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Quem quer ganhar um par de ingressos para o show do Ruído/mm nesta sexta em São Paulo?

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Autores de um dos melhores discos nacionais de 2014 – o excepcional Rasura -, os curitibanos do Ruído/mm se apresentam nesta sexta em São Paulo no Sesc Belenzinho e me descolaram um par de ingressos pra quem quiser assisti-los no teatro da unidade. Basta responder nos comentários abaixo (sem esquecer de incluir o seu email) que outra banda brasileira faria um bom show ao lado do Ruído/mm? Quem ganhar a promoção retira os ingressos no próprio Sesc e ainda ganha uma das últimas cópias físicas do CD, que está quase esgotado. E pra quem não conhece a banda, eles descolaram uma versão inédita pra música “Pop”, que lançaram no EP Série Cinza, de 2004. A versão foi gravada no programa curitibano Último Volume, da Rádio Lúmen.

Sem Suíngue, do Beijo AA Força, na íntegra hoje, em São Paulo

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Uma escolha improvável? O projeto Álbum, do Sesc Belenzinho, criou fama por levar ao palco a íntegra de clássicos da música brasileira interpretados por seus próprios autores – nomes como João Donato (tocando A Bad Donato), Tom Zé (Todos os Olhos), Walter Franco (Revolver), Sepultura (Chaos A.D.), Ave Sangria (o disco homônimo), Pato Fu (Gol de Quem?) e Titãs (Cabeça Dinossauro) já passaram pelo palco da unidade tocando seus discos. Mas o show deste sábado é dedicado a um disco tão específico e pouco ouvido que sua simples lembrança é uma grata surpresa: o grupo curitibano pós-punk Beijo AA Força, um dos pilares da cena musical da capital paranaense desde os anos 90, apresentará hoje seu mítico Sem Suingue, de 1995, o disco que consolidou sua mudança estética de banda punk rumo ao autorreferido retropicalismo “polaco-nagô”, que propunham ao realçar as contradições entre a identidade cultural de Curitiba e à onipresente exuberância da brasilidade pós-Vargas, aquela da linha evolutiva que começa na semana de 22, passa pela bossa nova e pelo tropicalismo para descambar na Blitz e nos Paralamas (para quem não conhece, o disco pode ser ouvido e baixado aqui). Conversei com o Luiz Ferreira, vocalista e líder do BAAF, sobre o show deste sábado (que acontece às 21h30, na comedoria do Sesc Belenzinho):

Por que vocês escolheram o Sem Suingue para tocar na íntegra?
Foi um convite do Sesc, eles têm um projeto, o Álbum, em que convidam músicos para fazer o show de seus álbuns mais significativos. Este é o nosso álbum mais conceitual, com referências musicais mais diversas, o que mais elaboramos e ano que vem fará 20 anos, todos os músicos estavam disponíveis. Juntar e tocar com esses caras é sempre divertido.

O que significa esse disco para a carreira do BAAF?
Seguramente é o nosso disco mais importante, é onde estão nossas referências mais fortes. Tem tudo ali, ousamos e chegamos a um resultado nunca alcançado até então. Foi nosso primeiro trabalho com Antonio Saraiva, que é um grande arranjador, enfim, é o nosso trabalho mais elaborado.

A formação que toca em SP é a mesma que gravou o disco? Há alguma surpresa no show?
Tivemos que substituir somente o tecladista Therciano Albuquerque, que não pode participar devido à sua agenda, convidamos Cesar Reis, um velho amigo.

O que mudou na Curitiba dos anos 90 para a atual?
Curitiba hoje é uma grande cidade com muitos bares, cafés e casas de show, naquela época eram muito poucos os locais para se apresentar. Hoje é uma cidade com muitas bandas e existe por lá uma grande efervescência cultural, os jovens artistas de hoje têm mais expectativas.

Por que Curitiba não conseguiu emplacar um artista de dimensão nacional?
Curitiba mostrou ao mundo Paulo Leminski, herói da cultura local e somos todos muito fãs de Dalton Trevisan. Curitiba é assim, meio vampira mesmo. Conhece a Teoria da Invisibilidade do Jamil Snege? O curitibano gosta mesmo é da invisibilidade.

Como anda o BAAF em 2014?
O BAAF na verdade acabou em um show em 2007 lançando um DVD e CD gravado ao vivo com nossos punk rocks que esgotou naquela noite – fizemos só 400. Ficamos um tempão sem fazer show, mas não nos deixaram descansar, vieram convites e provocações, a partir de 2011 aceitamos os desafios, hoje temos uma agenda até junho. O BAAF na verdade são várias bandas, tem o Sem Suingue, que é esse show com uma formação e o foco mais pro samba e pra música brega, com o punk rock mais ofuscado. Temos outra formação, mais punk rock mesmo, o quarteto da formação clássica, de antes e depois do Sem Suingue. Talvez façamos algo em dupla, é que eu e o Rodrigão fizemos muitas músicas para trilhas de teatro e cinema, nosso estúdio chamava Chefatura – por causa de um armário que lembrava arquivos de delegacia, com várias gavetinhas…. Aí será mais um Beijo AA Força, o BAAF Chefatura.

Tortoise no Brasil

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O quinteto de Chicago volta a dar o ar de sua graça no Brasil, em quatro datas em São Paulo, no Sesc Belenzinho. O Tortoise toca seu Beacons of Ancestorship, de 2009, ao vivo, entre os dias 12 e 15 de dezembro. Os ingressos começam a ser vendidos no próximo dia 2.

Dica do pessoal do Norópolis.

Wado + Marcelo Camelo

A participação que o carioca fez no show do catarino-alagoano, semana passada, no Sesc Belenzinho, em São Paulo.

Ave Lóki: Arnaldo Baptista ao vivo no Sesc Belenzinho


Foto: Fabio Heizenreder

No sábado passado, fui ao Sesc Belenzinho (que melhora sua programação e aos poucos começa a atrair muito mais gente de fora de sua região para a Zona Leste) reverenciar o velho mutante Arnaldo Baptista em ação. “Reverenciar” é bem o termo correto, uma vez que não dá para dissociar suas apresentações públicas à sua contribuição histórica para a música brasileira e não levar em consideração as adversidades pessoais que comprometeram sua antes arrojada técnica e seu carisma espontâneo. Arnaldo é Syd Barrett e Brian Wilson ao mesmo tempo – e só o fato de ter sobrevivido ao que passou já deveria ser motivo de aplausos. Saber que conseguiu superar dramas pessoais e vê-lo reefrentar estes mesmos dramas, encapsulados no formato de canções curtas e complexas, é apreciar a obra para além do artista. É assistir ao espetáculo de sobrevivência pela arte.


Arnaldo Baptista – “A Balada do Louco”

E assim reserva-se críticas à sua impetuosidade ao piano, que esbanja naturalidade mas fraqueja na técnica, notas trocadas ou tocadas fora de tempo, vocais cuja afinação discorda daquela do piano, versões curtíssimas (nem dois minutos) para músicas clássicas intercaladas com um gestual ingênuo e bobo, comparsa de uma comunicação tímida e inocente, quase infantil, junto a um público benevolente e súdito.


Arnaldo Baptista – “Sentado na Beira da Estrada” / “Greenfields” / “Desculpe Babe”

Descontados todos esses defeitos, vemos Arnaldo sem máscara, cru, naturalista, por inteiro, que rasga músicas próprias e alheias (quase metade do repertório foi de música clássica a standards do piano, de Bach a Elton John) como se pudesse deixar a alma sair do limite corpóreo. Um show intenso, à flor da pele, mais verdadeiro que o documentário Lóki – pois vemos o deus caído em nossa frente, sorrindo para mostrar que está bem. Um espetáculo que também é triste – Arnaldo é amparado por um produtor até o piano e depois para fora do palco -, mas que nos lembra que mesmo a tristeza tem a sua beleza. Mas não só triste: afinal o sorriso e o bom humor de Arnaldo – intactos, apesar de tudo – arrancam suspiros de alegria e felicidade de um público devoto.


Arnaldo Baptista – “Cê Tá Pensando Que Eu Sou Lóki?”

E ele segue genial.

 

Flying Lotus em São Paulo

Já esperava uma senhora discotecagem, mas o Flying Lotus desequilibrou bonito no Sesc Belenzinho, no sábado.

Excepcional.