Concertos de Discos: A História do Rock Brasileiro

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Depois do mês de apresentação da série Concertos de Discos, em que cada disco clássico de 1967 foi analisado por um especialista, a partir de julho, o programa continua com um professor por mês. E como o tema do mês é rock – por causa do Centro do Rock -, convidei o Ricardo Alexandre para dissecar a história do rock brasileiro a partir de oito discos, que não são os melhores nem os mais importantes, mas que sintetizam a história do gênero a partir de diferentes épocas. Outra mudança é que iremos testar os concertos semanalmente todo sábado, a partir das 15h30, dentro da Discoteca Oneyda Alvarenga e gratuitos, como sempre. A primeira aula, neste dia 8, é sobre a trilha sonora da novela Estúpido Cupido e o disco Jovem Guarda de Roberto Carlos. A segunda, sábado 15, é sobre o disco-manifesto Tropicália ou Panis et Circensis e o Krig-Ha Bandolo de Raul Seixas. A terceira aula, no sábado 22, é sobre Seu Espião do grupo Kid Abelha e os Abóboras Selvagens e Selvagem?, do grupo Paralamas do Sucesso. E a última, no dia 29, é sobre o disco de estreia dos Raimundos e o terceiro disco dos Los Hermanos, Ventura. Vai ser demais.

Lavô Tá Novo e o fim do Brasil roqueiro

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O segundo disco dos Raimundos completa 20 anos e pode ser um marco da decadência de popularidade do rock no Brasil. Escrevi sobre isso lá no meu blog no UOL.

Vida Fodona #489: Finalente o Vida Fodona está de volta à Fubap

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E assim o Vida Fodona volta a ser um podcast 🙂 O RSS é este aqui: http://fubap.org/vidafodona/feed/

Skylar Spence – “Practice”
M.I.A. – “Can See Can Do”
Mark Ronson + Kevin Parker – “Leaving Los Feliz”
Dr. Dog – “Broken Heart”
Giancarlo Ruffato – “Estrada da Vida”
Courtney Barnett – “Elevator Operator”
Led Zeppelin – “Brandy & Coke”
Bob Dylan + The Band – “Odds & Ends”
Julio Reny e o Expresso Oriente – “Sandina”
Caxabaxa – “Vizualizada”
Felipe Cordeiro – “Legal e Ilegal”
Mombojó – “Me Encantei Por Rosário”
Sabotage – “Um Bom Lugar”
Single Parents – “Rapante”
Bonobo – “Kong”
Diogo Strausz + Leno – “Se Renda”
Mac DeMarco – “Go Easy”

Aqui, ó.

De volta ao Juntatribo

Culpa do Facebook, que agora tem uma página em homenagem ao clássico festival campineiro. Um resumo bem 3 x 4 na matéria abaixo, da EPTV.

Traduzindo: foi o início do rock alternativo no Brasil de fato, quando o movimento paralelo às gravadoras e rádios começou a se tornar nacional a partir de um festival realizado fora de uma grande capital. O Junta foi imaginado pelo Marcelão, que na época tocava com o Waterball, e executado pela dupla Sérgio Vanalli e Thiago Mello, que editavam o fanzine Broken Strings. O festival teve duas edições, ambas na Unicamp: na primeira, em 93, mais guitar e hardcore, a principal revelação foi os Raimundos, mas a banda de Brasília já estava no radar do jornalismo musical brasileiro há alguns meses e o show no Juntatribo (marcado em cima da hora) foi quase que a explosão de uma banda relógio. A principal atração da primeira edição foi reunir a primeiríssima geração daquele novo rock independente brasileiro (que cantava em inglês e existia basicamente entre o Rio e São Paulo) num mesmo evento: Mickey Junkies, Killing Chainsaw, Pin Ups, Second Come, Safari Hamburgers e Low Dream (a outra representante de Brasília). Os Raimundos funcionaram quase como um brinde para o festival. Assisti à maioria dos shows sem nenhum distanciamento crítico: era apenas estudante da Unicamp e a realização de um festival daqueles, feito na raça por pessoas que eu conhecia pessoalmente, era exatamente o que eu esperava da vida na universidade.

