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Roda de samba sem percussão

Finalmente consegui ir ao Quinta Lapa que a Anna Vis está organizando na galeria Lapa Lapa (no bairro paulistano de mesmo nome), quando Douglas Germano e Thiago França se encontraram para uma noite de violão e sax sobre os sambas do primeiro. Apesar da entrada discreta – uma escadaria que dá para uma sobreloja em uma rua pouco movimentado -, o espaço é pequeno e ao mesmo tempo amplo, permitindo que umas quarenta ou cinquenta pessoas se reunissem para assistir ao encontro, tocado sem amplificação, pressuposto da noite, e com uma iluminação indireta e colorida, criando uma sensação que tendia a um silêncio temeroso, logo quebrada pelo balanço dos sambas e sintonia entre os dois músicos – Douglas criando um chão sempre firme e constante para os voos de Thiago, por vezes melancólicos e taciturnos, outras completamente audazes e vertiginosos. No repertório, a sequência de novos clássicos paulistanos passeou por pérolas dos discos de Douglas (“Àgbá”, Guia Cruzada” e “Golpe de Vista”), algumas de seu novo disco, o ótimo Branco (como “Zelite” e “Bala Perdida”), parcerias dele com Kiko Dinucci (“Oranian” e “Por Favor”), outras imortalizadas pelo Metá Metá (“Damião”, “Sozinho”, “Canção Para Ninar Oxum” e “Oba Iná”, que encerrou a noite como bis) e outros clássicos imbatíveis como “Tempo Velho” e a definitiva “Vias de Fato”. E o que começou quase como uma missa quieta regida pelos dois, terminou como uma roda de samba sem percussão, despida da aura sacra original, pronta para cair na gandaia – mas sem exagerar. Grande noite.

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Cai o muro do Rush em Santa Catarina

Como sofre o fã de Rush. E bem no ano em que o trio canadense anuncia mais uma vinda ao país, um acidente de trânsito na cidade mais Rush do Brasil (Criciúma, em Santa Catarina, onde mais?), acabou por destruir um dos principais monumentos da cidade à banda mais ímpar do heavy metal progressivo, quando um motorista entrou no mural pintado na esquina das ruas Hercílio Luz e Lauro Müller, no centro da cidade, na manhã desta quinta-feira. O muro derrubado foi pintado pelo artista Ricardo Herok a partir de uma homenagem que fãs da banda fizeram ao grupo em 2020, em ocasião da sexta edição do Rush Fest que acontece na cidade e que, naquele ano, não aconteceu por causa da pandemia. O mural trazia o clássico logo do Rush em uma das laterais e o trio canadense na outra, justamente a que foi derrubada pelo carro. É muito sofrimento…

Assista abaixo:  

O balanço de Olivia Rodrigo

Oba lá vem ela! Como estava no ar, Olivia Rodrigo acaba de anunciar seu terceiro álbum, You Seem Pretty Sad for a Girl So in Love, que sairá no dia 12 de junho. Além disso, só sabemos que será produzido pelo mesmo Dan Nigro que fez seus dois discos anteriores, que terá uma música inspirada em Sex & The City e talvez tenha alguma colaboração com Robert Smith, do Cure. Mas se haverá algum single, quais são os nomes das músicas ou se há participações no disco? Nada ainda. Mas olha essa capa maravilhosa…

Courtney Barnett ♥ Paul McCartney

A Courtneyzinha lançou um discaço na semana passada (o excelente Creature of Habit, vai ouvir agora!) e está tocando-o por aí sem parar, mas quando passou pelo estúdio da Rádio Sirius, em Los Angeles, nos EUA, no fim do mês passado, tirou essa versão de “Let Me Roll It” do Paul McCartney que faz qualquer um ficar de queixo caído. E o sorrisão enquanto sola? Ela é demais!

Assista abaixo:  

Agnès Varda via Juçara Marçal

Juçara Marçal e Agnès Varda num mesmo momento: me belisca porque parece que eu tô sonhando. São duas apresentações no IMS de São Paulo nos dias 7 e 8 de abril, quando a cantora mistura as canções próprias, de artistas brasileiros e do espetáculo que faz em homenagem a Brigitte Fontaine, além de outras de Toto Bissainthe, artista haitiana que morava em Paris e foi registrada pela cineasta e fotógrafa francesa, acompanhada por Kiko Dinucci e Juliana Perdigão, sobre a exibição dos curtas A Ópera-Mouffe (1958) e Os Panteras Negras (1968), da homenageada da noite, que ainda terá a exibição de fotografias dos filmes Salut les Cubains (1963), La Pointe Courte (1954) e Papa Bon Dieu (1958). As apresentações fazem parte da excelente mostra Fotografia Agnès Varda Cinema, que está sendo realizada no Instituto. A entrada para os shows é gratuita, com senhas distribuídas uma hora antes das apresentações (que começam às 19h30) e cada pessoa só pode retirar uma senha. Programaço!

Strokes vindo aí?

Os Strokes publicaram esse stories em seu Instagram e não falaram mais nada. Uma fita cassete puxada por cavalos sobre um link que vai parar num site que pede seu telefone e manda um SMS para você entrar em outro link que deverá “compartilhar algo em breve”. Há fãs achando que é primeiro de abril e outros apostando em música nova vindo aí. O grupo nova-iorquino está com várias datas de shows marcadas para 2026, o que aumenta a possibilidade da banda vir com algum novo lançamento, o primeiro desde o bom The New Abnormal, lançado em 2020. Façam suas apostas…  

Thurston Moore ♥ Steve Shelley

Ecos da juventude sônica no ar, quando Thurston Moore juntou-se com Steve Shelley de surpresa sexta passada para um improviso livre no festival Big Ears, que aconteceu em Nova York. I want to believe…

Assista abaixo:  

Montreux 2026

O clássico festival de jazz de Montreux, na Suíça, chega à sua 60ª edição em 2026 e mais impressionante do que a absurda lista de artistas no elenco deste ano é a habilidade do festival em reunir duplas de artistas distintos em apresentações consecutivas em palcos específicos ampliando ainda mais as fronteiras musicais para os espectadores – e para os próprios artistas. Apesar da noite de abertura receber apenas a artista de soul da vez Raye – com convidados especiais ainda não revelados -, todas as outras noites reúnem dois artistas por dias nos dois palcos quase simultâneos do festival, uns no Auditório Stravinsky e outros no Montreux Jazz Lab. O que dizer de uma noite com Isley Brothers e The Roots? Ou Nick Cave & The Bad Seeds com Aldous Harding? Outras dobradinhas perfeitas incluem a portuguesa Maro abrindo para o Sting, Hemlocke Springs abrindo pra Pinkpantheress, a brasileira Liniker abrindo pra estadunidense de ascendência haitiana Naïka, o pop na cara de Faouzia e Zara Larrson, Joy Crookes antes de John Legend, uma noite de groovezeira italiana com Mind Enterprises e Cerrone Disco Symphony, Rival Sons abrindo pro Deep Purple, Sofia Camara abrindo pro Lewis Capaldi, a Time Machine de Billy Cobham dividindo a noite com Marcus Miller, Loyle Carner abrindo pro Wulfpeck, Van Morrison com James Taylor na mesma noite e outros shows com Moby, Gregory Porter, Angus e Julia Stone, Charles Lloyd, Danny L. Hearle, Tyla, Adriatique, Agnes Obel e a lista segue incrível. As apresentações acontecem entre os dias 6 e 18 de julho e os ingressos começam a ser vendidos nessa quarta pelo site oficial do festival.