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Michael Stipe 2020: “Look where that got us”

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O vocalista do R.E.M., Michael Stipe, aproveitou seu aniversário de sessenta anos completos no último dia 4 para apresentar seu segundo single solo. Depois de “Your Capricious Soul“, “Drive to the Ocean” segue suas preocupações com a tragédia climática (arrecadando fundos das vendas do single em seu site para a ONG Pathway to Paris) e o desloca para um terreno musical novo, embora a canção comece com um ar de Leonard Cohen que ainda conversa com seu trabalho em sua antiga banda, que pendurou as chuteiras há oito anos. Mas a partir de um minuto e meio, ela toma um lindo caminho inesperado, sobrepondo beats eletrônicos, referências à música global e ares ambient.

Não custa lembrar que o vocalista deu uma entrevista a um jornal italiano no meio do ano passado falando já ter umas dezoito músicas prontas, depois de um jejum de cinco anos sem compor ou tocar. Mas não há nenhuma previsão de lançamento.

Noites Trabalho Sujo @ Trackers Pinheiros | 11.1.2020

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Feliz ano novo! Vamos começar bem o ano se acabando de dançar? É a primeira edição das Noites Trabalho Sujo de 2020, que acontece na Trackers, que agora fica em Pinheiros, pertinho do Metrô Fradique Coutinho. No som, você sabe, aquela mistura deliciosa de hits de todas as épocas que faço com meus compadres – desta vez, só Danilo Cabral marca presença, pois Luiz Pattoli está recarregando as baterias. E tome música eletrônica e hip hop, música brasileira e soul music, rock clássico e dance music, funk e indie rock. Vamos lá? Só precisa mandar o nome pro email noitestrabalhosujo@gmail.com porque só entra quem mandar o nome pra lista!

Noites Trabalho Sujo @ Trackers Pinheiros
Sábado, 11 de janeiro de 2020
A partir das 23h45
No som: Alexandre Matias e Danilo Cabral
Trackers Pinheiros. Rua dos Pinheiros, 1243.
R$ 20,00
Entrada: R$ 20, só com nome na lista pelo email noitestrabalhosujo@gmail.com. Aniversariantes da semana não pagam para entrar (avise quando enviar o nome no email, por favor)

Ah, aquele Tame Impala…

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Ao lançar o quarto single (“Lost In Yesterday”, abaixo) do álbum The Slow Rush, que vê à luz do dia em um mês, o Tame Impala finalmente aproxima-se de uma sonoridade mais reconhecível, especialmente com o disco mais recente, Currents.

St. Vincent ♥ Beck

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Embora seu Hyperspace, lançado no ano passado, tenha ficado aquém das expectativas até em comparação a seus outros discos mais introspectivos, o disco inspirou alguns artistas a debruçar sobre o mesmo após seu lançamento. Primeiro foi Dev Hynes, o Blood Orange, quem assumiu a direção do clipe de “Uneventful Days” e agora a mesma faixa é submetida a um remix bem retrô assinado pela cantora e compositora Annie Clark, que conhecemos como St. Vincent – e foi ela quem deu o primeiro passo, como explicou ao escrever sobre sua versão.

“Acho que eu estava ouvindo muito Herbie (Hancock) dos anos 70 e War na época e pensando no quanto de funk eu também tenho por dentro. Eu mandei pro Beck e ele curtiu, mas disse que “deveria ser 3 bpm mais rápido”. E sabe o que? ELE TINHA RAZÃO. Fez toda a diferença no groove.” Realmente, a nova versão traz a faixa justamente para o universo de groove retrô que o próprio Beck acalentava nos anos 70.

Ficou ótimo.

