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Robôs na sala de aula

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Essa versão que crianças alemãs fizeram de “The Robots” é de chorar de foda.

Tudo Tanto #013: Céu em Brasília

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Fui à minha terra natal no fim de agosto e pude ver mais um ótimo show da Céu, que me inspirou a escrever minha coluna do mês passado na revista Caros Amigos. Filmei parte do show também:

Céu em Brasília
O show da cantora na minha cidade natal abriu diversas intersecções entre o estado do Brasil e da música brasileira hoje

Visitei Brasília, minha cidade natal, no final do mês de agosto, e, mais de duas décadas distante, já me acostumei com os pequenos sustos que a transformação da cidade me causa. Era inevitável a ocupação dos intermináveis terrenos baldios por onde caminhava ou andava de bicicleta, sempre em bando, na adolescência. Mas no lugar do hoje quase extinto ecossistema do cerrado surgem prédios que parecem astronaves cubistas de concreto, arremedos caricatos da arquitetura simples e megalomaníaca de Niemeyer. Os pontos cardeais que serviam para separar as asas do Plano Piloto entre Norte e Sul e nomear as avenidas – que nem mesmo este nome tem – W3 e L2 hoje abrem-se em setores Sudoeste, Noroeste e afins ocupando o horizonte do belo mapa de avião idealizado por Lucio Costa, fazendo-o refém de um entorno de prédios que podem, aos poucos, engolir o horizonte 360 graus da cidade. O gigantismo de Águas Claras com suas dezenas prédios de 30 andares de uma cidade-satélite que simplesmente não existia no século passado numa capital famosa por só poder ter prédios de no máximo seis andares.

Há uma estranha leveza em Brasília que vem do simples fato de ela não ser uma cidade natural. Este ponto do planalto central nunca foi entreposto comercial, missão religiosa, abrigo contra intempéries – e sim uma estratégia para evitar levantes populares contra o governo de um país ainda rural e de levar a urbanização e industrialização para além das capitais em seu extenso litoral. Sua localização foi determinada num sonho de um padre católico que virou santo quando Mussolini comandava a Itália e a cidade foi erguida por um presidente mineiro que se via como uma reencarnação do faraó Akhenaton. Não é, de forma alguma, uma cidade normal.

E por ter sido imaginada e desenhada antes mesmo de existir, Brasília, como qualquer condomínio fechado, foi pensada para ser um lugar aprazível, bucólico, para se viver com qualidade de vida antes do termo virar prateleira de consumo. Mas ela não é um condomínio fechado, suas superquadras não têm grades nem muros, transita-se livremente por quase toda a cidade. Essa faceta foi se tornando mais plástica e artificial à medida em que atravessamos os anos 90 e os anos 00, quando a ostentação e o consumo passaram a ditar regras e determinar status. Mas, justamente por não ter muros, há uma vida que sobrevive longe da programação oficial e do funcionalismo público, especialmente a vida social e cultural da cidade.

Enquanto parte dos clubes à beira do Lago Paranoá (que, como a cidade, também não existia antes de 1960), das festas nas embaixadas e os restaurantes são habitados por políticos e empresários de todo o país e pelo colunismo social da cidade, há uma movimentação artística que passa longe dos clichês que definem a cidade como mera “ilha da fantasia”. Repito aqui um conselho que falo para todos que dizem querer conhecer a cidade: conheça algum amigo que seja residente para lhe dar as coordenadas do que fazer. Chegar em Brasília só com informações turísticas e guias de viagem vão lhe apresentar a uma cidade linda com um céu espetacular, mas aparentemente vazia e estéril.

E nem estou falando de circular pelo submundo estético ou urbano da cidade. Brasília sempre teve festas e bandas, festivais e shows, programas de rádio e sites, peças e saraus. Do Clube do Choro ao Cult 22, do blog Quadrado Brasília à PicniK, do Quinto à Balada em Tempos de Crise, do FestClown à Play, do falecido Gate’s Pub à Criolina, do Porão do Rock à Moranga – diferentes épocas tiveram diferentes ímãs de atração que reuniam todo mundo que não se encaixava no estereótipo do playboy funcionário público que parece ser a população média da cidade para quem não conhece ninguém em Brasília.

Pois cheguei na terrinha em plenas comemorações dos 20 anos do festival de teatro Cena Contemporânea, que também conta com uma faixa de shows gratuitos. Meu irmão me levou para a Esplanada dos Ministérios e a alguns metros da Catedral, ao lado do Museu da República (também conhecido pelo apelido de Estrela da Morte, pois seu formato circular lembra a terrível arma de Guerra nas Estrelas), estava acontecendo um show da Céu.

