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#AgoraÉQueSãoElas: Sou mulher, por Roberta Martinelli

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Pedi para a Roberta Martinelli escrever um texto sobre o #AgoraÉQueSãoElas aqui para o Trabalho Sujo e ela me veio com essa bela bofetada.

Sou mulher. Mas já fui menina e já fui muitas vezes menino e homem (sem nunca ter sido). Funciona assim: tenho dois irmãos, sou a mais velha e desde pequena não gosto de bonecas, mas sempre ganhei bonecas das tias, avó, família…eu não gostava mas tinha pena de falar para elas e oferecia para meus irmãos “eu deixo você quebrar ela se você me der um carrinho dos que ganhou” e assim cresci, ouvindo “ a Roberta é meio menino”.

Na adolescência lembro que fui viajar com umas amigas, algumas com namorados outras não (eu era do time das solteiras) e no meio da viagem fui apelidada de Betão pelos namorados, afinal a gente conversava bastante, eu não tinha, segundo eles, as “frescuras das garotas” e eu era tão amiga dos meninos que era um homem para eles.

Com 18 anos resolvi estudar teatro e nunca consegui fazer um papel feminino, me falavam que eu não entendia a delicadeza, a fragilidade, a sensualidade da mulher. Eu sofria, chorava, não entendia porque não podia “ser uma mulher” se eu era uma mulher. E fazia papéis masculinos, e com o tempo passei a adorar ser ator. Era tão ator que quando acabou a peça de final de curso a mãe da “minha namorada” na peça que tinha me achado um cara lindo ficou chocada de saber que eu era mulher.

Eu não usava vestidos, eu não usava saia, e achava que isso era ser forte. Eu tinha aprendido assim. Aprendi que não gostar de bonecas me tornava “meio menino”, conversar sem “frescuras” me tornava um amigão e que sem ser frágil, sensual eu seria um ator e não atriz. Quantas lições erradas para uma mulher em formação.

Depois do teatro comecei a trabalhar em rádio e depois ainda em TV (com o meu programa Cultura Livre na TV Cultura) e aí virei apresentadora, comecei a usar maquiagem, saia, vestido e entendi que eu podia ser vaidosa, me cuidar e que isso não ia diminuir o que eu era. Eu entendi, mas agora tenho que explicar.

Quando aderi a dita feminilidade, fui tratada como menor por chefes, diretores, em testes. Eu passei a ser tratada como “a apresentadora” – estereótipo da mulher bonita que não entende nada do assunto que fala. E sempre foi uma briga lutar pelo conteúdo, uma cara de surpresa quando percebiam que eu sabia mais que os homens em volta, uma cara irritante de surpresa (mas que ao mesmo tempo me fazia sair orgulhosa).

Quando ainda era atriz fui fazer um teste de publicidade e na hora que cheguei tinha um produtor que separava as meninas entre “a bonita” e “a outra”, quem ficava com a placa de “a outra” ficava triste (claro) mas ficar com “a bonita” era bem puxado também. Depois de horas de espera entrei com a minha placa, eu era “a bonita” e uma assistente de direção que coordenava o teste disse “Faz um sorriso, uma cara, enfim você estudou bastante para ser bonita”. Eu fiquei com tanto ódio e disse “para ser bonita eu não estudei nada, estudei para outras coisas que não vai dar para te mostrar neste teste ridículo que você estudou para fazer” óbvio que não peguei o comercial – não estudei o suficiente para engolir sapos.

Agora escrevendo, eu fico na dúvida se não estou fazendo drama. Será isso ainda reflexo de uma culpa de assumir as dificuldades de encarar uma posição de frente como mulher?

Falando em ser mulher, nas últimas semanas muitas mulheres resolveram escrever contando as barbaridades que sofreram. Li relatos impressionantes de assédio. Muito triste. Pensei nos meus e que louco perceber que como eu acreditei nesta baboseira que eu era homem, nunca encarei meus assédios como tal. Eu lembro quando eu era pequena, 6 anos e dois meninos me prenderam no banheiro na escola e a professora começou a bater palmas para irmos para a classe (era o sinal analógico ainda da minha escolinha) e o Beto disse “Você só sai se beijar o Thiago” e eu disse “Mas eu quero beijar você, não ele” E beijei. Porque quis e porque pude.

Brinquei muito com carrinhos, fui Betão, fui ator mas jamais prenderia alguém no banheiro para conseguir um beijo. E isso não é coisa de homem ou de mulher, é de ser humano.

E na foto que ilustra o post está a própria Roberta, caracterizada como Luis, na peça À Prova de Fogo, de Consuelo de Castro.

O Ecossistema da Música em 2015

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Essa é a última semana para as inscrições na terceira edição do curso que coordeno no Espaço Cult, aqui em São Paulo. E para me ajudar a falar dos problemas e soluções da profissionalização musical na edição deste semestre do Ecossistema da Música no Século 21 reuni nomes que já passaram por edições anteriores (Evandro Fióti, Roberta Martinelli, Miranda, Fabiana Batistela, Marcos Boffa, Renata Simões, Mariana Piky, Mercedes Tristão e Tiê) a novos professores (Leonardo Lichote, Heloisa Aidar, Adriano Cintra, Fernando Dotta, Sarah Oliveira, Maurício Bussab, Tejo Damasceno e Rica Amabis) para contribuir ainda mais com o diagnóstico em aberto – e colaborativo – do que está acontecendo com a música desde a virada do século. As inscrições podem ser feitas até sexta-feira no site do Cult.

Começa hoje O Ecossistema da Música em 2015

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O curso O Ecossistema da Música em 2015, o segundo curso Trabalho Sujo no Espaço Cult, começa nesta segunda-feira e quem quiser participar ainda encontra vagas. No curso, reuni Miranda, Pitty, João Marcello Bôscoli, Mariana Piky Candeias, Marcos Boffa, Ronaldo Evangelista, Mathieu Le Roux, Tiê, Fabiana Batistela, Tiago Agostini, João Leiva, Maurício Tagliari, Mercedes Tristão e Edson Natale para conversar sobre as diferentes mudanças que estão acontecendo no mundo da música hoje. Serão dez encontros de duas horas por duas semanas, em que serão discutidas diferentes facetas do novo cenário, da criação artística à divulgação, passando pela produção de shows, editais públicos, streaming, produção, assessoria de imprensa e gravação de discos. O programa completo do curso está no site do Espaço Cult, que fica na Vila Madalena, em São Paulo. As inscrições podem ser feitas por aqui.

Uma tarde no Cultura Livre

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Hoje à tarde, a partir das 14h, participo mais uma vez do programa da Roberta Martinelli na Rádio Cultura AM, o Cultura Livre – na pauta, claro, música brasileira. Dá pra acompanhar o programa pela internet também, neste link.

O Ecossistema da Música em 2014

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O primeiro curso Trabalho Sujo no Espaço Cult, na Vila Madalena, começa na próxima segunda e as inscrições podem ser feitas até o domingo. No curso, reuni velhos conhecidos e nomes de peso do cenário cultural brasileiro para conversar sobre as mudanças que estão acontecendo no mercado musical nos últimos anos. Em todas as aulas, mediarei um papo sobre diferentes facetas deste cenário, dissecando ao lado de nomes que lidam diretamente com áreas codependentes como as transformações da era digital estão mudando nossa relação com a música. Mais detalhes no site do Espaço Cult, que mudou de endereço e agora fica na Rua Aspicuelta, número 99. O time reunido é de primeira: João Marcello Bôscoli, Pablo Miyazawa, Evandro Fióti, Roberta Martinelli, Airton Valadão Jr., Tulipa Ruiz, Karina Buhr, Maurício Tagliari, Carlos Eduardo Miranda, Ronaldo Evangelista, Fabiana Batistela, Marcos Boffa, Patrícia Palumbo, Lucio Ribeiro, Ricardo Alexandre e André Forastieri.

Retrospectiva OEsquema 2012: A arte do encontro

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O título do post saiu do brinde que o Marvio fez no recente encontro com poucos e bons em Nova York, mas vale para saudar um 2012 de encontros de verdade, olho no olho. Além dos eventos sociais que colocavam semanalmente nestas situações (terças no Sesc, sextas no Alberta), fiz questão de sacramentar os encontros de verdade, tão raros nestes tempos de amizades digitais (ilustram este espaços os encontros com o Cardoso – quebrando finalmente o tabu”nunca na cidade-base”, uma vez que ele mudou-se para São Paulo; e com a Roberta, contados um a um). E pressinto que só o início de uma redescoberta offline que tem a ver com festas, fartos almoços e shows. Um brinde!

O que muda no Prêmio Multishow 2012

Desde o início do ano, eu, o Bruno (meu compadre, sócio e pupilo, o responsável pela criação dOEsquema), o Pedro Garcia (que também é do Queremos) e o Dudu Fraga (da Talk Inc.) estamos em reunião com o Multishow pra tentar reinventar seu prêmio anual de música brasileira. Bruno foi chamado para dar pitacos sobre o que poderia mudar na atual edição do prêmio (a décima nona versão) e reuniu os quatro para assinar a consultoria criativa desta nova etapa do prêmio do canal.

Acreditamos que o desafio proposto foi acertado. Ampliamos o conceito de música abordado pelo prêmio – indo para além da MPB ou da música pop – ao criar o slogan “Música importa”, que trata do papel central que a música exerce nos dias de hoje (Bruno dirigiu uma série de vinhetas em que diferentes artistas falam deste assunto). Reformulamos também as categorias – artista revelação, melhor disco e melhor show são os principais prêmios do ano – e bolamos um formato em que o programa, portanto, os shows, fossem o principal tema da noite. As apresentações também reunirão diferentes espectros do que é a música brasileira hoje, em parcerias que reúnem nomes tão diferentes quanto Maria Gadú, Cícero, Michel Teló, O Terno, Thiaguinho, Gaby Amarantos, Ana Carolina, Erasmo Carlos, Arnaldo Antunes e Nando Reis, Agridoce, Paula Fernandes, Felipe Cordeiro e Ivete Sangalo (veja a lista completa dos shows aqui) – que também é uma das apresentadoras da noite, ao lado do Paulo Gustavo, que é apresentador do canal. A direção artística ficou por conta do Kassin.

A votação dos melhores do ano acontece em três etapa: há o voto do público, o voto do júri especializado e um outro que chamamos de Super Júri. Nesta tribuna, estarão reunidos, durante a premiação, um júri formado por André “Cardoso” Czarnobai, André Forastieri, André Midani, Katia Lessa, Marcelo Castello Branco, Miranda, Pablo Miyazawa, Pedro Seiller, Ricardo Alexandre, Roberta Martinelli e Sarah Oliveira. Eles decidirão os três principais prêmios durante a transmissão dos shows, em transmissão feita pela internet. Acreditamos que tão interessante quanto ver os artistas se apresentando é entender como funcionam os critérios que vão definir os principais artistas do ano. Uma pré-votação já foi feita e, entre os nomes que disputam as principais categorias, estão Cícero, Lucas Santtana, Gal Costa, Gang do Eletro, Marcelo Camelo, Tulipa Ruiz, Silva e Marisa Monte. O bate-boca vai ser bom!

O prêmio acontece amanhã a partir das 21h45 no Rio de Janeiro e será transmitido ao vivo pelo canal, consagrando a ótima fase da atual música brasileira.