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Kamasi Washington pronto pra briga

kamasi

O jazzman californiano Kamasi Washington está prestes a lançar seu novo álbum, o duplo Heaven & Earth, que já teve dois singles antecipados: “Fists of Fury” e “The Space Travelers Lullaby”, e agora ele surge com outra música inédita, esta inspirada no videogame Street Fighter. Em uma declaração, ele conta sua relação adolescente com o jogo e como ele o inspirou a composição:

Quando eu era mais jovem, estava no meio do final da geração dos fliperamas e o começo da geração dos consoles. Eu ia neste lugar chamado Rexall jogar Street Fighter. No Rexall tinham pessoas diferentes de diferentes vizinhanças jogando o jogo. Esse lugar era como se fosse um equalizador. Só importava o quão bom você era no Street Fighter, na maior parte do tempo. Em outros lugares você tinha medo daqueles caras; ali você só jogava o jogo e pronto, sabe? Eu era realmente bom no Street Fighter, foi quando surgiu a ideia da música que, brincando, dizia que era minha música-tema e quando eu aparecia para jogar Street Fighter eles tocavam a minha música antes que eu entrasse, como um lutador de boxe. No contexto do disco, era a conexão que tínhamos com aqueles caras da nossa vizinhança. Os chamávamos de OGs, os caras mais velhos que nos inspiravam.

De muitas formas, os videogames eram a forma que eu me conectava com eles porque eu nunca fui de nenhuma gangue, mas eu os conhecia e era legal com eles, principalmente através dos videogames. Quando cresci, pensei como seria incrível se os OGs pudessem apenas jogar games para resolver seus problemas. O sentido dentro do escopo do disco é uma conexão com um passado e todas as formas que podemos nos conectar.

Ele também lançou um teaser do clipe da música, que deve sair em breve.

O disco sai no dia 22 de junho e já está em pré-venda através da gravadora Young Turks.

Chromatics 2018: Agora vai?

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Os Chromatics vêm adiando o lançamento de seu aguardado Dear Tommy literalmente há anos – e no ano passado, após terem sido anunciados como parte da trilha sonora da volta de Twin Peaks, foi revelado que o dono da banda, Johnny Jewel, destruiu todas as cópias físicas do disco que pretendia lançar em 2017, aparentemente começando tudo do zero. É o que indica o novo lançamento do grupo, o single “Black Walls”, que não constava na ordem das faixas divulgadas até então.

O processo de refazer e refazer o mesmo disco contínuas vezes não é novo e o disco que colocou os Chromatics no mapa, o soberbo Kill for Love, passou por um processo semelhante de autoanálise como o dono da gravadora Echo Park, Alex Rivera, explicou no ano passado. Resta saber se o novo single é realmente um sinal que o disco pode sair ainda este ano ou se estamos iniciando um novo processo de vigília até vai saber quando.

Mas, tudo bem, sem pressa. Mesmo porque o novo single é exatamente aquilo que esperamos do grupo: aquele climão pesado, entre a tensão e o éter, composto por sintetizadores robóticos, esqueletos de acordes de guitarra, groove sintético e o vocal onírico de Ruth Radelet.

Sem Palavras: junho de 2018

sem-palavras-jun-2018

O laboratório Segundamente parte para um novo tipo de experimento ao apresentar a sessão Sem Palavras, dedicadas a trabalhos instrumentais de diferentes artistas, que tomarão as segundas-feiras de junho no Centro da Terra. São quatro apresentações que captam o ótimo momento da cena em São Paulo – e no Brasil. Para esta primeira sessão serão quatro shows diferentes com artistas que expandem os limites desta cena para diferentes lugares. A primeira segunda-feira, dia 4, é de improviso livre com os músicos Victor Vieira-Branco, Mariá Portugal, Arthur DeCloedt e Thomas Rohrer. Na segunda segunda-feira temos a colisão do jazz com o rock do grupo Vruumm, no dia 11. No dia 18 é a vez do projeto Solaris, incursão individual do vibrafonista e baterista Richard Ribeiro. E o mês termina com o grupo Música de Selvagem, dia 25, tocando músicas de seu novo disco, Volume Único – e é a única noite que deve contar com vocais, do músico Sessa, convidado pelo grupo. As apresentações começam sempre às 20h (mais informações no site do Centro da Terra) e eu conversei com os responsáveis por cada noite para saber o que podemos esperar deste novo formato do Segundamente.

