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Vida Fodona #393: Demorei, mas tou aqui

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Acontece.

Marcelo Jeneci – “Alento”
Lorde – “Royals”
Chet Faker + Kilo Kish – “Melt”
Criolo – “Duas de Cinco”
Arctic Monkeys – “Hold On, We’re Going Home”
Arcade Fire – “Afterlife”
David Bowie – “Love is Lost (James Murphy Remix)”
Herbie Hancock – “Chamaleon”
Chromeo – “Sexy Socialite”
Haim – “The Wire”
Mahmundi – “Vem”
Cícero – “Duas Quadras”
Rodrigo Amarante – “Hourglass”
Elf Power – “Lift in the Shell”
Of Montreal – “Amphibian Days”
Boogarins – “Doce”
Neutral Milk Hotel – “Naomi”
Unknown Mortal Orchestra – “Swim And Sleep (Like A Shark)”

Deixa de onda…

Quase dormi no primeiro show do primeiro disco solo de Rodrigo Amarante

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Não gostei de Cavalo. Ouvi a primeira vez com cuidado, a segunda com descrença e na terceira larguei no meio. Tem boas letras (nada excepcional) e bons momentos (três, sendo que “Maná” destoa muito do resto do disco, e pro bem), mas como disco, ele é morno, frouxo, preguiçoso, frágil. Mas vai que é o disco? Vai que funciona ao vivo? E foi com vários desses “vai que” coçando atrás da orelha que encarei o show de Amarante na quinta-feira da semana passada no Sesc Pompéia.

Quase dormi. De tédio. O show é sonolento e esparso – é o disco encarnado no palco. Não é por falta de talento: Amarante é bom músico, compõe bem, tem presença de palco e está com uma boa banda (metade do Do Amor – Gabriel Bubu e Gustavo Benjão -, um hermano, Rodrigo Barba, na bateria e o Lucas Vasconcellos no teclado), mas há uma timidez forçada, uma vontade de não aparecer, que é oposta às suas qualidades. Tanto que o show só foi engrenar lá pelo final, quando emendou uma versão para um clássico de Tom Zé (“Augusta, Angélica, Consolação”, que teve trecho da letra puxado para o século 21 de Steve Jobs, citando iPods e iPads entre as “outras bobagens” de seu extenso refrão) e atingiu a catarse sonora na ótima “Maná” – a primeira música do disco a dar as caras, ainda no semestre passado, e que driblou as expectativas de quem esperava um disco com mais chacundum.

Antes disso, músicas lentas e arrastadas, contemplativas e vazias, convidavam o público – surpreendentemente morno para um show de um ex-Los Hermanos – a entrar em alfa – mas, no meu caso, só me deu sono. A sensação de relaxamento piora quando Amarante deixa o violão, instrumento que já domina, para assumir sozinho os teclados, dando a impressão de que aprendeu a tocar na semana anterior ao show e que estava satisfeito com qualquer balbucio que cantarolasse sobre determinada seqüência de acordes. Há uma espécie de autodeslumbre que nega admitir-se, o que torna plausível as comparações com a fase Londres de Caetano Veloso, embora sem motivo real além do puramente estético. Caetano ao menos tinha saudade de casa…

Cavalo consagra o primeiro disco de um ex-Los Hermanos como fuga de um populismo natural que sempre incomodou a banda. Resolver não tocar “Anna Julia” nos shows, a estética samba-indie do Bloco do Eu Sozinho e radicalizada no indie-MPB do quarto disco do grupo foram passos diferentes desta negação, que pouco aflige seus pares de geração. Sou, o primeiro de Camelo, afirmou-se propositadamente distante, qualidade felizmente esquecida no segundo disco, Toque Dela. Amarante fez um caminho torto: juntou-se a uma trupe de gringos brasilianistas para lançar-se fora da banda dentro de outra, com o ótimo Little Joy. Mas ao aparecer sozinho, repete o nervosismo do primeiro disco de Camelo e refuga logo à saída – é parecido quando ele pede pra quase que tirar a luz do palco, para não aparecer. Atenção Amarante, você é um artista e está no palco, deixe-se iluminar. O disco – e o show, portanto – isola-se demais em si mesmo e perde-se em rascunhos de canções que até poderiam brilhar com menos falsa modéstia.

Entendo, é o primeiro disco solo, há um peso considerável. Mas é preciso assumir a responsa de ser um artista. Se o caso não for esse, melhor voltar a ser aquele cara que, depois de jantares nos apartamentos dos amigos, sempre assume o violão, canta umas versões e outras músicas próprias, que alguns acham fofo e outros acham chato. Estou no segundo time.

Abaixo, alguns vídeos que fiz do show.

 

Vida Fodona #391: Vamos embarcar em mais uma viagem…

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Afaste os móveis da sala da sua cabeça.

Chris Isaak – “Wicked Game”
The Internet + Tay Walker – “Runnin'”
Mac Miller – “Objects in the Mirror”
Daft Punk + Todd Edwards – “Fragments of Time”
Chromeo – “Over Your Shoulder”
Marcelo Jeneci – “De Graça”
Bixiga 70 – “Ocupai”
A Espetacular Charanga do França – “Hasta La Cumbia”
Rodrigo Amarante – “Maná”
Bonifrate – “Horizonte Mudo”
Emicida + Fabiana Cozza + Juçara Marçal – “Samba do Fim do Mundo”
Nina Simone – “Sinnerman”
Kanye West – “Black Skinhead”
Blood Orange – “Chamakay”
Brandy + Monica – “The Boy is Mine”

Chegaê.

O Cavalo de Rodrigo Amarante

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Amarante começa a mostrar seu primeiro disco solo nesta semana, com três shows no Sesc Pompéia (quinta, sexta e sábado) abrindo uma longa turnê que, em outubro, ainda passa por Brasília (dia 5), Curitiba (12), Recife (18), Salvador (20), Floripa (31) e continua em novembro por Porto Alegre (2) e Rio de Janeiro (9). O disco começa a ser vendido digitalmente nesta segunda-feira, o CD e o vinil vêm em seguida.

Vida Fodona #374: Gravar esse programa rapidinho pra não perder tempo

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Corre-corre-corre…

Marku Ribas – “Pacutiguibê Iaô”
Rodrigo Amarante – “Maná”
Caxa Baxa – “Vizualizada”
Kid Cudi + Kendrick Lamar – “Solo Dolo Pt. II”
John Cale + Terry Riley – “The Protegé”
James Blake + Brian Eno – “Digital Lion”
David Bowie – “Love is Lost”
Yeah Yeah Yeahs – “Area 52”
Deerhunter – “Neon Junkyard”
Of Montreal – “She’s My Best Friend”
Phoenix – “Trying to Be Cool”
Justin Timberlake – “Strawberry Bubblegum”
Knife – “Without You My Life Would Be Boring”
My Bloody Valentine – “Nothing Is”
Charles Bradley – “Victim of Love”

Venha!