Um dos maiores nomes da história da música popular do século passado, o tecladista Herbie Hancock quer mostrar que seu legado sobrevive no novo século colaborando com alguns de seus principais filhotes musicais. É o que ele contou para o jornal San Diego Tribune, ao revelar que seu próximo disco terá participações de nomes de peso como Kendrick Lamar, Flying Lotus, Snoop Dogg, Kamasi Washington, Common e Thundercat, além de chamar o ás da guitarra africana Lionel Loueke, o mestre indiano da tabla Zakir Hussein e o velho compadre Wayne Shorter. O disco, ainda sem título, está sendo produzido pelo tecladista e saxofonista Terrace Martin, que já gravou com Kendrick Lamar e Snoop Dogg, além de outra lenda-viva da música, Stevie Wonder.
“Tenho aprendido bastante com os jovens com quem venho trabalhando”, contou o tecladista à reportagem do jornal. “Porque eles constróem novas estruturas, com a mídia social e toda esta arena, e isso afeta a forma como você traz as coisas para o público para deixá-lo sabendo que você está trabalhando em algo. Então ainda estou aprendendo e fico muito feliz com isso. Nunca quis parar de trabalhar. Eu nem penso mais em termos de: ‘vou fazer esse disco, lançá-lo, promovê-lo, fazer uns shows e em algum ponto começo a trabalhar em outro disco’. Hoje em dia você pode lançar duas faixas e então mais tarde elas podem se conectar com outras duas. O limite é determinado pelo artista. É uma nova era.”
Uma nova era que ele ajudou a inaugurar quando, no início dos anos 80, ousou descer dos pedestais do jazz para abraçar o hip hop ainda bebê, com o clássico “Rockit”.
Você colhe o que você planta.
Maior satisfação anunciar que este fim de semana o Centro Cultural São Paulo recebe duas noites com o mito Gustavo Black Alien, que faz dois shows neste sábado e domingo, mostrando os dois volumes de seu Babylon By Gus em duas apresentações que prometem – mais informações aqui.
Quando, num futuro distante, olharmos para os primeiros meses de 2018, ficará claro porque o verão daquele ano não conseguiu esquentar como reza sua prática, numa espécie de ressaca solar do efeito estufa mental que paira e sobrecarrega corações e mentes em todo o planeta. Por isso, a realização de nosso experimento mensal nos laboratórios Trackers é uma tarefa quase que de resistência, ativando neurônios através de uma trilha sonora que aciona diferentes níveis do inconsciente, através da sensação do contemporâneo e diferentes níveis de nostalgia, para expurgar sensações ruins e atrair boas vibrações necessárias para atravessar nossa jornada neste planeta. E mais uma vez o time Noites Trabalho Sujo vem completo, com os exploradores sensoriais Alexandre Matias, Luiz Pattoli e Danilo Cabral desbravando territórios neurais através de obras fugazes ou clássicos que atingiram mais de uma geração – sempre ocupando a metade azul do andar interdimensional localizado no meio do centro da metrópole sul-americana. Na metade preta, as arquitetas do inconsciente dance Renata Patelli e Carol Razuk, representantes do centro de pesquisas P.dritas, voltam à nossa viagem pela madrugada para mais uma noite de puro prazer na metade preta desta edição, seguida da destemida Camila Mazzini, fundadora do movimento Garotas no Poder, que também realiza a transformação alquímica da boa música em boa onda. Os procedimentos para o comparecimento no local são os mesmos de outras ocasiões, exigindo o envio do nome pelo correio eletrônico noitestrabalhosujo@gmail.com até às 20h deste sábado, quando aqueceremos o resto de verão que sobrou em nossas almas. Venha!
Noites Trabalho Sujo @ Trackers
Sabado, 10 de março de 2018
A partir das 23h45
No som: Alexandre Matias, Luiz Pattoli e Danilo Cabral (Noites Trabalho Sujo), Carol Razuk e Rê Patelli (P.dritas) e Camila Mazzini (Garotas no Poder).
Trackers: R. Dom José de Barros, 337, Centro, São Paulo
Entrada: R$ 40, só com nome na lista pelo email noitestrabalhosujo@gmail.com. Aniversariantes da semana não pagam para entrar (avise quando enviar o nome no email, por favor). Os cem primeiros a chegar pagam R$ 25.
