Baile de Carnaval Noites Trabalho Sujo 2016!

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As experiências psíquico-sônico-físicas proporcionadas pelo centro de pesquisas Noites Trabalho Sujo mais uma vez entram no módulo anual de exercícios e testes realizados em condições extremas de satisfação e prazer. O estudo antropológico-medicinal conduzido no laboratório psicodélico Trackertower desta vez recebe seus participantes depois de uma exposição intensa à noventa e seis horas de energia orgônica extravasada na cara. Depois de quatro dias de descoordenação motora e alucinações etílicas, que testam os limites da extroversão em nossos convidados, atravessamos a última madrugada do carnaval paulistano deste ano movimentando sistemas circulatórios, neurônios, quadris e espasmos de enzimas de estímulo e animação. Os experimentos começam logo à entrada, quando os convidados são recepcionados pelo pós-doutorado em expansão cerebral química Ricardo Spencer, que acelerará partículas sonoras buscando referências em suas raízes soteropolitanas. No pavilhão azul, o grupo de pesquisadoras Awe Mariah, formado pela antropóloga social Heloísa Lupinacci, a controladora psíquica Mariana Gouveia, a coreógrafa mental Fernada Pappalardo e a exploradora rítmica Luise Federman, testa os limites da compreensão e do ritmo submetendo os presentes a doses maciças de registros musicais ativadores do inconsciente. A pós-graduanda em comportamento digital Ana Paula Freitas junta-se à apresentação do grupo de pesquisadoras num encontro inédito neste lado do Equador. No outro auditório, dois dos três fundadores do instituto de pesquisas culturais Veneno Soundsystem desmancham preconceitos e desconcertam estereótipos ligados às civilizações latino-americanas, africanas, caribenhas e do oriente médio. O pesquisador de continentes Peba Tropikal traz sua coleção de registros raros em acetato enquanto o escritor Ronaldo Evangelista demonstra improvisos musicais de décadas passadas. Os dois recebem o renomado correspondente Ramiro Zwetsch, do laboratório Radiola Urbana, que hoje atua na indústria artesanal fonográfica em seu enclave Patuá Discos, que substitui a ausência do doutor arranjador Maurício Fleury, atualmente em excursão pela Europa com o coletivo psíquico-rítmico Bixiga 70. E encerrando as atividades, o centro de pesquisa realizador do encontro, o trio de cientistas intergaláticos intraplanetário Noites Trabalho Sujo, extrai a energia restante dos participantes, convertendo o desgaste físico em combustível para outras tantas horas de excitação e êxtase. Alexandre Matias, Luiz Pattoli e Danilo Cabral também fazem questão de frisar a importância da fantasia nesta madrugada, para que o experimento possa atravessar camadas cerebrais ativadas também pelo questionamento visual. Como de praxe, a participação no evento requer obrigatoriamente o envio dos nomes de quem quiser se submeter a tais experiências pelo correio eletrônico [email protected]

Baile de Carnaval Noites Trabalho Sujo 2016!
Terça, 9 de fevereiro de 2016
No som: Alexandre Matias, Luiz Pattoli e Danilo Cabral (Noites Trabalho Sujo), Helo Lupinacci, Fe Pappalardo, Mari Gouveia e Lu Federman(Awe Mariah), Ana Freitas, Ricardo Spencer, Ramiro Zwetsch, Ronaldo Evangelista e Peba Tropikal (Veneno Soundsystem)
A partir das 23h45
Trackertower: R. Dom José de Barros, 337, Centro, São Paulo
Entrada: R$ 30 só com nome na lista pelo email [email protected] (e chegue cedo – os 100 que chegarem primeiro na Trackers pagam R$ 20 pra entrar)

De volta a 1975

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Conversei com os caras do Radiola Urbana sobre a edição 1975 deste ano do projeto Rotações. A entrevista tá lá no blog do UOL.

Tudo Tanto #007: Os clássicos do Radiola Urbana

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Falei do projeto do site Radiola Urbana de recriar ao vivo discos clássicos com bandas novas – que ano passado rendeu noites incríveis como o Emicida celebrando Cartola e O Terno reverenciando Arnaldo Baptista – na minha coluna Tudo Tanto na revista Caros Amigos do mês passado.

