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Quando os anos 80 tornam-se clássicos

O C6 no Rock surpreendeu. Mesmo com um tema clichê e forçado (o infame “rock brasileiro dos anos 80” com costuras para incluir Rita Lee e Blitz num festival que merecia ser sobre 1986), trouxe shows bem resolvidos relembrando repertórios que seguem vivos na memória volátil do público brasileiro e cacifando possíveis shows de maior porte para um futuro próximo. Os poucos pontos fracos foram os shows dos Titãs (se esforçando para segurar seu Cabeça Dinossauro), de Paulo Ricardo (mesmo bem, segurou público em poucos hits) e da Blitz (que só decolou quando Fernanda Abreu entrou). Por outro lado, Plebe Rude, Ira! e Paralamas já são bandas clássicas e só colhem frutos de seu trabalho contínuo. Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e André Frateschi fizeram um show inesquecível e comemoraram a presença do herdeiro de Renato Russo naquela noite, marcando a primeira união das duas metades envolvidas com o nome da banda, o que indicaria uma “volta” do Legião Urbana (com o nome e tudo) num curto prazo. Será? Lotaria estádios cantando em uníssono, fato. E Marina Lima, mesmo com a voz fraca, segurou bem a noite, está belíssima e segura de si – e tem potencial para uma grande turnê. Os shows-tributo encerraram as respectivas noites e fizeram jus ao repertório dos dois homenageados. Vale aplaudir as presenças de Fernanda Abreu (cada vez maior), Sandra Sá, Baby do Brasil e Marina Sena no tributo à Rita e as participações de Arnaldo Antunes, Léo Jaime (que merecia ter seu próprio show) e Frejat na celebração ao Cazuza. E por mais que pudesse parecer limitado ao rock, boatos durante a edição cogitavam a possibilidade da versão nacional do C6Fest do ano que vem buscar outros gêneros, dedicando-se, por exemplo, ao samba, à black music brasileira ou à bossa nova, por exemplo. Parece uma boa saída.

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O Concreto Já Rachou – 40 anos depois

“De onde vem a atitude essencial que define a banda? Qual a razão que torna possível essa visão tão aguçada e tão permanentemente alerta? Alguns apontam a cidade base do grupo como o cenário de influência: é o quartel-general, metrópole/província; esconderijo. Brasília. A capital tão desconhecida de tantos brasileiros e tão familiar aos quatro rudes plebeus: a elite soberana, o poder exposto, os disfarces aceitos, a miséria e a intuição.” Assim Renato Russo apresentava, há quarenta anos, o primeiro registro oficial de uma das principais bandas de sua geração e um dos marcos da produção fonográfica brasiliense, o disco O Concreto Já Rachou da Plebe Rude, que comemora este aniversário em grande estilo. A banda reuniu-se com o produtor do disco, o paralama Herbert Vianna, para recriar sua música mais memorável, o hit “Até Quando Esperar?”, cuja regravação também contou com a presença do músico Jaque Morelenbaum, que gravou o marcante violoncelo da versão original. A nova versão vem junto com uma reedição do disco em vinil que ainda traz um compacto com quatro de suas músicas em versão demo (“Johnny Vai à Guerra (Outra Vez)”, “Proteção”, “Minha Renda” e “Sexo e Karatê”, provavelmente versões que já circulam no YouTube – veja abaixo), além de um faixa a faixa em vídeo com dois dos integrantes fundadores que seguem tocando a banda, o guitarrista Philippe Seabra e o baixista André “X” Mueller, que deve ser disponibilizado em breve. A banda, que ainda conta com Clemente Nascimento na atual formação (fundador de outra banda clássica do punk brasileiro, os Inocentes), além do baterista Marcelo Capucci, deve fazer shows comemorando o aniversário do disco, uma obra-prima do rock brasiliense.

Assista à nova versão de “Até Quando Esperar” abaixo, além de ver como ficou a nova versão do disco em vinil e alguns vídeos com as demo da Plebe Rude naquele período:  

Um C6 Fest voltado para o rock brasileiro…

O banco C6 e a produtora Dueto (que já fazem juntos o C6Fest) apresentam seu novo festival: C6 no Rock, que acontece nos dias 22 e 23 de agosto no Parque Ibirapuera, e cuja primeira edição é sobre rock nacional dos anos 80. O evento terá shows dedicados a discos clássicos do período e outros em homenagem a Cazuza e Rita Lee. Que acharam?

Plebe Rude com Jander Ribeiro!

E o reencontro do Plebe Rude com um de seus fundadores, Jander Ribeiro – conhecido pelos fãs como Jander Bilaphra -, que aconteceu nesta sexta-feira no Circo Voador? Segundo vocal marcante da banda brasiliense, Jander deixou o grupo em 2004 e foi substituído pelo pioneiro do punk paulistano Clemente Nascimento, numa formação que manteve-se praticamente intacta desde então, com os outros dois fundadores da banda – o guitarrista e principal vocalista Philipe Seabra e o baixista André X -, com troca apenas de baterista uma vez, quando o ex-Maskavo Roots Rodrigo Txotxa deixou o grupo para a entrada de Marcelo Capucci. O público foi pego de surpresa quando foi ao Circo Voador, no Rio de Janeiro, ver a atual formação da banda tocar seu disco de estreia O Concreto Já Rachou?, que está completando 40 anos, e de repente Jander sobe no palco para dividir os vocais da emblemática “Johnny Vai à Guerra (Outra Vez)”, num momento histórico do rock brasiliense. E seu vocal segue intacto – vale apenas ver também os outros vídeos do show abaixo:  

Vida Fodona #642: Festa-Solo (18.5.2020)

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Este programa foi gravado ao vivo na segunda passada.

Rita Lee & Tutti Fruti – “O Toque”
Mangalarga – “A Merda Que Você Fez”
Stevie Wonder – “I Wish”
Funkadelic – “One Nation Under a Groove”
BNegão & Os Seletores de Frequência – “V.V.”
De Leve – “Eu Rimo na Direita”
Lorde – “Royals”
Joy Division – “She’s Lost Control”
Pere Ubu – “Navvy”
Gang of Four – “Damaged Goods”
Plebe Rude – “A Minha Renda”
Devo – “Whip It”
Talking Heads – “Cities”
David Bowie – “Let’s Dance”
Christina Aguillera – “Genie In a Bottle”
Shaggy – “It Wasn’t Me”
TLC – “Waterfalls”
Nelly Furtado + Timbaland – “Promiscuous”
Hot Chip – “Ready For The Floor”
Tame Impala – “Let It Happen (Soulwax Remix)”
Sarah Love – “Lets Get Physical”
Dua Lipa – “Break My Heart”
Daft Punk + Giorgio Moroder – “Giorgio by Moroder”
Sade – “Paradise”
Letrux + Lovefoxx- “Fora da Foda”
Portishead – “All Mine”
Rihanna – “Kiss It Better”

Brasília 1983, por Hermano Vianna

mixtura-moderna

E na onda deste novo filme sobre o Legião (alguém mais viu? Eu não vi ainda, mas tenho certa curiosidade), segue a primeira matéria escrita sobre a geração de Brasília nos anos 80. Escrita por um tal Hermano Jr. – hoje mais conhecido como Hermano Vianna -, a reportagem foi feita para a revista carioca Mixtura Moderna, editada pela Ana Maria Bahiana e pelo José Emílio Rondeau no Rio de Janeiro há 30 anos, e resgatada pelo Olympio em seu blog. Leia a íntegra abaixo: