Pista sentimental

Bonito ver May Manão materializar seu novo projeto solo – o trio que batizou com o próprio sobrenome – depois do fim de sua banda anterior, a Crime Caqui. Ela já havia flertado com a eletrônica lo-fi em seu outro projeto solo (a Tôrta), mas quando começou a pensar neste capítulo seguinte de sua carreira musical, chamou os compadres Beta Cardoso e Rodrigo Florentino para entrar de cabeça numa eletrônica que pudesse ter o lado mais indie da chillwave e do bedroom pop, mas que ao mesmo tempo conversasse com a música de pista, indo da emoção pesada do trip hop aos beats do drum’n’bass, com ênfase maior na house music que mais que tudo batizava o espetáculo apresentado, Drama House. Tocando sob uma obra surrealista de Felipe Milani e as luzes tensas e hipnóticas de Clara Caramez, o trio só pecou pela curta duração da noite, justificável por ainda estar traduzindo as primeiras – e belas – composições para o palco. Com uma faixa contando com a participação do cantor Centauro, May ainda pôs o público de pé em frente às cadeiras do teatro, fazendo sua pista de dança sentimental atravessar a emoção dos presentes. Agora foi!
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