Clássicos revisitados
A iniciativa do site Radiola Urbana de reunir novos artistas para tocar discos históricos chega ao terceiro ano rendendo ótimos frutos

Há três anos um site paulistano vem desenhando um panorama de discos clássicos reinterpretados por nomes da nova música brasileira que já pode ser considerado histórico. Um programa sem nome definido, pois o mesmo vai mudando de acordo com o ano celebrado. Desde 2012 o site Radiola Urbana, tocado pelos amigos Ramiro Zwetsch e Filipe Luna, volta 40 anos no tempo para homenagear álbuns históricos de artistas célebres, negociando repertório e arranjos com alguns dos maiores nomes da música brasileira deste século.

A ideia do Radiola Urbana começou em 2012 como uma consagração de uma tendência recente que vinha valorizando o ano de 1972 como um dos grandes anos da história do disco, pareando com outros anos clássicos como 1967, 1969, 1977 e 1991. Assim, o site propôs celebrar discos daquele ano no projeto 72 Rotações, que aconteceu no segundo semestre daquele ano, em shows gratuitos no no Centro Cultural da Juventude, na Vila Nova Cachoerinha. Entre os primeiros artistas estavam Bruno Morais (para cantar o mágico Sonhos e Memórias, do Erasmo Carlos), Romulo Fróes (que revisitou Transa de Caetano Veloso), Rodrigo Campos (que se arriscou no clássico funk Superfly, de Curtis Mayfield) e Curumin ao lado da banda Rockers Control (para recriar a trilha sonora de The Harder They Come, de Jimmy Cliff).

No ano seguinte o show foi transposto para o Sesc Santana e subiu um degrau no escalão dos artistas. Era a vez de Karina Buhr, Céu, Cidadão Instigado e Fred Zeroquatro (vocalista do grupo Mundo Livre S/A) homenagearem discos de 1973. Karina aventurou-se pelo primeiro disco do Secos & Molhados, o Cidadão Instigado se desafiou a tocar o Dark Side of the Moon do Pink Floyd, Céu foi convocada para homenagear o primeiro disco de sucesso de Bob Marley, Catch a Fire, e Fred celebrou o homônimo disco de estreia de Nelson Cavaquinho. A edição de 2013 teve um efeito colateral interessante na carreira de três dos artistas escolhidos: tanto Céu, quanto Cidadão Instigado e Karina Buhr passaram a oferecer os shows do evento como alternativa para tocar em lugares que nunca haviam tocado. Ao sair de uma semana na zona norte de São Paulo para várias apresentações espalhadas pelo Brasil, o projeto garantia seu principal intuito: fazer que o público dos novos artistas conhecessem os discos clássicos e os fãs dos álbuns homenageados descobrisse os novos nomes da cena brasileira deste século.

A edição do ano passado aconteceu no calar de dezembro, novamente no Sesc Santana, e mais uma vez surpreendeu. Os homenageados desta vez eram apenas discos brasileiros, todos clássicos absolutos de 1974: o primeiro disco solo do mutante Arnaldo Baptista (Lóki?), a estreia em disco de Cartola, o encontro de Elis Regina com Tom Jobim e o disco psicodélico de Jorge Ben, Tábua de Esmeralda. Para tomar conta de cada um desses discos, artistas de diferentes abordagens. Elis & Tom ficou a cargo do Marco Pereira Trio – um dos grandes conjuntos da nova cena de jazz de São Paulo – ao lado da cantora Luciana Alves e a Tábua de Jorge Ben ficou com o projeto paralelo da Nação Zumbi chamado Sebosos Postizos, que já há anos revisita diferentes músicas do repertório de Babulina nos anos 70.

Os dois shows que vi – dos melhores shows de 2014 – celebravam Cartola e Arnaldo Baptista. Foram shows que intimidaram seus intérpretes. O trio O Terno, liderado pelo filho de Maurício Pereira, Tim Bernardes, ficou responsável pelo mergulho emotivo na obra confessional do ex-Mutante e o rapper Emicida deixou de rimar pela primeira vez para cantar os versos imortais do sambista parnasiano.

O show de Emicida foi um atordoo. Não apenas por colocar o rapper num universo familiar ao seu (o samba) desafiando-o a cantar músicas que fazem parte do DNA do samba. Mas também pelo grupo musical que havia reunido. O desafio, na verdade, foi proposto pelo saxofonista Thiago França, uma das forças da natureza da nova cena musical paulistana. Ele tocou com Criolo e é um terço do Metá Metá, a melhor banda de São Paulo atualmente, além de ter inúmeros projetos paralelos, muitos deles com o compadre Kiko Dinucci, outra usina musical da nova São Paulo. França convocou pesos pesados pra compor o time: da banda de Emicida surrupiou o percussionista Carlos Café, o violonista Doni Jr. e o DJ Nyack. Depois convocou o ás baixista Fábio Sá, o grande Rodrigo Campos para o cavaquinho e guitarra e o próprio Thiago entre o sax, a flauta transversal e outras engenhocas e pedais de efeito.

O resultado foi um show que por vezes soava reverente, mas na maior parte do tempo era abertamente desafiador, levando a obra de Cartola para territórios completamente diferentes – o free jazz, o hip hop mais pesado, a gafieira, um samba mais quadrado e até para releitura quase literais. A curta duração do disco homenageado (pouco mais de meia hora) fez o conjunto estender a homenagem para Adoniran Barbosa (contrapondo “Saudosa Maloca” e “Despejo na Favela” com as desocupações feitas recentemente em São Paulo) e para Candeia (numa versão brutal para “Preciso Me Encontrar”), além do delicioso sambão “Hino Vira Lata”, do próprio Emicida. Um show daqueles de tirar o fôlego.

Dois dias depois era a vez do Terno, no mesmo palco do Sesc Santana, defender sua homenagem ao disco Lóki?, o tocante espasmo emocional traduzido através do piano rock de Arnaldo Baptista, logo que ele saiu dos Mutantes. Um disco de fossa devido ao fim de relacionamento com Rita Lee, mas também um disco de uma psicodelia introvertida, que às vezes sonha alto ou cogita possibilidades impensadas no meio de canções que cortam o coração ao mesmo tempo que provocam sorrisos.

A responsabilidade do Terno não era apenas etária – o guitarrista e vocalista Tim Bernardes deixou seu instrumento em segundo plano para assumir o teclado, mas manteve-se preciso e sem firulas, no mesmo nível de emoção que percorre pelos sulcos do vinil original. O desafio duplo foi vencido com alguma facilidade – mesmo nas músicas tocadas com guitarra, canções feitas originalmente para o piano ganhavam uma desenvoltura de parentesco psicodélico.

Agora é esperar 2015 para ver se (e quais) os artistas do ano passado levarão os shows de 2014 para novos palcos e o que o Radiola Urbana armará para a versão deste ano. “Pensamos em Fruto Proibido (Rita Lee & Tutti Frutti), Horses (Patti Smith), Expensive Shit (Fela Kuti & Afrika 70), Estudando o Samba (Tom Zé)…”, me disse Ramiro, que planeja uma novidade para este ano – voltar 50 anos no tempo em vez de 40. “Aí se virar 65, temos planos malignos e infalíveis para A Love Supreme (John Coltrane), Coisas (Moacir Santos), Highway 61 Revisted (Bob Dylan)…”. De qualquer forma, não tem erro.

O Terno reverencia Lóki?

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Diferente do show de Emicida em homenagem a Cartola, a noite do projeto 74 Rotações que teve O Terno recriando o clássico Lóki? de Arnaldo Baptista foi mais reverente do que inventiva, mas tanto a banda quanto o disco requeriam aquele tipo de apreciação.

Para começar, Lóki? não é só um apanhado de canções românticas, é um disco-sentimento em que Arnaldo Baptista jorrava toda seu coração em música. É fácil imaginar que as canções que hoje consideramos clássicas são partes de um fluxo de consciência emocional contínuo, como pode ser observado a partir das jam sessions registradas no primeiro disco dos Mutantes sem Rita Lee, O A e o Z, que só foi lançado nos anos 90. O que Arnaldo Baptista cantasse enquanto tocava seus teclados – piano ou elétrico – naquela época fazia parte de uma enorme canção em sua cabeça – canção esta que se desracionalizou completamente quando sentiu o baque de perder Rita Lee e compôs/gravou Lóki? O disco é um misto de Astral Weeks com Madcap Laughs e uma pitada do mítico Smile, um disco confessional, extremamente pessoal e gravado nos limites da emoção. Por isso qualquer tentativa de recriá-lo corre o risco de soar falso ou sem sentimentos.

Daí a importância d’O Terno optar pela reverência, tocando as músicas quase literalmente como no disco, incluindo aí a ordem das faixas. A outra barreira frente ao show do sábado passado é que Lóki? é um disco composto e tocado ao piano, enquanto o trio paulistano não conta com o teclado em sua formação. Por isso quando as cortinas se abriram e o guitarrista Tim Bernardes estava sentado frente a dois teclados a responsabilidade do grupo pareceu ter aumentado a dificuldade: será que Tim era tão desenvolto no piano quanto na guitarra? E apesar da resposta negativa isso não foi propriamente um problema. Primeiro porque ele manteve-se firme na base das canções, sem tentar nenhum malabarismo instrumental que talvez não pudesse alcançar – este era espertamente dividido com o baixista Guilherme d’Almeida, que percorria linhas melódicas de tirar o fôlego (tocadas originalmente por Liminha, talvez o melhor discípulo de Arnaldo no baixo). No meio, o baterista Victor Chaves ajudava a acertar o clima das canções, por vezes como um Keith Moon (ou Dinho Leme, como seria mais apropriado) endiabrado, por outras clássico e discreto como Charlie Watts ou Ringo Starr.

Mas Tim não ficou só nos teclados nem a banda ficou só no fac-símile. Um dos momentos mais interessantes do show foi quando “Honk Tonk” (escrita e tocada originalmente apenas no piano) virou um rock pesado instrumental tocado pelo power trio ensandecido que é O Terno – emendando abruptamente na quase faixa-título (reforçando o fato de que a banda é da era do CD e atropelou a clássica virada do lado A pro lado B). Quando ia para a guitarra, Tim emulava a guitarra tropicalista Sérgio Dias e Lanny Gordin com a alavanca do instrumento e notas estridentes, numa evidente saudação aos mestres. Até na letra ele arriscou uma brincadeira, quando, em “Será Que Eu Vou Virar Bolor?”, trocou Alice Cooper por Arctic Monkeys, adaptando perfeitamente o sentimento de não-pertencimento de Arnaldo nos anos 70 para essa década de 10 (aliás, cabe um parêntese pra falar como Lóki?, como registro sentimental, ainda segue atual mesmo quando não se fala apenas em sentimento – explicitado especificamente em “Navegar de Novo” – que pensei que Tim fosse trocar “o modelo do meu carro que eu comprei só há seis meses já está fora de moda” por “o modelo do iPhone… etc.”).

O show, curtíssimo, mostrou que O Terno está pronto para viagens ainda mais loucas e encerrou com duas músicas de outros discos: “Beijo Exagerado” do último disco dos Mutantes com Rita Lee e “O Cinza” do disco que lançou esse ano. O desafio de recriar a atmosfera dentro da cabeça e do coração de um dos mestres do rock brasileiro foi cumprido à risca, com alguma (natural) tensão, mas sem deixar a bola cair. Foi quase como se o trio tivesse feito a prova do vestibular da psicodelia brasileira na frente das poucas centenas de pagantes do Sesc Santana – e visto a aprovação sair em seguida. E por mais que acertassem em diversos pontos, tiraram nota 10 no conjunto do disco, do correr da obra, na redação do show. Afinal, Psicodelia é Ciências Humanas.

Abaixo, os vídeos que fiz de todo o show, assista e deleite-se:

Emicida, Thiago França e Rodrigo Campos reverenciando o primeiro disco do Cartola

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Emicida estava tão tenso que mal conseguiu conversar com o público no início. Justo ele, um MC tão afeito ao diálogo – nem a presença de seu fiel escudeiro (e escada para conversas impagáveis) DJ Nyack nas picapes o deixou à vontade. Afinal, não era pouca coisa: era a primeira noite do 74 Rotações, o projeto do Radiola Urbana que celebra discos clássicos de quarenta anos atrás, e Emicida havia sido provocado por Thiago França, à sua direita no palco, revezando-se entre a flauta, o sax, percussão e geringonças elétricas, para recriar ao vivo o primeiro disco de Cartola. Ao seu redor, uma banda de peso: Rodrigo Campos no violão e cavaquinho, Doni, da banda de Emicida, no violão de sete cordas, o endiabrado Fábio Sá entre os contrabaixos acústicos e elétrico, Nyack entre as picapes e a percussão, esta toda a cargo de Carlos Café, também da banda de Emicida.

O principal desafio era do rapper – afinal não sabíamos se ele iria rimar ou cantar as músicas do mestre carioca. E a introdução deixou bem claro que seguiria os dois rumos – começou rimando a letra de “Alvorada” sobre uma base reta que se equilibrava entre um funk tenso e um samba mecânico, mas ao chegar no refrão, revelou-se cantor e entoou a primeira das melodias de Cartola. Na segunda parte pôs-se a improvisar como sabe e, pouco a pouco, o misto de responsa e importância foi se dissipando e a noite foi ficando mais à vontade.