Quando me refiro à música brasileira do século 21 não estou falando em um movimento consciente ou a uma safra específica de músicos, intérpretes, compositores e instrumentistas que apareceu ao mesmo tempo. Me refiro a uma mudança de mentalidade que expande os horizontes da mutante música brasileira para além da caixinha restrita que a trancaram quando criaram o rótulo de MPB. E o marco zero desta mudança, na minha opinião, é Céu.

Uma cantora que não é apenas intérprete, mas também compõe, e que não veio da matriz básica da MPB atual, que é a bossa nova. Ela passa longe do clichê da cantora de barzinho ao requebrar sua musicalidade suavemente entre o samba, o dub, a soul music, a música africana e o reggae.

Seu trânsito por diferentes gêneros também acontece ao compor com diferentes parceiros – Lucas Santtana, Beto Villares, Siba, Gui Amabis, Thalma de Freitas, Fernando Catatau, Jorge Du Peixe, Anelis Assumpção são alguns dos nomes que já compuseram com ela – e ao selecionar as versões para seu repertório, que vão de Erasmo Carlos a Jimi Hendrix. No show que aconteceu num domingo à noite, ela passeou pela versão que Caetano Veloso fez no disco Transa para o samba de Monsueto “Mora na Filosofia”, o molejo original de “Visgo da Jaca” imortalizada por Martinho da Vila, no gingado da irresistível “Piel Canela” do Trio Los Panchos e na deliciosa visita a Pepeu Gomes em “Mil e Uma Noites de Amor”.

Com nova banda – formada por Vítor Gottardi na guitarra, o fiel escudeiro Lucas Martins no baixo e o mago do ritmo Pupilo, da Nação Zumbi -, Céu também mexeu bem com músicas já conhecidas. “Comadi” perdeu completamente seu sotaque reggae para ganhar um baixo pontiagudo de levada funk setentista. “Cangote” faz uma conexão caribenha com Belém e requebra na batida do carimbo. E pouco antes de cantar uma música do baterista Tony Allen, a usina de ritmo do nigeriano Fela Kuti (“Don’t take my kindness for weakness” – não ache que minha bondade é fraqueza), ela entregou-se à imortal “Concrete Jungle” de Bob Marley e entre versos que falavam de ilusão, corrupção e poluição, ela desabafou com o público.

“Vamos aproveitar que o Brasil está passando por uma limpeza e vamos pensar muito bem nos nossos atos, nossos votos e desconfiar de certas mídias e de coisas que aparecem, vamos analisar”, disse sem sair do ritmo. “Eu vejo isso como uma coisa muito positiva. A gente vai conseguir. Eu realmente acho difícil o que a gente tá passando agora, mas vamos pra frente, porque não tem nada igual ao Brasil, tamo junto”.

E vendo aquela pequena multidão em transe ao som dos doces vocais da paulistana, sob uma enorme Lua crescente e ao lado de imagens projetadas na parede abobadada do Museu, só conseguia pensar em uma onda de esperança que caminha sob as más notícias que pode finalmente mudar a cara de um país sempre em desenvolvimento. Não há nada igual ao Brasil – e estamos todos juntos nessa.

Um trato em “I’m Not in Love”

luxxury

A clássica balada disco de Petula Clarke recebe um tratamento ao mesmo tempo espacial e vintage do produtor de Los Angeles Blake Robin, que também atende pelo pseudônimo de Luxxury. Sente só:

Sopranos em vinil

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A trilha sonora da série Sopranos é um dos pontos altos de sua narrativa – não apenas da produção, já que seu criador, David Chase, que escolhia pessoalmente as músicas, resolveu reservar parte do orçamento para conseguir os direitos de músicas que custariam caro para uma simples série de TV – coisa que Sopranos está longe de ser. São muitos os momentos em que a musica certa invade uma cena completando-a perfeitamente, como esta, logo no início da segunda temporada:

Por isso imagino o desafio da loja canadense SCR Vinyl em selecionar apenas 14 músicas para compor uma versão em vinil duplo com a trilha sonora da série, que ela começou a vender no fim do mês passado. Eis as músicas que entraram:

Lado A

Alabama 3 – “Woke Up This Morning”
R.L. Burnside – “It’s Bad You Know”
Frank Sinatra – “It Was A Very Good Year”

