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Um bloco chamado Rita

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Estive no desfile do Ritaleena por Pinheiros no fim de semana passado e o alto astral era idêntico ao das músicas da musa inspiradora do bloco. A segunda apresentação do bloco acontece nessa sexta de noite, no Bailee Ritaleena, sem a magia de ser ao livre e de dia, mas igualmente folião (maiores informações aqui). Conversei com a Alessa Camarinha, uma das idealizadoras do bloco, sobre sua curta história, o carnaval de rua em São Paulo, a conexão direta do Ritaleena com a própria Rita Lee e o futuro da festa, a curto e longo prazo.

Conta a história do bloco.
Foi uma idéia minha e da Yumi Sakate de maneira bem espontânea. Fomos algumas vezes para o Rio pular carnaval com nossas amigas e adoramos as dinâmicas dos blocos de rua. Nos pegávamos perguntando porque esta prática não existia em São Paulo – existia sim, nós é que não sabíamos direito. Daí passamos a frequentar bastante o pré-carnaval de São Paulo, principalmente o bloco Nóis Trupica Mas Num Cai, que realiza concursos de marchinhas. Pensamos então em nos escrever com uma marchinha feminista, ficamos pensando em como homenagear as mulheres e também valorizar a cidade… E todos os pontos nos levaram a Rita Lee. A marchinha a gente nunca inscreveu, mas o bloco rolou.

Como foi o desfile do ano passado?
O ano passado foi uma loucura, nossa expectativa de público eram de 300 pessoas e apareceram 7 mil. Enfrentamos muitos desafios sobre como fazer a logística toda funcionar, foi um intenso aprendizado. Este ano já estavamos mais preparados para o crescimento, tivemos entre 10 e 12 mil pessoas no desfile de rua no dia 30 de janeiro.
Foram 40 músicas de todas as fases da Rita Lee adaptadas para ritmos carnavalescos como frevo, carimbó, marchinha, ciranda, e uns mais atuais como o funk carioca. Difícil foi pensar em como acomodar cada música para o arranjo não ficar forçado, foi um grande desafio. O percussionista Abuhl Jr. me ajudou bastante nestas transições. Este ano sentimos que conseguimos assentar e desenvolver com calma estas transições, porque o volume de material é muito grande. Ano passado terminamos o percurso e ainda tinha metade do show pra tocar. O show de rua do Ritaleena dura quatro horas, às vezes mais…
Os figurinos também são parte fundamental do bloco, todos os integrantes vão vestidos com temas das músicas dela, é um jeito de revisitar as personagens que ela criou, o Doce Vampiro, o Índio Pelado pintado de verde de “Baila Comigo”, a guerreira Bwana. É um pouco criar com a criatura e não com o criador. O bloco tenta dar vida a estas poéticas, mais sobre o que as músicas falam do que um relato biográfico documental da vida da Rita.

E como foi o crowdfunding do bloco para este ano?
Crowdfunding é uma tática de guerrilha. Dá um super trabalho, neste ano a gente fez uma campanha super engraçada inspirada em virais da internet, foi um sucesso de público, mas é dificil converter likes em doações mesmo. Ainda é a única maneira que o bloco se financia. Este ano conseguimos um patrocínio de uma cervejaria que ajudou a complementar o financiamento. Mas na hora inicial do “Vamos fazer” a gente só tem o crowdfunding como ponto de partida. Tivemos duas campanhas bem sucedidas, mas tem muita gente que não sabe como os blocos são custeados, as vezes acham que a gente ganha dinheiro da prefeitura, quando não é verdade. Ainda dependemos do crowdfunding.

Carnaval 2016 pra vocês vai ser só o desfile de pré-carnaval e a festa mesmo?
Temos o Bailee Ritaleena na sexta e estamos examinando a possibilidade de fazer outro show no pós-carnaval. Mas este ano fizemos um ensaio geral no Bar Brahma antes do desfile, coisa que no ano passado não aconteceu.

A Rita já sabe do bloco?
A Rita Lee sabe do bloco sim. Ano passado mantivemos contato com a empresária dela. Ela nos agradeceu a homenagem numa nota que saiu na Monica Bergamo da Folha. Este ano conseguimos que um amigo dela subisse no trio e filmasse toda a multidão cantando músicas dela e gritando “Rita Lee eu te amo” e mandasse para ela por whatsapp. Foi demais! Todos anos a família Lee recebe religiosamente camisetas do bloco. Queríamos muito um alô mais pessoal dela, mas respeitamos muito a privacidade dela. Não queremos incomodá-la.

O que vocês têm achado dessa retomada do carnaval de rua? O quanto isso é político?
Achamos maravilhoso. A idéia de reconquista do espaço público em São Paulo não é exclusiva do carnaval, isso já faz um tempo, iniciativas como o Festival Baixo Centro, as movimentações do Largo da Batata, as manifestações de junho, fomentaram um pensamento de ocupar a rua do qual o carnaval também pertence. Porém, não podemos deixar de lembrar que é carnaval, e o sentido do carnaval também é a zueira e nela suas transgressão. O carnaval precisa ser espontâneo, vemos alguns blocos tocar muito na tecla do “retomada do espaço publico” mas de maneira protocolar, quase encaretando a coisa.

E depois do carnaval, hibernam até o ano que vem ou têm outros projetos?
Essa é uma boa pergunta. O Bloco Ritaleena é essencialmente um projeto de carnaval, não existe pretensão de usar peruca vermelha o ano todo, muito acontece sob demanda. Mas temos vontade de acordar da hibernação ano que vem um pouco antes…

Eis o Donato Elétrico!

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E o Ronaldo finalmente revelou o tão aguardado Donato Elétrico, o disco novo disco do mestre João Donato, seu primeiro disco de inéditas neste século, que foi produzido pelo próprio menino veneno. Ronaldo reuniu um time de feras que inclui pesos pesados da música moderna brasileira, como Guilherme Kastrup, Daniel Pires, Marcelo Dworecki, Mauricio Fleury, Mauro Refosco, Décio 7, Douglas Antunes, Bruno Buarque, Cris Scabello, Anderson Quevedo, Zé Nigro, Gustavo Ruiz, Laércio de Freitas, Cuca Ferreira, Daniel Gralha, Daniel Nogueira, Marcelo Cabral, entre outros para plugar o señor groove na mesma frequência de discos como Donato/Deodato e A Bad Donato. O site do disco, que deve ser lançado no início de março, já está no are além da capa e a ficha técnica também dá a seguinte ordem das novas músicas:

“Here’s J.D.”
“Urbano”
“Frequência de Onda”
“Espalhado”
“Tartaruga”
“Soneca de Marreco”
“Combustão Espontânea”
“Resort”
“Xaxado de Hércules”
“G8”

Filmei três destes sons (“Tartaruga”, “Combustão Espontânea” e “G8”) quando Donato esteve no Rock in Rio e dá pra ver a empolgação do moleque de 80 anos pirando nos teclados elétricos, grande trunfo deste novo disco, desde já um dos grandes discos de 2016. Feel the drama:

Joy Division, Tame Impala, Pixies e Bowie caindo no carnaval

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E onda dos remixes de carnaval não para: desta vez são edits com sabor pernambucano, feitos por um certo Lee Pesaka, que botou ícones indies pra sacudir o esqueleto. Primeiro Joy Division na quarta-feira de cinzas, depois Bowie dançando ladeira abaixo, Pixies e uma metaleira enfurecida e um Tame Impala pronto pra fazer acontecer.

Junior Boys na área

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Depois de arriscar a volta depois de cinco anos sem gravar com algumas músicas no ano passado (um cover e a faixa que batiza o novo disco), os canadenses Junior Boys colocam seu Big Black Coat na praça com o clipe da deliciosa – e sombria – “Over It”.

Jamie Xx x Four Tet

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Kieran Hebden, o bom e velho Four Tet, leva “Seesaw” do disco do Jamie Xx, com os vocais de Romy, do Xx, para passear numa versão “Club Version”, que é só uma desculpa para nos sintonizarmos num transe onírico ao redor de um beat 4 x 4.

Rihanna e Drake caem no funk

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O hit “Work” – a música mais de pista do disco novo da Rihanna – foi entortado pela dupla de DJs brasileiros Maffalda e Gorky, que colocaram Riri e Drake pra rebolar, e aproveitaram para apresentar o novo projeto juntos, chamado Brabbo.

Vi no Papel Pop.

A nova onda do Primal Scream

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Bobby Gillespie anunciou disco novo do Primal Scream ainda no fim do ano passado – o disco chamado Chaosmosis deve ser lançado em março deste ano. O primeiro gostinho traz a presença da esperta Sky Ferreira, que assume os vocais ao lado de Gillespie em “Where The Light Gets In”, que pesa a mão na new wave. As irmãs Haim também participam do disco.

Fugazi x Timbalada

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Um mashup simples e direto faz a banda americana cair no suíngue – e prepara o tom do carnaval 2016, o de todas as misturas.

Nelson Cavaquinho, por Romulo Fróes

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Romulo Fróes não para! Depois de lançar um disco com músicas que fez para outras interpretes no fim do ano passado e de lançar o vinil de seu Barulho Feio, ele anuncia notícias para 2016, quando lança Rei Vadio, um disco inteiramente dedicado à obra do visceral Nelson Cavaquinho. A previsão de lançamento é para o mês que vem…

PJ Harvey 2016: “Hey little children don’t disappear”

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Nossa musa PJ Harvey dá mais um gostinho de seu próximo disco, o aparentemente catártico The Hope Six Demolition Project ao lançar o clipe de uma das músicas que já havia nos mostrado. O vídeo de “The Wheel” foi filmado em Kosovo, que a cantora já havia visitado como inspiração da canção – cujo refrão, que responde “ouvi dizer que foram 28 mil” a cada verso, dá uma dimensão do pesar de todo uma sociedade.