E a última atração da minha curadoria de música no Centro Cultural São Paulo é o show que Liniker & Os Caramelows fazem nesta quinta, às 21h, na Sala Adoniran Barbosa (mais informações aqui).
Fui convidado para participar de um papo sobre a vinda da Patti Smith para o Brasil dentro do podcast Rádio Companhia, da editora Companhia das Letras, que publica os livros da cantora e compositora norte-americana, que ainda contou com a apresentação de Mariana Figueiredo, mediação de Diana Passy e a participação de Camila von Holdefer, tradutora do livro O Ano do Macaco e Max Santos, responsável pelos eventos da editora. O programa ainda conta com a íntegra, em inglês, do papo que Patti Smith participou no Sesc Pompéia.
Que prazer receber mais uma vez Tatá Aeroplano no palco do Centro da Terra, o primeiro pioneiro a desbravar o sonho coletivo Segundamente: uma temporada mensal com quatro shows diferentes de um mesmo artista, que inaugurou minha curadoria de música no nosso querido teatrinho das profundezas do Sumaré em março de 2017. O cantor e compositor paulista volta quase três anos depois trazendo o espetáculo Um Bride à Mãe da Lua, nesta terça, dia 26 de novembro (mais informações aqui), em que apresenta composições tão recentes que nem puderam entrar no disco que ele acaba de gravar e que será lançado só no ano que vem. Conversei com ele sobre o perrengue que inspirou esta apresentação e sobre sua volta ao teatro, onde tocará sozinho apenas com seu violão.
O músico catarinense exilado na Itália Ricardo Seola acaba de lançar seu primeiro álbum, Santa Monica, disco instrumental tocado apenas ao violão, e pediu para que eu escrevesse um texto de apresentação para este trabalho, um mergulho nostálgico numa Floripa sentimental.
“A calma melancólica de uma ilha como Florianópolis”, assim o multiinstrumentista e compositor catarinense radicado na Itália Ricardo Seola resume seu disco Santa Monica, que lança nas plataformas digitais. Músico e designer, ele mora em Milão há três anos e criou este projeto como uma forma de voltar à atmosfera bucólica de Florianópolis, cidade que adotou como sua à medida em que desenvolvia sua carreira musical. “Cada nota foi pensada e executada pra que o ouvinte se transportasse comigo pra uma lugar que, na nossa cabeça, seja como essa ilha. A melancolia talvez more no fato de que talvez essa ilha nem exista mais, mas na nossa imaginação ela é perfeita. É como Isidora, cidade invisível do Calvino”, conclui.
São canções instrumentais que abrem janelas mentais que ecoam outros paraísos acústicos, como o Rio de Janeiro da bossa nova, a Bahia de Dorival Caymmi e João Gilberto, a Inglaterra outonal de Nick Drake ou as incursões folk do Radiohead. Oito canções que evocam tanto a atmosfera viva e natural de uma cidade praiana quanto o clima melancólico e introspectivo de uma região fria do Brasil. Ao misturar estes dois polos aparentemente distintos, Ricardo Seola encontra um equilíbrio que traduz-se musicalmente em pequenas odes a uma paisagem musical utópica.
Com passagens por pequenas bandas catarinenses, Seola nasceu em Florianópolis mas começou sua carreira musical há quase 25 anos, no interior de Santa Catarina, em Rio do Sul, com uma banda chamada Insaney, cujo grande trunfo foi ter sido resenhada pela revista Rock Brigade. Ao mudar-se para Florianópolis, criou a banda Z?, que, como diz, “teve um discreto sucesso”, citando o prêmio de Melhor Videoclipe Independente no festival Gramado Cinevídeo, para a música “Deixa o Tempo”, em 2007, que fez o clipe tocar em canais como MTV e Multishow e a música ser incluída na programação de algumas rádios no Brasil.
“O formato solo foi quase uma necessidade”, ele explica a nova formação. “Quando saí do Brasil na primeira vez, em 2008, fiquei sem banda. Eu toco violão, guitarra e piano, mas como componho pra cinema, acabo ‘tocando’ virtualmente todos os outros instrumentos de orquestra. Isso me dá uma boa noção de como são executados, embora não saiba tocá-los. Aprender a compor virtualmente, orquestrar e me expressar apenas com um instrumento foi uma consequência. O fato de ser violão é uma vontade de não depender tanto de máquina, eletricidade e software. Gosto muito de tudo isso e acho incrível tirar uma trilha sonora completa de um notebook, mas quando chego em casa e sento no sofá, preciso de algo que produza som em si só.”