Rohrer + Decloedt + Portugal + Vieira-Branco, por Victor Vieira-Branco
https://soundcloud.com/trabalhosujo/sem-palavras-2018-rohrer-decloedt-portugal-vieira-branco

Vruumm, por Anderson Quevedo
https://soundcloud.com/trabalhosujo/sem-palavras-2018-vruumm

Solaris, por Richard Ribeiro
https://soundcloud.com/trabalhosujo/sem-palavras-2018-solaris

Música de Selvagem, por Arthur DeCloedt
https://soundcloud.com/trabalhosujo/sem-palavras-2018-musica-de-selvagem

Gui Amabis de perto

guiamabis2018

Lançado sem aviso há menos de uma semana, Miopia, o quarto disco de Gui Amabis, vem de encontro ao seu trabalho mais recente, Ruivo em Sangue, e traz, ironicamente em pleno 2018, um astral menos pesado e pessimista que seu antecessor. Batizado com o nome de sua primeira composição (“Miopia”, finalmente pública, já é uma das melhores músicas de 2018), o disco sacramenta sua parceria com os compadres Regis Damasceno, Dustan Gallas e Samuel Fraga, fiéis escudeiros ao forjar uma sonoridade particular, que o consolidou como mais que produtor e compositor, mas também como intérprete e músico. Bati um papo com ele sobre o novo álbum e ele aproveitou para dissecar Miopia faixa a faixa.

Como surgiu Miopia?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/gui-amabis-2018-como-surgiu-miopia

Miopia é uma espécie de antídoto de seu disco anterior, Ruivo em Sangue?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/gui-amabis-2018-miopia-e-uma-especie-de-antidoto-de-seu-disco-anterior-ruivo-em-sangue

Você escolheu o repertório a partir de algum conceito?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/gui-amabis-2018-voce-escolheu-o-repertorio-a-partir-de-algum-conceito

Como você definiu os convidados para o disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/gui-amabis-2018-como-voce-definiu-os-convidados-para-o-disco

Por que o disco chama-se Miopia?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/gui-amabis-2018-por-que-o-disco-chama-se-miopia

Quem produziu o disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/gui-amabis-2018-quem-produziu-o-disco

É um disco muito lírico pra época que estamos vivendo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/gui-amabis-2018-e-um-disco-muito-lirico-pra-epoca-que-estamos-vivendo

Qual o papel da arte no Brasil de 2018?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/gui-amabis-2018-qual-o-papel-da-arte-no-brasil-de-2018

Gui Amabis – Miopia (2018), faixa a faixa

Garotas Suecas: Identidade

E é com imenso prazer que anuncio a primeira temporada no Centro da Terra a cargo de uma banda, quando o grupo paulistano Garotas Suecas atravessa as terças-feiras de junho com quatro shows diferentes. Na primeira terça, dia 5, batizada de Karaokê, o grupo convidou vocalistas amigos para cantar músicas de seu repertório – são nomes como Rafael Castro, Betina, Luiz Thunderbird, Nasi, Luiza Lian, Teago do Maglore, Herman da Mel Azul, entre outros. Na segunda, no dia dos namorados, eles partem para um repertório romântico na noite batizada de Valentinos. Na terceira terça, dia 19, eles voltam para a garagem tocando o material dos primeiros EPs da banda. E, finalmente, no dia 26, fazem uma noite chamada Sexteto, incluindo os ex-integrantes da banda, Sal e Sessa. Conversei com os quatro Garotas – Irina Bertolucci, os irmãos Nico e Tomaz Paoliello e Fernando Perdido – sobre o mês que encaraão no Centro da Terra a partir da próxima semana (mais informações aqui).

Irina, Nico, Tomaz e Perdido

Irina, Nico, Tomaz e Perdido

Como vocês bolaram as quatro noites que irão fazer no Centro da Terra?
Irina: A temporada nos colocou o desafio de pensar onde estamos hoje e como chegamos até aqui. Por isso o nome Identidade: foi uma busca tanto pelas nossas raízes quando pelas nossas ramificações sonoras. O que fez o Garotas Suecas chegar em 2018 do jeito que chegamos.
Começamos por homenagear as pessoas que cruzamos pelo caminho ao longo desses 13 anos de shows, desde inferninhos passando por casas históricas de shows, festivais, televisão… Passamos pode esses lugares acompanhados de bandas “irmãs”, ídolos e parceiros. Pra toda essa gente linda que faz a cena da música alternativa brasileira acontecer, bolamos a noite Karaokê na qual nove cantores cantam GS com a gente.
A segunda noite caiu no dia dos namorados, e, românticos que somos, não conseguimos fugir do clima mela-cueca nesse show: os clássicos melados do cancioneiro sueco foram combinados com as serenatas dos nossos ídolos que entraram no nosso repertório em alguma parte do caminho. Valentinos vai ser só love, pra levar o mozão.
A terceira noite vai ser uma diversão total: De volta pra Garagem. O repertório desse show é baseado nos primeiros três anos da banda, quando foram lançados nossos três primeiros EPs. Nessa época circulávamos pelos cafofos de SP, fomos pra NY com a roupa do corpo, dormimos muito no chão… Como ainda estávamos engatinhando, além do repertório autoral da banda, tocávamos alguns covers podrêra dos nossos ídolos garageiros e/ou brasileiros, que também serão tocados! Essa noite é pros nossos fãs de longa data que pedem nossas músicas mais antigas e a gente nunca sabe tocar! Dia 19 vai rolar tudo isso!
A última noite vai ser histórica. Sexteto vai ser isso mesmo que você está pensando. Chamamos nossos amados ex-guitarrista e ex-vocalista, Sessa e Guilherme Sal a compartilharem uma noite cheia de emoção com a gente. O Sessa saiu da banda para terminar a faculdade em NY, em 2011. Hoje toca com Yonatan Gat e também está lançando um disco solo logo mais. O Sal saiu da banda em 2014, pois estava buscando outros caminhos profissionais. Nesse show vamos tocar músicas deles dos nossos dois primeiros LPs, dos EPs, e o que mais a gente quiser.

Como será a primeira noite e quem vocês convidaram para participar?
Irina:
Chamamos várias pessoas com quem dividimos algum tipo de história para escolher uma música nossa pra cantar. Teremos a Betina, cantora paranaense que está com um discão lindo no forno, o Fernando Soares, vocalista da banda 2de1, o Dr Herman, vocalista e tocador de keytar no Mel Azul, nossa banda irmã de selo e de vida, o Thunder quem já demos inúmeras entrevistas e com quem já dividimos palco também! Vai ter também a Luiza Liam, que cantou com a gente como backing vocal no nosso primeiro disco – saudades, Côro das Cabrocha Linda! – antes de seguir sua maravilhosa carreira solo, o Nasi, que gravou uma música nossa para a abertura de seu programa de TV – ah, ele também é do Ira! Não tamo de brincadeira, não, o Rafael Gregório, vocalista da banda Circo Motel, o plural e agitador cultural Rafael Castro, e o maravilhoso e ídolo Teago, da banda Maglore. A gente também vai cantar músicas que tem normalmente outro vocalista principal. E se o público quiser cantar também vai poder! Por que Karaokê sem bagunça não é Karaokê.

Como será a segunda terça-feira?
Tomaz:
A segunda terça-feira coincide com o Dia dos Namorados e para esse dia pensamos um setlist especial para os casais apaixonados e para os solteiros em busca de aventuras, ou para os casais em busca de aventuras e os solteiros apaixonados. Preparamos um repertório só com as músicas mais românticas do Garotas Suecas em arranjos especiais, e mais algumas versões românticas de músicas nacionais e internacionais que tocamos ao longo da nossa carreira. O figurino e o cenário também foram pensados especialmente para o clima de romance.

A terceira terça-feira pode ser uma surpresa para os novos fãs.
Perdido:
Tomara que seja uma boa surpresa! Acho que como passamos por diferentes fases ao longo dos anos, nossa origem pode ser desconhecida para alguns. A idéia é apresentar esse pedaço da nossa identidade, o que nos moldou para o que somos.

E como será a quarta noite?
Nico:
A quarta noite da temporada terá Garotas Suecas em sua formação original. Convidamos Guilherme Saldanha e Sesa para o palco e nos tornaremos por uma noite, um sexteto novamente. Tocaremos músicas do começo da banda e focaremos nas composições que ambos escreveram enquanto eles estiveram na banda. Mas bem provável de termos surpresas ainda nesse repertório.

Visitar diferentes fases da banda teve um efeito terapêutico para a banda?
Perdido:
Acho que somente os shows dirão isso, os ensaios podem dar uma idéia do que será, mas somente na hora “H” que todos os sentimentos afloram, especialmente se estiver sendo terapêutico para a plateia também, essa troca em si, independente da temporada já é uma terapia pra nós.

