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Roda de samba sem percussão

, por Alexandre Matias

Finalmente consegui ir ao Quinta Lapa que a Anna Vis está organizando na galeria Lapa Lapa (no bairro paulistano de mesmo nome), quando Douglas Germano e Thiago França se encontraram para uma noite de violão e sax sobre os sambas do primeiro. Apesar da entrada discreta – uma escadaria que dá para uma sobreloja em uma rua pouco movimentado -, o espaço é pequeno e ao mesmo tempo amplo, permitindo que umas quarenta ou cinquenta pessoas se reunissem para assistir ao encontro, tocado sem amplificação, pressuposto da noite, e com uma iluminação indireta e colorida, criando uma sensação que tendia a um silêncio temeroso, logo quebrada pelo balanço dos sambas e sintonia entre os dois músicos – Douglas criando um chão sempre firme e constante para os voos de Thiago, por vezes melancólicos e taciturnos, outras completamente audazes e vertiginosos. No repertório, a sequência de novos clássicos paulistanos passeou por pérolas dos discos de Douglas (“Àgbá”, Guia Cruzada” e “Golpe de Vista”), algumas de seu novo disco, o ótimo Branco (como “Zelite” e “Bala Perdida”), parcerias dele com Kiko Dinucci (“Oranian” e “Por Favor”), outras imortalizadas pelo Metá Metá (“Damião”, “Sozinho”, “Canção Para Ninar Oxum” e “Oba Iná”, que encerrou a noite como bis) e outros clássicos imbatíveis como “Tempo Velho” e a definitiva “Vias de Fato”. E o que começou quase como uma missa quieta regida pelos dois, terminou como uma roda de samba sem percussão, despida da aura sacra original, pronta para cair na gandaia – mas sem exagerar. Grande noite.

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