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A criação na tradução

Gustavo Galo puxou outra noite tocante em sua temporada Um Bis no Abismo ao convocar velhos compadres para fazer suas próprias versões de canções alheias numa apresentação dedicada a músicas estrangeiras vertidas para o português e já pegou na veia ao puxar “Traduzir”, de seu mestre camarada Luiz Chagas (ele mesmo um tradutor) para dar a tônica no palco. Ao seu lado, Peri Pane (entre o cello e o violão) e Lucas Gonçalves (com sua guitarra meio Velvet meio Beatles), o ladearam abrindo vozes, criando climas e recebendo os convidados que trouxeram para o palco, seja em forma de canção ou em pessoa. Entre os convidados traduzidos, os três puxaram versões em português para “Perfect Day” de Lou Reed, “Bless the Telephone” de Labi Siffre e “Because the Night” de Patti Smith, antes de convidar o primeiro convidado da noite e André Mourão já entrou subindo o sarrafo, primeiro ao reescrever a temática de “My Love” de Paul McCartney sem mudar seu sentido e depois numa ousada versão para “A Hard Rain’s A‐Gonna Fall” de Bob Dylan. Depois foi a vez de receber Péricles Cavalcanti, que Galo não mediu elogios ao defini-lo como um farol para suas subversões líricas – e Péricles não deixou barato, primeiro ao trazer um clássico nesta área (a dylanesca “It’s All Over Now, Baby Blue”, que tornou-se a imortal versão “Negro Amor”) e sua versão para “Back to Black” de Amy Winehouse (que tornou-se “Eu no Breu”). Galo chamou a última convidada, Camila Mota, que cantou uma belíssima versão para “O Amor” do poeta russo Maiakóvski, traduzido por Haroldo de Campos e musicada por Caetano Veloso e Ney Costa Santos, antes de encerrar a noite com Leonard Cohen (traduzindo “Dance Me to the End of Love”), com o chines Li Bai (701-762) e com uma versão brasileira para o hino antifascista “Bella Ciao”. Tudo isso ornado pela bela luz de Gabriela Luíza, que deu uma outra dimensão à noite.

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Engatando a terceira

Na terceira noite de sua temporada Segurando a Chama no Centro da Terra, Rubinho Jacobina mais uma vez passou o verniz em suas novas parcerias com Otto, Nina Becker, Mãeana e Domenico Lancellotti, tirou a poeira de pérolas eternizadas por Adoniran Barbosa, Jackson do Pandeiro e Doris Monteiro ao lado da máquina de groove que vem azeitando com seus novos comparsas Allen Alencar, Gabriel “Bubu” Mayall e Theo Ceccato. O convidado da semana foi Péricles Cavalcanti, que pegou o violão de Rubinho e assumiu o centro do palco para mostrar as suas “Blues da Passagem”, “Quem Nasceu” e o novíssimo reggae “Na Babilônia” para o repertório dessa noite.

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Rubinho Jacobina: Segurando a Chama

O mês de junho no Centro da Terra começa com a temporada que o carioca Rubinho Jacobina faz nas segundas-feiras do mês, quando apresenta a temporada Segurando a Chama ao lado de seus compadres Gabriel “Bubu” Mayall (no baixo) e Theo Ceccato (na bateria). Em quatro datas, eles investigam o que será o quarto disco solo de Rubinho, que testará as canções pela primeira vez no palco, além de buscar clássicos da música brasileira que foram cruciais para sua formação. Na primeira segunda, dia 2, ele apresenta-se apenas com seu novo trio para receber, nas semanas seguintes Sílvia Machete (dia 9), Péricles Cavalcanti (dia 16) e Juliana Perdigão (dia 23), sempre experimentando como será seu novo trabalho. Os espetáculos começam sempre às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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