Trabalho Sujo - Home

On the run #153: Tim Maia Rules the World (Parts 1 & 2)

timaia-rules-the-world

O paulistano Daniel Bozzio – também conhecido como Digital Vagabondz – colocou Tim Maia no centro do universo solar da soul music brasileira e compôs dois sets casca grossa ao redor do groove do síndico, divindo as partes de forma cronológica. Na primeira parte, com músicas entre 1969 e 1975, além de Tim ainda há músicas de Eduardo Araujo, Os Incríveis, MPB4, Banda Black Rio, Marku Ribas, Erasmo Carlos, Cassiano, Di Melo, Fevers e Mutantes, além de artistas obscuros como Achados e Perdidos, Canarinho O Moleque Saci, Angelo Antonio, Hélio Matheus, José Roberto e San Papas. Na segunda parte, entre 1975 e 1979, Tim Maia está entre nomes como Miguel de Deus, Hyldon, Wilson Das Neves, Carlos Dafé, Cassiano, Gerson King Combo, Robson Jorge, Arnauld Rodrigues, Rosa Maria, Tony Tornado, Vanusa, Wanderléa, Orlandivo e até Reginaldo Rossi e Wando. Duas longas pedradas daquelas.

Quero ver a parte 3 hein!

Tudo Tanto #011: Uma nova psicodelia brasileira

boogarins-terno

Escrevi sobre o show que juntou O Terno e os Boogarins no mesmo palco na minha coluna Tudo Tanto da edição do mês passado da revista Caros Amigos e aproveitei para falar dessa nova psicodelia brasileira que vem surgindo. Também tem os vídeos que fiz do show, veja aí.

Uma nova psicodelia brasileira
O Terno e Boogarins fazem um show arrebatador mostrando que há uma nova cena de rock lisérgico que conhece bem seus antepassados no Brasil

Ecos da psicodelia dos anos 60 e 70 estão reverberando forte na segunda década do novo milênio em todo o mundo. A química do LSD coloriu corações e mentes quando a primeira geração pós-guerra alcançou a maturidade e a conexão Londres-São Francisco foi a primeira ponte a espalhar a lisergia no ar do planeta. Artistas como Tame Impala, Unknown Mortal Orchestra, Mac De Marco, Beach Fossils, Toro y Moi, Ty Segall, Dirty Projectors, Foxygen e Ariel Pink são alguns entre vários outros representantes de uma nova geração que resgata as paisagens multicoloridas e viagens místicas e misteriosas de meio século atrás através dos meios digitais ao mesmo tempo em que são causa e consequência do revival do vinil que já comentei aqui em outras colunas.

E como na primeira onda psicodélica, essa não é uma tendência isolada e sim global. Ainda nos anos 60 a força da transformadora dessa sonoridade alucinógena chegou ao Brasil, libertando o iniciante rock brasileiro dos bailinhos e paixonites da Jovem Guarda para os horizontes sem fim e os limites inexplorados da experimentação musical com instrumentos elétricos. Os Mutantes e Novos Baianos são apenas a ponta de um iceberg gigantesco que conta com autores de joias celebradas por estudiosos de todo o mundo (como os conjuntos Flaviola e o Bando do Sol, ,Módulo 1000, Os Baobás, Moto Perpétuo, A Barca do Sol, Ave Sangria, Veludo, O Bando, O Som Nosso de Cada Dia, Marconi Notaro, Som Imaginário, Spectrum) e grupos que abrigaram futuros gênios da nossa música (como o Brazilian Octopus que tinha Lanny Gordin e Hermeto Paschoal em sua formação, o Luz Som e Dimensão de Djavan, O Terço de Vinicius Cantuária ou o Vímana, de onde saíram Ritchie, Lobão e Lulu Santos).

E da mesma forma que essa nova onda psicodélica revisita os clássicos internacionais, a versão brasileira também não se esquece dos pioneiros, que também incluem as fases psicodélicas de artistas que não nasceram nesse meio, pinçando faixas e discos coloridos de Gilberto Gil, Milton Nascimento, Jorge Ben, Tim Maia e até Ronnie Von e Odair José. A geração que inclui nomes como Garotas Suecas, Boogarins, O Terno, Supercordas, Tono, Castello Branco, Luziluzia, Cérebro Eletrônico, Rafael Castro, Lulina, Do Amor e Trupe Chá de Boldo sabe muito bem que andam por trilhas abertas tanto pelos antepassados europeus e norte-americanos quanto pelos brasileiros.

