Shakira devolveu a gentileza à Dua Lipa que, quando passou pela Colômbia em novembro do ano passado, convidou a artista sul-americana para dividir uma canção dela em seu show. A colombiana, que está fazendo uma longa residência na capital espanhola, chamou a cantora inglesa no show de sábado para dividir a mesma música que cantaram em nosso continente, “Antología”, em que Dua Lipa pode mais uma vez mostrar seu espanhol impecável.
Shakira abalou o Rio de Janeiro no terceiro ano consecutivo que a prefeitura daquela cidade transforma um morno outono num quente réveillon fora de hora, repercutindo na imprensa internacional ao mesmo tempo em que faz as redes sociais tornarem-se monotemáticas durante um fim de semana. E por mais que a colombiana tenha um rosário de hits, que seu português seja perfeito, que tenha feito uma enorme celebração latina no palco e convidado celebridades brasileiras do naipe de Anitta, Caetano Veloso e Ivete Sangalo, nenhum instante foi mais intenso do que quando ela chamou ninguém que Maria Bethânia para cantar “O Que É O Que É” – e sentido a força do público brasileiro cantando um de seus hinos informais num de seus maiores palcos, a praia de Copacabana. Que momento!
O prefeito do Rio compartilhou essa imagem em suas redes sociais pra ver a reação das pessoas sobre quem seria o artista que faria o show gratuito em Copacabana depois de Madonna e Lady Gaga. Rihanna e Adele são bem pouco prováveis; Beyoncé e Paul McCartney são nomes cotados há tempos, Shakira seria uma boa surpresa, U2 e Coldplay transformariam o Rio de Janeiro numa enorme coxinholândia, Justin Bieber é júnior se comparado aos outros e Britney, minha favorita e distante dos palcos desde 2018, dificilmente volta à ativa somente pra isso. Mas não me surpreenderá se o nome do ano não for nenhum desses e o alcaide fluminense só soltou essa pra disfarçar perrengues políticos que vem passando. Em quem você apostaria?
Shaggs – “Who Are Parents?”
Aretha Franklin – “Drown in my Own Tears”
Tim Maia – “Juras”
Alan Parsons Project- “Eye in the Sky”
Ed Sheeran – “Shape of You”
Katy Perry – “Chained to the Rhythm”
Thundercat – “Friend Zone”
Spoon – “Hot Thoughts”
Chaz Bundick + Mattson 2 – “JBS”
Grimes + Janelle Monáe – “Venus Fly”
Alessandra Leão – “Mofo”
MCG15 – “Meu Pau Te Ama”
Shakira – “La Tortura (Shaketon Remix)”
Costa Gold + Marechal + Luccas Carlos – “Quem Tava Lá”
AlunaGeorge – “Atracting Flies”
Cassiano – “Onda (Poolside + Fatnotronic Edit)”
Madonna – “La Isla Bonita”
Lana Del Rey – “Love”
Scanners – “Bombs (Rene Goulet’s Dollar Slot Bump)”
Pretenders – “Brass in Pocket”
Bruno Mars – “24K Magic”
Daryl Hall & John Oates – “I Can’t Go For That (No Can Do)”
Daft Punk – “Oh Yeah”
Christina Aguillera participou do programa de Jimmy Fallon e topou uma brincadeira em que ela cantaria músicas imitando outros artistas. Convenientemente – e coincidentemente – ela tirou apenas cantoras da sua área, divas da pista de dança, e fez bonito imitando a Cher, a Britney Spears e a Shakira.
A comediante norte-americana Christina Bianco resolveu homenagear certas divas da canção recriando um clássico do pop britânico e cogitou a hipótese de “Total Eclipse of the Heart”, da Bonnie Tyler, ser cantada por algumas delas. Saca só:
Fiz um exercício de eliminar o Rock in Rio da minha vida e me senti como se não acompanhasse uma novela, um reality show, um campeonato de futebol – e olhando assim à distância é fácil perceber, pela escalação e natureza do evento, o quanto que o mainstream do pop caminha sozinho, na inércia, feito um zumbi – e carrega massas de zumbificados no embalo. Separei uma lista enorme de shows inteiros colocados no YouTube (essa moda nova), mas repare na natureza descartável e supérflua das bandas listadas, algumas jogando reputações inteiras na vala do “show pras multidões”. Separo o Stevie Wonder e Elton John como mestres desse mesmo mercado, idealizado entre os anos 70 e os 80 (não por acaso a época em que os dois artistas se consolidaram como hitmakers), mas repare como é possível viver completamente alheio a esse tipo de música. Isso porque eu não precisei listar Ivete Sangallo, Sepultura, Angra ou Capital Inicial, só pra ficar nuns exemplos mais óbvios.