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Boogarins: “Fecho os meus olhos e vou mais fundo”

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Os goianos dos Boogarins despedem-se de 2016 oficializando “Olhos”, velha conhecida dos fãs, que encerra o ciclo do segundo disco da banda, o Manual.

Eis a mesma música em uma versão em 2013:

Mas pelo visto o terceiro disco – que já está gravado – vai para um lado completamente diferente… Eletrônico? E dizem que ele chega logo no começo do ano, que boa notícia! Será que eles mostram algo nos primeiros shows de 2017? O grupo toca na primeira edição baiana do Coquetel Molotov dia 14 de janeiro, depois em São Paulo no Sesc Pinheiros dia 27 e no dia seguinte no Circo Voador, no Rio de Janeiro, ao lado dos conterrâneos do Carne Doce.

Carrie Fisher (1956-2016)

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Escrevi lá no meu blog no UOL sobre como a intérprete da Princesa Leia criou o ícone feminista definitivo.

Infelizmente não foi apenas um susto. O ataque cardíaco que Carrie Fisher sofreu em um voo entre Londres e Los Angeles na última sexta-feira a vitimou definitivamente nesta terça-feira, encerrando uma curta mas intensa biografia de uma atriz que tornou-se um dos principais rostos da história do cinema devido a um único papel. Mas por mais que a princesa Leia possa ter sido um fardo em sua própria carreira, ela sempre soube da importância da nobre imaginada por George Lucas. Mais do que um símbolo cultural incontestável, ela foi o ícone definitivo do feminismo para as massas.

Porque a princesa Leia é a grande novidade da primeira trilogia Guerra nas Estrelas. Como Matrix trinta anos depois, o terceiro longa-metragem de George Lucas não era uma história original e sim um imenso mashup de referências e iconografias de ícones pop do passado. O cenário era semelhantes às das aventuras de Buck Rogers e Flash Gordon nos anos 30, Luke Skywalker tinha um quê de Príncipe Valente, Han Solo era um caubói reimaginado no espaço sideral, Obi-Wan Kenobi um novo Gandalf e Darth Vader e o Império ecoavam as tropas nazistas. George Lucas escreveu o filme com a Jornada do Herói de Joseph Campbell debaixo do braço, mas um elemento especifico neste amálgama de citações era completamente novo: a princesa.

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Não era mais uma donzela em pânico esperando ser salva por seu herói, mas ela mesma era uma heroína e fazia parte da gangue. E em Carrie Fisher a personagem cresceu significamente – ao ser interpretada por uma atriz nascida no showbusiness (filha do cantor Eddie Fisher e da atriz Debbie Reynolds), a personagem ganhava uma dose de cinismo, arrogância e despeito que nunca estiveram em uma personagem mulher num filme que atingira um público tão grande. Ela era herdeira direta das protagonistas dos filmes da nouvelle vague francesa: Luke, Leia e Han Solo pareciam ser uma versão norte-americana do trio protagonista do Jules e Jim de Truffaut e uma frase do próprio Godard (“Tudo que você precisa em um filme é de uma garota com uma arma”) é a base para sua presença na tela durante os três primeiros filmes da saga Skywalker. E, claro, assistir as transformações sociais do mundo nos anos 60 ainda criança fez que ela levasse aqueles valores para um personagem que iria mudar a forma como as mulheres se viam fora do cinema.

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Por isso não entendo o mimimi de machistas desmamados que reclamam da forte presença feminina nos dois filmes mais recentes da Lucasfilm. Rey (do Episódio VII) e Jyn (de Rogue One) são herdeiras diretas do vigor da princesa Leia, de um feminismo que não apenas reivindica a igualdade entre os gêneros, mas que proclama sua autossuficiência, e que ensinou para gerações de meninas que ser princesa (ou melhor, ser mulher) não era sinônimo de uma fragilidade indefesa. E que ensinou para gerações de meninos que as princesas não estão apenas esperando serem salvas passivamente, mas que são parceiras no sentido literal da palavra – alguém com quem você pode contar.

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E isso sem abrir mão da beleza e da delicadeza femininas, embora a Leia de Fisher sempre também tenha deixado claro o quanto ficava desconfortável no papel de mulher-objeto. Uma das principais revelações da primeira trilogia é a revelação que Luke e Leia são irmãos – e o filme do final de 2015 deixa no ar a possibilidade de Leia (e talvez Rey) também poder ser Jedi. O Episódio VIII já foi filmado e estreará daqui um ano – e é bem possivel que teremos uma confirmação deste tipo durante o filme. E que deve ser a confirmação do grande legado da atriz: que a mulher pode ser o que ela quiser, pois a Força também está com ela.

