), Theo Charbel (no baixo e vocais) e Martin Simonovich (na bateria). Mostrando músicas de seu disco de estreia, Vazio Obsceno, Luiza surfou em câmera lenta na névoa elétrica de sua banda, deixando o clima da noite no ponto para a segunda atração da sexta.

Depois foi a vez dos cinco Madrugada fechar mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo em sua estreia na Casa de Francisca. Paula Rebellato, Otto e Yann Dardenne, Raphael Carapia e Cacá Amaral promoveram mais uma vez seu ritual kraut, partindo da repetição mecânica num loop quadrado – mas em constante movimento pela banda ter dois bateristas, Yann e Cacá! -, que arredonda com a marcação quase funky do baixo minimalista de Otto, que também estabelece balizas vocais para o ritmo e as expansões sensoriais promovidas pelos dois sócios do Porta: de um lado Paula repete frases nos synths enquanto roga juras de libertação, do outro Rapha faz sua guitarra rugir em abstrato ao enterrá-la constantemente em seu amplificador. A massa sonora do quinteto rapidamente tomou conta do ambiente, dragando todas as atenções para aquela missa profana que celebrava a força de uma tempestade, entre relâmpagos e trovões. Absurdo.

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Mais uma vez o Inferninho Trabalho Sujo chega ao Porão da Casa de Francisca, desta vez dia 4 de abril, sexta em que reunimos dois shows intensos e elétricos da nova geração de bandas desta década, começando a noite com a nova versão do grupo Madre, liderado por Luiza Pereira, que agora conta com Desirée Marantes na segunda guitarra, e seguindo com o mantra circular e tribal do quinteto Madrugada, com duas baterias e muita fé no krautrock. E enquanto as bandas não estiverem no palco, a discotecagem, como sempre, fica comigo, que mantenho o clima elétrico da noite. Os ingressos já estão à venda neste link. Vamos?

Alguém anotou a placa do caminhão? O show que a nova banda de Jon Spencer fez nesta quinta-feira no Sesc Avenida Paulista não foi apenas uma aula de rock’n’roll, com o guitarrista que marcou a história do rock alternativo nos anos 90 à frente do trio Blues Explosion puxando referências que iam do country ao gospel, do punk ao blues, do doo-wop ao noise, enfileirando seus curtos blues elétricos em altíssima velocidade como amostras de capítulos importantes da história do rock protagonizados por figuras que não chegaram ao estrelato nem flertaram com o showbusiness, vivendo à margem da indústria da música como instrumentistas de estrada. Influenciado pela urgência de estar próximo ao público da cena punk americana dos anos 80, Jon Spencer se joga a cada microcanção, seja cuspindo palavras de ordem, rugindo grunhidos que esfacelam palavras ou disparando riffs como alvos a serem metralhados pelos dois músicos que o acompanham, o intenso e psicótico Macky “Spider” Bowman na bateria e a arma secreta da noite, a impressionante baixista Kendall Wind, ambos da banda Bobby Lees. “Os conheci há oito ou nove anos, quando sua antiga banda abriu para o Boss Hogg. Eles eram muito jovens naquela época, adolescentes, e Kendall e Mackie tocam juntos desde os 12 anos e eles me chamaram para produzir um disco deles – quando fiquei especialmente impressionado com Kendall e sua musicalidade e seu entusiasmo e abertura para tentar coisas novas”, ele me contou em entrevista por telefone antes do show. “Anos depois produzi um disco da dupla Jesse Dayton e Samanta Fish e eles me chamaram para fazer uma turnê, e minha banda na época, os Hitmakers, meio que havia parado em 2022. Foi quando lembrei de Kendall e que os Bobby Lees estavam em um hiato, meio que tinham terminado. Chamei Kendall e topou, além de ter sugerido Mackie para a bateria e eu só queria uma seção rítmica, sair como um trio, pra tocar músicas da minha carreira, do Blues Explosion, do Boss Hog, do Pussy Galore, dos Hitmakers e algumas versões.” A química invejável do trio traduz-se numa avalanche de rock em que o baixo de Kendall parece conduzir tudo a partir de riffs e solos, com muitas notas agudas, enquanto o baterista demole seu kit e Jon rege a multidão com gritos guturais, chamados da selva e urros vindo das vísceras, enquanto usa sua guitarra como batuta para mudar completamente de uma música para a outra, enquanto se joga no palco numa performance que nos faz esquecer que ele tem mais de 60 anos de idade, chegando inclusive a atacar a minha câmera, numa mise-en-scene que já tinha feito no show de quarta, com o celular de alguém da plateia. O grupo segue tocando nessa sexta em Jundiaí e ainda tem uma data em Buenos Aires e outra em Santiago, onde gravarão algumas músicas que compuseram com essa formação. “Kendall e Mackey são mais novos que meu filho e são ótimos músicos e cheios de energia, e não apenas física, mas positiva”, continuou na entrevista. “Eles estão muito interessados ​​em trabalhar, são muito abertos à experimentação e a tentar coisas novas. E trabalham muito duro e funcionamos bem como uma banda. Somos capazes de nos comunicar. Estou muito feliz em trabalhar com eles.” Dá para notar.

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O Picles sempre se supera e para realizar o primeiro show da dupla Sophia Chablau e Felipe Vaqueiro após o lançamento de seu primeiro single, reuniu Luiza Brina e Bruna Lucchesi para apresentar-se antes da dupla, inaugurando uma nova noite e um novo conceito: o AFLITO SP, numa tiração de onda com a versão paulistana do Tranquilo, transformando seu neon motivacional “ouvidos atentos, corações abertos” num slogan que tem mais a ver com o portal interdimensional no coração de Pinheiros – “pernas inquietas, corações disparados”. A primeira edição acontece dia 16, mas pelo jeito vai longe. Coisa fina, daquelas que só o Picles faz pra você. Os ingressos estão à venda neste link.

Dua Lipa ♥ Lorde

Outra bola cantada desde o início: nesta quarta-feira Dua Lipa fez seu primeiro show da nova turnê na Nova Zelândia e na hora de cantar uma música de um artista local em seu show,.sacou nada mais nada menos que o cartão de visitas de Lorde, “Royals”, numa ótima versão. Nessa e-sexta tem mais um show dela naquele país e minha aposta vai pra “Don’t Dream is Over”, do Crowded House…

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