No ano seguinte, já estava trabalhando em jornal (no Diário do Povo) e ajudei a pensar a edição especial que cobriria a segunda edição do evento, que já ampliou seu leque musical e cuja principal atração era um grupo de rap novíssimo do Rio de Janeiro, um certo Planet Hemp. A edição de 94 foi marcada pela desorganização em alta escala, uma vez que a popularidade posterior do primeiro Junta trouxe dezenas de carros cheios de malucos da capital e de todo o interior de São Paulo para o festival. Já no primeiro dia, o palco desabou. O que transformou o segundo dia em uma maratona que começou ao meio-dia e terminou às cinco da manhã do dia seguinte, algumas horas antes dos shows do último dia começarem.

Foi um festival importante pra muita gente, que passou a aprender o que era rock alternativo, cultura independente e a lógica do faça-você-mesmo na prática e que cultivou sementes que brotariam no decorrer da década e que até hoje estão aí. E isso num tempo sem internet, sem MP3, sem blog, sem rede social, sem podcast, sem YouTube. Era tudo na base da carta, do xerox, do VHS, da fita cassete e do flyer. Parece que se passaram uns cinquenta anos.

A página do Feice do festival é essa. Curte lá.

Rodolfo stand-up

Melhor que muito integrante do CQC, dizaê…

A volta dos Raimundos com a formação original

Calma, alarme falso, podem ficar tranquilos (ou será que isso é um teaser às avessas, o bom e velho “verde jogado”?).

Pinduca e o rock de Brasília

O Porão do Rock desse ano também deu motivo para o Pinduca escrever um pouco sobre o estado das coisas no rock de Brasília. Vi lá no Senhor F:

“Cheguei a Brasília em 1989, época em que existia uma verdadeira idolatria em relação às bandas da Capital. Lembro de, em minhas primeiras idas ao shopping Conjunto Nacional com a minha mãe, ver vários estandes com camisas que estampavam o nome de bandas brasilienses à venda. Além disso, era comum ter amigos de escola ou de quadra que tinham bandas, numa proporção bem maior do que em outros estados onde havia morado. O rock era uma espécie de orgulho e hábito locais, principalmente para uma cidade nova como Brasília, que ainda buscava a sua identidade cultural.

Viver minha adolescência aqui me fez adquirir uma “alma brasiliense”. E, de uma hora para outra, me vi fazendo parte dessa turma que produzia rock na capital federal. Para a minha geração, dos anos 90, essa história de ser uma banda brasiliense ainda tinha algum valor e rendia até espaço em jornais de outros estados. De certa forma, o estouro nacional da geração anterior (Plebe, Capital e Legião) fazia brotar uma curiosidade por parte tanto do público e crítica brasilienses quanto de outros estados pelo que estava sendo produzido por aqui.”

Sou desta mesma geração do Pinduca, estudamos juntos no Maristão, quando ele ainda tocava no Cravo Rastafari (ou era só o Txotxa e eu tou confundindo?) e zarpei de Brasília rumo à Campinas na mesma época em que a safra Little Quail, Raimundos, Low Dream, Oz e Maskavo começavam a aparecer pelo então ainda decisivo eixo Rio-São Paulo. Pude assistir como cada uma dessas bandas conseguiu sua brecha de sucesso (vi, por exemplo, os Raimundos abrirem para o DeFalla e para o Ratos de Porão no Gran Circo Lar menos de dois meses de fazer o show no Juntatribo que revelou a banda para a crítica paulistana) para, logo depois, perder – cada uma por seu motivo.

Hoje é fácil localizar essa geração de bandas como a segunda onda do rock de Brasília – na época, nos referiamos como sendo a terceira, pois contava-se uma fase de bandas do final dos anos 80, grupos com nomes bizarros como 5 Generais, Marciano Sodomita e Beta Pictoris, completamente desconhecidos no resto do país, mas que por uma faísca de orgulho local disparada pelo trio Legião-Capital-Plebe eram pequenos ídolos locais – tocavam até no rádio. Dessa segunda safra, engolida pelo tempo, só o Finnis Africae e o Detrito Federal conseguiram alguma exposição fora de Brasília. Pra quem era da cidade, qualquer aparição em programa da Cultura em São Paulo (retransmitida para o DF pela TV Nacional) era motivo para celebração.