Alguma noite a mais foi imaginada e ficou de fora?
Tomaz:
Pensamos em diversas ideias de shows, mas algumas seriam muito difíceis de realizar. Por exemplo, tivemos a ideia de fazer um show em que nós tocássemos apenas outros instrumentos diferentes dos nossos de origem. Então eu tocaria ou bateria, ou baixo, ou piano ao longo de todo o show. Mas honestamente, ou ficaria muito ruim ou precisaria de meses para ficar ok. Na verdade era uma ideia péssima mas que entrou na lista inicial… Outro show muito louco seria chamar quatro músicos, cada um para os instrumentos que nós tocamos, que cada um de nós fosse fã, para ensaiar e tocar nossas músicas. E a gente ficaria na platéia. Não conseguimos nem chegar a cogitar os nomes de tão despropositada que foi a ideia.

O fato dos shows serem num teatro muda a dinâmica das apresentações?
Nico:
Muda sim. Em cada palco que tocamos pensamos em uma dinâmica diferente. Seja ele em um festival, inferninho, balada, show ao ar livre etc… Como esses shows serão em um teatro sentado e com um clima mais intimista teremos achar um equilíbrio entre músicas mais agitadas e baladas. Em um show como esse, o público está muito atento aos detalhes sonoros, corporais e cenográficos. A iluminação também é essencial para vestir o espetáculo e colocar todos no mesmo clima para a apresentação.

Rever diferentes fases da banda ajuda vocês a perceberem o próprio amadurecimento? Vocês conversaram sobre isso durante a elaboração da temporada?
Tomaz:
Sim, essa ideia de retomar algumas fases da nossa carreira veio exatamente como uma celebração disso. Há pouco tempo completamos dez anos de banda e não fizemos nenhum show comemorativo porque estávamos num processo de lançamento de disco novo e não faria sentido pra gente naquele momento. A temporada foi uma oportunidade de fazer isso agora, com algum atraso. A diferença entre o nosso material mais antigo e o atual é gritante! As músicas antigas são muito mais precárias, mas tem muita coisa lá que conseguimos perceber que nos acompanha até hoje. E tem, é claro, o frescor e o charme daquele momento. Essa experiência é legal demais para percebermos o que mudou e o que ficou. É muito engraçado durante os ensaios quando não conseguimos tocar ou cantar algumas coisas que fizemos há dez anos, dá uma raivinha do seu eu do passado.

A volta da Banda de Joseph Tourton

Foto: Flora Pimentel

Foto: Flora Pimentel

Um das bandas mais interessantes da safra pós-mangue beat do Recife, o quarteto instrumental A Banda de Joseph Tourton está de volta e lança o novo álbum, batizado apenas com seu nome, nesta quinta-feira, nas plataformas digitais – e antecipa o single “Afroganja” em primeira mão para o Trabalho Sujo.

A grande novidade desta nova encarnação do grupo – um dos integrantes da safra 2012 do Prata da Casa do Sesc Pompeia, quando fui curador – é a inclusão do naipe de metais ao grupo formato por Diogo Guedes (guitarra, teclado e efeitos), Gabriel Izidoro (guitarra, teclado, flauta e escaleta), Pedro Bandeira (bateria e efeitos) e Rafael Gadelha (baixo). Bati um papo com Gabriel sobre esta nova fase da banda. No final, a capa do disco e o nome das músicas:

Por que a banda ficou tanto tempo parada? O que vocês fizeram nesse hiato?
Durante esse período nos dedicamos a outros projetos. Eu me mudei para São Paulo para trabalhar com outros artistas na parte técnica dos shows além de lançar um disco com uma outra banda que faço parte chamada The Raulis, Pedro também veio pra São Paulo e trabalha com audiovisual, Diogo se mudou para o Rio de Janeiro para também trabalhar em shows de vários artistas cuidando da sonorização além produzir gravar, mixar e produzir vários artistas, Laga continuou em Recife para concluir suas atividades acadêmicas e continuou tocando com outras bandas por lá , como a excelente banda instrumental Cosmo Grão. Por conta disso demos uma diminuída no ritmo da banda, fizemos alguns shows esporádicos nesse meio tempo mas nunca paramos de trabalhar. Ao longo dos anos fomos testando gravações, texturas, timbres e gravando as participações. Até acho que essa demora foi positiva para o resultado final do disco.

Como a banda voltou à ativa?
Estamos com esse trabalho pronto a cerca de um ano e meio mas só nesse momento conseguimos juntar as energias pessoais de cada um para lançar pro mundo. Como a Joseph Tourton é algo muito especial para todos nós a gente preferiu esperar o momento em que vamos ter disponibilidade pra dar ​a atenção que a banda merece.

A principal mudança foi a entrada dos metais? Como isto aconteceu?
Fizemos esse disco de uma maneira totalmente independente e tivemos bastante liberdade pra criar sem nenhum prazo ou cobrança. Quando começamos a compor essas músicas novas a gente sempre quis adicionar a linguagem dos metais, seja como tema principal ou como camadas e pra isso convidamos um parceiro de Recife, Parrô Melo, para criar os arranjos. O resultado ficou muito bom e os metais marcaram presença em cinco músicas do disco.

A nova sonoridade tem alguma influência específica?
É difícil dizer ao certo isso. Como foi um trabalho que foi feito por várias pessoas durante um longo período eu acredito que foram muitas influências. O que eu escuto hoje em dia é um pouco diferente do que escutava na época que gravei as minhas partes. Mas acho que podemos citar as mesmas bandas que escutávamos no começo da banda. Tortoise, Jaga Jazzist, Hurtmold, Cidadão Instigado, Rage Agains The Machine e coisas mais atuais como o Kendrick Lamar, Anderson Paak…

A cena instrumental do Brasil mudou muito desde que a JTB apareceu pela primeira vez. Como vocês veem esta mudança e quem são os artistas que vocês mais gostam na atual safra?
Eu gosto muito do som que o Bixiga 70 faz. O show dos caras é foda e eles conseguem rodar o mundo com uma banda gigante, algo muito difícil nos dias de hoje.​

Os shows contam sempre com a presença de metais ou há uma formação mais enxuta?
A formação vai ser a de sempre, nós quatro no palco utilizando os recursos que temos pra reproduzir o disco e também adaptando algumas canções pro show. A gente nunca conseguiu fazer um show com um trio de metais, seria algo bem louco se rolasse. =)​

Quando serão os primeiros shows deste novo álbum?
Ainda não temos nada confirmado. Vamos lançar essa criança pro mundo e tentar encaixar algumas datas das nossas agendas pra fazer esse show novo. Inclusive, gostaria de aproveitar esse espaço pra dizer que quem quiser levar o Joseph Tourton pra tocar é facinho, só mandar um email pra tourton@gmail.com e a gente organiza isso. ​

banda-joseph-tourton-2018

“TCB”
“Agrobloc”
“Afroganja”
“Parque da Jaqueira”
“Jollo”
“Songda”
“Sete”
“Antimofo”
“Joseph Jazz”

The Internet 2018: “Let your heart flow…”

theinternet2018

“Roll (Burbank Funk)” saiu já tem quase um mês, mas só consegui chegar nela neste fim de semana – e ela confirma o grupo The Internet como o artista mais promissor a sair do coletivo Odd Future ao lado de Frank Ocean. Ela conecta-se com o funk da Califórnia dos anos 70 e seu filhote hip hop angeleno dos anos 90, o groove house discreto da Paris da virada do século e o minimalismo de parte do rap atual, repetindo um groove irresistível, candidata a uma das melhores músicas do ano.

E é claro que já tem remix – e de ninguém menos que Kaytranada.

Frank Jorge good vibe

franjorge2018

O bardo gaúcho Frank Jorge faz as pazes com o passado e revê a própria carreira em seu novo álbum, Histórias Excêntricas ou Algum Tipo de Urgência, que chega às plataformas digitais no início de junho mas já pode ser baixado no site do Selo Fonográfico 180, que está lançando o trabalho do músico. Gestado a partir do show de abertura que Frank fez quando Paul McCartney passou por Porto Alegre no ano passado, o novo álbum revisita sonoridades que ele havia deixado em segundo plano – como a Jovem Guarda e a música romântica brasileira -, bem como ecos de outros gêneros que não faziam parte de sua sonoridade, como o lado roqueiro setentista da faixa de abertura “Tirando pra Rei”, que dá pra ouvir abaixo, e vocais de Cazuza, como ele mesmo confessa (em “O Baile Segue Adiante”). Conversei com o Frank sobre o novo álbum e sobre seu envolvimento comum com o saudoso Miranda, grande influência em sua carreira. Ele ainda dissecou o disco faixa a faixa, mais lá embaixo.

Como você começou este novo disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/frank-jorge-2018-como-voce-comecou-este-novo-disco

Histórias Excêntricas é um apanhado de toda sua carreira?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/frank-jorge-2018-historias-excentricas-e-um-apanhado-de-toda-sua-carreira

Você vê a necessidade de lançar álbuns em 2018?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/frank-jorge-2018-voce-ve-a-necessidade-de-lancar-albuns-em-2018

Qual foi a influência da morte do Miranda neste disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/frank-jorge-2018-qual-foi-a-influencia-da-morte-do-miranda-neste-disco

Fale sobre sua experiência com o Miranda.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/frank-jorge-2018-fale-sobre-sua-experiencia-com-o-miranda

Quando foi a última vez que você falou com ele?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/frank-jorge-2018-quando-foi-a-ultima-vez-que-voce-falou-com-ele

Qual é o grande legado do Miranda?
O gaúcho Frank Jorge fala sobre seu novo disco, Histórias Excêntricas ou Algum Tipo de Urgência.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/frank-jorge-2018-qual-e-o-grande-legado-do-miranda

Histórias Excêntricas ou Algum Tipo de Urgência, faixa a faixa

A evolução dos Arctic Monkeys

tranquiltybass

Os fãs chiaram com o novo disco dos Arctic Monkeys, Tranquility Base Hotel & Casino (que pode ser ouvido abaixo), mas vão agradecer a virada que Alex Turner deu em sua banda quando ficarem mais velhos. A leitura rasa é que ele ofuscou o talento dos outros integrantes do grupo, transformando-o a banda em apoio para seu disco solo, levando os Monkeys para o território de seu projeto paralelo The Last Shadow Puppets, mas Tranquility Base é muito mais do que uma versão grupal da fantasia Las Vegas de Turner e Miles Kane. É a evolução natural destes macacos, se eles pretendem seguir como um grupo nos próximos anos.

E não tem nada a ver com amadurecimento, com vida adulta, com deixar a adolescência pra trás… Todo esse movimento já havia sido feito nos discos anteriores da banda, à medida em que Alex Turner se estabelecia como principal vetor criativo do grupo. Também não há uma possível crise de identidade que transformaria o ex-indie inglês em um dândi crooner se autoimolando em público. O que acontece a partir de “Star Treatment”, a faixa de abertura do disco, é um esforço consciente em tornar a própria obra imortal.

Turner faz o disco apoiar-se em duas noções urbanas que ultrapassaram os ares de suas cidades originais: a ficção dramática de Los Angeles e a decadência opulenta de Las Vegas. Mas em vez de afundarem-se nas poltronas do showbusiness, os Arctic Monkeys miram num ideal de futuro do passado. “Aperte um botão e faremos o resto”, cantarola Alex numa faixa batizada de “A primeira cambalhota de frente feita por um caminhão-monstro do mundo”, num disco com músicas com titulos como “Science Fiction”, “The Ultracheese”, “Batphone” e que ecoa o meio dos anos 70 de David Bowie, as incursões blasés de Serge Gainsbourg, a postura esnobe de Jarvis Cocker e um senso irônico de autoimportância dos discos de Leonard Cohen nos anos 80.

Tranquility Base pegou a todos de surpresa ao determinar um ritmo mais lento e introspectivo para hits que, arranjados de outra forma, poderia pedir riffs e refrões berrados – seja à moda frenética dos primeiros discos da banda ou pela influência metal de Josh Homme nos discos mais recentes. Mas vai na contracorrente do século e exige atenção imediata do ouvinte, que pode simplesmente ouvir os primeiros segundos de cada canção, fazer caretas e nunca mais ouvir o disco, ou reclinar-se nesse chaise longue musical que é ao mesmo retrô e futurista, apocalíptico e romântico, glam rock e lounge, existencial e superficial como uma conversa com algum estranho em um decadente bar da moda. Entre falsetes de araque, guitarras decorativas e teclados à espreita, os Arctic Monkeys fizeram um disco tão memorável quanto Favourite Worst Nightmare, Humbug ou AM mas fugindo completamente de possíveis clichês e estereótipos, para mergulhar em outros, alheios, que podem funcionar como uma longa sobrevida para um grupo fadado à repetição ou lápide improvável para uma das bandas mais bem sucedidas deste século.

Aposto na primeira opção – e pode ser que só daqui a alguns anos poderemos reconhecer que Alex Turner salvou sua banda de ter se tornado uma caricatura de uma banda de rock ao, ironicamente, assumir que podem ser a caricatura do que eles quiserem. É o passo mais ousado de todas as bandas de sua geração.