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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Tutu Naná e Caio Colasante @ Porta Maldita (13.3)

Vamos a mais um @inferninhotrabalhosujo na Porta Maldita, reunindo duas atrações já conhecidas da casa. Quem abre a noite é o Caio Colasante, que já esteve na festa tocando com sua antiga banda Os Fonsecas e agora mostra sua carreira solo ao lado de uma superbanda do novo indie paulistano formada por Vítor Terra (Mundo Vídeo) na guitarra, Bob Nelson (da Saravá) no baixo, Bruno “Neca” Fechine (dos Tangolo Mangos) na percussão e Thalin na bateria. Depois é a vez dos Tutu Naná, que mostram o novo EP que acabaram de lançar, chamado Sobre as Aves, e também exibem o clipe de mesmo nome antes de sua apresentação. Depois das bandas, o palco torna-se a já tradicional jam infinita da casa enquanto eu discoteco até altas madrugadas. Os ingressos já estão à venda.

Harry Styles ♥ Tears for Fears

Harry Styles criou uma expectativa para o disco que lançou na sexta passada, mas Kiss All the Time. Disco, Occasionally mal chega a causar alguma reverberação parecida com os discos anteriores, sempre alavancados por hits irresistíveis como “Watermelon Sugar” e “As It Was”. A chave para essa percepção talvez esteja na música que ele escolheu tocar no convite feito pela BBC inglesa para participar de seu Live Lounge, quando pinçou o monumento pop oitentista “Everybody Wants to Rule the World” dos Tears for Fears para revisitar. Ao escolher a canção mais conhecida de um artista reconhecido como central no pop maduro daquela época – e não mudar um milímetro do arranjo original -, Styles parece reforçar a escolha de não correr riscos e manter-se no mesmo lugar, sem fazer nada fora do comum. Esse talvez seja o principal pecado de seu novo álbum, que não é ruim, mas não emociona – como esse cover xerox que ele fez. Tomara que o disco cresça ao vivo, porque senão…

Assista abaixo:  

Qmar a caminho!

“A gravação e a produção musical desse disco aconteceu numa relação de prazer com o tempo e o processo, sem pressa por resultado”, explica Paula Rebellato sobre o primeiro álbum de seu novo projeto Qmar, que vem desenvolvendo desde o ano passado ao lado do baterista Cacá Amaral. Trabalhando texturas eletrônicas, vocais e percussivas, a dupla lança nessa sexta-feira o disco Orações Oferecidas a Estranhos, que reúne sete faixas em que eles liberam o transe hipnótico conduzido pelo casamento rítmico das progressões sugeridas por Cacá e os drones darks que Paula conduz como cama para seus vocais ritualísticos. “Conforme fomos fazendo alguns shows ao vivo, fomos internalizando ideias para composição, modificando outras, levando isso pros ensaios, conversando”, ela continua. “Sinto que esse disco retrata bem as nossas referências e gostos estéticos em comum. É um registro 50% Paula e 50% Cacá, se assim posso dizer”. A dupla antecipou a íntegra da faixa-título em primeira mão para o Trabalho Sujo, ouça abaixo:  

Beabadoobee ♥ The Marías

Há dois anos sem lançar nada de novo, a filipino-inglesa Beabadoobee já vem dando sinais que está prestes a vir com o sucessor de seu ótimo This Is How Tomorrow Moves, lançado em 2024, seja abrindo para Sabrina Carpenter em Londres ou fazendo uma versão para Elliott Smith na coletânea Help2. Nesta quinta-feira ela vem com mais um novo sinal de que deve anunciar disco novo em breve ao mostrar o ótimo single “All I Did Was Dream Of You”, que gravou ao lado dos queridinhos The Marías, equilibrando o quase trip hop do grupo em suas guitarras noventistas, numa balada daquelas. Bom demais – queremos mais!

Ouça abaixo:  

John & Yoko nos cinemas!

Único show que John Lennon fez em sua carreira solo, o concerto que fez ao lado de Yoko Ono no dia 30 de agosto de 1972 no Madison Square Garden, em Nova York, foi extensamente revisitado no ano passado, quando funcionou como ponto de partida tanto para o excelente documentário One to One e para a caixa Power to the People. Agora a íntegra do show ganhará lançamento à parte, quando chega aos cinemas com o nome de Power To The People: John & Yoko/Plastic Ono Band with Elephant’s Memory and Special Guests – Live at the One To One Concert, New York City, 1972. O show, remasterizado, também será lançado em mídias físicas, mas por enquanto só foi feito o anúncio de sua estreia nas telonas, em todo o mundo, embora não tenham dito quais países receberão o filme – pedindo para quem quiser saber mais para inscrever-se no site do filme. Mas certamente o Brasil está nessa. Assim que tiver mais informações aviso aqui.

