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A história não tão secreta do Pavement

Pavement

Lembra que o Pavement havia deixado no ar que haveria novidades da banda esse ano? Nem show, nem lançamento inédito – o que a banda acaba de anunciar é que irá revisitar sua discografia mais uma vez, desta vez com foco apenas nas faixas que não entraram nos discos originais em versões em vinil. É uma série chamada The Secret History que não é tão “secret” assim, pelo menos no que diz respeito ao primeiro lançamento, anunciado para agosto, que vem com essa capa.

Pavement_Secret_History_Vol1

O Volume I dessa Secret History reúne o material lançado à época do primeiro disco da banda, o clássico lo-fi Slanted and Enchanted. O problema é que são exatamente as mesmas faixas que já haviam aparecido na versão Slanted and Enchanted: Luxe & Reduxe, lançada em 2002, que consiste em seis faixas que não entraram no disco original, duas Peel Sessions em 1992 (em junho e em dezembro), o EP Watery, Domestic (e três faixas que sobraram deste) e as treze faixas do show da banda na Brixton Academy, no dia 14 de dezembro de 1992. Nem mesmo os primeiros EPs da banda (Slay Tracks (1933–1969), Demolition Plot J-7 e Perfect Sound Forever) apareceram.

Funciona como uma boa desculpa para manter em catálogo as faixas extras do box set lançado há quase 15 anos (putamerda) e pra quem ja tem o disco original e não quer comprá-lo de novo só pra ter as músicas a mais. Mas é meio decepcionante por outro lado, já que, pra começar, a banda tem mais material dessa época que poderia ser lançado oficialmente e, pra complicar, nunca vimos o quinto disco da banda nos box sets originais, que foram lançados a partir deste Luxe & Reduxe. Ao contrário dos quatro primeiros discos do Pavement, o dark Terror Twilight nunca foi lançado em versão deluxe, sem muita explicação por parte da gravadora Matador.

Vamos torcer pra que essa edição Secret History consiga nos trazer algumas músicas inéditas de fato – nem que em apenas seu último volume. Se este sair, já estamos no lucro.

Eis as faixas desse Volume I, que será lançado apenas como vinil duplo, com download digital.

1. Sue Me Jack
2. So Stark (You’re A Skyscraper)
3. Summer Babe (7” Version)
4. Mercy Snack: The Laundromat
5. Baptiss Blacktick
6. My First Mine
7. Nothing Ever Happens
8. Here (Alternate Mix)
9. Greenlander
10. Circa 1762 (Peel Session 1)
11. Kentucky Cocktail (Peel Session 1)
12. Secret Knowledge Of Backroads (Peel Session 1)
13. Here (Peel Session 1)
14. Rain Ammunition (Peel Session 2)
15. Drunks With Guns (Peel Session 2)
16. Ed Ames (Peel Session 2)
17. The List Of Dorms (Peel Session 2)
18. Conduit For Sale [Live Brixton 1992]
19. Fame Throwa [Live Brixton 1992]
20. Home [Live Brixton 1992]
21. Perfume V [Live Brixton 1992]
22. Summer Babe [Live Brixton 1992]
23. Frontwards [Live Brixton 1992]
24. Angel Carver Blues Mellow Jazz Docent [Live Brixton 1992]
25. Two States [Live Brixton 1992]
26. No Life Singed Her [Live Brixton 1992]
27. So Stark (You’re A Skyscraper) [Live Brixton 1992]
28. Box Elder [Live Brixton 1992]
29. Baby Yeah [Live Brixton 1992]
30. In The Mouth A Desert [Live Brixton 1992]

Pavement 2015!

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Será que teremos novidades do Pavement em 2015? É o que o guitarrista Scott Kannberg, o Spiral Stairs, anunciou ao reativar a página da banda no Facebook:

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Questionado sobre a novidade pelo Twitter, Stephen Malkmus deu uma resposta evasiva:

Afinal de contas, o único disco da banda que ainda não recebeu o tratamento deluxe foi o quinto e último Terror Twilight, de 1999. Mas será que isso pode ser chamado de “great news”? Será que a banda pode estar relançando ainda mais material dos anos 90 em um box set (afinal, Kannberg mencionava os “fine folks” da gravadora Matador)? Será que o VHS Slow Century finalmente vai sair em DVD… ou em blu-ray? Ou será que a banda pode voltar a excursionar… no ano que vem?

Dedos cruzados!

Vida Fodona #406: Carnaval 2014

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Desconecto até terça que vem, quando volto com aquela festa

Metronomy – “The Upsetter”
Broken Bells – “After the Disco”
Blood Orange – “You’re Not Good Enough”
Don L – “Chips (Controla ou Te Controlam)”
Tommy Guerrero – “The Gunslinger”
Handsome Family – “Far From Any Road”
Nick Drake – “Pink Moon”
Delgados – “Clarinet”
Supercordas – “Happiness is a Warm Gun”
Mutantes – “Lady Lady”
Pavement – “Grounded”
Siba + Fernando Catatau – “Deus é uma Viagem”
Juliana R. – “Fuga”
Benji Hughes – “Country Love”
Rolling Stones – “Memo from Turner”
Erasmo Carlos – “Preciso Encontrar um Amigo”
Beatles – “And I Love Her (Allure Remix)”

E por aí?

Vida Fodona #386: Primeiro dia de agosto de dois mil e treze

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Entrei numa trip noventista por culpa da Tied to the 90s, aí já viu…

Morphine – “Good”
Delgados – “The Arcane Model”
Sonic Youth – “Saucer-Like”
Foo Fighters – “I’ll Stick Around”
Weezer – “The Good Life”
Supergrass – “Sun Hits the Sky”
Belle & Sebastian – “Legal Man”
Cornershop – “Good Shit”
Beck – “Where It’s At”
Stereolab – “Percolator”
Girls Against Boys – “Vera Cruz”
Björk – “Army of Me”
Daft Punk – “Da Funk”
Moby – “Bodyrock”
Primal Scream – “Swastika Eyes”
Prodigy – “Poison”
Beastie Boys – “Body Movin'”
Smashing Pumpkins – “Cherub Rock”
Superchunk – “Watery Hands”
Grandaddy – “The Crystal Lake”
Solex – “Rolex by Solex”
Looper – “Burning Flies”
Garbage – “Stupid Girl”
Bran Van 3000 – “Drinking in L.A.”
Pavement – “We Are Underused”
Galaxie 500 – “Fourth of July”
PJ Harvey – “Down by the Water”
Sebadoh – “Everybody’s Been Burned”
Olivia Tremor Control – “No Growing (Exegesis)”
Teenage Fanclub – “Sparky’s Dream”
Yo La Tengo – “Blue Line Swinger”

Chegaê.

“Speak, See, Remember”: Como foram os dois shows de Stephen Malkmus em São Paulo

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É a terceira vez que Stephen Malkmus vem para São Paulo. Suas duas vindas anteriores foram inevitavelmente marcadas pelo trabalho com o Pavement. Natural: na primeira vez, em 2002, dava início a uma carreira solo com músicas que haviam sido compostas para o Pavement, gravadas com uma banda – os Jicks – que só não passou a existir desde aquele disco porque a gravadora Matador preferiu lança-lo com o nome do cantor e compositor; e a segunda, em 2010, quando tocou no festival Planeta Terra com o próprio Pavement, no ano em que a banda resolveu voltar a existir.

Não foi nesta terceira vez que Malkmus veio livre do nome de seu velho conjunto, mas, por outro lado, veio com uma carreira solo na bagagem que já equipara-se, ao menos em idade, ao trabalho com sua outra banda dos anos 90 – são cinco discos com o Pavement e outros cinco com os Jicks, banda que formou ao lado da baixista Joanna Bolme e do guitarrista e tecladista Mike Clark desde o primeiro disco creditado apenas a ele.

Em pleno 2013 e aos 47 anos de idade, submeteu-se uma turnê à moda antiga, fazendo sete shows em duas semanas, percorrendo diferentes estados do Brasil, em vez de só passar por uma ou duas cidades, como nas outras duas vezes. Podia pagar de diva indie e pedir os melhores hotéis e cachês altos, mas preferiu vestir os trajes do operário-padrão do indie rock para passar pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Maringá, Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre e Floripa. Quase 15 anos depois da produtora mineira Motor Music fazer turnês desse tipo com artistas como Seaweed, Man or Astroman? e Superchunk (ah, os anos 90…), um dos principais representantes da primeira divisão deste universo (“bring on the major leagues…”) repete um percurso semelhante. Não irei me espantar se, nos próximos anos, outros grandes nomes do rock alternativo americano e inglês dos anos 90 se submeterem a maratonas do tipo (imagina uma turnê dessas feitas pelo Yo La Tengo, pelo Lee Ranaldo ou pelo Lou Barlow…).

É uma atitude bem mais louvável do que as centenas de bandas (Pavement inclusive) que voltam à ativa apenas para revisitar uma série de canções que fizeram sucesso no passado e lançar um disco fraco com músicas novas (não o Pavement) que é só um souvenir-desculpa da turnê feita apenas para faturar um troco em cima do passado. Nos dois shows de São Paulo este ano, Malkmus fez duas concessões ao antigo grupo, uma em cada show: no primeiro tocou “Speak, See, Remember” do último disco da banda, Terror Twilight; e no segundo tocou “in The Mouth a Desert”, um dos hits que pôs o Pavement no radar norte-americano e, posteriormente, do mundo. No resto das duas noites e em todos os shows da semana passada, dedicou-se apenas à carreira que consolidou nos últimos dez anos.

“Vocês vieram ao show cool, amanhã não vai ser tão cool”, brincou Malkmus logo no início do primeiro show. O show de segunda-feira, no entanto, foi o segundo show do artista marcado na cidade, logo depois que o primeiro, que aconteceria no dia seguinte, teve seus ingressos ingressos. E como boa parte dos fãs já havia garantido ingresso para a noite de terça (que ainda por cima era véspera de feriado) e o preço da noite extra era o dobro da primeira noite, o primeiro show de Malkmus no Beco 203 foi praticamente um sarau para pouco menos de uma centena de felizardos. A ausência de público tornou a dinâmica do show mais intimista e relaxada, enquanto Malkmus conversava constantemente com as pessoas da platéia (alguns bebadaços), quase todas grudadas no palco. Na noite seguinte, tomada por uma pequena multidão umas seis vezes maior, o clima foi mais intenso e elétrico e os diálogos com o público eram dirigidos a todos ao mesmo tempo, com algumas brincadeiras individuais, como contraponto.

Duas noites distintas que tiveram apenas sete músicas em comum, sendo seis do último disco do grupo, Mirror Traffic, e uma “Vanessa from Queens”, do segundo disco, Pig Lib. As músicas restantes, no entanto, não foram divididas de acordo com o clima da noite – “Jo-Jo’s Jacket”, que abriu a primeira noite, poderia tranquilamente estar no meio das faixas curtas e rápidas que abriram a segunda noite – “Tune Grief”, “Senator”, “Planetary Motion”, “Cold Son” e “Tigers” – enquanto “Real Emotional Trash”, da noite de terça, funcionaria magicamente no show para poucos de segunda. Era apenas a mesma banda em duas condições diferentes – um show vazio e um show lotado. E que banda!

Pois é inegável que, mesmo com a presença magnética e assinando todas as composições, Malkmus não está sozinho no holofote – e os Jicks são, de fato, uma banda. É claro como ele se apoia musicalmente na escada armada por Mike Clark e como Joanna Bolme funciona contraponto à guitarra do líder do Pavement, todos seguindo o pulso preciso de Jake Morris, o quarto baterista da banda (que já teve nomes como Joen Moen dos Decemberist, Joel Plummer do Modest Mouse e Janet Weiss, ex-Quasi e Sleater Kinney, nesta posição). O entrosamento dos quatro é natural e fácil de ser notado, deixando Malkmus à vontade inclusive para se exibir como músico. É impressionante perceber o quanto ele evoluiu como guitarristas nos anos, mesmo tocando sem palheta e sem dar tanta ênfase aos solos nos discos – o contrário do que faz ao vivo.

Ao ouvir o público brasileiro cantando músicas que nem eram as faixas de trabalhos de discos anteriores dos Jicks, não é difícil imaginar que Malkmus esteja conseguindo distanciar-se do Pavement a ponto de sua carreira solo se tornar equivalente à de sua primeira banda. Suas composições não têm mais o ar juvenil da outra banda porque ele não tem mais vinte e poucos anos – o que deixa suas músicas menos sarcásticas, mau humoradas ou temperamentais, mas elas não perdem o brilho. Pelo contrário, realçam novas qualidades de seu autor, como um lado mais cronista que protagonista, com ênfase a uma guitarra que ecoa o rock dos anos 70, mas sem o tom épico e reverente. Ao final do segundo show, cansado mais visivelmente satisfeito, Malkmus avisou que nos revê no ano que vem, possivelmente para o lançamento do disco que mostrou nas inéditas “Houston Ladies”, “Flower Children” (no primeiro show) e “Scategories” (no segundo). E nesta vez possivelmente virá livre do estigma de sua banda anterior.

Filme parte dos dois shows, veja abaixo:

 

Vida Fodona #341: Prenúncio de uma reduzida de ritmo

Poizé… Agosto e setembro serão devagar.

Lô Borges – “O Caçador”
Paulinho da Viola – “Falso Moralista”
Sambanzo – “Capadócia”
JJ – “Ecstasy”
Superhuman Happiness + Cults – “Um Canto de Afoxé para o Bloco do Ilê”
Blur – “The Puritan”
Karina Buhr – “Cara Palavra”
LCD Soundsystem – “One Touch”
Killer on the Dancefloor + Thiago Pethit – “Come Debbie”
Hall & Oates – “I Can’t Go For That (No Can Do)”
Daft Punk – “Digital Love”
Led Zeppelin – “Trampled Underfoot”
Smashing Pumpkins – “Cherub Rock”
Fall – “Mr. Pharmacist”
Tim Maia – “A Festa”
Arcade Fire – “The Suburbs”
Sebadoh – “2 Years 2 Days”
Pavement – “Black Out”

Vamo?