Vida Fodona #733: Mais uma viagem, vamos nessa?

Vem comigo…

Ouça aqui.  

Neil Peart (1952-2020)

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O baterista do Rush, Neil Peart, ícone de seu instrumento, é a primeira baixa importante no mundo da música em 2020 ao morrer nesta quinta-feira.

Vida Fodona #593: O complexo de épico pra lá

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Mais um programa do solto

Clash – “The Card Cheat”
Nill – “Stay High”
Can – “Future Days”
Jupiter Apple – “Welcome to the Shade”
Massive Attack – “One Love”
Supercordas – “3000 Folhas”
Of Montreal – “Touched Something’s Hollow”
Frank Zappa + The Mothers of Invention – “What’s the Ugliest Part of Your Body (Reprise)?”
Rush – “Red Barchetta”
Ava Rocha – “Doce é o Amor”
Percy ‘Thrills’ Thrillington – “Long Haired Lady”
Nomade Orquestra + Juçara Marçal – “Eró Iroko”
BaianaSystem + Antonio Carlos & Jocafi + Edgar + BNegão – “Salve”
Black Alien – “Jamais Serão”

Máquina do Tempo: 1° a 28 de fevereiro

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1° de fevereiro de 1949 – A gravadora RCA lança o disco compacto

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2 de fevereiro de 1997 – Morre Chico Science

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3 de fevereiro de 1960 – Sinatra lança sua própria gravadora


4 de fevereiro de 1959 – Nasce Zeca Pagodinho


5 de fevereiro de 2007 – A Apple dos Beatles e a Apple de Steve Jobs chegam a um acordo

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6 de fevereiro de 1945 – Nasce Bob Marley

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7 de fevereiro de 1966 – É lançada a revista Crawdaddy, pioneira em falar sério sobre música pop

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8 de fevereiro de 1977 – Television lança seu clássico Marquee Moon

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9 de fevereiro de 1964 – Os Beatles tocam pela primeira vez no programa de Ed Sullivan e conquistam os EUA

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10 de fevereiro de 1971 – Carole King lança Tapestry


11 de fevereiro de 2012 – Morre Whitney Houston

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12 de fevereiro de 1981 – O Rush lança Moving Pictures

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13 de fevereiro de 1970 – O Black Sabbath inventa o heavy metal

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14 de fevereiro de 1918 – Nasce Jacob do Bandolim

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15 de fevereiro de 1969 – As groupies chegam à capa da Rolling Stone

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16 de fevereiro de 1999 – O Iron Maiden apresenta sua formação com três guitarristas

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17 de fevereiro de 1973 – Morre Pixinguinha

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18 de fevereiro de 2006 – Os Rolling Stones tocam pra 1,5 milhão de pessoas na praia de Copacabana

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19 de fevereiro de 1996 – Jarvis Cocker invade o palco de Michael Jackson

rossini
20 de fevereiro de 1816 – O Barbeiro de Sevilha tem uma estreia caótica

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21 de fevereiro de 2012- Pussy Riot apavora uma igreja na Rússia pra gravar um clipe anti-Putin

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22 de fevereiro de 1997- Spice Girls conquistam os EUA

Eminem-The-Slim-Shady-LP
23 de fevereiro de 1999- Eminem lança The Slim Shady LP

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24 de fevereiro de 2004 – Mashup de Beatles com Jay-Z provoca desobediência civil digital

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25 de fevereiro de 1995 – Frank Sinatra faz seu último show

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26 de fevereiro de 2001 – Daft Punk lança seu clássico Discovery

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27 de fevereiro de 2009 – Morre Walter Silva, o “Picapau”, que descobriu Elis Regina

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28 de fevereiro de 1983 – U2 abraça a política com seu disco War

Foo Fighters ♥ Rush

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O grupo de Dave Grohl está presente na caixa de aniversário do clássico 2112 fazendo uma versão para “Overture” – mais detalhes sobre a caixa no meu blog no UOL.

O trio canadense Rush anunciou o lançamento de várias versões especiais comemorativas de seu primeiro disco clássico, a ópera-rock 2112, lançada em 1976. E entre os inúmeros extras que aparecem em diferentes versões do box set especial está a versão que Dave Grohl e Taylor Hawkins, dos Foo Fighters, gravaram ao lado do produtor Nick Raskulinecz para a faixa de abertura do épico. Os três já haviam tocado a música ao vivo quando o Rush foi aceito no Rock’n’Roll Hall of Fame, em 2013. O próprio Rush compareceu e tocou seus hinos “Tom Sawyer” e “The Spirit of Radio”.