E aos poucos vem chegando a hora. “Liberdade, A Filha do Vento” é o primeiro single do retorno do grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado, que retomou suas atividades ao anunciar o lançamento súbito de seu quarto disco, Viagem ao Coração do Sol. A faixa conta com a participação do produtor do álbum, Fernando Catatau tocando teclados e guitarra, e dá pistas sobre a temática do novo trabalho, que será lançado no dia 6 de abril. “Essa música nasceu com os primeiros contatos para o retorno da banda e traduz o sentimento do nosso novo disco”, resumindo o vocalista Lirinha. O vídeo abaixo é exclusivo para o Trabalho Sujo.
Sexta é dia de Noites Trabalho Sujo no Clube V.U.: músicas boas para dançar em um dos melhores novos clubes da cidade, ali na Barra Funda. A entrada é gratuita até a meia-noite.
Noites Trabalho Sujo no Clube V.U.
Toda sexta-feira, a partir das 22h
No som: Alexandre Matias
Rua Lavradio, 559, Barra Funda
R$ 10 ou R$ 50 de consumação
Entrada gratuita até à meia-noite
Tel. 3661-2095
Aceita todos os cartões.
Em mais uma colaboração para o site da revista Trip, escrevi sobre a Universal Maurício Orchestra, formada por seis Maurícios da pesada: Fleury, Tagliari, Pereira, Bussab, Badê e Takara:
As gravações aconteceram no final de 2015 e início de 2016. A tônica do som também vinha do sonho de Tagliari. “Foi tudo bem aberto, ninguém trouxe nada pronto, a gente se encontrou e começou a tocar”, lembra Takara. “Tinha essa referência sugestiva ao Miles elétrico, [do álbum] In a Silent Way, e, no fim das contas, a formação, que é bem inusitada pra mim, refletia um pouco isso, a coisa do sax soprano, da percussão”, completa.
“A linha era cada um ficar à vontade naquilo que gosta, sabendo que estávamos inseridos dentro de um coletivo”, completa Badê. “A ideia do Tagliari era fazer uma coisa mais viajandona, instrumental, como o Miles Davis do sonho dele. A gente não ficou discutindo, apertava o rec e saía tocando”, lembra Fleury.
“Não lembro de ter combinado nada. Na real, olhando em retrospecto, foi meio mágico: muito som, muita risada, pouca conversa e a música fluindo. Tanto que quando você escuta o disco todo, vê que cada faixa tem uma onda muito diferente. Foi fruto mesmo de um encontro de vários backgrounds musicais e muita generosidade, um lance bem fraternal”, completa Tagliari. “O disco é isso, música espontânea, sem parar muito pra pensar, sem nada escrito antes, feita muito das influências sonoras que a gente tem, tipo pegar uma ideia que aparecia e brincar em cima dela”, emenda Pereira.
A conexão maurícia — termo cujo significado vem da mesma palavra que dá origem ao termo “mouro” e quer dizer “de pele escura” — não terminou no som. Depois de brincarem com a possibilidade de pedir a capa ao Maurício de Souza, o pai da Mônica e do Cebolinha, lembraram de outro Maurício que não era reconhecido pelo prenome, o DJ e ilustrador MZK, que aceitou prontamente a tarefa de fazer a capa.
A íntegra do texto você lê aqui.
Enquanto esperamos por seu novo disco, Tell Me How You Really Feel, nossa musa australiana Courtney Barnett declara mais uma vez seu amor por seus conterrâneos do INXS ao regravar a balada “Never Tear Us Apart” para uma campanha da Apple.
Não é a primeira vez que ela celebra a banda do falecido Michael Hutchence: em 2014 ela fez um show inteiro em homenagem à banda, regravando o clássico Kick, de 1987.