George Michael (1963-2016)

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Escrevi lá no meu blog no UOL o meu tributo a um dos principais artistas pop da virada do século.

Mais uma vítima deste trágico 2016, George Michael, que morreu ontem, no dia de Natal, aparentemente parece não pertencer ao mesmo panteão dourado que reuniu David Bowie, Prince e Leonard Cohen com o passar do ano. Mas, sim, o jovem de parcos 53 anos é um ícone de semelhante estatura. O que talvez tenha a ver com a natureza de sua musicalidade – compositor refinado e popular ao mesmo tempo (características quase excludentes hoje em dia), ele exaltou as culturas dance e gay e ele elevou a música pop a outro patamar.

George Michael era Pop com “P” maiúsculo – “P” de popular. Músicas reconhecíveis por diferentes gerações, refrões que todos nós sabemos cantar, um buquê de hits que poucos conseguem equiparar. Mesmo com a fugaz dupla Wham!, com quem lançou apenas dois discos ao lado de Andrew Ridgely no meio dos anos 80, já havia deixado sua marca, enfileirando músicas que estão no tecido musical dos anos 80, como a irresistível “Wake Me Up Before You Go-Go”, “Everything She Wants”, a primeira versão de “Freedom”, “Last Christmas” e a imortal “Careless Whisper”, que, por um capricho de algum executivo de gravadora, foi relançada como música solo (abrindo com o clássico solo que, na versão original, entrava só pela metade). Mas a versão original da balada que George Michael compôs aos 17 anos havia sido registrada ainda na dupla que o apresentou ao planeta.

Sua carreira solo, no entanto, não deixa dúvidas. Um rosário de hits que embalou a virada dos anos 80 para os anos 90 com finesse e personalidade, levando para as massas conceitos que, se lançados por outros artistas, talvez não tivessem o impacto que tiveram. “Freedom 90”, “Faith”, “Heal the Pain”, suas versões para “Killer”, “Papa Was a Rolling Stone” e “As”, “Too Funky”, “I Want Your Sex” – é música para não deixar ninguém parado. A imagem que criou para si mesmo – um galã sofisticado que não tinha pudor em descer até o chão – foi o principal veículo para suas canções, mas elas, por si só, eram pérolas que poderiam ter sido escritas por Elton John e Freddie Mercury, dois dos maiores ídolos de George Michael, sem precisar se ater à fórmula ou à estética do rock.

Essa é uma de suas grandes contribuições para a nossa cultura: um compositor vigoroso e requintado que abandonava as amarras do rock em busca de uma nova musicalidade. Ele a encontrou na pista de dança e foi um dos grandes nomes – ao lado de outros titãs dos anos 80, como Michael Jackson, Prince e Madonna – a reinventar a dance music como uma das principais linguagens na transformação musical que aconteceu durante os anos 90. Se esta cultura não é mais vista como subproduto pop ou como uma cena descartável, é inegável a importância de George Michael nesta transição.

Isso sem contar seu papel como baladeiro – e não estou falando de noitadas e sim de grandes composições quase em sua maioria compostas ao piano. Compositor escolado na tradição da canção do século passado, escreveu baladas que, sozinhas, já garantiriam seu status ao lado de nomes como Irving Berlin, Hoagy Carmichael & Stuart Gorrell, Stephen Sondheim, Billy Joel, Leonard Bernstein, Carole King, Elton John e Paul McCartney. “Father Figure”, “One More Try”, “Jesus to a Child”, “Older”, “Kissing a Fool” – música para embalar corações apaixonados ou despedaçados.

E há, claro, toda a questão ligada à sua sexualidade. George Michael passou grande parte de sua carreira escondendo sua orientação sexual, que era clara para seus fãs e detratores – o ícone tornou-se inclusive sinônimo derrogativo para os gays. Não é exagero dizer que ele foi tão – ou mais – importante para seus pares que Madonna. Enquanto a cantora norte-americana abraçava a cultura gay como ponta de uma transformação social que finalmente saía do armário nos anos 90, George preferia colocar-se acima desta discussão, talvez por considerá-la irrelevante para sua carreira. Mas seus fãs sabiam que não era e o abraçaram desta forma, mesmo que ele não quisesse transformar-se em uma bandeira deste movimento.