O clima de homenagem também era o de desconstrução, proposta principalmente a partir da batuta de Thiago, que por mais que fosse o principal maestro da noite, preferiu dar autoria conjunta a arranjos que entortavam completamente os originais (uma suave e noturna “Disfarça e Chora”, uma robótica e poética “Acontece”, o ad lib de “Tive Sim”, uma delicada “Corra e Olhe o Céu”) ou os celebravam ipsis-literis (como “Alegria” emendada com “A Sorrir”, “Quem Me Vê Sorrindo”, “Sim”, “Amor Proibido” e uma fantástica “Ordenes e Farei” vertida em dança latina de salão). O disco de 74 era sampleado e invertido, citado e virado do avesso, reverenciado e relido com ouvidos de fã e instrumentos de cientista, daqueles apaixonados pela intensidade daquele laboratório vivo. O show terminou com dois salves a Adoniran Barbosa (“Saudosa Maloca” e “Despejo na Favela” cujo tema original foi ressuscitado sem o glamour da nostalgia – são duas músicas que falam sobre ocupação e os sem teto), um samba original do próprio Emicida (a irresistível “Hino Vira Lata”) e a completa entrega a “Preciso Me Encontrar”, de Candeia, vertida em uma jam session de tirar o fôlego.

Um show histórico, quem viu sabe. Que é mais um passo na evolução de Emicida – pois ele mostrou que sabe cantar… Dá pra melhorar? Sempre, mas só o fato de não fazer feio (salvo alguns deslizes no início do show) já mostra que esse menino vai longe…

Filmei o show quase todo, inclusive as piadas e os causos que Emicida talvez preferisse que ninguém filmasse. Mas, tudo bem, é do jogo 😉

Radiola Urbana apresenta 74 Rotações

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Emicida tocando o primeiro disco do Cartola, O Terno tocando o Lóki? de Arnaldo Baptista na íntegra, os Sebosos Postizos mandando ver todo o Tábua de Esmeralda do Jorge Ben e Luciana Alves e o Marco Pereira Trio visitando todo o Elis & Tom. Eis o cardápio do programa 74 Rotações, terceira edição do projeto do site Radiola Urbana que começou homenageando 1972 em 2012 (com Romulo Fróes fazendo o Transa de Caetano Veloso, Felipe Cordeiro tocando o Expresso 2222 do Gil, entre outros) e no ano passado deu origem a shows que percorreram o país como Karina Buhr tocando o primeiro dos Secos & Molhados, o Cidadão Instigado tocando o Dark Side of the Moon do Pink Floyd e a Céu interpretando o Catch a Fire do Bob Marley. A terceira edição acontece entre os dias 18 e 21 de dezembro no Sesc Santana e os ingressos custam R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia) e R$ 8 (comerciário). Bati um papo com o bróder Ramiro Zweitsch, do Radiola, sobre a edição 2014 do festejado projeto.

Como foi que vocês começaram a fazer os projetos para 1974?
Bom, começamos pensando nos discos e percebemos logo que era um ano muito forte de música brasileira: Elis & Tom, Tábua de Esmeralda, Cantar, o primeirão do Cartola, Canta, Canta Minha Gente, Gitã, Lóki? etc. Pensamos em alguns gringos, tipo Authoban e Diamond Dogs mas acabamos decidindo por focar nos brasileiros já que o projeto vem se transformando de um ano para o outro: em 2012 eram 8; em 2013 reduzimos para 4, entre gringos e brasucas; neste ano, 100% Brasil; e no ano que vem queremos muito fazer 65 e 75, vontade essa que a gente já tinha de ter aplicado em 2014 – com shows de discos de 64 -, mas simplesmente não rolou. Tivemos de descartar o Martinho da Vila por conta do show que o Otto vem fazendo desde janeiro e o do Raul Seixas também acabou gerando um outro projeto recentemente. O Cantar a gente queria fazer com a Tulipa, mas ela sabiamente declinou do convite por achar que é o tipo de show que a própria Gal poderia e pode vir a fazer. Fechamos nestes 4 que desenham um panorama interessante da diversidade da música brasileira de 40 anos atrás: a estreia fonográfica de um dos nossos maiores sambistas, o encontro entre aqueles que podem ser considerados nossa maior cantora e nosso maior compositor, um inspiradíssimo disco de rock pós-tropicália e o auge criativo de Jorge Ben — talvez o artista mais cultuado pelas últimas gerações da nossa música (90’s, 00’s, 10’s).