Entre as influências e inspirações, ele cita nomes da música brasileira e internacional de diferentes áreas e épocas que encontram-se justamente nas composições acústicas para o instrumento escolhido como protagonista, como Caetano Veloso, Villa Lobos, Luiz Bonfá, Yamandú Costa, Kurt Cobain, Marcelo Camelo, Jonny Greenwood e Ed O’Brien (estes últimos guitarristas do grupo Radiohead)
Atualmente está em sua segunda temporada em Milão. A primeira aconteceu entre 2008 e 2011, quando foi estudar design e acabou criando um laço sentimental com a cidade italiana, onde ganhou um iF Award como designer e outros como músico e fotógrafo. Voltou para o Brasil, mas retornou ao velho continente em 2016, onde reside atualmente, na mesma cidade que o acolheu. “Santa Monica é um disco que começou assim que cheguei em Milão em 2016. Era uma forma de me colocar mentalmente de novo na atmosfera que me proporcionava Florianópolis. Fiz questão, inclusive, de gravar o disco na ilha pra que essa essência estivesse presente”, lembra.
O disco ainda não existe como show, algo que Seola planeja para o ano que vem, trazendo também outras composições para o piano e talvez peças eletrônicas e experimentais. Mas, para ele, conclui um período artístico. “Gravando o disco me sinto livre pra planejar outros projetos. No momento tenho como prioridades compor um álbum pra quarteto de cordas e paralelamente um projeto ao vivo experimental com eletrônica e synths. Em algum momento, quando tudo isso fizer sentido junto, tudo acaba virando um só trabalho, que pode ser mostrado ao mesmo tempo de forma homogênea.”
Nos 24 anos do Trabalho Sujo, reativo as Noites Trabalho Sujo na nova Trackers, que agora fica em Pinheiros, neste sábado, dia 23 de novembro. No som, a mesma miscelânea de música pop de todas as épocas ao lado dos compadres Danilo Cabral e Luiz Pattoli, misturando música eletrônica e hip hop, música brasileira e soul music, rock clássico e dance music, funk e indie rock. E se você quiser ir de graça nessa comemoração, basta enviar seu nome e o de seus convidados para o email noitestrabalhosujo@gmail.com até a sexta pela manhã que no sábado logo cedo anunciamos quem vai festejar sem pagar para entrar. Vamos lá?
Noites Trabalho Sujo @ Trackers Pinheiros
24 anos do Trabalho Sujo!
Sábado, 23 de novembro de 2019
A partir das 23h45
No som: Alexandre Matias, Danilo Cabral e Luiz Pattoli
Trackers Pinheiros. Rua dos Pinheiros, 1234.
R$ 20,00
Entrada: R$ 20, só com nome na lista pelo email noitestrabalhosujo@gmail.com. Aniversariantes da semana não pagam para entrar (avise quando enviar o nome no email, por favor)
Que prazer receber as queridas Crime Caqui em mais uma Sexta Trabalho Sujo no Estúdio Bixiga, nesta sexta-feira, dia 22, às 21h, entrelaçando acordes elétricos com doces melodias (mais informações aqui).
Pipo Pegoraro está mudando de ares. Depois de seu terceiro disco solo, Mergulhar Mergulhei, o guitarrista saiu do grupo Aláfia e começou a enveredar mais a sério pela música instrumental: “Acredito que minha música sempre dialogou com a música instrumental, pois sempre procurei conceber os arranjos das bases – falando de canção – de um modo a contemplar as ligas sonoras que podem agregar desdobramentos para sopros, cordas, sessões ritmas, polifonias, etc.”, ele me explica, antecipando o segundo álbum, sem voz, que já tem data de lançamento marcada para o primeiro dia do ano que vem. Antropocósmico foi produzido por ele mesmo ao lado de uma banda composta por Beto Montag no vibrafone, Daniel Pinheiro na bateria, Ricardo Braga nas percussões e Vitor Fão no trombone, além do próprio Pipo na guitarra. “Minha vida mudou bastante desde o meu último álbum e acho que isso faz parte de como penso, faço e escuto música hoje”, explica, citando, como referências musicais os próprios discos que produziu, como os de Xênia França, Filipe Catto e do próprio Aláfia, “eles me ‘acordam’ para vários fluxos musicais e me orientam para a minha própria sonoridade. Sou muito mais ligado em sintetizadores e agregados do que antigamente”, conta – embora sejam perceptíveis influências de jazz funk, hip hop instrumental, trip hop e até chillwave. Ele antecipa o single “Montanha”, penúltima faixa do novo disco, que será lançada nesta sexta-feira nas plataformas digitas, em primeira mão para o Trabalho Sujo.