Depois de apresentar dois singles no ano passado, o guitarrista do Radiohead Ed O’Brien finalmente oficializa seu disco solo ao lançar mais uma canção, “Shangri-la”:
O disco se chamará Earth e será lançado em abril (e já está em pré-venda). O guitarrista inglês, que inspirou-se no tempo que morou no Brasil para compor o álbum, preferiu anunciá-lo apresentando um novo nome, chamando-se apenas de EOB. Ele contou com alguns convidados ilustres para o disco, como o baixisata do Radiohead Colin Greenwood, Laura Marling, Adrian Utley do Portishead, Glenn Kotche do Wilco e David Okumu do grupo The Invisible. No vídeo abaixo, ele fala mais sobre o processo que inspirou o álbum.
Além de “Shangri-la”, a música “Brasil”, que apresentou no fim do ano passado – com seu clipe de ficção científica – também está no disco, cuja capa e ordem das músicas pode ser vista abaixo. Ele tirou a primeira música que mostrou em público, a ambient “Santa Teresa”, da seleção final das músicas.
Tudo muito bonito, mas tudo meio sem gosto, sem alma, não acharam?
“Shangri-La”
“Brasil”
“Deep Days”
“Long Time Coming”
“Mass”
“Banksters”
“Sail On”
“Olympik”
“Cloak of the Night”
Low Season, disco novo do grupo californiano Poolside, vai para o extremo oposto de seu disco mais recente (o ótimo Heat, de 2017) e traz músicas para deitar numa praia vazia sem pressa pra sair – e sem sair de seu preciso rótulo “disco music diurna”.
Dua Lipa – “Don’t Start Now”
Lil Nas X + Billy Ray Cyrus – “Old Town Road”
Georgia – “Work About the Dancefloor”
Chromatics – “Twist The Knife (8 Track Version)”
Sharon Van Etten – “Seventeen”
Def – “Sardas”
Mura Masa + Slowthai – “Deal Wiv It”
Daphni + Paradise – “Sizzling”
Chemical Brothers – “Got To Keep On”
Letrux – “Coisa Banho de Mar (Tin God Final Mix)”
Mark Ronson + Lykke Li- “Late Night Feelings”
Lizzo – “Juice”
Anitta – “Eu Vou Ficar”
Shawn Mendes + Camila Cabello – “Señorita”
N*E*R*D – “Brain”
Massive Attack – “Lately”
Lisa Stansfield + Barry White – “All Around the World”
Quem sabe, sabe, mas não custa lembrar! Neste sábado temos mais uma edição das Noites Trabalho Sujo na Trackers e, pra variar, eu e meus compadres Luiz Pattoli e Danilo Cabral vamos para fazer todo mundo dançar até se acabar. No som, aquela mistura deliciosa de hits de todas as épocas, misturando indie rock e música eletrônica, hip hop e música brasileira, soul music e rock clássico, dance music e funk. Só entra na festa quem mandar o nome pro email noitestrabalhosujo@gmail.com até às 18h do sábado. Vamos lá?
Noites Trabalho Sujo @ Trackers Pinheiros
Sábado, 8 de fevereiro de 2020
A partir das 23h45
No som: Alexandre Matias, Luiz Pattoli e Danilo Cabral
Trackers Pinheiros. Rua dos Pinheiros, 1243.
R$ 20,00
Entrada: R$ 20, só com nome na lista pelo email noitestrabalhosujo@gmail.com. Aniversariantes da semana não pagam para entrar (avise quando enviar o nome no email, por favor)
O mestre haitiano-canadense Kaytranada lança a versão em vídeo para uma das melhores músicas de 2019, “10%”, sua parceria com a irresistível cantora colombiana Kali Uchis.
O jornal Nexo fez uma reportagem sobre a renascença de “Sujeito de Sorte”, de Belchior (que é a base de “Amarelo” de Emicida e está no disco Acorda Amor, na voz da Letrux) e pediu meus comentários, além de falar com o biógrafo do cantor cearense Jotabê Medeiros e com a jornalista Kamille Viola, sobre o assunto – confere lá.