Duas das principais bandas dessa nova geração uniram forças para uma noite memorável no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, no início do inverno deste ano. Foi uma sexta e um sábado que os paulistanos d’O Terno e os goianos Boogarins dividiram o palco e alternaram as aberturas: na sexta os Boogarins abriram para O Terno. No sábado, a noite em que fui, foi O Terno quem começou os trabalhos.

A banda liderada pelo Tim Bernardes é uma subcategoria dentro desta nova psicodelia. Tanto estética quanto tematicamente sua abordagem é autorreferencial, o que garante ao trio o rótulo de banda metapsicodélica, devido ao fato de que algumas de suas letras – quase todas de Tim – falarem sobre o fato de pertencer a uma banda iniciante num mundo explodindo de links, referências e citações. Musicalmente, frequentam eles frequentam o brechó musical dos Beatles em seus últimos dias e dos Mutantes no meio de sua fase de ouro, embora estas duas estejam longe de ser as únicas correntes visitadas pelo trio, que ainda conta com Guilherme D’Almeida (portando um baixo Hofner idêntico ao de Paul McCartney) e o recém chegado baterista Biel Basile. Beatles e Mutantes são os dois principais alicerces da banda – o terceiro é genético e mesmo que o vocalista, guitarrista e tecladista queira, não terá como fugir tão cedo: filho de Maurício Pereira, d’Os Mulheres Negras, ele tem o mesmo timbre e jeito de cantar do pai, além da postura e do rosto não fazer ninguém pensar que ele poderia ser filho de outra pessoa (tema, aliás, de uma das músicas do grupo, só que em formato ficção).

A força d’O Terno é brutal mas melódica e a psicodelia do grupo passeia por brincadeiras com versos, com a métrica, com os acordes e com as referências citadas na letra. Parecem tanto uma banda de rock quanto um esquete de humor sobre uma banda de rock – e eles sabem muito bem disso, embora estejam longe de serem rotulados preguiçosamente como uma banda “engraçadinha”. E aos poucos o grupo entrega-se a solos extensos, duelos instrumentais e climas lisérgicos sem referências externas, como se fosse uma banda dos anos 60.

Já os Boogarins têm uma improvável trajetória: formado a princípio pela dupla Fernando Filho (voz e guitarra) e Benke Ferraz (guitarra), eles vieram de Goiânia com um disco inacreditavelmente retrô, Plantas Que Curam. O disco chamou a atenção no exterior antes de aparecer no Brasil e foi lançado em vinil pelo selo da loja nova-iorquina Other Music, o que fez a banda engatar duas turnês pelo exterior, tocando mais fora do Brasil do que aqui dentro.

O som do grupo é mais fluido e escorregadio que o d’O Terno, a começar pela voz pastosa de Fernando, que quase sempre canta como se estivesse sorrindo, puro carisma. Benke quase não fala no palco, mas rege o quarteto com solos brilhantes. A formação da banda ainda inclui o baixista Raphael Vaz, herdeiro do peso do baixista do The Who John Entwhistle mas preciso como o baixista do Pink Floyd, Roger Waters, bem no início da banda, e o baterista Ynaiã Benthroldo, que surra seu kit de percussão sem necessariamente parecer agressivo. Uma combinação contagiante.

No show, o público era majoritariamente jovem, na casa de seus 20 e poucos anos, e logo que as bandas começaram a tocar, pelo menos um quarto da audiência correu para a beira do palco para ver o show bem de perto. O Terno começou a noite, mostrando mais músicas de seu disco do ano passado (batizado apenas com o nome da banda) do que de seu disco de estreia – e chamou Benke dos Boogarins para dividir uma música do trio paulista, a doce “Eu Vou Ter Saudades”. Depois Tim chamou Fernando para acompanha-los na acelerada “Tic Tac” e logo em seguida os outros três Boogarins subiram ao palco para uma jam session que culminou em uma música inédita, a primeira da noite: “Falsa Folha de Rosto”, mostrando que os Boogarins já estão chegando nos finalmentes de seu segundo disco, que deve ser lançado este ano. Entre as novas ainda teve “6000 Dias” e uma faixa sem título.

Depois o grupo goiano convidou O Terno novamente para o palco, quando diviram “Infinu”, do quarteto, que transformou-se num longo improviso com três guitarras, dois baixos e duas baterias (além do eventual teclado tocado por Tim). A noite chegou ao ápice quando o grupo fechou o show com um momento que só veio reforçar o que disse no começo do texto, quando apresentaram uma versão magistral para o clássico “Saídas e Bandeiras no. 2”, que Lô Borges compôs para o mítico disco Clube da Esquina. O próprio Tim brincou: “A juventude conhece Clube da Esquina”, a receber gritos de aprovação a apresentar a nova música. E aposto que ela – as bandas e o público – os conhecem por causa da internet, não por causa de seus pais.

BNegão 2015: “Energia que nunca se extingue”

bnegao-2015

BNegão e seus Seletores de Frequência preparam-se para sua terceira fase com o lançamento do disco TransmutAção, que começa a ser mostrado ao público, com a faixa “100% (No Momento)” (que já está pra download no site do projeto Natura Musical). “TransmutAção é um disco diferente dentro da nossa carreira”, me explicou o Bernardo, “onde a percussão, os tambores assumem um papel de protagonista, jogando de igual pra igual, com a banda. Neste novo trabalho, acho que os arranjos de metais deram um passo além, também. Fora isso, voltamos à ter também algumas intervenções eletrônicas, que havíamos abandonado no nosso segundo álbum.” A atual formação dos Seletores inclui Bernardo, Pedro Selector (trompete e voz), Fábio Kalunga (baixo), Robson Riva (bateria e voz) e Fabio Moreno (guitarra e voz).

Produtor do próprio disco, Bernardo conta que algumas músicas foram mixadas pelo Mário Caldato (ex-produtor dos Beastie Boys e velho conhecido do BNegão dos tempos do Planet Hemp) e outras pelo coletivo carioca Digitaldubs. “Os assuntos seguem sendo o dia-a-dia, do ponto de vista da matéria, da mente e do espiríto – em se tratando do ser humano, não vejo como dissociar estas três coisas.”

E ele explica porque escolheu “100% (No Momento)” pra começar os trabalhos do novo disco. “Por ser uma das mais impactantes do disco, com os metais em brasa, característicos da banda, no calibre justo; uma cozinha pulsante e relevante e tudo mais que um som como esse tem direito. A maioria das letras que eu faço são, de alguma forma, sobre a caminhada do ser humano neste planeta, portanto tento escrever não apenas sobre o que se passa no Rio de Janeiro, mas também no Brasil e no mundo. A busca é sempre pela nossa essência. E, seguindo nessa batida, essa música tem tudo à ver com o momento atual do Brasil também, onde parece que as atitudes estão involuindo cada vez mais, com discursos e ações obscuras, nebulosas. A música é um chamado, uma convocação à mudança, à uma energia solar, à expansão da mente, da consciência e do pensamento. Acredito que a melhora de um espaço, de um lugar, vem primeiramente da nossa melhora, como indivíduos…resumindo: na minha singela opinião, sem reflexão e sem evolução, não há solução.”

Dá pra ouvir e baixar a música aqui.

O National já está trabalhando no disco novo

national

Em entrevista ao NME, o vocalista do National, Matt Berninger, disse que eles já têm “30 rascunhos de canções” compostas em um período de isolamento em Nova York – e que devem repetir o período agora em Los Angeles. Mas o sétimo disco da banda, o primeiro desde o ótimo Trouble Will Find Me, de 2013, ainda não tem data prevista de lançamento.

Recapitulando Yumi Zouma até aqui

yumizouma

O grupo neo-zelandês relança seus dois EPs como um só disco – batizado apenas de Collection – que traz a inédita e deliciosa “Right, Off The Bridge”, saca só:

Pra quem não conhece a banda, dá pra ouvir tudo que eles já gravaram abaixo. Vai na fé que é fino.

Plutão de perto

plutao

O animador Björn Jónsson pegou uma série de imagens em alta resolução feita pela sonda New Horizons, que passou pertinho de Plutão, e colocou as fotos em sequência, fazendo-nos sobrevoar o pequeno planeta (deixe que digam…) numa cena incrível.