Can – “Future Days”
Chubby Checker – “Misrilou”
Clara Nunes – “O Mar Serenou”
BNegão + Seletores de Frequência – “Enxugando Gelo”
Alan Parsons Project – “Eye in the Sky”
Toro y Moi – “New Beat”
Ike + Tina Turner – “Whole Lotta Love”
Isley Brothers – “That Lady, Parts 1 & 2”
Simian Mobile Disco – “Hustler”
Yo Majesty – “Club Action”
Kelela – “Frontline”
Letrux + Marina Lima – “Puro Disfarce”
Ava Rocha – “Periférica”
Courtney Barnett – “Crippling Self Doubt and a General Lack of Self Confidence”
E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante – “Como aquilo que não se repete”
Negro Leo – “Lek Lover”
Uma banda que nasceu num sonho estreia ao vivo não em apenas um show, mas em quatro: a Universal Maurício Orchestra, que reúne os homônimos de sobrenomes conhecidos na música brasileira (Badê, Tagliari, Bussab, Pereira, Takara e Fleury), finalmente se materializa num palco durante as segundas-feiras no Centro da Terra, trazendo novos músicos com o mesmo prenome (mais informações aqui). A temporada Ilhas Maurício concilia agendas improváveis de pessoas cheias de atividades e projetos paralelos que tornou difícil até mesmo a gravação de seu único disco, gravado em duas sessões praticamente ao vivo. Conversei com os Maurícios Tagliari, Pereira e Bussab sobre o que esperar deste insólito encontro.
Conte a história que deu origem à Orquestra.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/universal-mauricio-orchestra-conte-a-historia-que-deu-origem-a-orquestra
Como foi organizar todo mundo para participar desta temporada?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/universal-mauricio-orchestra-como-foi-organizar-todo-mundo-para-participar-desta-temporada
Vocês irão recriar o disco no palco ou vão trabalhar a partir do zero?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/universal-mauricio-orchestra-voces-irao-recriar-o-disco-no-palco-ou-vao-trabalhar-a-partir-do-zero
A formação da banda muda radicalmente a cada segunda?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/universal-mauricio-orchestra-a-formacao-da-banda-muda-radicalmente-a-cada-segunda
Vocês já estão pensando em fazer um volume 2?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/universal-mauricio-orchestra-voces-ja-estao-pensando-em-fazer-um-volume-2
Quem são os Maurícios novatos da temporada?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/universal-mauricio-orchestra-quem-sao-os-mauricios-novatos-da-temporada
A quarta edição do festival da Casa do Mancha teve um imprevisto com sua localização anterior mas segue firme em novo endereço, neste sábado, começando na Void e terminando no Z Carniceria, pertinho do Largo da Batata, aqui em São Paulo. São treze bandas e cinco DJs trazendo apenas o melhor da nova música indie brasileira – e eu estarei lá, mais uma vez ao lado do compadre Danilo Cabral (Luiz está viajando) começando os trabalhos no Z Carniceria a partir das 18h, antes do show do patrono Maurício Pereira. Confira os horários abaixo:
Palco Void
16h – Abertura
16h20 – Goldenloki
17h20 – Betina
18h20 – Bruno Bruni
19h20 – Terno Rei
20h20 – Molho Negro
21h20 – DJs Rafa e Joyce
Palco Z Carniceria
18h – Trabalho Sujo
19h – Mauricio Pereira
20h – Juliano Gauche
21h – Laura Lavieri
22h – Yma
23h – Dingo Bells
0h – Garotas Suecas
1h – Ozu
2h – Strobo
3h – Alex Correa (Caverna)
“Pabllo só por existir já é um pensamento político: uma drag queen que está na TV, que as avós das pessoas assistem, de quem as crianças são muito fãs… Só isso já é um tapa na cara, é um statement político” – conversei com o Rodrigo Gorky, mentor e empresário de Pabllo Vittar, que acaba de lançar seu segundo disco, para o site Reverb – e ele ainda falou sobre Charli XCX, Rihanna, K-Pop, Banda Raveli, ÀTTØØXXÁ, Kali Uchis, PC Music, Britney Spears, Linn da Quebrada, tecnobrega e Laraaji.
Mítico vocalista do grupo punk pernambucano Devotos, Cannibal ataca em duas frentes neste final de 2018: lançando o livro Música Para Quem Não Ouve, que reúne as letras de sua histórica banda, e o disco novo do grupo de dub Café Preto, batizado de Oferenda. “Café Preto é minha valvula de escape depois do futebol”, explica Cannibal por email. “Adoro música, sou criado no Alto José do Pinho, esse bairro é uma rádio ligada em varias estações onde tudo rola, você sai andando pela comunidade e escuta tudo: samba, brega, rock, reggae, música cubana, afoxé, maracatu, de tudo… Sendo assim não tem como você ser bitolado a um estilo. Fiz a Café Preto no pensamento de musicar as letras que não entraram na Devotos”. Ele antecipa o primeiro single do disco, “120 Km” que tem a participação de Spok da Spok Frevo Orquestra, em primeira mão para o Trabalho Sujo.
“Não queria fazer uma banda, a ideia era só mostrar um lado meu que as pessoas não conheciam, mostrando as músicas as pessoas ficavam perguntando quando ia ter show e eu falava que não ia rolar porque a ideia era só gravar um disco com influencia na música jamaicana”, ele continua. “Foi tanto incentivo que resolvi montar a banda mas resolvi que teria um conceito, a Café Preto não é só musica. Então convidei um amigo estilista chamado Eduardo Ferreira para fazer o figurino, gosto muito dos cantores que se vestem para cantar: Marvin Gaye, David Bowie, Gregory Isaacs, Grace Jones, todos uma elegância impecável. O novo figurino é feito por Chico Marinho, os sapatos por Jaison Marcos e as fotos de Renato Filho.” A banda fez parte da geração que revelei como curador do Prata da Casa do Sesc Pompéia em 2012.