Depois que o primeiro ano de curadoria de música no Centro da Terra restabeleceu as segundas-feiras como dia de shows em São Paulo, é a vez de invadirmos as terças-feiras. Ao contrário do Segundamente, que propõe quatro shows diferentes para um artista em um mesmo mês, a terça, ainda sem nome, é mais livre e, ao mesmo tempo, mais tradicional. São temporadas que ficam ao gosto do artista, que usa aquelas terças para experimentar um novo show, mexer com canções novas ou consolidar um formato em experimentação, sem necessariamente dividir as apresentações em quatro momentos diferentes. A princípio as temporadas são de quatro terças-feiras, mas nem isso está rigidamente definido. Para começar as terças-feiras no Centro da Terra, chamei os irmãos Cappi – Marinho e Fernando, guitarristas do Hurtmold -, que estão às vésperas de lançar seu primeiro álbum – e usam a temporada para burilar sobre este projeto, focado em canções. Na primeira terça, dia 6, eles convidam o produtor Ricardo Pereira. Na segunda terça, dia 13, eles chamam seus compadres de banda Marcos Gerez e Maurício Takara. No dia 20, o convidado é o grande rabequeiro suíço Thomas Rohrer, e a temporada se encerra dia 27, com a participação da querida Juliana Perdigão. Os quatro shows lidam com o mesmo repertório, que vai sendo retrabalhado a cada nova semana. Conversei com os dois sobre esta temporada, que eles batizaram de Terça-Fera.
Como surgiu o MdM Duo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mdm-duo-terca-fera-como-surgiu-o-mdm-duo
Como a temporada Terça Fera funcionará em relação ao disco de estreia?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mdm-duo-terca-fera-como-a-temporada-terca-fera-funcionara-em-relacao-ao-disco-de-estreia
Como serão as quatro noites e quem são os convidados?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mdm-duo-terca-fera-como-serao-as-quatro-noites-e-quem-sao-os-convidados
Vocês vão mexer muito no repertório de cada noite?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mdm-duo-terca-fera-voces-vao-mexer-muito-no-repertorio-de-cada-noite
Vocês vão mostrar material inédito?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/mdm-duo-terca-fera-voces-vao-mostrar-material-inedito
“Parece que passou muito rápido mas ao mesmo tempo parece que foi há muito tempo, porque muita coisa aconteceu!” Bárbara Eugenia resume não apenas o sentimento de seus dez anos de carreira, mas de toda uma década que abalou a todos. No mesmo período em que se firmou como cantora e compositora houve uma mudança cultural e social violenta que, de uma forma ou de outra, está refletida em seu trabalho. É esta transformação que ela coloca em prática na primeira temporada do Segundamente deste ano, quando, nas quatro segundas-feiras de março, ela visita momentos diferentes da sua carreira, priorizando as parcerias. No dia 5, ela abre o mês ao lado de Tatá Aeroplano, mostrando o Vida Ventureira que gestaram na primeira temporada do Centro da Terra do ano passado, quando eles mostraram o disco em primeira mão na celebração dos quinze anos de carreira do músico paulista – que desta vez vem ao palco com a banda completa, com Dustan Gallas, Júnior Boca e Bruno Buarque. No dia 12 é a vez de ela voltar a se reunir com Fernando “Chankas” Cappi, guitarrista do Hurtmold, com quem ela compôs o disco Aurora, fortemente influenciado pela canção beatle. No dia 19 ela se reúne a Pedro Pastoriz para reeditar mais uma versão de seu projeto de intérprete Lovely Hula, recriando clássicos pop em versões luau. E a temporada termina no dia 26 com uma retrospectiva de seus quatro discos individuais, incluindo um que ainda não viu a luz do dia. Conversei com a Bárbara sobre este momento de sua carreira e como ele se reflete neste março no Centro da Terra.
Qual balanço que você faz sobre essa primeira década?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/barbara-eugenia-dez-anos-por-ai-qual-balanco-que-voce-faz-sobre-essa-primeira-decada
Quando você pensou na temporada já sabia que queria?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/barbara-eugenia-dez-anos-por-ai-quando-voce-pensou-na-temporada-ja-sabia-que-queria
O que ficou de fora e poderia ter entrado?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/barbara-eugenia-dez-anos-por-ai-o-que-ficou-de-fora-e-poderia-ter-entrado
Qual a expectativa de fazer esses shows no Centro da Terra?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/barbara-eugenia-dez-anos-por-ai-qual-a-expectativa-de-fazer-esses-shows-no-centro-da-terra
E sobre o último show, do disco novo, o que dá pra adiantar?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/barbara-eugenia-dez-anos-por-ai-e-sobre-o-ultimo-show-do-disco-novo-o-que-da-pra-adiantar