Lado B

Bob Dylan – “Gotta Serve Somebody”
Little Steven & The Disciples Of Soul – “Inside Of Me”
Cream – “I Feel Free”
Them – “Mystic Eyes”

Lado C

Bruce Springsteen – “State Trooper”
Bo Diddley – “I’m A Man”
Elvis Costello & The Attractions – “Complicated Shadows”
Nick Lowe – “The Beast In Me”

Lado D

Los Lobos – “Viking”
Wyclef Jean – “Blood Is Thicker Than Water”
Eurythmics – “I’ve Tried Everything”

E das tantas músicas boas que ficaram de fora (“Goin’ Down Slow” do Howlin’ Wolf, “Blur” do Aphex Twin, “Moonlight Mile” dos Stones, “One of These Days” do Pink Floyd, “The Blues is My Business” da Etta James, “I (Who Have Nothing)” do Ben E. King, “I’m Not Like Everybody Else” dos Kinks, “Kid A” do Radiohead, “My Lover’s Prayer” do Otis Redding e “Don’t Stop Believing” do Journey – como é que não entrou?) a ausência que mais sinto é a de “You Can’t Put Your Arms Around a Memory”, do Johnny Thunders.

Que música. Que série.

Criolo no cinema

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O rapper Criolo estréia no cinema no papel de um traficante no filme Tudo Que Aprendemos Juntos, que conta a história da Orquestra Sinfônica da favela de Heliópolis e tem Lázaro Ramos no elenco.

O filme estréia em dezembro e eu não vou fazer nenhuma piada com “Lázaro nos ajude”.

Jaime Xx x Mike Simonetti

jamiexx-simonetti

O ex-Italians Do It Better Mike Simonetti pega “Loud Places”, uma das melhores faixas do disco do produtor do Xx desse ano, e a leva para regiões sombrias…

Indo pra BH

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Participo nesta quarta-feira do Sonâncias, autodefinido como uma mistura de seminário, festival e rodada de negócios que começou nesta terça e vai até sexta em Belo Horizonte. O evento reúne gente de diferentes áreas deste mercado – Fernanda Bas da Som Livre, Marcos Boffa do Sónar São Paulo, Gutie do Rec Beat, Fernando Dotta da Balaclava, Mancha da Casa do Mancha, Coy Freitas do Skol Music, Pena Schmidt do Centro Cultural São Paulo, entre outros – além de shows de bandas como Câmera, Pequeno Céu, Baleia, Mordomo, Douglas Din, Reallejo, Banda Gentileza e Young Lights. A mesa que participo começa às 19h e é a seguinte:

Música e mídia

– Alexandre Matias (SP): Editor do Trabalho Sujo. Foi editor do caderno Link do jornal O Estado de S. Paulo, diretor de redação da revista Galileu, e editor-chefe do projeto Trama Universitário.
– Fabiana Batistela (SP): Fundadora da Inker Agência Cultural e diretora geral da Semana Internacional da Música de São Paulo. Jornalista, foi repórter da revista Bizz.
– Guilherme Guedes (RJ): Jornalista, apresentador do Multishow, Canal Bis e parte da equipe do site Tenho Mais Discos que Amigos.
– Paulo Proença (SP/BH): Jornalista, cofundador e o gestor de conteúdo do site de entrevistas Motif. Também é editor de conteúdo web na Rádio Inconfidência.
– Mediador _ Daniel Barbosa (BH): Jornalista do caderno de cultura do jornal O Tempo. Curador de projetos como Natura Musical, Música Minas, Vozes do Morro e Música Independente.

O Sonâncias acontece no Savassi, na região central da capital mineira e tem mais informações em seu site oficial.

Todo o show: Los Hermanos ao vivo em São Paulo, 2015

loshermanos2015

Eis a íntegra do show que os Los Hermanos fizeram no Espaço das Américas no sábado passado.

O show teve duas horas de duração, “Anna Júlia” e o seguinte setlist:

“O Vencedor”
“Retrato pra Iaiá”
“Além do que se vê”
“Todo carnaval tem seu fim”
“O vento”
“Cadê teu suín-?”
“Do sétimo andar”
“Samba a dois”
“Condicional”
“Azedume”
“Pois é”
“Morena”
“Um par”
“O velho e o moço”
“A outra”
“Paquetá”
“Sentimental”
“Primeiro andar”
“Tenha dó”
“Descoberta”
“Deixa o verão”
“De onde vem a calma”
“Conversa de botas batidas”
“Último romance”
“A flor”
“Adeus você”
“Anna Júlia”
“Quem sabe”
“Pierrot”