Trabalho Sujo - Home

Professor Duprat capturado

professorduprat-olvecio

O site bootlegger Olvécio Estava Lá registrou em áudio a apresentação em homenagem ao maestro da invenção que fizemos na semana passada no Sesc Pompéia.

“Futurível”
“Lindonéia”
“índia”
“Não Identificado”
“Deus Vos Salve Essa Casa Santa”
“6 Pequenas Peças Para Violoncelo”
“Coração Materno”
“Tuareg”
“Ave Lúcifer”
“Domingo No Parque”
“Fuga N° 2”
“Enquanto Seu Lobo Não Vem”
“Baby”
“2001”
“Irene”
“Cabeça”
“Construção”

“Como um cientista maluco da música”

Foto: Roberta Martinelli

Foto: Roberta Martinelli

Mais um dia de Professor Duprat no Sesc Pompéia – depois de uma estreia empolgante, vamos ao segundo dia. E, abaixo, a matéria que o programa Metrópolis, da TV Cultura, fez em um dos ensaios do espetáculo.

Professor Duprat – Maestro da Invenção

professorduprat

Maior satisfação anunciar meu primeiro projeto como diretor artístico, que concebi ao lado dos novos compadres Arthur Decloedt, Charles Tixier e João Bagdadi. O espetáculo Professor Duprat – Maestro da Invenção, que acontece nos dias 6 e 7 de setembro, no teatro do Sesc Pompeia, começou como a ideia de uma celebração dos 50 anos da Tropicália que fugisse do trivial. Chamei João, do selo RISCO, para me ajudar a estruturar a produção, que por sua vez chamou Arthur (do Música de Selvagem) e Charles (do Charlie e os Marretas) para fazer a direção artística. Originalmente havia pensado na recriação do disco que o maestro Rogério Duprat havia lançado naquele 1968 – A Banda Tropicalista do Duprat -, mas logo ampliamos a homenagem para além da efeméride, contemplando todo o alcance de uma obra ainda desconhecida pela maioria do público, diferente de grande parte das músicas que arranjou.

Duprat, que entrevistei para a falecida revista Bizz no segundo semestre do ano 2000 ao lado do Fernando Rosa, mexeu nas bases de canções que hoje fazem parte do imaginário brasileiro: além das tropicalistas “Domingo no Parque” e “Baby”, grande parte das músicas d’Os Mutantes e de Gilberto Gil no início de suas carreira, “Construção” de @Chico Buarque, todo Ou Não de Walter Franco, “Maria Joana” de Erasmo Carlos, todo o Tropicália ou Panis et Circencis e outras tantas. Também foi pioneiro na música eletrônica no Brasil (estudou com Karlheinz Stockhausen e John Cage e foi colega de classe de Frank Zappa), célebre na música erudita contemporânea brasileira e trabalhou com trilha sonora para o cinema, publicidade e até tradução de livros.

A banda montada para apresentação inclui, além dos diretores musicais no baixo e bateria, André Vac (do Grand Bazaar), Mariá Portugal, Rafael “Chicão” Montorfano e Maria Beraldo (do Quartabê), Filipe Nader (também do Música de Selvagem e Trupe Chá de Boldo) e o mestre Thiago França, e o espetáculo ainda conta com Curumin, Tiê, Luiza Lian, Tim Bernardes, Jonas Sá e Jaloo como intérpretes das músicas imortalizadas com arranjos do maestro, morto em 2006. Mas como um espetáculo não é só música, convidamos Gui Jesus Toledo para fazer o som, Caio Alarcon para operar o monitor, Olivia Munhoz para cuidar da direção cênica e iluminação, Gabriela Cherubini e Flávia Lobo de Felício para ficar com o figurino e Maria Cau Levy para criar a identidade visual e a Francine Ramos para a assessoria de imprensa. Abaixo, o texto que escrevemos para apresentar o espetáculo, orgulhosos que estamos da homenagem que estamos fazendo para este farol de nossa música, que muitos ainda não conhecem (mais informações aqui).

***

Há meio século o Brasil conheceu o trabalho de um compositor erudito e professor acadêmico que revolucionou a música brasileira. O maestro Rogério Duprat é mais conhecido por sua imagem iconoclasta na capa do disco-manifesto Tropicália ou Panis et Circensis, onde, entre os jovens multicoloridos Gil, Caetano, Mutantes, Tom Zé e Gal Costa, aparecia adulto e monocromático segurando um penico como se fosse uma xícara de chá. A representação – referindo-se ao mictório de Duchamp – talvez seja a melhor tradução para a colossal contribuição deste músico não apenas ao movimento tropicalista quanto à música brasileira desde sua aparição.

O espetáculo Professor Duprat – Maestro da Invenção parte desta efeméride para jogar luz na biografia musical do maestro paulista. Influente não apenas no movimento que ajudou a conceituar (a Tropicália), como na história da música brasileira, Duprat é um dos principais compositores eruditos contemporâneos brasileiros, um dos grandes nomes na música para a publicidade do país, compositor de trilhas sonora para filmes como O Anjo da Noite e Marvada Carne, pioneiro na utilização de computadores na música (há mais de 50 anos), tradutor do único livro de John Cage publicado no Brasil, aluno e colega de nomes como Karlheinz Stockhausen, Pierre Boulez, Gilberto Mendes e Frank Zappa. E, claro, arranjador e maestro de obras de diferentes artistas como Mutantes, Caetano Veloso, Gal Costa, Chico Buarque, Gilberto Gil, O Terço, Nara Leão, Walter Franco, Sá, Rodrix e Guarabyra, Frenéticas, Erasmo Carlos, entre muitos outros.

A proposta da apresentação é trazer parte do repertório produzido por Duprat interpretado por artistas atuais que foram diretamente influenciados por seus feitos criativos. Concebido pelo jornalista, curador e crítico musical Alexandre Matias, do site Trabalho Sujo, com direção musical dos produtores Arthur Decloedt e Charles Tixier e produção executiva de João Bagdadi do Selo RISCO, para o palco do Teatro do Sesc Pompeia. O espetáculo costura músicas conhecidas do grande público (como”Domingo no Parque”, “Cabeça”, “Ave Lúcife”, “Construção”, Tuareg”, “2001”, “Irene”, “Não identificado”, “Índia”, “Futurível” e “Baby” entre outras) com arranjos ousados e a influência comercial e erudita de Duprat.

As canções serão apresentadas de forma não-linear e não-cronológica, ecoando diferentes épocas da biografia do maestro através de artistas como Curumin, Tiê, Jaloo, Tim Bernardes, Jonas Sá e Luiza Lian acompanhados por uma banda formada por Charles Tixier (Charlie e os Marretas), Arthur Decloedt (Música de Selvagem), Filipe Nader (Trupe Chá de Boldo), Thiago França (Metá Metá), Maria Beraldo Bastos, Mariá Portugal e Rafael “Chicão” Montorfano (Quartabê) e André Vac (Grand Bazaar).

Ficha técnica

André Vac: guitarra, violão e violino.
Arthur Decloedt: contrabaixo e MPC.
Charles Tixier: bateria, synths e MPC.
Curumin: vocal e bateria
Filipe Nader: sax alto e barítono, clarinete alto e souzafone.
Jaloo: vocal
Jonas Sá: vocal
Luiza Lian: vocal
Maria Beraldo: vocal, clarinete e clarone
Mariá Portugal: vocal, bateria e MPC
Rafael “Chicão” Montorfano: piano, synths e teclados.
Thiago França: sax tenor e flauta.
Tim Bernardes: vocal e guitarra
Tiê: vocal

Equipe:
Direção artística: Alexandre Matias, Arthur Decloedt e Charles Tixier.
Concepção e curadoria: Alexandre Matias
Direção musical: Charles Tixier e Arthur Decloedt.
Produção executiva: João Bagdadi.
Som: Gui Jesus Toledo.
Monitor: Caio Alarcon
Luz: Olivia Munhoz
Figurino: Gabriela Cherubini e Flavia Lobo de Felicio
Identidade visual: Maria Cau Levy
Assessoria de Imprensa: Francine Ramos.

SERVIÇO:
Professor Duprat – Maestro da Invenção
Dias 6 e 7 de setembro. Quinta, às 21h, e sexta, às 18h
Teatro
Ingressos: R$9 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$15 (pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$30 (inteira).
Venda online a partir de 28 de agosto, terça-feira, às 12h.
Venda presencial nas unidades do Sesc SP a partir de 29 de agosto, quarta-feira, às 17h30.
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 12 anos.
Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93.

Neneh Cherry, Seun Kuti, Morcheeba e Bebel em SP!

nublu2018

O já tradicional festival de jazz que o curador Ilhan Ersahin, dono da casa noturna nova-iorquina Nublu, realiza sempre no início do ano no Sesc Pompeia e no Sesc de São José dos Campos anunciou suas atrações deste estranho 2018: o quarteto britânico Sons of Kemet, o nigeriano Seun Kuti acompanhado de um das clássicas bandas de seu pai Fela (a Egypt 80), os brasileiros G T’Aime e Bebel Gilberto, o grupo inglês Morcheeba e a musa sueca Neneh Cherry. O festival acontece entre os dias 15 e 17 deste mês e os ingressos já estão à venda (mais informações aqui)

Quer assistir ao encontro de Iara Rennó e Elza Soares?

elza-iara

Iara Rennó encerra o ciclo de seu ótimo Arco e Flecha, dupla de discos que lançou no ano passado, nesta quarta-feira, no Sesc Pompeia, com a presença de ninguém menos que Elza Soares. “Elza é a grande homenageada desse projeto, porque em cada disco tem uma música feita pra ela: ‘O Que Me Arde’, no Arco, e ‘Invento’, no Flecha”, me explica a própria Iara por email. “Nossa história começou em 2002 num projeto que participei que ela era a madrinha da noite e me concedeu alguns minutos de dueto improvisado. Em 2006 ela interpretou uma parceria minha, a ‘Mandingueira’. Ela é muito generosa. E agora é a ‘cantora do milênio’, rainha da porra toda. É uma honra e uma grande responsabilidade trazê-la a este show. Mas o principal pra mim é isso: não é uma questão de modismo, é porque ela realmente faz parte da minha história.” Iara descolou um par de ingressos para sortear no Trabalho Sujo e, para concorrer, basta escolher sua música favorita dos dois discos e explicar o porquê (e não esqueça de deixar o seu email para explicar como vai ser o procedimento de retirar o ingresso). Falei mais um pouco com ela sobre o espetáculo desta quinta.

Arco e Flecha encerra seu ciclo. O que você pode falar deste projeto nesse encerramento?
Bom, primeiro acho que isso não quer dizer que nunca mais vai ter A&F – olha o apeguinho! Eu gosto de ter um menu de shows, então se quiserem muuuito e tiver estrutura, posso fazer. Porque já vinha sendo assim nos últimos dois anos: rolou Macuna, Arco, Flecha, A&F, show solo, etc. Mas, é verdade que este show duplo requer maior preparação, produção e estrutura. E isso, como se sabe, não é uma constante no mercado independente da música. Esse é um projeto que tem uma força especial, esse lance de dar vasão a duas facetas da minha produção, com parceiros incríveis e todo seu processo foi muito bonito, com todos os envolvidos. Ao mesmo tempo que dá vontade que ele continue acontecendo, porque ainda poderia alcançar muito mais, existe a necessidade de renovar. É muito doida a velocidade em que vivemos hoje: lancei dois discos há dezoito meses, e já é um fim de ciclo!

O que muda no show em relação aos shows anteriores? Serão duas bandas também?
Neste show terão duas músicas inéditas, uma com cada banda, uma de cada universo. Tem um lance diferente também, como o show foi sendo lapidado, ele tem uma concepção quase que de uma track só, as músicas vem num fluxo constante – eu já trabalhei assim outras vezes e gosto muito, porque mantém uma tensão no palco e platéia que acho interessante. A direção artística geral é minha, mas conto com a Anna Turra na luz e projeção, que são muito especiais. A Anna começou com a DonaZica lá atrás e é um dos grandes nomes hoje nessa área, fico muito feliz de tê-la com a gente. A montagem desse show varia conforme a estrutura do palco. Mas sim, serão as duas bandas, o show duplo! Com a maioria dos músicos originais dos discos: Curumin, Lucas Martins, Maurício Badé, Gustavo Cabelo, Mariá Portugal, Maria Beraldo e, de fora, Amilcar Rodrigues e Filipe Nader. E ainda vai ter performers baphônicas: Aretha Sadick, Jup do Bairro e Manoela Rangel.

Uma vez que encerrados Arco e Flecha, quais seus próximos planos?
Existem já repertórios e projetos que são uma espécie de continuidade em termos de linguagem e discurso, tanto da linha do Arco quanto da linha do Flecha. Mas não, não vou fazer disco duplo novamente, fiquem tranquilos! Na verdade ainda não sei direito o que fazer com essa produção. Talvez por hora montar uma banda ‘Arcoflex’ e experimentar coisas novas no palco. Mas, além disso, 2018 vem com dois projetos paralelo à persona ‘Iara Rennó’: o Macunaíma volta à cena, já que é aniversário de 90 anos da obra original e 10 anos de Macunaíma Ópera Tupi; e surge ainda um novo personagem, num outro ramo até então jamais explorado por mim, a Iaiá e os Erês, disco e show de músicas com e para crianças. É isso, enquanto alguns tentam destruir o país a gente segue reconstruindo, falando sobre a formação da cultura, de novo, falando com as gerações futuras, plantando uma semente…

Terry Riley no Brasil!

TerryRiley

Que notícia! O papa Terry Riley, fundador da música minimalista ocidental vem para São Paulo em única apresentação no Sesc Pompeia, no dia 8 de setembro, e os ingressos começam a serem vendidos na semana que vem (mais informações aqui). O pianista apresenta-se ao lado do filho, o guitarrista Gyan Riley.

Thundercat no Brasil!

thundercat

O Sesc não atualizou seu site oficial com a programação do Jazz na Fábrica, que acontece no mês que vem no Sesc Pompeia, mas é fato: o músico Thundercat, conhecido por apresentar-se ao lado de Kendrick Lamar e Flying Lotus, vem apresentar seu ótimo Drunk, lançado este ano, no palco da choperia nos dias 17 e 18 de agosto, com ingressos a 60 reais. Os ingressos para o Jazz na Fábrica (que ainda terá a presença de nomes como os trompetistas Eddie Allen e Roy Hargrove, da Globe Unity Orchestra alemã, do saxofonista sul-africano Abdullah Ibrahim, da etíope Debo Band, da tecladista Annette Peacock e do grande Hermeto Paschoal, entre outros).

Tudo Tanto #30: Lanny Total

lanny-

Outra coluna da Caros Amigos atualizada por aqui – esta da edição do mês de março, sobre o incrível show em homenagem ao mestre Lanny Gordin. Abaixo, os vídeos que fiz desse show:

Reverência ao mágico
Guilherme Held, Tulipa e Gustavo Ruiz reúnem ícones do pop brasileiro para saudar a importância do guitarrista Lanny Gordin

O que une “Chocolate” de Tim Maia a “Kabaluerê” de Antônio Carlos e Jocafi? Os discos Expresso 2222 de Gilberto Gil e o primeiro disco de Jards Macalé? “Atrás do Trio Elétrico” e “Não Identificado”? Além de ícones da música brasileira, todos eles contaram com o toque elétrico de um dos grandes instrumentistas brasileiros, o guitarrista Lanny Gordin. Comumente referido como “o Jimi Hendrix da Tropicália”, Lanny, felizmente, é muito mais do que isso. Mas, infelizmente, como a maioria dos músicos no Brasil, não tem o reconhecimento público de sua importância, o que inevitavelmente se traduz em condições financeiras. E a aposentadoria do músico – quando ela acontece – quase sempre é precária, devido a inúmeros percalços da prática que não se enquadram exatamente nas leis trabalhistas. Se o artista já anda na corda bamba entre o prazer e a remuneração, a arte e o comércio, o músico é quem mais sofre nesta dicotomia, quase sempre a linha de frente desta batalha.

Lanny não é reconhecido como compositor, mas por sua personalidade musical. O timbre elétrico rasgado até poderia ser característico dos grandes guitarristas de sua geração, mas Lanny o temperava com música brasileira, música erudita, free jazz e músicas do leste europeu, o que torna o título que o compara ao grande guitarrista da história do rock limitado. Enquanto Hendrix buscava as profundezas do blues de forma vertiginosa, Lanny ampliava o horizonte de sua paleta, mais próximo de um guitarrista de jazz do que de rock. Mais do que o timbre gritado ou os voos audazes que o músico fazia pelas cordas de seu instrumento, era o fraseado pontual, solos transformados em melodias (e vice-versa), riffs que praticamente abriam um diálogo com o resto da canção. Era uma voz presente que, uma vez percebida, torna-se uma das assinaturas musicais mais importantes daquele período, entre os anos 60 e 70, da música brasileira.

Um de seus discípulos, o guitarrista Guilherme Held, resolveu mexer-se para consertar esta falha da história. Em vez de esperar o reconhecimento póstumo que é caracteristicamente reservado a grandes artistas que morrem no ostracismo, o jovem músico começou a pensar numa homenagem em vida ao músico com quem morou junto em dois endereços diferentes – na Vila Mariana e em Perdizes -, além de ter tido uma banda com o mestre, no início do século.

A homenagem contou com a adesão imediata de outro discípulo ferrenho, o também guitarrista Gustavo Ruiz, irmão da cantora Tulipa Ruiz, e responsável pela presença do próprio Lanny no disco mais recente da irmã, Dancê, de 2015, produzido por Gustavo. É de Lanny o solo de “Expirou”, registro mais recente do guitarrista até agora, que está impossibilitado de tocar devido a problemas de saúde. Gustavo chamou a irmã de bate-pronto e em menos de um mês, os três levantaram o show Lanny Total, a homenagem hiperbólica que o músico merecia.

A vida de Lanny Total começou em um show na antiga choperia do Sesc Pompeia – que agora chama-se de Comedoria – que aconteceu em duas noites. Só a banda base já era de arregalar os olhos: Guilherme e Gustavo cada um com uma guitarra, Fábio Sá no baixo, Sérgio Machado na guitarra, Pepe Cisneros nos teclados, José Aurélio (que foi da banda de Lanny e Held, Projeto Alfa, no início da década passada) e Maurício Badé na percussão, além dos metais que incluíam Thiago França (sax alto e barítono), Amilcar Rodrigues (trompete e flugel), Filipe Nader (sax alto e barítono) e Allan Abbadia (trombone). Além destes subiram no palco Chico César, Mariana Aydar, Negro Leo, Péricles Cavalcanti, Rômulo Fróes, o irmão de Lanny Tony Gordin e Tulipa Ruiz, acompanhados também por Arnaldo Antunes, o hermano Rodrigo Amarante e Edgard Scandurra no primeiro show – o que assisti – e Heraldo do Monte, Juçara Marçal e Kiko Dinucci, no segundo. A discotecagem de abertura ficou por conta do DJ Nuts, um dos maiores especialistas em música brasileira do país, e a apresentação da banda a cargo do apresentador Luiz Thunderbird, além de uma performance do artista Aguillar.

No repertório, uma aula de psicodelia brasileira: “Back in Bahia” de Gilberto Gil, “Eu Vou Me Salvar” de Rita Lee, a versão que Caetano fez de “Eu Quero Essa Mulher Assim Mesmo” de Monsueto em seu Araçá Azul e várias de Gal Costa, de quem Lanny era uma espécie de arma secreta durante sua fase de ouro – “Hotel das Estrelas”, “Não Identificado” e “Love ,Try and Die”, além de composições de Lanny com os novos músicos, como “O Peixinho Triste” com Rômulo Fróes, “Evaporar” com Rodrigo Amarante e a já citada “Expirou” de Tulipa Ruiz.

Mas a descrição do espetáculo não chega próximo da intensidade do sentimento. Mais do que celebrar a personalidade de um músico ímpar, o que acontecia naquele palco era uma conexão intensa com a música em si. Todos os envolvidos canalizados e conectados tanto com a musa – entidade maior que parece magnetizar músicos e espectadores – como entre si. A catarse mútua do rompante dionísico da canção de Monsueto transformava Scandurra, Arnaldo, Rômulo, Péricles e Amarante numa mesma voz. Tulipa e Mariana Aydar canalizavam a energia mais roqueira de Rita Lee e a mesma Tulipa hipnotizava o público num dueto jazzy com Negro Leo. O público se esbaldava extasiado com aquele delírio coletivo. A impressão que dava era que todo mundo ia sair se abraçando.

A última música – “Chocolate”, de Tim Maia – foi cantada por todos os convidados inclusive por um Criolo penetra, que não havia sido escalado oficialmente mas deixou-se levar pela força da música. Todos com seus maiores sorrisos, surfando na onda boa que o mestre guitarrista provocou há décadas. E agora o show pode ir para outros palcos e outras praças, tornando mais gente consciente da importância deste músico mágico.

A verdade de Kamasi Washington

kamasi-2017

Depois de shows arrebatadores no Nublu Jazz Festival, em São Paulo, o saxofonista californiano Kamasi Washington anuncia o lançamento de seu primeiro disco desde seu aclamado The Epic, de 2015. O EP Harmony of Difference (cuja capa, acima, foi feita pela irmã de Kamasi, Amani) foi apresentado esta semana com o clipe de “Truth”, abaixo:

O disco vai ser lançado oficialmente no meio do ano. Abaixo, meia hora do último show que Kamasi fez no Sesc Pompeia, filmada por mim: