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4:20

Então, vocês tão acompanhando essa história da pirâmide bolada pelo ex-presidente da Nasdaq? Olha alguns detalhes engraçados. O primeiro eu tirei do Hermenauta, que linkou essa notícia do Estadão com alguns grifos e chegou a essa conclusão:

Quer dizer que o Brasil sob o governo socialista de Luis Inácio gerou riqueza? Umas centenas de bilhões de dólares.

Quer dizer que a nova elite beneficiada por este governo depositava essa riqueza no exterior, sem declarar imposto? Umas dezenas de bilhões de dólares.

Quer dizer que esse pessoal todo foi tungado pelo Madoff??

Não tem preço!!!!

…and the beat goes on. Do blog do Kufper:

A fraude de US$ 50 bilhões do gestor de fundos americano Bernard Madoff atingiu, como já se sabe, o cofrinho de muitos brasileiros endinheirados. A coisa pegou num pedaço daquilo que se convenciona chamar de “investidor estrangeiro”. Na verdade, brasileiros ou residentes no Brasil que às vezes mandam dinheiro frio para fora e às vezes trazem de volta.

Como nenhum deles veio a público – e dificilmente virá – para abrir o tamanho das perdas, o terreno fica fértil para especulações. Operadores de mercado falam que o prejuízo total dos brasileiros “espertos” varia entre US$ 1 bilhão e US$ 8 bilhões. Só intervalo entre o piso e o teto das perdas estimadas mostra que a conta é puro chute. Não há como dimensionar com alguma exatidão os valores reais envolvidos pela própria natureza do negócio. Os advogados que estão sendo acionados, para tentar salvar o que for possível do dinheiro aplicado nos fundos de Madoff, confirmam que uma parte grossa dos recursos não foi declarada ao fisco.

Além de chutar montantes que giram na casa dos bilhões, o pessoal que opera no mercado se diverte em espalhar nomes de ricaços que teriam caído no conto do vigário global. E aí entram na roda freqüentadores assíduos das colunas sociais do eixo Rio-São Paulo. O grupo seria formado por conhecidos milionários à frente de grandes empresas tradicionais, consultores financeiros de grife e novatos nas listas dos mais ricos, a partir de lançamentos iniciais em bolsas de ações de suas empresas. A fofoca é que as perdas individuais não seriam inferiores a US$ 20 milhões, mas há relatos de que um teria perdido, sozinho, US$ 200 milhões e outro, US$ 500 milhões!

Os próprios investidores sabem que a chance de recuperar a grana é zero ou perto disso, uma vez que Madoff reconheceu que, dos US$ 50 bilhões, teriam sobrado US$ 300 milhões.

Daí, comentando esse papo com o Mutli, fiquei imaginando a cara desse povo na hora que chegou a notícia: “Oi, sinto lhe informar, mas a grana que você despejava para o exterior para não declarar imposto no Brasil desapareceu”. E ele emendou que o emissário das notícias podia ser o próprio Lula. Logo depois o Fred solta essa pérola:

“We’re no strangers to love”.

Três

O Lívio sugeriu essas três estampas pra camiseta:

Eu não usaria nenhuma delas 😛

np08gb.jpg

Mixtape de sábado no domingo, tudo em prol da sobrevivência da programação. E desta vez autopromoção: setzinho que eu e o Luciano fizemos pra rebobinar o 2007 Gente Bonita. O quê? Sem mashup? Depois a gente faz um com os melhores mashups do ano passado, guentaê. Por enquanto, só puras: Uma Noite Perfeita com Gente Bonita – Volume 8 (As Melhores da Festa em 2007), colaê (e tem feshteenha sexta que vem, comemoração do meu aniversário, todo mundo convocado).

1) “Fancy Footwork” – Chromeo
2) “Ice Cream” – New Young Pony Club
3) “Je Veux te Voir” – Yelle
4) “Gravity’s Rainbow (Soulwax Remix)” – Klaxons
5) “Hustler” – Simian Mobile Disco
6) “D.A.N.C.E.” – Justice
7) “Anyway You Choose To Give It (Boy-8-Bit Dub)” – The Black Ghosts
8) “Office Boy (Shir Khan Remix)” – Bonde do Rolê
9) “Thou Shalt Always Kill” – Dan Le Sac vs Scroobius Pip
10) “Time To Get Away” – LCD Soundsystem
11) “Idealistic” – Digitalism
12) “Heart of Hearts” – !!!
13) “Merry Making At My Place” – Calvin Harris
14) “Warning Sign” – Hail Social
15) “Shadows” – Midnight Juggernauts
16) “You Know I’m No Good” – Arctic Monkeys
17) “Paper Planes (feat. Bun B and Rich Boy Remix)” – M.I.A.
18) “Lucky Boy (Outlines Remix)” – DJ Mehdi

19) “Smile (Mark Ronson DC Remix)” – Lily Allen feat. Wale
20) “Relax, Take It Easy” – Mika

E se eu te dissesse que o Orson Welles quis filmar o Batman em 1946 – e que o elenco incluiria, além do Gregory Peck como Batman, o James Cagney de Duas Caras, a Marlene Dietrich como Mulher-Gato, Basil Rathbone (que fazia o Sherlock Holmes no cinema) como Coringa? Mentira: isso foi lenda inventada pelo Mark Millar, aproveitando do fato do Welles ter flertado com algo parecido na época quando cogitou filmar O Sombra, que já havia feito no rádio, anos antes. Mas o projeto não saiu do papel (Orson Welles, né…).

Mas como metade de tudo que Welles está envolvido pode ser uma grande pegadinha, Millar aproveitou para “contar” a verdadeira história do “Batman de Orson Welles”. O trailer aí de cima também foi feito depois da lorota ganhar peso de fato via internet… E vale por cogitar essa realidade paralela, imagina que foda.

mixtape8-danilo.jpg

O compadre Danilo fez um setzinho bala só com rock de garagem dos anos 60. Tu baixa o set aqui (em um MP3 só) e as músicas tão relacionadas aí embaixo:

Tommy James & The Shondells – “Hanky Panky”
The Rutles – “Blue Suede Schubert”
Q’65 – “Cry In The Night”
The Who – “The Seeker (Edited Version)”
Noi – “Tredistruggin”
Van Morrison – “I Can Only Give You Everything”
Johnny Kid & The Pirates – “Shakin’ All Over”
The Zombies – “Time Of The Season (Stereo Version)”
The Knickerbockers – “Lies”
Manfred Mann – “Do Wah Diddy”
The Swinging Blue Jeans – “Hippy Hippy Shake”
The Sonics – “Strychnine”
The Easybeats – “Sorry”
Kinks – “You Really Got Me”
The Kingsmen – “Louie Louie”
The Trashmen – “Keep A Knockin'”
The Action – “I’ll Keep Holding On”
Barrett Strong – “Money (That’s What I Want)”
Sam The Sham & The Pharaos – “Wooly Bully”

F-F#-G F-F#-G G G G G

G
Doo doo doo Doo doo doo Doo doo doo doo doo doo ( x 2)
D
Doo doo doo Doo doo doo Doo doo doo doo doo doo ( x 2)

G D
Well you must be a girl with shoes like that she said you know me well
C B E D
Because I seen you little Steven and Joanna round the back of my hotel, oh yeah

G D
Someone said you was asking after me but I know you best as a blagger
C B E D
I said tell me your name is it sweet, she said my boy it’s dagger, oh yeah

G
I was good she was hot stealing everything I got,
I was bold but she was over the worst of it
D
Gave me gear thank you dear bring yer sister over here
let her dance with me just for the hell of it

G
Doo doo doo Doo doo doo Doo doo doo doo doo doo ( x 2)
D
Doo doo doo Doo doo doo Doo doo doo doo doo doo ( x 2)

G D
Well you must be a boy with bones like that, she said you got me wrong
C B
I would’ve sold them to you, if I could’ve just have kept the last of my
E D
clothes on, oh yeah

G D
Call me up take me down with you when you go I could be your regular belle
C B E D
And I’ll dance for little Steven and Joanna round the back of my hotel oh yeah

G
I was good she was hot stealin everything she got
I was bold she was over the worst of it
D
Gave me gear thank you dear bring yer sister over here
let her dance with me just for the hell of it

GGGG GGGG GGGG GGGG DDDD DDDD DDDD DDDD GGGG GGGG GGGG G GGG DD D-DD DDDDDD

G C D
Chelsea Chelsea I believe that when you’re
G C D
Dancing slowly sucking your sleeve
G C D
The boys get lonely after you leave
C D G
And its one for the dagger another for the one you believe

G
Doo doo doo Doo doo doo Doo doo doo doo doo doo (x2)
D
Doo doo doo Doo doo doo Doo doo doo doo doo doo (x2)

Nem vem regular mandar mixtape de sábado numa segunda, porque primeiro que último dia do ano tem mor cara de sábado e segundo que só assim pra eu retomar a seção, que havia hibernado. A dica é do Danilo: o produtor australiano Dave McKinney, que assina como Flow Dynamics, montou esse setzinho bala trazendo a lógica Girl Talk pra groovezeira funk setentona. Se liga que a parada é de cair o queixo:

Flow Dynamics live remix and mashup DJ Set.
Recorded at the Gold Diggers Festival, Barcelona, October 2007.

FlowDynamicsBarcelona.gif

< Download Here (147mb) >

This is a live Flow Dynamics mashup DJ set of funk, soul, hip hop, latin, disco, beats, and breaks, recorded in Barcelona as part of the Gold Diggers Festival at the Sala Apolo on 25th October 2007. I wanted to do something a little different with my dj sets on tour, so I basically had a pile of loops, grooves, songs, acapellas, and song snippets, and then used midi controllers and computer gear to trigger bits and pieces in and out. It means I could do a pile of live remixes and re-edits and make improvised mashups on the fly. Lotsa fun 😉 You can expect to hear lots of exclusive edits, live remixes and general mashup madness including Flow Dynamics favourites, old school dusty funk classics, and the latest tunes from around the globe. Funk, soul, hip hop, latin, disco, beats, and breaks. Feel good party styles all the way…”

Tracklisting (Length:64:16 secs)
Intro Edit (Flow Dynamics)
Dynamite Groove (Flow Dynamics live mashup)
Baby Get That Sound (Flow Dynamics live mashup)
Watch the Dog (Flow Dynamics live rework)
Hollywood Love Stuff (Flow Dynamics live mashup)
Funky White Brother (Featurecast – Flow Dynamics live tweak)
Think (Flow Dynamics live edit)
Avenue Rock (Featurecast)
Love Addict (Flow Dynamics live rework)
Get it off the Floor (Flow Dynamics live mashup)
Black Gold (Flow Dynamics live edit)
So Much Trouble (Flow Dynamics live edit)
Aint No Other Sunshine (Flow Dynamics live mashup)
Magic Galaxy (Flow Dynamics live mashup)
Chuck Berry (Featurecast)
Calle Candela (Flow Dynamics live rework)
Cut Sugar Sideways (Flow Dynamics live mashup)
Fijo’s Sweet Sister (Flow Dynamics live mashup)
Bad Steppin (Flow Dynamics live remix)
Superjam (Flow Dynamics remix)
Monkee Majik (Flow Dynamics live remix)
Live in the Mix (Flow Dynamics)
Live in the Lack of Afro (Flow Dynamics live mashup)
Sing It Loud (Flying Fish)
Chocolate (Flow Dynamics live rework)
Get Up and Dance Freak (Flow Dynamics live rework)
Funky Chicken (Flow Dynamics live remix)
Blow your Ill Sound (Flow Dynamics live mashup)
At the Speakeasy (Flow Dynamics remix)
Impulse (Flow Dynamics remix)
I’m a Man (Smoove)
Hippy Skippy Strut versus Mighty Show Shoppers (Live edit)
Rescue Me Marvin (Flow Dynamics live mashup)
Bossa for Bebo (Flow Dynamics)
Cosmic Soul (QDUP Foundation)

Songs for Drella

Songs for Drella – A Fiction foi o réquiem que Lou Reed e John Cale compuseram em 1990 para a passagem de Andy Warhol pro outro lado. Os dois não tocavam juntos desde o lendário concerto no Bataclan parisiense, em 1972, e resolveram deixar as desavenças de lado pra pagar tributo pro sujeito que bancou o Velvet Underground – lançando oficialmente suas carreiras (quer dizer, Cale já tinha história nas costas) O resultado é uma obra-prima e uma aula, um disco muito além da média do pra lá de medíocre ano em que foi lançado, composta apenas ao piano, viola e guitarra. O disco virou um vídeo na época e eu colei ele tá todo aí embaixo (as letras tão aqui).


“Small Town”


“Open House”


“Style it Takes”


“Work”


“Trouble with Classicists”


“Starlight”


“Faces and Names”


“Images”


“Slip Away (A Warning)”


“It Wasn’t Me”


“I Believe”


“Nobody But You”


“A Dream”


“Forever Changed”


“Hello It’s Me”

Laertevisão

laertevisao.jpg

Outro dia o Cadu se perguntava “o que aconteceu com o Laerte?” em referência ao fato do velho cartunista ter abandonado a lógica dos três quadrinhos em sua tira diária na Ilustrada e começado a explorar os limites do formato. O processo foi deflagrado pela morte de seu filho RafaelDaniel,mas tudo indica que a fase terapêutica já passou e Laerte assimilou a nova linguagem como sua. Em vez de colocar personagens conhecidos pra repetir piadas em diferentes pontos de vista, Laerte optou pela criação, às vezes sem sentido, às vezes pesada, limitada pelo espaço de uma tira de jornal – como um tipo de cineasta ao ser confrontado com um novo formato de tela. É como se Laerte tivesse cansado de fazer A Praça é Nossa e tivesse começado a… filosofar.

Comparo essa fase atual do Laerte com a primeira viagem de ácido do Robert Crumb (aquela que fez ele criar todos seus personagens mais conhecidos), só que às avessas (assistimos à abolição do personagem, algo que o Fernando Gonzales domina de uma forma muito pessoal) e em câmera lenta. Acho que ele está indo muito além dos limites do que qualquer artista brasileiro hoje. Nenhum outro conterrâneo – nem Fernando Meirelles, nem o Kassin – está tão ligado á sua própria época e sublinhando isso em sua própria arte do que Laerte. É um privilégio lê-lo todos os dias (já era, mas isso é como assistir às gravações do Bitches Brew).

E essa lógica foi para toda obra atual dele. Das tirinhas no caderno de informática da Folha ao quadrão sobre TV na Ilustrada de domingo. Estes últimos foram reunidos no excelente Laertevisão – Coisas que Não Esqueci, em que mistura memórias muito pessoais com suas lembranças sobre a TV. Fosse o Laerte antigo, veríamos pequenos quadros de comédia de situação no Brasil dos anos 50. Mas como é este novo Laerte, há um espaço para a reflexão e a filosofia (mesmo que infantil, pura) que nos prova que somos contemporâneos de um gênio.

(Como se os Piratas do Tietê já não nos tivessem provado, mas enfim…)

PS – A Carola deu o toque, passei batido – o filho dele que morreu foi o Daniel. O Rafael ajudou ele a organizar o Laertevisão. Mau meu.