A força do número 23 ecoa durante a edição deste mês das Noites Trabalho Sujo, pois no dia 20 de novembro de 1995, coloquei em prática este experimento ativo chamado Trabalho Sujo, que mutou-se em diferentes formatos até chegar neste evento mensal. Portanto, a edição desta sexta (e não sábado, atentem), celebra os 23 anos deste acontecimento que agora materializa-se de diferentes formas em diferentes locais. E para esta celebração, reunimos a formação clássica das Noites Trabalho Sujo (quando recebo meus irmãos Luiz Pattoli e Danilo Cabral) no auditório azul da sede da Trackers no centro, enquanto o auditório preto fica a cargo de William Mexicano, que responde pelos Roots Rock Revolution. Lembrando que só entra na festa quem mandar o nome para o email noitestrabalhosujo@gmail.com até às 22h. Venha celebrar este dia mágico!
Noites Trabalho Sujo @ Trackers
23 anos de Trabalho Sujo!
Sexta-feira, 16 de novembro de 2018
A partir das 23h45
No som: Alexandre Matias, Danilo Cabral e Luiz Pattoli (Noites Trabalho Sujo) e William Mexicano (Roots Rock Revolution)
Trackers: R. Dom José de Barros, 337, Centro, São Paulo
Entrada: R$ 30, só com nome na lista pelo email noitestrabalhosujo@gmail.com. Aniversariantes da semana não pagam para entrar (avise quando enviar o nome no email, por favor), bem como os 30 primeiros a chegar na festa.
“Free Yourself”, novo single da dupla eletrônica Chemical Brothers, ganha um clipe produzido pela dupla Dom&Nic (os diretores Nic Goffey e Dominic Hawley, com quem já trabalharam nos vídeos de “Setting Sun”, “Block Rockin’ Beats”, “Hey Boy Hey Girl”, “Believe”, “The Salmon Dance”, “Midnight Madness” e “Wide Open”) em que colocam a inteligência artificial para dançar – sem perder o fascínio e o temor que os robôs exercem sobre a gente.
Neste sábado temos a quinta sessão do Cine Doppelgänger, que faço junto com a Joyce Pais do Cinemascope, na Casa Guilherme de Almeida: uma sessão dupla de cinema de graça seguida de um debate sobre os pontos em comum entre os dois filmes. Desta vez reunimos os filmes 8 ½ (1963), de Fellini, e Adaptação (2002), de Spike Jonze, que lidam com o tema da autoria em xeque. O primeiro filme, 8 ½, começa às 11h em ponto e o segundo, Adaptação, às 14h, para que o debate comece perto das 16h30. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site da Casa Guilherme (e tem mais informações sobre a sessão aqui). Vamos lá?
O vocalista do Radiohead, Thom Yorke, está fazendo a divulgação de seu novo álbum, a trilha sonora para o remake do filme de terror Suspiria, e com isso tem dado entrevistas e participado de programas de rádio, como este Late Junction da BBC 3, que convidou Thom para fazer uma mixtape específica para o programa. O mix, que pode ser ouvido no site da BBC, abre com “Burn the Witch”, a primeira faixa do disco mais recente do Radiohead, e inclui nomes como Aphex Twin, Faust, o percussionista do King Crimson Jamie Muir, o cravista francês Justin Taylor tocando György Ligeti e obras de Karlheinz Stockhausen e Pierre Henry, além de uma música da recém-lançada trilha sonora de Yorke. Ele já havia participado de outro programa da BBC, quando deu uma entrevista, tocou músicas e fez outra mixtape, essa inspirada em Suspiria, mais atmosférica, com peças de Steve Reich, Ryuichi Sakamoto, James Blake, Lightnin’ Hopkins, Pierre Schaeffer & Pierre Henry e músicas próprias (que pode ser ouvida aqui).
Aproveito a oportunidade para resgatar a coluna On the Run, dedicada a mixtapes, DJ sets e toda sorte de músicas alheias tocadas em sequência.