Pouco antes da apresentação ao lado do Rush, o próprio Dave Grohl falou da importância do Rush em um discurso apaixonado de puro nerdismo rock’n’roll, assista abaixo, em inglês:

E no ano passado o grupo de Grohl convidou um fã para cantar “Tom Sawyer” acompanhado por eles.

A caixa especial de aniversário, que conta com vinis, LPs, DVDs, pôsteres e um monte de outras coisas, já está à venda no site da banda e, além da versão Grohl, Hawkins e Raskulinecz para “Overture”, a caixa ainda conta com versões feitas por Alice in Chains (“Tears”), Billy Talent (“A Passage to Bangkok”), Steven Wilson, do Porcupine Tree (“The Twilight Zone”), e Jacob Moon (“Something for Nothing”).

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A versão atual para “Overture” pode ser ouvida no programa de rádio online The Strombo Show neste link (mova o cursor para os 46 minutos para ir direto para a versão). O programa também conta com uma entrevista com o guitarrista do Rush, Alex Lifeson.

O disco-holograma do Rush!

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O Rush está comemorando 40 anos em 2015 e pra celebrar a data redonda começou a relançar os 14 discos da fase Mercury em ordem cronológica desde o início do ano. Mas depois de lançar Fly by Night em janeiro e Caress of Steel em fevereiro (ignorando solenemente o homônimo disco que ainda não tinha Neil Peart nas baquetas) o trio canadense se superou com essa edição de seu, portanto, terceiro disco oficial: a ópera rock 2112. Saca só isso:

O VINIL VEM COM UM HOLOGRAMA da estrela de cinco pontas da capa do disco – mas antes que alguém os acuse de satanismo (sempre tem, né…), não custa lembrar que a estrela é o símbolo da Federação (pois é uma obra de ficção científica, afinal!). E já está à venda.

Foo Fighters ♥ Rush

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Parei de me interessar pelos Foo Fighters entre o segundo e o terceiro disco deles. Não é que sejam uma banda ruim, só acho que se tornaram uma versão açucarada (demais) do power pop promissor de seus dois primeiros discos, caindo em uma lacuna entre o rock de arena e o emo que inevitavelmente carregariam milhões de pessoas dispostas a berrar seus refrões. Mas não tenho como não achar inspiradora a figura de David Grohl, didaticamente ensinando aos seus fãs o prazer de se ouvir rock. O triste dessa história é o cara ter que explicar isso, mas dá pra entender perfeitamente sua cruzada pessoal nesses tempos coxinha que vivemos. E ela inclui o bom e velho minisset de covers no meio do show – e no show do Rio na semana passada eles tocaram sua versão xerox (solos idênticos e tudo) para “Tom Sawyer”, do Rush, aquela banda que eternamente será o antônimo de cool:

É muita moral tocar Rush em qualquer época, dizaê.

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Só o baixo: Rolling Stones, Beatles, Sonic Youth, Yes, Who, Rush, Queens of the Stone Age, Rage Against the Machine e mais…

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O Dangerous Minds postou uma série de vídeos de clássicos da música contemporânea em que o canal do baixo elétrico é isolado, mostrando a força do instrumento na formação básica do rock. Fui além da lista original do site (que inclui Hendrix, Police, Stones, Rick James, Big Country) e incluí outros vídeos que encontrei por aí (de nomes como Who, Beatles, Queen, Yes, Rush, Queens of the Stone Age, Rage Against the Machine, entre outros). Segura a baixêra aí embaixo:

 

Rush: Um monumento à autoimportância

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Sim, são os Foo Fighters celebrando a chegada do Rush ao Rock’n’Roll Hall of Fame na quinta-feira passada, fazendo cosplay do trio canadense e tocando nada menos que “Overture”, do icônico 2112:

A homenagem não ficou só em música. Dave Grohl empolgou-se e preparou um discurso daqueles para celebrar a importância da banda, explicando que a banda preferiu seguir fiel aos seus princípios mesmo que eles parecessem cafonas e datados. Ao destacar as qualidades nerds e cheias de autoimportância de cada um dos três músicos que são a única formação clássica do grupo (caso raríssimo na história do rock), Grohl também reforça a devoção dos fãs da banda, algo que, compara, só chega aos pés do Grateful Dead, chegando ao centro de sua argumentação disposto a listar, um a um, todos os títulos de discos da banda como clássicos imbatíveis que só os fãs de Rush sabem reconhecer.