Como foram os convites? Alguém já tinha procurado vocês ou foram vocês que convocaram os músicos?
Fomos procurados por alguns artistas a fim de participar do projeto, mas nenhum deles propôs um disco. Eles escreviam pra gente com mensagens tipo: “pô, o projeto é demais, me convida”. São duas cartas que estão na manga para os próximos anos. Esses nomes que fechamos para 2014 foram todos convidados por nós e aceitação foi imediata da parte deles. O Emicida é um cara que a gente admira muito, que já vem experimentando uns formatos diferentes de apresentação e apostamos que ele vai arrebentar nesse esquema de cantar as melodias lindas do Cartola. A Luciana é uma cantora muito talentosa, que circula mais pelo universo da MPB e não tem nada de pop. Ela vai fazer o show com o Marco Pereira Trio, formado por grandes músicos. O Terno a gente já queria ter envolvido no ano passado, mas eles recusaram nosso convite em fazer Eu Quero Botar o Meu Bloco na Rua, do Sérgio Sampaio, por conta do foco deles em trabalhar nas próprias músicas naquele momento. Os Sebosos já fazem boa parte do repertório de A Tábua de Esmeralda e a escolha era até meio previsível. Vai ser massa porque é um disco amado por todos e foi, inclusive, eleito o melhor de todos os tempos em uma “eleição” que fizemos em 2008 na Radiola. Fora que o próprio Jorge Ben chegou a dar sinais de que poderia fazer esse show e por enquanto necas.

Como vocês se veêm como responsáveis por inspirar projetos paralelos de artistas que admiram, como a Céu, a Karina e o Cidadão – todos incorporando os shows do projeto em turnês específicas?
Ah, sentimos muito orgulho, né? É uma sensação boa de que fizemos as escolhas certas. No caso do Cidadão, a experiência foi quase transcendental, reacendeu meu amor pelo Pink Floyd inclusive. O show da Céu rendeu pacas e ficou também muito clara a afinidade dela com aquele repertório. Os shows da Karina e do Fred 04 também tiveram seus desdobramentos e a gente nunca poderia imaginar que interferiria de alguma forma nas carreiras desses dois artistas que a gente admira desde os primeiros suspiros do mangue beat.

E pra 1975, quais são os grandes discos na mira?
E aí, sugere algum pra gente? Pensamos em Fruto Proibido, Horses, Expensive Shit, Estudando o Samba… Se virar 65, temos planos malignos e infalíveis para A Love Supreme, Coisas, Highway 61 Revisted…

Marvin Gaye bem à vontade

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Marvin Gaye largado num sofá, ensaiando “I Want You” num hotel na Bélgica, em 1981, no meio de sua turnê européia daquele ano. Que sonzeira!

Descoberta pinçada pelo Radiola Urbana.

E o Lee Fields em São Paulo?

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Tá sabendo, né? Nesse fim de semana, no Sesc Pompéia. Pena que não vou estar aí no finde, vai ser um showzaço.

Vi no Radiola Urbana.

Um trato no Marcos Valle

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Mexe aqui, cola acolá, dá um tapinha ali – o produtor Rafael Moraes quase não mexeu na “Estelar” original de Marcos Valle em seu edit, só deu um up pra deixa-la mais afeita às pistas atuais. Ficou bem fera.

Vi no Radiola Urbana.

“Quem tem consciência para ter coragem”: Karina Buhr toca Secos e Molhados

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Eis que surge mais um vídeo da incrível série de shows 73 Rotações organizada pelos caras do Radiola Urbana. Dessa vez, vemos a diva Karina Buhr reencarnar os Secos e Molhados ao lado de um time de feras composto nada menos por três cidadãos instigados (Clayton Martin na bateria e Fernando Catatau e Régis Damasceno nas guitarras), o jovem mestre Guizado no trompete, Mau no baixo e Xuxa Levy nos teclados. Sente o drama que ficou “Primavera nos Dentes”:

Quer mais? Há outros vídeos capturados durante o show que eu compilei logo abaixo, formando a íntegra do disco homenageado: