Trupe mais importante da música popular brasileira se reúne com a formação original em show histórico – escrevi sobre ele no meu blog no UOL.
The Get Down acerta onde Vinyl, de Martin Scorsese, errou – escrevi sobre a nova série no meu blog no UOL.
O frio que paira sobre o mês de agosto acabou funcionando como uma materialização do marasmo e da rotina pessimista que tem dominado este 2016, o que urge a necessidade de mais um ritual psíquico-científico para promover o descarrego de almas e a desintoxicação dos corações. Em nosso encontro mensal tecnopagão no centro de uma das maiores megalópoles do hemisfério, reunimos um time de estudiosos da harmonia e acadêmicos do ritmo para elevar espíritos e conectar neurônios apenas com o poder de frequências sonoras. O laboratório que batiza o evento, chefiado pelo cientista-orgânico Alexandre Matias, tem uma baixa na formação devido à perigosa incursão que o metaexplorador e galã Danilo Cabral tem feito no mundo da bruxaria pré-adolescente, fazendo que o cônsul do naturismo hormônico, o ministro Luiz Pattoli, acumule a função de copiloto e navegador durante a expedição para o interior da mente. O sarau idílico no auditório azul néon ainda conta com as presenças ilustres do casal formado pela historiadora em tempo real Liv Brandão e antropólogo comportamental Arnaldo Branco, ambos em visita fulminante fugindo do balneário carioca que sedia os Jogos Olímpicos. A dupla de pesquisadores Missin Link, formado pelos analistas de frequencias Daniel Prazeres e Vanessa Gusmão, também dominam o público pagante com seu transe emocional. Do outro lado daquele andar, um verdadeiro time de sociólogos, analistas de sistemas, bon vivants, exploradores e notívagos reunidos no instituto de filosofia Scream & Yell, liderado pelo anfitrião Marcelo Costa, que recebe as duplas Bruno Dias & Tiago Agostini e Nat Julio & Renato Moikano, além de Bruno Capelas e Tiago Trigo no auditório preto, dispostos a derreter corações e quadris com uma sequência emblemática de registros sonoros de afeição emocional. À entrada, outra dupla, esta formada pelo escultor de luz Fabs Grassi e pela viajante temporal Priscila de Castro Faria, recebem os que chegam num transe sensual para aquecer glândulas pineais. A presença neste encontro precisa ser confirmada através do endereço eletrônico noitestrabalhosujo@gmail.com até às 20h do dia da realização do evento, quando as confirmações começam a chegar de volta. Ouça seu coração e se aqueça neste inverno, começando por essa amostra que disponibilizamos na rede:
Noites Trabalho Sujo @ Trackers
Sábado, 13 de agosto de 2016
A partir das 23h45
No som: Alexandre Matias e Luiz Pattoli (Noites Trabalho Sujo), Liv Brandão e Arnaldo Branco, Daniel Prazeres e Vanessa Gusmão (Missin Link), Fabs Grassi e Priscilla de Castro Faria (no lounge), Marcelo Costa, Bruno Capelas, Bruno Dias, Tiago Agostini, Nat Julio, Renato Moikano e Tiago Trigo(Scream & Yell)
Trackertower: R. Dom José de Barros, 337, Centro, São Paulo
Entrada: R$ 30 só com nome na lista pelo email noitestrabalhosujo@gmail.com. O preço da entrada deve ser pago em dinheiro, toda a consumação na casa é feita com cartões. E chegue cedo – os 100 que chegarem primeiro na Trackers pagam R$ 20 pra entrar.
“Não consigo enxergar um momento divisor de águas, mas desde sempre me interessei por batidas graves”, me explica o velho Zegon, que a maioria das pessoas se lembra dos tempos do Planet Hemp mas que há um bom tempo vem firmando seu nome na cena bass mundial, como metade do Tropkillaz. “Desde alguns dos meus primeiros beats, meu kick favorito e bateria sempre foi a 808, mãe dos kicks com sub, mesmo dentro do hip hop, que é minha escola, sempre fui viciado em Miami Bass. Acho que depois do surgimento do jungle e um tempo depois do drum and bass comecei a querer ir mais além.”