Assista a um trecho abaixo:  

Gilberto Gil ♥ Charly García

Gilberto Gil está passeando com sua turnê Tempo Rei pela América Latina e nesta quarta apresentou-se em Buenos Aires, na Argentina, quando aproveitou para reencontrar o velho amigo Charly Garcia em um encontro nos bastidores. Que momento!

Assista abaixo:  

João antes do disco

Mais uma apresentação maravilhosa do espetáculo Marina Nemésio e Rodrigo Coelho estão fazendo em homenagem à fase pré-fonográfica de João Gilberto, quando ele começou a mostrar seu novo jeito de cantar e tocar para amigos e conhecidos antes de gravar seus primeiros discos. João 1958, que conta com a minha direção, visita clássicos da bossa nova que ele eternizaria em seus álbuns, mas também o encontra tocando temas sem título e canções da era do rádio que nunca mais voltaria a tocar. E ao apresentarem-se nas melhores condições de temperatura e pressão – a Sala B da Casa de Francisca parece que foi feita para receber esse show -, mostraram toda a sensibilidade do toque e do canto com requinte e detalhe, deixando o público que lotou a pequena sala emudecido e com a respiração presa, graças à entrada solene da noite, que fez todos prestarem atenção na delicada e precisa voz de Marina e no esmero e capricho do toque de Coelho ao violão. Mas à medida em que as canções passavam, a dinâmica sutil e suave entre os dois foi acolhendo a audiência graças à magia do velho baiano – que o pernambucano Coelho fez questão de frisar que ele não era pernambucano por uma ponte, em referência ao fato de João ter nascido na Juazeiro vizinha de Petrolina -, que os dois invocam com graça e carinho. Lindo demais.

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Rodrigo Coelho e Marina Nemésio apresentam João 1958 @ Casa de Francisca (11.3)

Marina Nemésio e Rodrigo Coelho mais uma vez voltam ao momento anterior ao marco zero da bossa nova, quando João Gilberto retorna ao Rio de Janeiro depois que inventou o jeito de tocar e cantar que mudaria a história de nossa música. O espetáculo João 1958, concebido pelos dois comigo na direção, chega à intimista Sala B da Casa de Francisca na próxima quarta-feira dia 11, quando os dois passeiam pelo repertório que o pai da bossa nova mostrou para os conhecidos logo que voltou à capital brasileira à época, momento que foi eternizado num gravador de fita pelo fotógrafo Chico Pereira quando João mostrou aquelas canções em sua casa. Marina e Coelho dividem-se nos dois instrumentos do mestre – a alagoana canta e o pernambucano toca violão – para reverenciar esse conjunto que canções, parte delas consagradas nos primeiros discos de João pela Odeon, parte delas inéditas, tanto temas de autoria do próprio que nem título têm, quanto velhos sucessos da era de ouro do rádio brasileiro. A casa abre a partir das 19h30 e os ingressos já estão à venda.

Delicadeza transnacional

Maravilhosa a apresentação que Juliano Abramovay conduziu nesta terça-feira no Centro da Terra, ao conduzir suas Cartografias da Escuta ao lado da violoncelista holandesa Chieko e da vocalista palestina Oula Al-Saghir. A apresentação foi dividida em três partes – na primeira, Juliano chamou Chieko para dividir canções com Chieko, passeando pelo leste europeu, pela América Latina e pela canção tradicional japonesa, alternando-se entre o alaúde e o violão de sete cordas enquanto sua parceira tocava seu instrumento e cantava. Depois, o músico fez algumas canções sozinho alternando os pinhos musicais que domina, passando por composições próprias de inspiração internacional a músicas de Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti. Depois, Oula subiu ao palco para soltar sua voz ao lado do instrumento de Juliano, numa parte definitivamente inspirada pela música árabe. Ao final, os três se encontraram no palco em números de pura inspiração e delicadeza transnacional, um bálsamo musical neste tenso início de 2026.

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Juliano Abramovay: Cartografias da Escuta

Há dois anos sem apresentar-se no Brasil, o músico e compositor Juliano Abramovay, que atualmente reside na Holanda, volta mais uma vez ao palco do Centro da Terra para mostrar suas músicas em três formações: sozinho, tocando violão e alaúde, quando atravessa a sonoridade do Mediterrâneo Oriental e da Ásia Ocidental; depois, ao lado da vocalista palestina Oula Al-Saghir, pega o alaúde para acompanhá-la pelo repertório da música árabe, e, finalmente, ao lado da violoncelista, cantora e compositora holandesa Chieko – de ascendência brasileira e japonesa -, ele saca seu violão para passear por um repertório que visita canções tradicionais da América Latina e do Japão, com direito a improvisos instrumentais entre os dois instrumentos.

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