Duas cronistas pop dividem o palco do Centro Cultural São Paulo neste sábado, a partir das 19h: a pernambucana Lulina continua em seu show em construção Onde é Onde, preparando território para seu terceiro álbum, enquanto a paulista Malu Maria segue mostrando seu Diamantes na Pista, uma das boas estreias brasileiras de 2018 (mais informações aqui).
Saskia está vindo. A produtora, cantora e compositora gaúcha está prestes a lançar seu disco de estreia, depois de circular por diferentes palcos do país com sua mistura de rap, trap, música eletrônica, funk, samba e soul. Mas gêneros musicais são redutores para definir sua presença musical, um enigma para dançar, música pop para se digerida mentalmente. Ela lança “Tô Duvidando”, seu clipe de estreia, com a presença de outra figura igualmente sem par na música brasileira, o MC Edgar, em primeira mão no Trabalho Sujo, além de antecipar o título do disco e os nomes das músicas (lá embaixo).
Mandei umas perguntas pra ela explicar o disco e ela preferiu responder tudo num texto só:
“A palavra pq no português tem 4 significados. O pq no começo, o pq no final, o pq no meio e o pq como substantivo, que eu diria estar em cima (shshs). Quando me veio o nome do álbum, eu ouvi na minha cabeça que ‘o nome do álbum é pq’ e ali eu não sabia dizer qual dos pqs ele era, pq pra mim todos faziam sentido com o que eu estava vivendo, com o que eu estava falando no álbum. Agrupar todos os pqs numa sigla, faz com que não só eu admita todas as versões dessa palavra, mas também que eu admita a minha linguagem como não formal, uma vez que foi por me comunicar virtualmente com o mundo que o mundo me convidou a seguir meu sonho, o meu pq.
É meu primeiro álbum, e é um convite do mundo para que eu siga perguntando e respondendo os motivos e consequências de eu fazer o que eu faço da vida. Eu demorei muito tempo pra assumir a minha vocação. Por achar que não merecia, ou que não deveria, eu neguei ser o que sou por muito tempo, tentando me transformar, aos moldes sociais, em algo que fosse palatável. Não teve um momento da minha história em que eu tenha decidido ser artista, é algo que eu sempre fui e sempre exerci sem pretensão de reconhecimento ou mudança. Mas houve um momento em que a demanda aumentou. Mais convites chegavam, na musica, no teatro, na arte em geral. Queriam que eu estivesse presente, queriam me levar, queriam me ver, queriam me ouvir.
Comecei a circular o país com meus beats estranhos, minhas letras indiretas, sempre achando que eu estava preenchendo alguma cota independente, alternativa, feminista ou racial. Muito eu vi nesses últimos três anos em que eu estava sendo convidada a participar da cena musical. Eu não decidi me colocar, não treinei a me portar nem esperava ter chegado aonde eu cheguei. Foi algo que aconteceu. E tudo que aconteceu comigo tanto explica quem eu sou, quanto me indaga quem eu quero ser.
Pq eu sou quem eu sou? Pq sim. Pq eu não sou quem eu achava que deveria ser? Pq não. Pq o mundo é como ele é? Não sei pq. Pq o mundo não é como eu achava que ele deveria ser? Sera que eu sei pq? O pq esta em tudo que eu faço e persegue a alma humana desde que ela existe. O Pq veio pra ser o meu ponto de partida, onde o tempo se virgulou pra achar os pontos finais, misturar com as reticências e interrogar a a minha arte até que o tempo não saiba mais prosodiar.”
O produtor e compositor norte-americano George Lewis Jr., que amamos e conhecemos por Twin Shadow, desculpa-se por não entregar o álbum que havia prometido para o final de agosto ao lançar o belo single “Crushed”.
Ele não precisou a data do próximo lançamento mas o novo single cogita rumos etéreos para seu trabalho, embora com os pés firmes no soul eletrônico.
Participei esta semana do podcast São Paulo: Capital da Cultura, feito pela Secretaria de Cultura, com apresentação do Leo Madeira. Os outros convidados da edição foram o Thiago Pethit e a Claudia Assef e conversamos sobre música independente.
Lana Del Rey lança seu quinto álbum, Norman Fucking Rockwell!, nesta sexta-feira e já é um de seus melhores discos.
Ela aproveitou para lançar mais um clipe, desta vez para a versão que fez para “Doin’ Time”, do Sublime, em que ela surge como uma mulher gigantesca.
E nem bem ela lançou o novo álbum e ela já está falando sobre outro disco que ela quer lançar até o ano que vem. “Chama-se White Hot Forever. Acho que provavelmente será um lançamento surpresa dentro dos próximos 12 ou 13 meses”, contou ao Times inglês.
Exatos dez anos depois de seu lançamento no YouTube, o diretor André Peniche resgata o clipe que fez para “Modern Kid”, do saudoso Júpiter Maçã, que originalmente era em preto e branco, numa surpreendente versão colorida.
A cantora e compositora paulistana apresenta seu segundo álbum, Estamos Aqui, de graça no Centro Cultural São Paulo nessa sexta-feira, às 19h, com participações de Marcelle, Lio (do grupo Tuyo), além de mais uma surpresa (mais informações aqui).
O encontro da cantora e compositora paraense Luê com o produtor Mateo Piracés-Ugarte, da banda Francisco El Hombre, está começando a causar mudanças em sua carreira. Jogando o foco de suas composições para uma atmosfera jamaicana, ela começa a lançar uma série de singles para experimentar formatos e sonoridades a partir desta sexta-feira (dá pra deixar pré-salvo nas plataformas digitais neste link), quando mostra o primeiro destes frutos, o single “Virou o Zoínho (Viciei)”, que ela antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo.
“O single surgiu depois que a gente ouviu uma música do Wesley Safadão chamada ‘Só pra castigar’, onde ele dá a entender que virar os olhos é o momento do gozo”, lembra a cantora, sobre o começo de seu trabalho com Mateo, “rimos disso e começamos a fazer a nossa versão, que era só uma brincadeira, mas virou música mesmo.” A faixa ainda conta com a participação da cantora Luísa Nascim, vocalista do grupo potiguar Luisa e os Alquimistas: “Ela chegou com um poema lindo em espanhol, sobre corpos em conexão e aquela coisa toda, que ela tinha feito há séculos e não tinha onde usar, encaixou certinho!”
Assim, Luê começou a explorar um novo território temático. “Eu nunca tinha falado disso em música e tem sido bem interessante pra mim esse processo, porque enquanto a música ia nascendo, algumas fichas foram caindo, não só pra mim, mas também pro Mateo e Luisa, sobre a relação com o prazer, nossa relação com o nosso corpo e como nos relacionamos com outro corpo. Falando por mim, eu achava que era sexualmente super livre e coisa e tal, mas percebi que tava condicionada a um sexo raso, onde o prazer do homem é o objetivo, onde a maioria dos caras não sabem o que fazer com o corpo da mulher e são preguiçosos. Nem eu conhecia meu corpo e morria de vergonha de me expressar e hoje pra mim um orgasmo é uma revolução pessoal que me enche de poder.”
“Pessoas são sexuais, acho que é da nossa natureza, mas quando a gente fala de prazer mesmo, para as mulheres o buraco é mais em baixo”, ela continua, “50% das mulheres que têm relações sexuais heterossexuais não chegam ao orgasmo. Às vezes nunca na vida. Não é do interesse do plano de dominação patriarcal que a gente goze, porque uma mulher que goza e compreende seu corpo – e está em paz com ele – é extremamente poderosa. Acho que falar sobre isso é importante pra que uma sirva de espelho para a outra. E que homens também consigam se libertar de seus padrões cansativos que ninguém aguenta mais né?”
Ela também comenta sobre a nova fase. “A ideia é continuar lançando singles e tanto nesse novo quanto nos próximos sou eu dando a cara a tapa e experimentando em outras sonoridades. Cada single um passinho além, gosto dessa inquietação.”
Com o single de “Last Bloom”, Sam Shepherd retoma a expansão eletrônica do ótimo Elaenia, de 2015 (que havia tomado outro rumo no disco que lançou dois anos depois, Reflections – Mojave Desert), e anuncia o novo álbum de seu projeto Floating Points para outubro.
Crush (capa e ordem das músicas abaixo) já está em pré-venda e também incluirá a faixa “LesAlpx”, que ele lançou em junho sem dar maiores satisfações.
“Falaise”
“Last Bloom”
“Anasickmodular”
“Requiem for CS70 and Strings”
“Karakul”
“LesAlpx”
“Bias”
“Environments”
“Birth”
“Sea-Watch”
“Apoptose Pt1”
“Apoptose Pt2”
O cantor e compositor Teago Oliveira, líder da banda baiana Maglore, prepara o lançamento de seu primeiro disco solo, chamado Boa Sorte (capa e ordem das músicas lá embaixo), quando começa a explorar novas sonoridades para além do formato reto e direto de seu conjunto – que continua firme e forte. Teago inaugura a nova fase de sua carreira lançando o single “Corações em Fúria (Meu Querido Belchior)” em primeira mão no Trabalho Sujo, antes de chegar às plataformas digitais nesta sexta-feira (o single pode ser pré-salvo aqui).
A referência explícita no título ao falecido cantor e compositor cearense ajuda a entender os caminhos que Teago procura neste novo passo: o foco maior na canção, no aspecto cronista de sua composição e em temas mais sérios que os das canções de sua banda original. O disco inteiro será lançado no dia 17 do mês que vem e já tem shows marcados para Salvador e São Paulo. Bati um papo com Teago sobre o disco, o single e os rumos para onde levará sua nova carreira.
“Bora”
“Oh, Meu Bem”
“Longe da Bahia”
“Azul, Amarelo”
“Superstição”
“Sombras no Verão”
“Corações em Fúria (Meu Querido Belchior)”
“Tudo Pode Ser”
“Movimento das Horas”
“Metafísica”
“Últimas Notícias”