Essa busca lhe levou ao selo Buuum, que capitanea dentro do projeto Skol Music, ao lado dos selos de Dudu Marote (Ganzá) e do Miranda (Stereomono). “Topei ser diretor com a imposição de poder ser artista também dentro do selo, sentar nos dois lados da mesa”, explica. “Não tinha ideia como seria, fiquei muito mais exigente do que eu era e como produtor tambem comecei a enxergar onde eu queria que alguns artistas chegassem. Gostei muito da “brincadeira”, que na verdade é muito séria e perdi vários preconceitos que eu tinha antes como músico. Aprendi muito com os outros diretores – Miranda e Dudu Marote – e como na minha carreira toda sempre estive do outro lado, como artista, sei bem o que o precisamos de um selo e qual tipo de suporte. Posso ajudar bastante dando um caminho mais mastigado para os meus artistas e também mostrar que milagres não acontecem.”
Pelo selo, ele já lançou trabalhos de gente como Felipe Ret, Karol Conká e Omulu, além do próprio Tropikillaz, e agora lança a mixtape Buuum Beats Vol.1, reunindo produtores de bass music de todo o Brasil. Conversei com ele sobre como esta cena está se desenvolvendo no Brasil, uma cena em que ele mesmo classifica como global. “Acho que dentro de cada subgênero teve sua origem e o mais interessante que a textura se adapta de acordo com o estilo de beat, programação e melodias nas mais diversas etinias – do baile funk ao dancehall, do trap/dirty south ao UK bass, zouk ou moonbathon…”
Como surgiu o Tropkillaz e como sua criação está ligada ao seu interesse por bass music?
Tropkillaz surgiu por acidente. O (André) Laudz trabalhava comigo já há algum tempo. Estávamos produzindo remixes juntos, trilhas e beats para discos e ele queria lançar um mixtape de trap pra ajudar na carreira de DJ. Falei para lançarmos algumas músicas e inventei o nome como brincadeir. Soltamos um primeiro som no soundcloud, sem usar nossos nomes e bombou da noite pro dia. Há muitos anos, mais de 20, queria chegar num som, num hip hop instrumental, com samples de vocal, pegada de pista e bumbos de estourar o P.A.. Eu enxergava essa sonoridade desde o começo dos anos 90. Queria fazer da minha maneira o que o Bomb The Bass e o Coldcut fizeram.
E qual é o papel do Brasil nessa história?
Acho que a maioria dos produtores brasileiros ainda não sabe enxergar que nossas raízes sao a única maneira de se diferenciar e ser original na cena. E tentam muito ser gringos. Quando enxergarem isso, assim vai fluir. Sempre usei elementos e bebi da fonte sem ser óbvio. Não precisa ter uma cuíca ou berimbau pra gringo, não que não possa ser legal, porque se for bem usado pode ser muito. Mas sempre me inspirei em melodias e ritmos, mesmo que muitas vezes não fique explícito.
Assim chegamos à mixtape – qual é a importância de Buuum Beats Vol.1 neste cenário?
Acho que essa coletânea tem vários lados. Primeiro é mostrar que hoje em dia temos uma cena sólida nacional com qualidade, que os sons estão batendo e que não deixamos nada a desejar para o resto do mundo. Acho que demorou um pouco, mas está rolando. Tem importância também para os produtores e beatmakers espalhados pelo Brasil verem o que está sendo feito, se compararem e elevarem o nível. Muita gente ficou de fora e eu já teria na manga os volumes 2 e 3. Outro ponto foi aproximar esses produtores entre si – muitos já se conheciam, talvez a maioria -, mas não todos. E o ponto principal é com o publico, pra que ele veja que existe uma cena local legítima .
O que você tem achado do cenário musical brasileiro pós-internet? Mudou muita coisa?
O mundo mudou 100% depois da internet, tudo ficou muito mais fácil. Informação não vale praticamente mais nada. A dificuldade que tínhamos pra conseguir uma música, vindo de uma fita cassete ou vinil, eram incoparáveis pra quem aperta um play num aplicativo de streaming ou no YouTube. Por ser tudo tão fácil, as coisas são mais descartáveis, a competição é muito maior, o publico é expert e troca de música e modas diarimente. Também há os tutorias para produzir e programas baratos ou piratas, homestudios dentro de um laptop que eleveram o nível. Tudo mudou. Se antes 1 em 1000 se destacava, hoje talvez seja 1 em 10.000. Por um lado ficou fácil demais, por outro, muito mais difícil…
Buuum Beats Vol.1 – Faixa a faixa, por Zégon
Ruxell – “Bun Bun”
“Um dos caras mais maduros da cena.”