“O primeiro disco foi lançando em 2012 e teve como carro-chefe a música ‘Dandara’, que virou clipe, e a mixagem ficou por conta do mestre Victor Rice. O novo disco se chama Oferenda, o disco tem a mixagem e masterizarão de Pierre Leite, que é tecladista e efeitos na Café Preto. Oferenda tem as participações de Lucas dos Prazeres, Maestro Spok, Céu, Claudio Negrão no contrabaixo, poeta Miró da muribeca e Maria Vitória e Marina, minha filha e a de Pierre. É um disco com sonoridade diferente, apesar de também tem reggae, não sei rotular, mas é um disco com muitas músicas para dançar. As letras ao contrário da Devotos, na sua maioria são temas fictícios relacionadas ao cotidiano afetivo, relacionamentos e etc, só a música ‘O Samba’ que tem uma temática social. A capa foi feita por Mabuse e Haidde e o desenho por Ganjja”, ele conta, explicando que apesar das referências a orixás do candomblé, não é frequentador. “Respeito todas as religiões, mas tenho grande admiração pela umbanda e pelo candomblé.” Ele conta que nos shows também canta “Preciso Me Encontrar” e “Gostoso Demais”, imortalizadas respectivamente por Cartola e Dominguinhos – e o show de lançamento do disco em São Paulo vai acontecer no Sesc Carmo, dia 29 deste mês, com participação de Alessandra Leão (mais informações aqui).
Sobre o livro, ele diz que a ideia surgiu porque muitos o abordavam na rua elogiam sua música mas dizendo que não entendiam as letras. “É engraçado, mas preocupante. Formamos a banda para mudar um quadro social através da música, conseguimos isso aqui na comunidade o Alto José do Pinho, que hoje é conhecida pela sua eferverscência cultural. Muitos problemas ainda precisam ser resolvidos, mas conseguimos resgatar a auto estima da comunidade.” A ideia do livro era ter a cara de fanzine dos anos 80, como se tivesse sido feito com máquina de escrever e fotos chapadas como se fossem xerox. “Os fanzines dos anos 80 eram nossa rede de informação, temos o maior respeito e consideração pelos fanzineiros, até hoje damos entrevista para fanzines”, continua. O livro também tem trabalhos de artistas plásticos convidados pelo grupo, como Darlon, Ganjah e Caio Cezar. “Todos maravilhosos. É bom trabalhar com pessoas que são fãs das banda, elas acompanham e sabem sua história, aí o trabalho flui positivamente.”
“A literatura faz você viajar e ter sua própria opinião em relação ao que está lendo, não tem uma massa sonora te influenciando a ter uma visão radical pelo fato do som ser punk rock”, ele continua explicando sobre o livro. “A sonoridade pode ser pesada, mas a letra pode ser romântica, a sonoridade pode ser uma balada mas a letra pode ser politizada. E aí que o legal do livro é que é só você e a letra, vpcê viajando no que se absorve das frases, dos refrões.”
Sobre o punk rock em si, ele segue ativista. “O movimento não tem a força dos anos 80, mas continua atuante, veja por exemplo os fanzines, que continuam sendo produzidos em varias categorias, as bandas que continuam suas produções e como tem surgido novas bandas”, ele continua. “A tecnologia separou bastante o movimento punk, apesar da facilidade de se conhecer através da internet, o lado humano de se encontrar, trocar ideia, fazer os eventos não é mais o mesmo, Hoje é como se tivesse vários movimentos punk dentro do próprio movimento, a ideologia de formar uma banda para protestar ou reivindicar ficou nos anos 80. Hoje a maioria que faz uma banda quer tocar em primeiro lugar ‘não importa onde’. Se a grande mídia não tivesse fudido o movimento punk hoje ele seria referência social como é o rap!”
O assunto inevitavelmente caminha para a atual situação política do país: “Não se muda um país com ódio, até para você reivindicar causas sociais você tem que fazer com ternura, mas nunca com ódio”, prossegue. “Eu sou a favor que não perdamos a liberdade de expressão que nossos pais conquistaram com muito suor, sangue e vidas ceifadas no período da ditadura. Demos passos muito positivos socialmente falando: as mulheres estão organizadas e se auto-afirmando cada vez mais, a classe LGBT e outros segmentos também estão se afirmando, mostrando que podem pertencer à sociedade sem ter que se esconder e que existe uma indústria de entretenimentos voltada para essas pessoas e essa industria tem um retorno financeiro muito, muito grande para o Brasil. Não há como ignorar essa classe e os tratar como enfermos como algumas igrejas propõe. O princípio da educação é o respeito. Não fecho os olhos para a corrupção, mas não acredito que uma politica de ideologia fascista vá resolver nossos problemas!” É isso aí.
O grupo instrumental finalmente junta os quatro vocalistas com quem gravou o disco Volume Único – Luiza Lian, Pedro Pastoriz, Tim Bernardes e Sessa – numa apresentação inédita nesta quinta-feira, no Centro Cultural São Paulo, a partir das 21h (mais informações aqui).
Morre Geoff Emerick, o engenheiro de som que ajudou os Beatles a moldar sua sonoridade e a se aventurar no estúdio de gravação. Estive com ele no fim do semestre passado, em Porto Alegre, quando ele me contou sobre algumas das inovações que fez ao lado do grupo – e contei lá no Reverb.