Com a morte de Aldir Blanc, o Sesc resgatou a íntegra do show que seu maior parceiro, o mineiro João Bosco, fez no fim do mês passado, dia 25 de abril, a partir de sua casa, uma vez que já estávamos em quarentena. Ele aproveita para pedir forças para o velho compadre, já internado por conta do coronavírus, que acabou por levá-lo. João Bosco e seu violão não precisa de muito mais, certo? E ele ainda canta Tincoãs…
Mais uma vítima do coronavírus, Ciro Pessoa era mais que “o nono Titã”, por ter sido um dos primeiros a embarcar na ideia da criação do grupo paulistano, era um poeta urbano e cronista paulistano, que sintetizou sua essência num dos discos-chave do pós-punk brasileiro, Fósforos de Oxford, de seu Cabine C.
Ciro vinha se tratando de um câncer, o que lhe fez ser contagiado pelo covid-19. Triste perda, vai na paz.
Massive Attack – “Be Thankful for What You Got”
Curtis Mayfield – “Gimme Your Love”
Ana Frango Elétrico – “Chocolate”
Tame Impala – “It Might Be Time”
Brian Eno – “St. Elmo’s Fire”
Carole King – “I Feel the Earth Move”
Pink Floyd – “Free Four”
Josyara + Giovani Cidreira – “Molha”
Rocket Juice & The Moon – “Poison”
Gilberto Gil – “Feliz por um Triz”
Arnaldo Baptista – “Hoje de Manhã Eu Acordei”
Silver Jews – “Random Rules”
Daft Punk + Julian Casablanca – “Instant Crush”
Teenage Fanclub – “Verisimilitude”
Tim Maia – “Manhã de Sol Florida, Cheia de Coisas Maravilhosas”
Lulina – “N”
Washed Out – “Eyes Be Closed”
Happy Mondays – “Loose Fit”
Itamar Assumpção – “Beijo na Boca”
João Gilberto – “Estate”
Nill – “Minha Mulher Acha Que Eu Sou o Brad Pitt”
Kanye West – “Love Lockdown”
Gravado no meio do ano passado, o terceiro disco do gaúcho Pedro Pastoriz, Pingue-Pongue com o Abismo, finalmente começa a ver a luz do dia. O disco, produzido por ele, Arthur Decloedt (baixista do Música de Selvagem) e Charles Tixier (que toca com a Luiza Lian), deveria ter sido lançado no mês passado, com shows em São Paulo e Porto Alegre, mas, como a maioria dos discos previstos para este período, foi adiado para um futuro próximo e só agora dá a cara a tapa.
Enquanto isso, Pedro inventou um programa semanal de comédia chamado Comitê, em que começa a explorar os temas do disco, além de abrir uma campanha de financiamento coletivo para bancar a finalização do disco. Venho trabalhando com ele há mais de um ano fazendo a direção artística deste lançamento e penamos para inventar uma nova forma de apresentar o disco, uma vez que não há previsão para o retorno dos shows. Mas Pedro tirou de letra e vem mostrando como o trabalho realmente expande seus horizontes para além da música – de cara, ele é muito engraçado. Se liga:
Com a morte de Aldir Blanc, perdemos um mago que também era uma estrela, um autor que também era um personagem, um ser de carne e osso sobrenatural. A música brasileira fica um tanto muda e nossa cultura um tanto sem palavras, mas, como ele mesmo dizia: “Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente…” Obrigado, seu Aldir.
Sem avisar nada, a HBO lançou apenas um teaser do seriado Lovecraft Country, anunciando-o para agosto. A série junta nomes de peso na produção – nada menos que J.J. Abrams e Jordan Peele – para afundar-se na mitologia do mestre do horror H.P. Lovecraft, cujas histórias giravam em torno do mito Cthulhu, uma divindade maligna que se alimenta de dor e sofrimento humano. A série ganha um apelo extra – principalmente por incluir Peele, mais conhecido pelos atordoantes filmes Corra! e Nós – ao se inspirar no livro de mesmo nome do escritor norte-americano Matt Ruff, que traçava paralelos desconcertantes entre as metáforas de horror do autor e seu declarado racismo.
Pode ser uma jornada perturbadora – e ainda tem Michael K. Williams (o Omar de The Wire) no elenco.
O Gorillaz manda um salve para o saudoso Tony Allen. A banda de desenho animado do vocalista do Blur Damon Albarn – parceiro do baterista nigeriano em dois grupos diferentes (The Good, The Bad and The Queen e Rocket Juice & The Moon) – celebra o mestre nigeriano falecido na semana passada ao lançar a música que a banda fez com o baterista ao lado do rapper inglês Skepta, gravada pouco antes da quarentena londrina começar.
“How Far?” é a quarta música do projeto Song Machine, que o grupo lançou no início do ano: antes dela vieram “Momentary Bliss” com o rapper Slowthai e o duo de rock Slaves, os dois ingleses, “Désolé” com a cantora da Costa do Marfim Fatoumata Diawara e “Aries” com o baixista Peter Hook e a cantora Georgia.
Vem de longe o prazer da dupla mexicana Rodrigo y Gabriela de incorporar clássicos do rock em seu repertório, ressaltando as qualidades instrumentais de sua parceria acústica. E desde o ano passado, Rodrigo Sanchez e Gabriela Quintero passaram a tocar uma versão de tirar o fôlego de “Echoes”, o soberbo épico que domina todo o lado B do fabuloso Meddle, de 1971, lançando-a inclusive como número de encerramento de seu disco mais recente, Mettavolution. A versão abaixo faz parte da playlist Lumbini Sessions, sessões diárias que vêm fazendo em seu estúdio Lumbini, na Cidade do México.
“Saudades de todo mundo junto dançando na rua, né minha filha?”, parece perguntar, entre a nostalgia e a pilha, a série de mixtapes Xepa Sounds que o Thiago França está lançando no seu site. Ele sussurra seu mantra “nunca não é carnaval” um pouco antes de gritar “bora!” e soltar a bateria eletrônica, emendando hits pop sem medo de apelar – meu astral de festa, quem conhece, sabe. Então tome Kid Abelha com Police, “Morena Tropicana” com Claudinho e Buchecha, Spice Girls com Men at Work, Terence Trent D’Arby com “The Final Countdown”, George Michael com “Lilás”, Lulu Santos com “Lindo Lago do Amor”, “Still Lovin’ You” com Rosana – tudo no beat do passinho.