Talvez tenha sido melhor assim. Deixando sua vida pessoal fora, ele reforçou a importância de sua grande musa – a música. E, com tantos hits e canções grudadas em nosso inconsciente coletivo, talvez ele possa ser resumido na versão que fez em 1990 para o quase-hit “Freedom”, catapultando-a para uma das músicas mais emblemáticas de nossa era. Uma música que foi lançada sem a presença do cantor no videoclipe, contrariando todas as exigências do mercado de entretenimento da época. Saindo de cena, ele deixava a música brilhar sozinha. E a letra, que traduzo

I won’t let you down
I will not give you up
Gotta have some faith in the sound
It’s the one good thing that I’ve got
I won’t let you down
So please don’t give me up
Because I would really, really love to stick around

Heaven knows I was just a young boy
Didn’t know what I wanted to be
I was every little hungry schoolgirl’s pride and joy
And I guess it was enough for me
To win the race, a prettier face
Brand new clothes and a big fat place
On your rock and roll TV
But today the way I play the game is not the same, no way
Think I’m gonna get me some happy

I think there’s something you should know
I think it’s time I told you so
There’s something deep inside of me
There’s someone else I’ve got to be
Take back your picture in a frame
Take back your singing in the rain
I just hope you understand
Sometimes the clothes do not make the man

All we have to do now
Is take these lies and make them true somehow
All we have to see
Is that I don’t belong to you
And you don’t belong to me
Freedom
I won’t let you down, freedom
I will not give you up, freedom
Gotta have some faith in the sound
You got to give what you take
It’s the one good thing that I’ve got, freedom
I won’t let you down, freedom
So please don’t give me up, freedom
Cause I would really, really love to stick around

Heaven knows we sure had some fun boy
What a kick just a buddy and me
We had every big-shot goodtime band on the run boy
We were living in a fantasy
We won the race, got out of the place
Went back home got a brand new face for the boys on MTV
But today the way I play the game has got to change oh yeah
Now I’m gonna get myself happy

I think there’s something you should know
I think it’s time I stopped the show
There’s something deep inside of me
There’s someone I forgot to be
Take back your picture in a frame
Take back your singing in the rain
I just hope you understand
Sometimes the clothes do not make the man

Well it looks like the road to heaven
But it feels like the road to hell
When I knew which side my bread was buttered
I took the knife as well
Posing for another picture
Everybody’s got to sell
But when you shake your ass
They notice fast
And some mistakes were build to last
That’s what you get
I say that’s what you get
That’s what you get for changing your mind
And after all this time
I just hope you understand
Sometimes the clothes do not make the man

I’ll hold on to my freedom
May not be what you want from me
Just the way it’s got to be
Lose the face now
I’ve got to live

Valeu por tudo George Michael. Descanse em paz.

Fritz Lang para a TV

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Criador de Mr. Robot pode transformar o clássico Metrópolis, de Fritz Lang, em seriado – escrevi sobre essa possibilidade no meu blog no UOL.

Era inevitável. A fetiche doentio do mercado de entretenimento norte-americano pela nostalgia e a onda cada vez mais insistente da ficção científica obviamente dessacraliza todos os clássicos – e depois que Jornada nas Estrelas, Guerra nas Estrelas, Westworld, Alien e até Blade Runner conseguiram ganhar improváveis sobrevidas nesta segunda metade do século, nenhuma obra do cânone do gênero está a salvo. O novo alvo é uma dos primeiras obras-primas scifi e um dos grandes momentos de um dos maiores cineastas da história, o mítico Metropolis, dirigido pelo alemão Fritz Lang em 1927, que começa a se transformar em seriado de TV pela produtora Universal Cable Productions, conforme apurou o site Hollywood Reporter.

A boa notícia é que o nome por trás da nova adaptação é o ainda anônimo Sam Esmail, que vem lapidando sua reputação a cada novo episódio de sua atual série, Mr. Robot. Exibida pelo canal USA, Mr. Robot é uma das grandes séries atuais e vasculha o cibersubmundo dos hackers nesta conjuntura política tensa da guerra fria eletrônica que vem sendo travada entre corporações, governos, analistas, terroristas, executivos e mercenários. Dirigida pessoalmente por Esmail – episódio a episódio -, a série está indo para sua terceira temporada no ano que vem e, segundo apurou o site, o trabalho na adaptação do filme clássico para a TV não deve interferir no seu trabalho atual. Embora a produtora tenha preferido não comentar os rumores, fontes ligadas ao Hollywood Reporter dizem que a adaptação deverá ser realizada nos próximos anos, quando o papel de Esmail deverá ficar mais definido.