Mas a geração dos anos 90, no fim das contas, ensina uma nova lição à cidade – a de que é importante fazer música. As três bandas da cidade que conseguiram colocá-la no mapa nos anos 80 definharam na década seguinte e quase todos largaram a música – o Legião acabou após a morte de Renato e sobreviveu em relançamentos e biografias, o Capital tentou resistir na marra e viu até a transformação de Dinho num MPBista eletrônico (enquanto os irmãos Lemos convocavam o vocalista de uma banda chamada Rúcula para o seu lugar) e a Plebe simplesmente acabou. Já a geração dos anos 90 segue firme na música. Os Raimundos continuam na ativa mesmo que apenas como uma paródia de si mesmos. Os três Little Quail ainda mantém-se no ramo – Gabriel é dono do Autoramas, Bacalhau tocou no Rumbora e hoje toca no Ultraje e Zé Ovo segue roadie de bandas. O ex-Marcelo Bighead do Oz virou o Nego Moçambique e até o Giulliano do Low Dream mantém-se DJ. Foram esses caras – junto com mais algumas outras bandas – que criaram a tal cena descrita por Pinduca em seu blog e que fizeram com que Brasília se tornasse uma das cidades com mais tradição em rock do Brasil. O resto do texto segue falando da importância desta percepção até mesmo para a continuação dessa tradição, uma das poucas de uma cidade que não tem nem 50 anos de vida. Vale muito a leitura (a foto eu peguei de uma entrevista que ele deu ao blog Rock Pará).

“Eis que, em algum momento, falando sobre festas, uma amiga me pede que tipo de música toca nas baladas que eu vou em São Paulo”


vivoandando

Recém-paulistanizado, o catarina Tiago Agostini ouviu o questionamento acima de uma conterrânea e compilou faixas onipresentes nas pistas de dança de indie rock de São Paulo em dois arquivos. Algumas (como ele mesmo diz “‘Surfin’ Bird’ com os Raimundos”, por exemplo) passam longe do estereótipo, mas no geral a coletânea dá uma boa idéia de como dançam os indies – e, independente de pista, ficou bem boa.

E atenção: os links para download foram atualizados.

Disco 1
Radio 4 – “Enemies Like This”
Maximo Park – “Our Velocity”
Kaiser Chiefs – “Everyday I Love You Less And Less”
The Rapture – “Get Myself Into It”
Weezer – “Pork And Beans”
The Killers – “Mr. Brightside”
The Pipettes – “Pull Shapes”
The Sounds – “Queen Of Apology”
Scissor Sisters – “I Don’t Feel Like Dancing”
Justice – “D.A.N.C.E.”
MGMT – “Kids”
Klaxons – “Golden Skans”
The Go Team – “Panter Dash”
Los Pirata – “Nada”
The Clash – “London Calling”
Pulp – “Disco 2000 (Nick Cave Pub Version)”
Morrissey – “First Of The Gang To Die”
The Twilight Singers – “Underneath The Waves”
New Order – “Bizarre Love Triangle”
Franz Ferdinand – “All My Friends (LCD Soundsystem cover)”
Amy Winehouse – “Tears Dry On Their Own”

Disco 2
Black Rebel Motorcycle Club – “Six Barrel Shotgun”
CSS – “Left Behind”
The Strokes – “Juicebox”
Eagles Of Death Metal – “Only Want You”
Bloc Party – “Banquet”
Supergrass – “Alright”
Hot Hot Heat – “Bandages”
Peter Bjorn & John – “Young Folks”
Black Kids – “I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How To Dance With You”
The Ting Tings – “That’s Not My Name”
Radiohead – “Idioteque”
A-ha – “Take On Me”
Joy Division – “Love Will Tear Us Apart”
Violent Femmes – “Blister In The Sun”
Raimundos – “Surfin Bird”
David Bowie – “Rebel Rebel”
The Libertines – “Can’t Stand Me Now”
Queens Of The Stone Age – “No One Knows”
Franz Ferdinand – “This Fire”
The Smiths – “This Charming Man”
R.E.M. – “It’s The End Of The World As We Know It”