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Hoje no Prata da Casa: Elo da Corrente

E hoje quem toca no Prata da Casa é o Elo da Corrente. Sabe como é o esquema no Prata, né? A partir das 20h, os ingressos começam a ser distribuídos no Sesc Pompéia – e o show, de graça, começa às 21h. Vamo lá? Abaixo, o texto que escrevi para o projeto.

Entre o disco mais recente dos Racionais MCs, Nada Como um Dia Após o Outro Dia, de 2002, e a ascensão de Emicida, o hip hop paulistano teve uma série de novos protagonistas que ajudaram a consolidar sua fama ao mesmo tempo em que tiraram a pecha fora da lei que poderia transformar o gênero em caricatura. Nomes como Sabotage, Kamau, De Menos Crime, SNJ, Z’África Brasil e Mamelo Sound System ajudaram a moldar esta nova faceta, mas não sozinhos – e entre as promessas que surgiram na década passada está o grupo Elo de Corrente. Com participações em coletâneas como Direto do Laboratório e Raps de Verão Volume 1, entre outras, o trio bolou o show Missão de Pesquisas Folclóricas, montado em cima de gravações feitas na década de 1930 por Mário de Andrade, no mesmo ano (2009), que lançou seu único EP, batizado de O Sonho Dourado da Família, com sete faixas, e, aos poucos, prepara-se para o lançamento de seu primeiro álbum, ainda sem título definido.

Hoje no Prata da Casa: Rodrigo Caçapa

Roots e moderno ao mesmo tempo, o pernambucano Caçapa fez um dos grandes discos de 2011 sobrepondo camadas de violas e percussão que ecoam uma tradição secular e o modernismo minimalista. Você já sabe como funciona o esquema do Prata: os shows, de graça, começam às 21h na choperia do Sesc Pompéia e os ingressos podem ser retirados uma hora antes do show. Abaixo, o texto que escrevi para o show desta semana:

Caçula na geração do mangue beat, o pernambucano Rodrigo Caçapa fez o caminho inverso da Nação Zumbi e do Mundo Livre S/A, que colocaram o maracatu no mesmo mapa pop mundial que contemplava o punk inglês, o rock americano, o afro-beat e a música eletrônica. Caçapa foi influenciado tanto pelo rock estrangeiro que ouvia quando era adolescente pelas aulas de música erudita que teve quando começou a estudar violão e pela música tradicional de seu estado de origem. Depois de 15 anos atuando como músico e produtor profissional, ele finalmente lançou seu disco solo no ano passado. Elefantes na Rua Nova tem forte ênfase na música de raiz instrumental mas sem deixar suas referências extrapernambucanas de fora. No comando de violas e bombos de 10 e 12 cordas – e o auxílio luxuoso de Hugo Lins no violão baixo e Alessandra Leão no pandeiro e no ganzá -, ele conduz o ouvinte a um universo rural e sertanejo mas irreversivelmente moderno, mesmo que não transpareça à primeira audição.

Hoje no Prata da Casa: Psilosamples

E hoje temos o grande Zé Rolê a.k.a. Psilosamples no Prata da Casa. O show – de graça – começa às 21h e os ingressos começam a ser distribuídos uma hora antes. Vamos? Abaixo segue o texto que escrevi sobre o trabalho dele para o projeto…

Zé Rolê vem de Pouso Alegre, no interior de Minas Gerais, para acrescentar um ar rural e caipira antes impensável à música eletrônica brasileira. Pilotando um computador em que recorta e picota pedaços de sons para compor seus beats tortos – e estes trechos de áudio podem ser violas caipiras, sanfonas, pífanos, diálogos, vozes aleatórias, percussão acústica e artificial a sons puramente sintéticos e eletrônicos, tranformando seu trabalho solo – batizado de Psilosamples – numa espécie de visita alienígena à roça brasileira. Seu primeiro disco, Mental Surf, vem sendo cotado como um dos principais lançamentos de 2012. Mais psicodélico que dance music, o trabalho não abandona o ritmo, unindo a cadência da música de raiz à levada hipnótica que o coloca na prateleira da IDM de artistas como Aphex Twin e Autechre – mas numa versão brasileira e sensivelmente matuta.