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Metrópolis conta a história de uma relação impossível num futuro em que o planeta dividiu-se em duas metades, uma que formada por industriais vive bem a vida com acesso à tecnologia de ponta em prédios gigantescos e outra que executa apenas trabalhos braçais operando máquinas para o conforto dos primeiros no submundo (parece familiar?). O filme se passa no ano 2026 e tanto seu roteiro quanto seu imaginário foram cruciais para criar a noção de futuro tecnófilo que prevaleceu na cultura dos anos 80. Com este legado em mãos, resta saber como um autor que bem conhece todos os melindres da tecnologia atual pode imaginar o futuro das cidades daqui a cem anos.

Aquela pausa antes do fim do ano

2016

Deixo o Trabalho Sujo no piloto automático até a segunda semana de 2017. Antes de voltar à ativa, a já tradicional lista dos 75 melhores discos e 75 melhores músicas do ano que termina, a partir da segunda-feira. Enquanto isso, fiquem com esse panda destruindo um boneco de neve, feliz natal e que o ano que vem seja melhor que esse infame 2016.

Mas continuo na ativa tanto na página do Facebook quanto na conta do Twitter e no meu Instagram. Segue lá!

Qual é a dessa OA?

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Uma série lançada de supetão torna-se o último vício pop de 2016 – mas será que ela é tudo isso mesmo? Escrevi sobre minhas primeiras impressões sobre a série lá no meu blog no UOL.

Que final de ano! Ainda digerindo o final de Westworld, sob o impacto de Rogue One, e vem o Netflix e solta os oito primeiro episódios de The OA, uma inusitada série sobre uma mulher que ressurge depois de sete anos desaparecida. Misturando elementos de fantasia, ficção científica e terror, The OA é protagonizada por sua autora, a atriz e escritora Brit Marling, que divide a concepção da série com seu colega Zal Batmanglij, francês de pais iranianos que cresceu nos EUA. Juntos, Marling e Batmanglij já fizeram o scifi A Seita Misteriosa (2011) e o thriller O Sistema (2013) e os dois filmes dão uma ideia da amplitude de gêneros abordados pela dupla.

The OA segue a mesma linha, misturando espiritualidade, fantasia, sentimentalismo e o jogo entre relações com ficção científica pesada, terror psicológico, crimes, política e guerra de nervos, mas dá cavalos de pau na narrativa a cada episódio, jogando o espectador para recantos inusitados quando a série parece encontrar um prumo específico. São estas reviravoltas na história – que quase sempre acontecem no final de cada episódio, sempre apresentadas de forma espetacular, que tornam o seriado um vício de televisão daqueles que nos faz assistir episódios enfileirados um no outro. Facilita também o fato da primeira temporada ter apenas oito episódios (lição tirada de Stranger Things, que estranhamente paira sobre The OA), cuja duração varia entre trinta minutos e uma hora inteira.

Vou dar um tempo antes de escrever melhor sobre esta série (Westworld e Rogue One ainda pedem explicações), mas se você já assistiu à série, comente o que achou sobre ela aí embaixo.

Para exorcizar 2016

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Ano pesado esse que termina, sob diversos pontos de vista. E foi pensando em lavar a alma que Pitty desenterrou uma das faixas de seu Agridoce, o projeto acústico ao lado do guitarrista Martin, que não foi para o disco de 2011. A escolhida para exorcizar 2016 é a clássica “Hallelujah”, de uma das grandes vítimas do ano, Leonard Cohen, que chega em primeira mão via Trabalho Sujo. “Tinha muita jam entre as sessões de gravação, tocávamos várias músicas de outros artistas, essa foi uma delas, uma sobra de estúdio que lembramos agora que existia”, lembra. “Não só por causa de Cohen, mas por todo o ano de 2016, que parece ter tido uma áurea mais densa, com tanta coisa acontecendo, decidimos compartilhar. Vi muita gente comentando sobre esse ano ter sido tenso. Que todas as perdas sejam curadas e que venha o ano novo. Que essa música e esse vídeo sirvam para fechar a tampa de 2016, levando embora as coisas pesadas, e abrir os caminhos para 2017”.

Tomara, viu, Pitty. Porque ô aninho brabo…