Na minha coluna Tudo Tanto desta semana, que agora está no site Reverb, um papo com o Luiz Gabriel Lopes, um dos criadores da Mostra Cantatoures, que acontece há sete anos em Belo Horizonte e repensa a música brasileira a partir de um aspecto específico – a formação solitária no palco. A coluna pode ser lida no site aqui.
Um dos principais nomes da música britânica do século passado, Nick Drake é daqueles artistas que fez pouco, mas o pouco que fez foi muito. Lançou três álbuns e uma série de gravações esporádicas numa discografia impecável que reúne um cancioneiro único no Reino Unido. Tímido e recluso (e com quase dois metros de altura), fazia parte da cena folk inglesa de bandas como Incredible String Band, Fairport Convention e Sandy Denny, da virada dos anos 60 para os 70, e embora não fosse um dos integrantes mais ativos da cena, era seu principal nome. Ainda desconhecido no Brasil, ele é alvo de um tributo organizado pelo produtor Eduardo Lemos e pelo músico Régis Damasceno, guitarrista do Cidadão Instigado e diretor musical do show Lua Rosa, que acontece no Sesc 24 de Maio nos dias 14 e 15 de novembro e reúne, além de Regis, nomes como Filipe Catto, Stela Campos, Ceumar e Gui Amabis (mais informações aqui). Bati um papo com os dois, que também anteciparam em primeira mão para o Trabalho Sujo a versão que Filipe Catto e Regis Damasceno fizeram para “Clothes of Sand”, uma das músicas mais conhecidas dele por aqui, que foi gravada no primeiro disco solo de Renato Russo, The Stonewall Celebration Concert.
Como surgiu a ideia de homenagear Nick Drake? Como você conheceu o trabalho do autor? Eduardo Lemos: Conheci Nick Drake em 2008, quando assisti Garden State. Uma de suas mais bonitas canções, “One of These Things First”, faz parte da trilha sonora do filme. Nas semanas seguintes, fiquei obcecado por sua obra: escutava o tempo todo seus três discos lançados em vida, pesquisava sobre sua vida em fóruns na internet, procurava amigos músicos e jornalistas pra saber se alguém o conhecia. A resposta era sempre ‘não’. Me formei jornalista, comecei a trabalhar na área e descobrir que um ou outro músico era também obcecado pelo cara. Meu interesse por ele só ia aumentando. Visitei duas vezes sua cidade, Tanworth In Arden, um vilarejo perdido no meio da Inglaterra, a uma hora de Birmingham, li biografias, revistas, fanzines e, mais importante, continuei escutando suas músicas e tendo a mesma sensação mágica das primeiras vezes. Há uns dois anos, me dei conta que em 2018 ele faria 70 anos. Achei que a data redonda pudesse ser um gancho pra tirar um antigo sonho da cabeça: fazer um show de músicos brasileiros em homenagem a Nick Drake.
Fale sobre sua aproximação com Regis Damasceno para dirigir a parte musical do show. Eduardo Lemos: O diretor musical é Regis Damasceno. Mas eu não o conhecia até então. E há uma história curiosa em torno disso. Um dos amigos músicos que compartilham comigo o fascínio pelo Nick Drake é Meno del Picchia, um dos mais talentosos músicos da cena contemporânea. Em janeiro deste ano, convidei-o para pensar comigo o espetáculo. Ele adorou a ideia, tentamos começar o projeto diversas vezes, mas a coisa sempre travava em algum lugar, ou na agenda dele, ou na minha. Decidimos que era melhor que eu buscasse outro nome. Por coincidência, dias depois fui para a Inglaterra e novamente visitei Tanworth in Arden. O seu túmulo fica no jardim de uma igreja milenar, solitário embaixo de uma grande árvore de carvalho. Me aproximei, falei algumas coisas, rezei e chorei. Quando eu já havia dado alguns passos para ir embora, resolvi voltar e fazer um pedido: se ele, Nick, achasse legal a ideia de um projeto em sua homenagem, que me enviasse um sinal. horas depois, já de volta a Londres, recebo uma mensagem do Meno dizendo: “tenho a pessoa perfeita pro show do Nick: Regis Damasceno”. Dali em diante, Regis tocou a parte musical e eu fui cuidar do resto: conceito, produção, comunicação etc.