Bad$ista – “Loca”
“É uma das faixas mais originais, caiu meu queixo quando veio.”
Braap – “SQUELCH”
“Eles têm umas músicas bem loucas. Quando o cara é DJ mesmo, produz com suingue especial.”
DKVPZ & Tropkillaz – “Don’t Give Up”
“Os moleques são foda demais. Tão entre os mais ricos em produção no momento.”
D`Maduro & Furo – “Too Good”
“Conheci eles em Amsterdã. Únicos gringos na parada, mas a faixa encaixou bem na coletânea.”
Thai ft Stal – “Slowdown”
“Eu gosto de paradas que não são comuns. O Thai produz muito e mandou essa faixa inesperada.”
Leo Justi & Pesadão Tropical – “Hallelujah”
“O que eu mais gostei é que não tem clichê, não segue moda.”
Viní – “Tudo Nosso”
“É um mano muito dedicado, que tem um puta bom gosto e com essa visão do que tem que ter cara do Brasil. Ele tá preparado pro game.”
Coyote Beatz – “Caaaaralho”
“É um cara muito talentoso, puta beatmaker. O moleque que veio do rap. Eu tô dando força pros caras começarem a fazer música sem depender de MC.”
Marginal Men & Ruxell – “Fuuudeu”
“Essa música vai pegar. É legal essa parada dos 130 BPM que cai pra metade, funciona muito bem no mix e na pista.”
Sydney & Leo Justi – “Aquecimento das Arabias”
“Adoro o Sidney, adoro melodia árabe.”
Tropkillaz & Leo Justi ft MC Carol e MC Tchelinho – “Toca na Pista”
“Sou fã da MC Carol desde sempre, ela nem sabe o quanto escreve bem. Fora o punch e a personalidade.”
E-Cologyc ft Faísca – “Alucinação”
“É um produtor prodígio, que transita bem entre o electro e o trap. Ainda conta com a participação do Mc Faisca e seu flow sinistro.”
Maffalda – “904”
“Ouvi umas coisas dele e fiquei impressionado. Esse cara vai surpreender.”
Atman – “Break Loose”
“Achei essa bem dinâmica, por isso entrou.”
Scorsi – “Torch”
“Muito bem resolvido, tem melodia forte”.
Flying Buff – “Don’t Lie”
“O Lucas é ‘meu sobrinho’, um moleque muito dedicado que vem fazendo coisas boas desde o dia um.”
Mauro Telefunksoul – “Afro”
“É um lance pra pista com a pegada da Bahia. Tem originalidade.”
DHZ – “Batendo”
“Eles são completos pra ir pra estrada, produzir, ter fãs. Tão fazendo direitinho.”
Hurakan – “Meus Heróis”
“Puta MC, puta beatmaker, puta letrista. Achei que tinha que ter um rap não óbvio pra fechar.”
O primeiro disco solo de Ava Rocha, um dos melhores do ano passado, segue repercutindo, inclusive para além do Brasil, que a fez encarar uma microturnê pelos Estados Unidos, com quatro datas em Nova York e uma em Washington. Conversei com ela sobre a carreira no exterior, ter sido recomendada por Iggy Pop, sobre o encontro com o fotógrafo Jorge Bispo na metrópole norte-americana (que ela publica em primeira mão aqui no Trabalho Sujo) e o proximo disco, que ela faz mistério, e anuncia para o ano que vem.
Nos Estados Unidos
Voz e guitarra
Disco novo
Você conhece o Okilly Dokilly, banda inspirada no vizinho crente dos Simpsons? Escrevi sobre eles no meu blog no UOL.
O novo seriado da Marvel em parceria com o Netflix – o pesado Luke Cage – parece manter o nível das produções da casa. Escrevi sobre o novo trailer da série lá no meu blog no UOL.
“Belle & Sebastian curte as Olimpíaas, ama o ideal olímpico e a ideia de que o mundo se reúne uma vez a cada quatro anos para um grande ‘dia de esportes'”, escreveu o líder do grupo escocês, Stuart Murdoch, ao apresentar uma música instrumental em homenagem aos jogos olímpicos. “Não podemos fazer parte disso, apesar de adorarmos. Então gravamos uma música com o Rio na cabeça, especialmente o atletismo. Ei-la: ‘Olympic Village, 6AM”: