Riachão (1921-2020)
Pilar do samba baiano, o mestre Clementino Rodrigues, conhecido historicamente como Riachão, morreu dormindo na madrugada desta segunda-feira, logo após anunciar que iria lançar um disco com inéditas ainda este ano – vá em paz.
Pilar do samba baiano, o mestre Clementino Rodrigues, conhecido historicamente como Riachão, morreu dormindo na madrugada desta segunda-feira, logo após anunciar que iria lançar um disco com inéditas ainda este ano – vá em paz.
Em mais uma iniciativa para manter as pessoas em casa, o diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho, de Aquarius e Bacurau, disponibilizou online seu primeiro filme, que realizou quando ainda era crítico de cinema. Crítico – Um Filme Sobre Ver e Fazer Filmes, de 2008, fala sobre a dinâmica entre a realização e a crítica cinematográfica, principal atividade de Kleber até então. Ele explica como o filme aconteceu na descrição do vídeo:
“Durante 9 anos, eu gravei entrevistas com cineastas e críticos em festivais e salas de cinema. Usei uma pequena câmera Mini-DV de 1 CCD. Na época, eu era crítico e vi a oportunidade de registrar pessoas que admirava dos dois lados. Emilie Lesclaux foi quem me mostrou que esse material acumulado em caixas era de interesse, foi a própria cinefilia de Emilie que me levou finalmente a esse filme. Acho que com o passar dos anos, Crítico poderá agregar um valor maior, sempre. Me agrada bastante que, bom ou ruim, esse filme é um documento em mutação. Revi a sequência de abertura e já é perfeitamente antiga em apenas 12 anos!”
Greetings to my fans and followers with gratitude for all your support and loyalty across the years.
This is an unreleased song we recorded a while back that you might find interesting.
Stay safe, stay observant and may God be with you.
Bob Dylanhttps://t.co/uJnE4X64Bb— bobdylan.com (@bobdylan) March 27, 2020
“Saudações a meus fãs e seguidores, agradeço a todo o apoio e lealdade em todos estes anos. Esta é uma canção que gravamos há algum tempo e não foi lançada, acho que devem achá-la interessante.
Mantenham-se seguros, mantenham-se alertas e que Deus esteja com vocês.”
Sem poder fazer o que mais gosta – shows – devido à epidemia do coronavírus e pressentindo a nuvem pesada que a praga vem formando no horizonte, Bob Dylan lançou sua canção mais extensa (dezesseis minutos e cinquenta e seis segundos) neste fim de semana, canção que imediatamente coloca-se no panteão de suas músicas mais importantes. Aos 78 anos, ele apresenta “Murder Most Foul”, um épico em que narra o assassinato do presidente norte-americano John Kennedy como epicentro do século passado, quando o país em que nasceu começou a ruir. Citando inúmeras canções e artistas pelo nome, ele recria o assassinato de JFK e suas consequências imediatas ao mesmo tempo em que enumera referências e citações, indo de Woodstock ao free jazz, dos Beatles a Robert Johnson, de Nat King Cole aos Beach Boys, costurando títulos de canções e sobrenomes numa rapsódia tensa e apocalíptica, mas ao mesmo tempo reverente e respeitosa, como uma missa de sétimo dia para o século passado.
Sorte nossa de viver no mesmo tempo que um autor deste porte.
Engrossando o coro para manter todo mundo em casa, o grupo nova-iorquino Sonic Youth começou a abrir seu baú de shows ao vivo e vem desovando discos piratas de apresentações de toda a história da banda em seu Bandcamp, em todos os lugares do mundo: do CBGB’s em Nova York a Moscou, passando por Paris, Berlim, Glasgow e Moscou. O grupo já liberou 15 shows de todas as fases da banda – o mais antigo até agora é de 1983 e o mais novo de 2009. Clássico!
O disco Rádio S.Amb.A., que a Nação Zumbi lançou há vinte anos, foi um marco na história da banda ao mostrar que ela funcionava sem seu líder original, o malungo Chico Science, que morreu num acidente de trânsito em 1997. Entre o susto da morte do jovem mestre, o luto que quase calou a cena do Recife e a mudança definitiva para São Paulo, o grupo pernambucano se reergueu em grande estilo lançando um disco que mantinha as qualidades originais da banda ao mesmo tempo em que buscava novos rumos. O documentário Rádio S.Amb.A.Doc — Uma Viagem ao Centro do Mangue, do qual eu já falei aqui em outra ocasião, foi produzido pela Marafo Records de Eduardo Medina e dirigido por Andre Almeida no ano passado e vai ser disponibilizado online neste sábado, a partir das 19h, por tempo indefinido, como parte de uma das ações para manter as pessoas em casa, por conta da pandemia que assola o país.
Que merda de notícia: Daniel Azulay foi um dos principais nomes da cultura infantil pré-Xuxa no Brasil – e ensinou uma geração inteira (a minha) a desenhar na TV, apresentando seus personagens inesquecíveis no programa A Turma do Lambe-Lambe. Morreu vítima do Coronavírus…
Depois de lançar 2017-2019, um abalo sísmico em forma de disco, no início deste ano com o pseudônimo Against All Logic no início do ano, o produtor americano-chileno Nicolas Jaar lança mais um disco em 2020 – o primeiro disco com seu nome de batismo desde Sirens, um dos melhores discos da década, lançado em 2016. Mas Cenizas – “cinzas”, em espanhol – é um mergulho para dentro em que o produtor deixa toda a expansão rítmica de lado e nos convida para uma viagem erma e distópica, como se antevesse os dramas da atual quarentena ao nos confinar solitários em nossas casas – e nossos corpos. O próprio confinamento foi ponto de partida do disco, este voluntário, quando Jaar se isolou sem álcool, cigarros e café para parir o disco sem outros estímulos a não ser os seus próprios. O resultado é um disco denso e delicado, uma esfinge sem olhos que nos persegue pelo tato, empilhando ralas camadas de um jazz alienígena, estranhamente familiar, compostos por temas ocos e secos, mas fortes e intensos e que conversa com seu primeiro disco desde o título daquele álbum, Space Is Only Noise. Impaciente e incrédulo, é o segundo grande disco que Jaar produz no mesmo ano, exibindo sua maestria em ambos extremos de uma pista de dança futurista e sem esperanças.
Rihanna está a tanto tempo sem dar notícias (seu último disco, o ótimo Anti, é de 2016!), que basta mencionar algumas palavras num single de um amigo para causar alvoroço – foi o que aconteceu quando apareceu no novo single do rapper PartyNextDoor, coautor de “Work”, que a cantora lançou com Drake há quatro anos. Ela é quase discreta ao cantarolar o refrão de uma “Believe It” que não faz a menor diferença, mas mostra que ela já está pensando em voltar aos holofotes.
Tomara.
Ainda enclausurado.
Dua Lipa – “Break My Heart”
Vovô Bebê – “Aluno”
Childish Gambino – “53:49”
Toro y Moi – “I Can Get Love”
BaianaSystem + Manu Chao – “Sulamericano”
Yuksek + Fatnotronic – “Corcovado”
Disclosure – “Tondo”
Four Tet + Ellie Goulding – “Baby”
Gil Scott-Heron + Makaya McCraven – “New York is Killig Me”
Karnak – “Martim Parangolá”
Chico Science & Nação Zumbi – “Um Passeio No Mundo Livre”
Itamar Assumpção – “Sampa Midnight”
Stephen Malkmus – “The Greatest Own in Legal History”
Can – “Soul Desert”
John Cale + Terry Riley – “The Protegé”
De Leve = “Vai Vendo”