Aproveitando o show desta sexta-feira, pedi para o Paulo Beto, o mentor do Anvil Fx e amigo de Marcelo Dolabela, que será homenageado neste show, para que ele escrevesse sobre a importância do escritor e poeta, que morreu no mês passado:
Sou muito ruim de datas, mas foi ou em 2016 ou no início de 2017, que tive a felicidade de encontrar o Marcelo tomando uma cervejinha num bar em plena Avenida Paulista. Ele me viu e me gritou. Estava acompanhado de sua adorável Regina. Conversamos um pouco, mas foi rápido. Ele me disse que ia passar uns dias e trocamos contato pra nos ver mais e bater um pouco de perna em SP.
Acho q ele já sabia que eu tinha incorporado no meu repertório ao vivo uma versão de “Aqui Aqui” do Divergência Socialista. Eu disse que ele precisava conhecer a Bibiana Graeff, vocalista da minha banda, e uma noite acabou rolando. Ele se encantou bastante com ela, até porque ela já era bastante fã de sua poesia. Nesse período dele aqui, me mandou um email com duas poesias que ele havia escrito num tempo ocioso no hotel. Me enviou a seguinte mensagem:
“Paulo Beto
bom dia
quarta-feira, como estava livre, fiquei em casa.
ouvi várias vezes a demo-tape sua e da Biba.
ela está ótima.
de tanto ouvi-la, rabisquei estes dois esboços de letras.
se servirem, usem.
As lágrimas vermelhas de Olga B. (tanka # 2016A)
A cara desta fera é a usura
a peste desta festa infesta
a cura deste vício é a fúria
A besta saiu da floresta
a procura é o que nos resta
A cara desta fera é a usura
a peste desta festa infesta
a cura deste vício é a fúria
A besta saiu da floresta
a cultura é o que nos resta
A cara desta fera é a usura
a peste desta festa infesta
a cura deste vício é a fúria
A besta saiu da floresta
a loucura é o que nos resta
*
Louise Brooks voltou a sorrir
A máquina de tua maquiagem
o sexo: anexo? Convexo?
a brita que te faz tão bonita
na grata
greta
grita
grota
gruta
quem escuta tua imagem?
quem vê tua luta na paisagem?
quem lê tua bruta mensagem?”
Eu fiquei absolutamente chocado com a qualidade e conteúdo do material. E num email seguinte ele me disse:
“são duas, mas podem virar uma letra só.
o mote é o mesmo.
beleza (Louise Brooks) + verdade (Olga Benário) + realidade (Brasil-Hoje).
como disseram os românticos alemães: ‘a beleza é a única verdade / a verdade é a única beleza’.”
Fora esse texto ele me enviou livros e impressos e me incentivou a experimentar música com seus poemas.
Com grande amor à obra desse poeta fascinante, que com sua atitude/poema/punk fez minha cabeça explodir no único show que vi de sua banda em 1988 no DCE da UFJF de Juiz de Fora, e desde então Divergência se tornou pra mim uma influência fundamental.
Em sua carreira, Dolabela publicou mais de 30 livros. Entre eles, o ABZ do Rock Brasileiro, considerado a principal referência enciclopédica do rock nacional até a década de 2000. Ele ainda é o autor de Radicais e Adeus, América, que chegou a virar filme sob direção de Patricia Moran.
Estudioso, colecionador e influenciador de várias gerações da música underground de Belo Horizonte, Marcelo Dolabela fundou, em 1983, o Divergência Socialista, banda pilar da cena alternativa da capital mineira. A partir dela várias outras nasceram, dividindo os mesmos integrantes e ensaiando no mesmo espaço, como o Sexo Explícito, R Mutt, Ida e os Voltas, O grande Ah!, entre outras, e anos mais tarde o Pato Fu e o Tetine. “A gente meio que orbitava em torno do Marcelo. É mestre de muitos outros, de outras gerações”, publicou Ulhoa em uma rede social.
