Occupy Your Mind: As melhores placas do OccupyWallStreet
E por falar nisso, olha essa seleção do Christian Science Monitor. Tem mais lá.
E por falar nisso, olha essa seleção do Christian Science Monitor. Tem mais lá.
É o que diz o professor Robert Reich, especialista em políticas públicas de Berkeley:
A combination of police crackdowns and bad weather are testing the young Occupy movement. But rumors of its demise are premature, to say the least. Although numbers are hard to come by, anecdotal evidence suggests the movement is growing.
As importantly, the movement has already changed the public debate in America.
Consider, for example, last week’s Congressional Budget Office report on widening disparities of income in America. It was hardly news – it’s already well known that the top 1 percent now gets 20 percent of the nation’s income, up from 9 percent in the late 1970s.
But it’s the first time such news made the front page of the nation’s major newspapers.
Why? Because for the first time in more than half a century, a broad cross-section of the American public is talking about the concentration of income, wealth, and political power at the top.
Score a big one for the Occupiers.
Even more startling is the change in public opinion. Not since the 1930s has a majority of Americans called for redistribution of income or wealth. But according to a recent New York Times/CBS News poll, an astounding 66 percent of Americans said the nation’s wealth should be more evenly distributed.
A similar majority believes the rich should pay more in taxes. According to a Wall Street Journal/NBC News poll, even a majority of people who describe themselves as Republicans believe taxes should be increased on the rich.
Continua lá no site do Christian Science Monitor. Alguém se dispõe a traduzir?
Vi essa foto aqui.
O Ariel linkou e traduziu a análise que o pensador de mídia fez sobre o movimento nova-iorquino que está se espalhando pelo mundo:
Mas Occupy é tudo menos um movimento de protesto. É o que tem dificultado às agências de notícias expressar ou mesmo discernir a “demanda” crescente de legiões de participantes do Occupy pelo país, ou até pelo mundo. Como acontece com todo mundo no planeta, os ocupantes podem querer que muitas coisas aconteçam e que outras coisas parem de acontecer, mas a ocupação não é sobre exigências. Eles não querem nada de você, e não há nada que você possa fazer para detê-los. Isto é o que faz Occupy tão estranho e promissor. Não é um protesto, mas um protótipo de um novo estilo de vida.
Mas não me levem a mal. Os ocupantes não propõem que vivamos todos na calçada e durmindo sob abrigos precários. De qualquer forma, a maioria de nós não teria a coragem, vigor ou força moral pra dar um duro tanto quanto esses caras estão dando. (Sim, eles estão dando um duro maior do que qualquer mineiro ou agricultor pudessem entender.) Os acampamentos de sobrevivência urbanos que eles estão montando pelo mundo na realidade são mais como congressos, ou pequenas zonas de experimentação de ideias e comportamentos, que talvez mais tarde implementaremos em nossas comunidades, e do nosso jeito.
Os ocupantes estão forjando uma robusta micro-sociedade de grupos de trabalho, cada um descobrindo novos pontos de vista – ou revivendo alguns antigos – para os problemas vigentes. Por exemplo a Assembleia Geral, uma maneira flexível de discussão em grupo e construção de um consenso. Mas, ao contrário das regras parlamentares que promovem o debate, a diferença e a decisão, a Assembleia Geral dá vida a novos elementos. A coisa toda é orquestrada pelos simples gestos das mãos. Os tópicos são priorizados por importância, e todo mundo tem a oportunidade de falar. Até depois dos votos as exceções e objeções são incorporados como emendas.
Lembram do documentário sobre o OccupyWallStreet que contrapunha imagens da polícia agredindo os manifestantes nova-iorquinos com discursos do Obama e da Hillary pedindo voz para quem fala contra o governo? Olha ele aí legendado:
…e pra variar, ele humilha os conservadores que, desta vez, reclamam sobre o movimento.
Que tal comparar as falas de Obama e Hillary sobre a primavera árabe à luz dos eventos que aconteceram no OccupyWallStreet?
Dois dos homens “mais perigosos do mundo hoje” (ahahahaha) se encontram para falar de como andam as coisas em 2011. Se alguém tiver link pra transcrição do papo, arrumaê!
Minha coluna de domingo no Caderno 2 foi sobre esses novos movimentos populares que buscam reinventar a política atual.
É só o começo
Um novo conceito de política
Ativismo digital não é mais novidade. Usar a internet para conectar pessoas, divulgar causas e reunir multidões é algo que teve início ainda nos anos 90, quando o Subcomandante Marcos, do Exército Zapatista de Libertação Nacional, usava a internet para espalhar o drama dos índios no sul do México. Ou quando uma multidão se reuniu em Seattle, em novembro de 1999, para protestar contra encontros de cúpula da Organização Mundial do Trabalho. Mas a internet e as mídias digitais só começaram a se popularizar de verdade no início da década passada, por isso esse tipo de organização política ainda estava restrito a militantes mais engajados.
Mas a internet deixou de ser uma rede de geeks. Celulares se tornaram o principal meio de comunicação do planeta. Além de fotografar e filmar, ainda se conectam à web para divulgar o que foi registrado onde for.
Foi assim que vimos uma série de novos movimentos utilizarem redes sociais e comunicação móvel para furar bloqueios governamentais e sair às ruas. Essa nova organização política – popular, digital e sem lideranças – cresceu principalmente em 2011, quando vimos esse tipo de movimento ganhar as ruas dos países árabes, ir à Europa (primeiro na Espanha, depois em Londres) e finalmente chegar aos Estados Unidos, onde um grupo de ativistas resolveu seguir o exemplo de árabes e europeus e acampar, sem prazo para ir embora, no centro financeiro de Manhattan.
As críticas que fazem ao movimento Occupy Wall Street são as mesmas que fizeram sobre as manifestações no Egito, na Tunísia, na Síria, na Espanha e na Europa. De que são apenas jovens desempregados, que não têm causa definida, nem reivindicação clara ou outra solução para o problema que apontam. Mas a indignação já deixou de ser localizada em determinada cidade e ontem, dia 15 de outubro (ou 15O, como escolheram codificar), vários manifestantes em dezenas de cidades do planeta saíram às ruas para protestar contra corporações e governos.
O que está acontecendo, na verdade, é o despertar de uma consciência global. Quando os meios impressos surgiram, foi o alcance de sua distribuição que determinou as fronteiras dos países para, num segundo momento, consolidá-los como nações, um conceito que não tem nem 500 anos de existência. Foi a partir disso que a política moderna, a de representação, surgiu. Mas à medida que o século 20 foi despertando a consciência de que todos somos parte de um mesmo planeta (graças à iminência de uma guerra nuclear e pela ecologia), aos poucos vem caindo a ficha de que a política de séculos passados se esgotou. E o que estamos vendo, nessas manifestações populares, é o clamor por um novo tipo de política. É só o começo.