Kiko Dinucci, caçador de caminhos

Foto: Vitória Proença

Foto: Vitória Proença

O violão bate pesado enquanto Kiko Dinucci abre os trabalhos de 2020 anunciando em primeira mão seu segundo disco solo, para o Trabalho Sujo. “Olodé”, primeira faixa que mostra de Rastilho, disco que lança em fevereiro, é uma boa amostra do novo trabalho, extremo distante de seu primeiro disco solo, o punk Cortes Curtos. “Olodé, Odé Lonan, Odé Asiwaju”, canta em iorubá (“Chefe dos caçadores, caçador de caminhos, caçador chefe”. Refeita as pazes com o violão (“não briguei com nenhum instrumento”, ele me corrige), ele o leva de volta ao terreiro sozinho, com poucas participações além de sua voz e suas cordas – como o cativante coro que repete as frases neste primeiro single. “É uma música que compus em homenagem aos orixás caçadores, em especial pra Oxosi, mas que pode ser também pra Logun Edé ou Ogun”, ele me explica. “A canção representa muito bem o clima do disco, agressivo e rítmico. Como se fosse a antítese da imagem mítica do violão macio servindo como cama pra uma canção bonita. No disco o violão é o destaque, está na frente, acima da voz, chega dando rabo-de-arraia, atropelando.”

“Eu senti saudade do violão depois de passar pelo trator guitarrístico que foi o Cortes Curtos”, continua, falando sobre o disco lançado em 2017 que gravou em formato power trio com Marcelo Cabral e Sérgio Machado. “Queria revisitar a minha maneira de tocar, riffs de baixo meio gambri marroquino, ataques de agudo em contraponto. Queria dedicar um disco a esse jeito de tocar. Já tinha exercitado isso no Duo Moviola, no Metá Metá e não queria deixar essa maneira de me expressar lá atrás. O disco foi uma forma de revisitar essa onda também. Esse violão vem muito da minha limitação técnica, eu sonhava em tocar aqueles choros fodões e quebrava a cara, então fui dando o meu jeito. Tenho uma relação afetiva com o violão, foi o meu primeiro instrumento, me acompanhou na infância, na adolescência punk remendado com durex, nas rodas de samba. Me acompanhou nos períodos mais importantes da minha formação.”

Quando eu pergunto sobre uma possível briga com o instrumento, ele explica melhor. “O que acontece é que em um determinado momento eu senti muito a limitação timbrística do violão, um violão é sempre um violão. Então voltei a tocar guitarra pra explorar pedais e outros timbres. Geralmente o violão é um instrumento que ocupa muito espaço na música brasileira, faz baixos, harmonia, ritmo, melodias, carrega a canção nas costas. Tocando guitarra elétrica eu exercitei outros jeitos de ocupar espaço, às vezes com menos notas, com menos responsabilidade que o violão. Teve essa fase do Metá Metá pro MetaL MetaL, do Passo Torto pro Passo Elétrico. Exercitei com a guitarra do Rodrigo Campos uma espécie de teia melódica e rítmica que foi importante para discos como o Encarnado da Juçara Marçal e A Mulher do Fim do Mundo da Elza Soares. Depois do Cortes Curtos eu passei os últimos três anos muito interessado em sintetizadores e samplers. Estou sempre nessa procura, muito até pela minha limitação técnica como músico. Agora voltei pro violão. O que junta todas essas fases é a característica rítmica. O jeito com que eu me aproximo da música é muito baseado na percussão, só que sem tocar instrumento de percussão.”

O repertório do disco é quase todo novo – apenas duas músicas já haviam sido compostas anteriormente. Até que, ao quebrar o pé num acidente de skate no ano passado, ele resolveu tirar o disco da cartola. “Tive que ficar de molho um tempo e pensei: agora eu vou ter que fazer esse disco. Já tinha vontade de fazer, mas precisei, digamos, de um empurrãozinho”, ri. “O disco foi gravado em três dias, no começo de setembro de 2019, por André Magalhães e Bruno Buarque, que o mixaram em mais três dias no começo de novembro. Foi gravado e mixado na fita, cem porcento analógico, na unha, sem edição ou overdub de violão, os takes de violão são de apenas um track, é sempre um violão sozinho tocando”. Além de Kiko, o disco conta com poucas participações especiais: Ava Rocha, Juçara Marçal e Ogi, além do coro formado por Dulce Monteiro, Gracinha Menezes e Maraísa.

As influências são clássicos da música brasileira. “Eu tava a fim daquele som do Sergio Ricardo na trilha do Deus e o Diabo Na Terra Do Sol, do Glauber Rocha, aqueles ecos que também estão no Geraldo Vandré de Requiém Para Matraga que estão no filme Bacurau, do Kleber Mendonça e Juliano Dornelles, e originalmente no filme A Hora e a Vez de Augusto Matraga, do Roberto Santos. Aquele som do disco do Pedro Santos eu gosto muito também. E Eu ficava pensando naqueles ecos dos filmes do Zé do Caixão. O Bruno e o André usaram os delays e reverbs analógicos. Eu ficava mostrando esses sons pros caras.” Ele também cita mestres como Dorival Caymmi, Baden Powell, Rosinha de Valença, João Bosco, Nelson Cavaquinho, Gilberto Gil e Edu Lobo como referências nestas composições. O show de lançamento acontecerá dia 15 de fevereiro, no teatro do Sesc Pompeia. “Ao vivo deve ser bem parecido com o disco, talvez mais rápido e agressivo. O show tem que ser mais que o disco, tem que ter um grauzinho a mais”, conta. “Quero levar a formação do disco para os palcos sempre que possível, quando não der, farei sozinho.”

Os 100 melhores discos dos anos 10

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Estive entre a centena de votantes que Marcelo Costa convidou para resumir a década passada em disco em seu Scream & Yellaqui você confere os 50 discos nacionais mais votados e aqui os 100 internacionais. Meus votos seguem abaixo (a lista com todos os votantes e seus votos está neste link), mas em breve publico minha própria lista aqui no Trabalho Sujo (onde você sabe que eu não faço essa separação entre brasileiros e estrangeiros).

Melhores discos nacionais – 2010 a 2019
1) Elza Soares – A Mulher do Fim do Mundo
2) Juçara Marçal – Encarnado
3) Criolo – Nó na Orelha
4) Serena Assumpção – Ascensão
5) Metá Metá – MM3
6) Ava Rocha – Ava Patrya Yndia Yracema
7) Céu – Tropix
8) Siba – De Baile Solto
9) BaianaSystem – Duas Cidades
10) Cidadão Instigado – Fortaleza

Melhores discos internacionais – 2010 a 2019
1) Beyoncé – Lemonade
2) Chromatics – Kill For Love
3) Frank Ocean – Channel Orange
4) Radiohead – A Moon Shaped Pool
5) The Internet – Hive Mind
6) Daft Punk – Random Access Memories
7) Rihanna – Anti
8) Kendrick Lamar – To Pimp a Butterfly
9) Arctic Monkeys – AM
10) Warpaint – Heads Up

Vida Fodona #616: As 75 melhores músicas de 2019

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Cinco horas de música – e feliz 2020!