Em sua carreira como roteirista, assinou o texto do curta-metragem Uakti: Oficina Instrumental, do cineasta Rafael Conde, que faturou os prêmios de melhor filme e melhor montagem no Festival de Gramado de 1987. O artista também é responsável pelos roteiros dos filmes Arnaldo Batista: Maldito Popular Brasileiro e Adeus, América, ambos de Patrícia Moran.
Fará muita falta esse grande Mestre agredador e professor da arte inconformista, vanguardista e provocadora.
Seu conhecimento precisa ser perpetuado e difundido, porque durante décadas lá esteve ele acumulando, observando, ensinando e principalmente pensando muito a respeito do rock, do pop, da arte e da poesia.
Que se mantenha acesa a luz e o fogo de Marcelo Dolabela.
O grupo eletrônico Anvil FX, liderado pelo antológico Paulo Beto, homenageia a vida do ícone do underground mineiro Marcelo Dolabela, que morreu no mês passado, na edição desta semana da Sexta Trabalho Sujo, no Estúdio Bixiga, a partir das 21h (mais informações aqui). Vamos?
Depois de anos trabalhando como produtor eletrônico solitário, o ex-baixista do Defalla, foi aos poucos integrando amigos e conhecidos à execução de suas músicas, culminando com seu disco mais recente, Rocks (2013), quando montou diferentes grupos a partir de vários músicos no estúdio. Desta vez ele resolveu assumir de vez a natureza de banda no processo criativo e anuncia o lançamento de Mundo Novo, um disco em que também divide as canções com o mesmo grupo de músicos, batizado de Flu & Amigos: “O Marcelo Fornazier é meu parceiro musical desde o tempo do Defalla em 1992, nos entendemos bastante musicalmente. O Luciano Ganja entrou no século 21 pra turma e já é honorário. O mais novo é o Cláudio Calcanhoto que apesar de sermos amigos dos anos 80 nunca tinha chamado ele pra turma”, me explica o músico e produtor gaúcho por email, lançando o primeiro single deste disco, a singela e pesada “Porco”, em primeira mão no Trabalho Sujo. “Apesar de muita coisa ter feito sozinho rabiscando nuns brinquedinhos eletrônicos, o resultado final é criação de banda. Por isso resolvi virar banda e não mais artista solo. Eu mostro as bagunças e bagunçamos juntos pra dar um resultado final!”, ele continua.
Ele explica a escolha da música de apresentação do novo disco: “Desde que a gente começou a tocar eu via um grito de porco no riff de guitarra. Daí colocamos de brincadeira e foi ficando. Mas é aquele porco de quadrinhos, tipo o que o Max Sieber desenhou mesmo. Mundo divertido e infantil As crianças são muito espertas e sagazes”, ele explica, se referindo à capa do single, feita pelo filho do amigo Allan Sieber, Max Sieber.
“A sonoridade vai ser bastante variada”, ele prossegue, dizendo que ainda está fechando os arranjos finais. “Mas certo que vai ser mistura de locurinhas eletrônicas com riffs de guitarras, mais alguns rocks e umas de viola. A ideia de mundo novo é a de que tudo pode. Então vamos meter bronca nessa liberdade de criação!” O título do disco veio de uma região perto de Maquiné, no Rio Grande do Sul, onde ele passou um tempo longe da cidade. “O mato nos dá força e nos mostra que somos mais poderosos que a gente imagina”, ele se empolga, “É um olhar mais maluco sobre tudo, sem medos e receios desse momento fascista.”
Ele tem outros amigos em vista para agregar ao grupo inicial. “Além da banda base, por enquanto, chamei o amigo Diego Medina, que foi da banda Video Hits, baita artista. O Gabriel Guedes, do Pata de Elefante e Cumbia Negra, que fez o solo final do próximo single. Ainda conversando com o Paulo Beto pra desenvolver uma parceria que tinha começado com o Miranda e precisa de muitos ajustes”, ele explica, falando que está armando a vinda para São Paulo em um show na Casa do Mancha, em São Paulo. “Ao vivo sempre é bem rock. As firulas eletrônicas se transformam em riffs de guitarras e fica bem pesado!”, conclui.