Logo em seguida foi a vez do próprio trio foi agradecer a reverência, para, depois das falas de Geddy Lee e Neil Peart (que, além de reconhecer a honraria, saudaram o humor e a paciência dos companheiros de banda), terminar com um discurso peculiar do guitarrista Alex Lifeson, que caracteriza o quanto o Rush está fora dos padrões da história do rock. Talvez tenha a ver com o fato de eles serem canadenses…

E, pouco depois, fazer o que sabem fazer melhor:

Não dá para desmerecê-los. Por mais que o trio pareça caricato e brega para quem o vê de fora, é inevitável reconhecer o Rush como uma das forças mais emblemáticas da história da música pop. Dave Grohl comparou a seriedade da devoção de sua horda de fãs com as dos deadheads, o culto itinerante que persegue o Grateful Dead para onde ele for, mas que esse fanatismo tem parentesco com outro tipo de religião cultural, igualmente caricata e brega: o nerd clássico. Não esse nerd cool e digital de hoje em dia, que curte música eletrônica, se veste com roupas de grife e circula por agências de publicidade e casas noturnas. Mas aquele nerd anos 70, mais feio e desajustado que um personagem do Crumb e completamente obcecado com algum assunto invariavelmente chato e meticuloso: montar computadores, plastimodelismo, radioamadorismo, RPG, histórias em quadrinhos, ficção científica ou cards de beisebol. E Rush. Enquanto Led Zeppelin e Pink Floyd faziam o som que a geração pós-hippie descobria seu próprio hedonismo, o Rush convidava fãs a um universo particular, alheio ao resto do mundo, cerebral, em que ficção científica, música erudita, filosofia e sagas épicas serviam como fio condutor para riffs inesquecíveis, refrões memoráveis, solos arrebatadores (inclusive de bateria, claro).

Tive minha fase Rush na adolescência e ouvi até furar discos como Moving Pictures, Fly by Night, Exit… Stage Left, Hemispheres, Permanent Waves e 2112. Sei cantarolar riffs, solos e letras inteiras graças a horas ouvindo os três canadenses tocarem muito alto na sala de estar da casa dos meus pais ou nas caixas de som de um carro de algum amigo, seja parado em alguma paisagem pastoril brasiliense ou à toda sem rumo pelas avenidas intermináveis da minha cidade. Mas nunca havia os visto ao vivo. Afinal, houve um tempo em que “o show do Rush no Brasil” era o equivalente a “o show do Radiohead no Brasil”, uma utopia inalcançável, um grande amanhã.

Calhou dos três anunciarem finalmente sua vinda na época em que eu vivia minha fase frila, três anos sem patrão que me fizeram entender a amplitude do conceito de jornalismo e sua natureza artística (mas isso é outra conversa). Ao saber da confirmação da vinda do Rush ao Brasil, acionei o compadre catarinense Emerson “Tomate” Gasperin, que ainda morava em São Paulo, para celebrar nossa devoção adolescente do passado em forma de ganha-pão e vendemos para uma pequena editora que nem me lembro o nome (só do logotipo, uma silhueta de um caubói – !?!?!) um especial sobre a banda. Chamei outro chapa que também era afeito ao trio – o alagoano Fernando Coelho, ele sim fã de carteirinha -, e juntos escrevemos uma revista inteira dedicada ao Rush, suas diferentes fases, discografia comentada, dados sobre os instrumentos usados e até uma história em quadrinhos dedicada aos fãs do grupo (escrita e desenhada por outro broder, Zé Dassilva). A revista nos valeu a grana do frila e ingressos para o show – uma forma que nós encontramos para cumprimentar uma seriedade adolescente que encontrou no culto ao grupo uma forma de ser exercida. O único resquício digital dessa revista que encontrei foi esta imagem abaixo, no cache do Google de uma página do Mercado Livre que já não existe… Com certeza a tenho em algum lugar aqui em casa, quando encontrar conto a história completa.

revista-especial-rush

Mas ela é só um exemplo do tipo de determinação que é compatível àquela motivada pelas canções do grupo. Como escreve Neil Peart num dos clássicos do grupo, para a voz esganiçada de Geddy Lee cantar:

“You can choose a ready guide in some celestial voice.
If you choose not to decide, you still have made a choice.
You can choose from phantom fears and kindness that can kill;
I will choose a path that’s clear-
I will choose Free Will”

Nerdismo pesado.