Hoje no Prata da Casa: Silva

E quem perdeu o Silva no Sónar pode assistir ao show do capixaba nesta terça-feira no Prata da Casa, vamo? O show começa às 21h e os ingressos começam a ser distribuídos uma hora antes. Aí embaixo segue o texto que escrevi para a programação da noite:

O capixaba Lucio Silva de Souza estuda música desde os três anos de idade, é violinista de formação clássica e também passou por diferentes bandas de rock em sua cidade natal, Vitória. Mas estas referências não estão tão evidentes em seu primeiro trabalho autoral solo, batizado apenas de Silva. Com um único EP lançado no final do ano passado, ele aproxima a música eletrônica feita no quarto e no computador de uma musicalidade brasileira que o aproxima de uma nova cena de artistas cariocas, de nomes como Cícero, Dorgas e Mahmundi, que ultrapassaram o dilema que pressionou o grupo Los Hermanos a ter de escolher entre o indie rock e a MPB. Em seu primeiro disco, a canção é seu principal veículo, mas ela é filtrada por texturas eletrônicas e intervenções instrumentais que tornam sua musicalidade inclassificável. Faixas como “Imergir” e “12 de maio” conversam tanto com o pop brasileiro do século 21 quanto com a bossa nova, a chillwave e o rock brasileiro dos anos 80. Mas não é nada que você possa esperar, a partir desta descrição.

Hoje no Prata da Casa: Quarto Negro

E a primeira atração do mês de maio no Prata da Casa deste ano é a banda paulistana Quarto Negro. O show começa às 21h e os ingressos – o show é de graça – começam a ser distribuídos às 20h. Abaixo, o texto que escrevi sobre a banda para a programação do projeto.

As bandas de indie rock do Brasil quase sempre esbarram em dois problemas: o fato de parecerem derivativas de alguns artistas específicos, dificilmente trazendo a realidade brasileira para o branco drama de sua musicalidade; e também a dificuldade de encontrar uma sonoridade boa para traduzir sua contribuição artística em música que não pareça gravada na garagem ou no quarto. Em seu primeiro disco, Desconocidos, o quarteto paulistano Quarto Negro ultrapassa esses dois obstáculos com naturalidade e desenvoltura. Gravado no verão europeu do ano passado, em Barcelona, o disco conclui um processo de três anos desde que a banda começou a tocar até atingir uma maturidade que já esteve em palcos nova-iorquinos. E apesar de claramente indie, as referências expostas também mostram que beberam tanto da fonte do rock clássico quanto da música brasileira contemporânea.

Tibless no Prata da Casa

Essa semana não teve Prata da Casa (foi mal, esqueci de avisar), mas semana que vem o projeto do Sesc cuja curadoria está na minha mão por todo 2012 volta com o show do Quarto Negro. Mas não custa recapitular o que rolou nas últimas semanas. O Tibless veio de Minas com um soul meio R&B e uma banda azeitadíssima…


Tibless – “Saudade Do Cê”

…mas aí, em dado momento do show, ele liga o modo afro beat.


Tibless – “Water No Get Enemy”

Boa surpresa.

Rosie & Me no Prata da Casa

E na semana passada o palco do Prata recebeu a banda Rosie & Me, primeira vez que vejo o trabalho de Roseanne ao vivo. Muito à vontade, ela brincou com o público e foi da guitarra semiacústica ao violão ao banjo sem perder o rebolado de sua música, sempre entre o folk e o indie pop. A surpresa do show foi a versão que o grupo fez para “Ready for the Floor”, do Hot Chip, que será lançada oficialmente no mês que vem. Abaixo, além do vídeo para a o cover, outros registros que fiz do show da banda de Curitiba.


Rosie & Me – “Ready for the Floor”

 

Elma no Prata da Casa 2012

E por falar em Prata da Casa, fiz uns vídeos do show do Elma, há duas semanas, no Sesc Pompéia. Pesado, sente só:

 

Hoje no Prata da Casa: Rosie & Me

No Prata da Casa desta terça-feira, teremos o grupo Rosie & Me, de Curitiba, que acabou de chegar de uma turnê pelos EUA. O show é gratuito e começa às 21h, com distribuição dos ingressos a partir das 20h. Vamo lá? Abaixo o texto que escrevi para a programação do Prata.

A primeira geração digital da música brasileira começou a aparecer no meio da década passada, quando a rede social MySpace ganhava adeptos entre os novos artistas no mundo. Assim, ao mesmo tempo em que o resto do planeta viu aparecer nomes como Arctic Monkeys e Lily Allen, por aqui artistas como Cansei de Ser Sexy e Bonde do Rolê também aproveitavam o sucesso online para expandir suas carreiras para o exterior. O Rosie & Me é o caçula dessa safra de novos artistas e, capitaneado pela curitibana Roseanne Machado, e talvez seja o último artista brasileiro a usar o MySpace como plataforma antes da queda da rede social, que perdeu espaço para outros players digitais, como Bandcamp e Soundcloud. Folk filtrado pelo indie pop e cantado em inglês, o Rosie & Me deixou de ser uma dupla para virar uma banda que, aos poucos, vem conseguindo espaço fora daqui – e lança seu primeiro álbum, Arrow of My Ways, logo depois de participar do festival SXSW, em Austin, nos EUA.