Como aconteceu a escolha dos intérpretes? Regis Damasceno: A escolha dos intérpretes não foi uma tarefa muito fácil. A gente pesquisou bastante pra encontrar, dentro do universo de intérpretes que a gente conhece, artistas que fossem fãs do trabalho do Nick Drake. Algumas escolhas foram simples, outras foram surpresas pra nós. Por exemplo, eu não imaginava que a Ceumar fosse fã do Nick Drake, foi uma boa surpresa pra nós. O Gui Amabis eu já conhecia, toco com ele e, inclusive, a gente tocava uma música do Nick Drake nos shows dele (“Day is Done”). A Stela é uma fã de longa data do Drake. E o Filipe Catto, um cantor pop, atual, que tem afinidade com a obra dele. E foi legal descobrir outros nomes de fora de São Paulo que também curtem o Nick Drake, e que podem estar com a gente se conseguirmos levar o show para o Rio de Janeiro ou Belo Horizonte, por exemplo.
E o repertório, ele privilegia alguma fase, alguma estética ou é uma introdução ao trabalho de Drake? Regis Damasceno: O repertório privilegia músicas dos três álbuns e duas que não estão em disco – foram singles lançados posteriormente à sua morte ou sobras de estúdio. A gente fez um recorte estético, algo que pudesse representar a obra dele. Há músicas que serão abordadas só no arranjo de violão, como é característico dele, e outras que serão recheadas com cordas, como cello, rabeca, contrabaixo. E muitas, que no original são calcadas apenas no violão, foram arranjadas para a linguagem de banda.
O que você descobriu sobre Nick Drake que não sabia durante esta pesquisa? Eduardo Lemos: Muita coisa. Drake era um ótimo atleta quando adolescente. Mais velho, numa viagem ao Marrocos, encontrou com – e tocou algumas canções para – ninguém menos que Mick Jagger e Keith Richards. E escutava Astrud Gilberto na faculdade. Há dezenas de histórias saborosas, mas acho que a maior descoberta está a ser feita. Desde o começo deste projeto, eu tentei que ele não fosse apenas um show ou um evento de oportunidade, algo que acende e depois apaga. Me determinei a criá-lo como um projeto contínuo, de longa duração, para que tivéssemos tempo de explorar os muitos assuntos que Drake propõe. Essa é, portanto, a maior descoberta de todas: quanto mais se lê, se escuta e se conversa sobre ele, mais ele se revela. Nick Drake não foi devidamente escrutinado pela mídia quando estava vivo – não há nenhum registro seu em movimento, seja entrevistas ou performances ao vivo, há pouquíssimas aspas para jornalistas e ele não deixou nenhum diário. A descoberta de seu universo se dá, portanto, pelo som e pela palavra. É um movimento lento e o projeto pretende seguir esse ritmo. Um exemplo prático vem de sua reconhecida habilidade em criar e usar afinações alternativas de violão. Então, criamos uma aula-espetáculo de afinações de violão típicas de Nick Drake, que Regis vai ministrar no dia 15/11, às 13h, no Sesc 24 de Maio, com entrada gratuita.
Chego na capital mineira neste fim de semana para assistir e participar da sétima edição da Mostra Cantautores. Além dos shows que estão rolando desde o fim de semana passado, o festival também conta com uma série de mesas e rodas de conversa e eu participo de uma delas no sábado, às 15h, sobre os Ramos e Rumos da Produção Contemporânea, ao lado das cantoras Juliana Perdigão e Nath Rodrigues e do jornalista Leonardo Lichote. O papo acontece no Auditório BDMG e tem mais informações lá no site da Mostra.
Eis a íntegra do bate-papo que tive com a Joyce do canal Cinemascope em setembro na terceira sessão do Cine Doppelgänger, quando falamos sobre Corra! e O Bebê de Rosemary em um sábado de graça na Casa Guilherme de Almeida.
A próxima edição do Cine Doppelgänger acontece no dia 17 de novembro e reúne os filmes 8 e 1/2 de Fellini e Adaptação de Spike Jonze sob o tema Autoria em Xeque (mais informações aqui). As inscrições podem ser feitas aqui.