Stormzy – “Vossi Bop”
Sophia Chablau + Uma Enorme Perda de Tempo – “Idas e Vindas do Amor”
Lucas Santtana + Duda Beat – “Meu Primeiro Amor”
Shawn Mendes + Camila Cabello – “Señorita”
Dua Lipa – “Don’t Start Now”
Lana Del Rey – “Fuck it I Love You”
Brockhampton – “Sugar”
Thiago Pethit – “Noite Vazia”
Sharon Van Etten – “Seventeen”
Chemical Brothers – “Got To Keep On”
Rakta – “Fim do Mundo”
Emicida + Dona Onete + Jé Santiago + Papilion – “Eminência Parda”
Clairo – “Bags”
O Terno – “Eu Vou”
Taylor Swift – “I Think He Knows”
Nill + Mano Will + Melk – “Jive”
James Blake + Rosalía – “Barefoot In The Park”
Beabadoobee – “I Wish I Was Stephen Malkmus”
Teago Oliveira – “Corações em Fúria (Meu Querido Belchior)”
Luisa e os Alquimistas – “Furtacor”
Yma + Lau – “Sun and Soul”
Wilco – “Before Us”
Saskia + Edgar – “Tô Duvidando”
Rakta – “Flor da Pele”
Mark Ronson + Lykke Li – “Late Night Feelings”
Jonnata Doll e os Garotos Solventes – “Edifício Joelma”
Lana Del Rey -“The Greatest”
Black Alien – “Take Ten”
Caribou – “You and I”
Guaxe – “Desafio do Guaxe”
Haim – “Summer Girl”
Deerhunter – “Timebends”
Lil Nas X + Billy Ray Cyrus – “Old Town Road”
BaianaSystem + Manu Chao – “Sulamericano”
Luedji Luna + Djonga – “Saudação Malungo (Nyack & Plim Remix)”
Chico Bernardes – “Sem Palavras”
Boogarins – “Sombra ou Dúvida”
Emicida + Majur + Pabllo Vittar – “AmarElo”
Weyes Blood – “Movies”
Jards Macalé – “Pacto de Sangue”
Ana Frango Elétrico – “Chocolate”
Tyler the Creator – “Earfquake”
Michael Kiwanuka – “Hero”
BaianaSystem + Antonio Carlos & Jocafi + Edgar + BNegão – “Salve”
Kaytranada + Kali Uchis – “10%”
Bárbara Eugenia – “Perdi”
Nill – “Mulher do Futuro Só Compra Online”
Toro y Moi – “Ordinary Pleasure”
Lulina – “N”
Metronomy – “The Light”
Siba – “Carcará de Gaiola”
Tyler the Creator – “I Think”
O Terno – “Pra Sempre Será”
Mateus Aleluia = “Confiança”
Weyes Blood – “Everyday”
Anderson .Paak + André 3000 – “Come Home”
Angel Olsen – “Lark”
Douglas Germano – “Tempo Velho”
Luiza Brina + César Lacerda – “De Cara”
Sessa – “Dez Total (Filhos de Gandhy)”
Lana Del Rey – “Hope Is A Dangerous Thing For A Woman Like Me To Have-But I Have It”
Juliana Perdigão – “Só o Sol”
Luisa e os Alquimistas + Catarina Dee Jah – “Sol em Câncer”
Jards Macalé – “Limite”
Def – “Alarmes de Incêndio”
Karina Buhr – “Amora”
Céu – “Make Sure Your Head is Above”
Alessandra Leão + Mateus Aleluia – “Ponto para Preto Velho”
Boogarins – “As Chances”
Lizzo – “Juice”
Billie Eilish – “Bad Guy”
Angel Olsen – “All Mirrors”
Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões”
Douglas Germano – “Valhacouto”
Siba + Alessandra Leão + Mestre Anderson Miguel + Renata Rosa – “O Que Não Há”

Sexta Trabalho Sujo: Janeiro de 2020

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E aí, como foram de virada de ano, tudo certo? Espero que esteja tudo bem porque aqui está tudo pronto para começarmos o ano – a partir desta sexta-feira, quando retomamos as Sextas Trabalho Sujo no Estúdio Bixiga, sempre às 21h. O primeiro show do mês, no dia 10, é de um rapper dono de um dos melhores discos do ano passado, o ótimo Lógos, do MC paulista Nill (mais informações aqui). Dia 17 é a vez do trumpetista Guizado trazer seu groove psicodélico instrumental para o palco do Estúdio Bixiga – e ele está falando em trazer participações especiais (mais informações aqui). Dia 24 é a vez do grande Pelico, que traz seu ótimo Quem Me Viu Quem Me Vê para São Paulo logo após passar o fim de ano em Portugal, mostrando este mesmo disco (mais informações aqui). E fechamos o primeiro mês de 2020 dia 31, com as meninas do Florcadáver (mais informações aqui). Vamos lá?