Um imprevisto pessoal com a banda Florcadáver acabou alterando a última sexta de janeiro no Estúdio Bixiga e, em seu lugar, a banda paulistana Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo começa seu 2020 em São Paulo nesta sexta-feira, no Estúdio Bixiga, a partir das 21h (mais informações aqui).
Começamos a temporada 2020 no Centro da Terra com várias novidades: além de novos curadores (Diogo Granato assume a curadoria de dança, às quintas e sextas, enquanto Ananda Guimarães inaugura a curadoria de cinema, trazendo curtas sempre às quartas), seguimos com música nas segundas e terças, trazendo espetáculos e encontros inéditos para o palco do teatro no Sumaré. As segundas-feiras de fevereiro ficam com o produtor Beto Villares, que finalmente está prestes a lançar seu segundo disco, chamado Aqui Deus Andou, apresentando-o em quatro apresentações distintas na temporada Amostras Emocionais – e como a quarta segunda-feira de fevereiro é a de carnaval, ele também invade a primeira quarta de março (mais informações aqui). Nas terças-feiras, três shows inéditos: no dia 4 o guitarrista Zé Antonio Algodoal, dos Pin Ups, encontra-se com Fabio Golfetti, do Violeta de Outono, em um encontro só com os dois instrumentos (mais informações aqui); no dia 11 é a vez de Joana Queiroz, clarinetista do Quartabê, reunir vários convidados no espetáculo Emaranhados, quando chama Joana Queiroz, Filipe Massumi, Loreta Collucci, Claudia Dantas, Natalie Alvim, Bruno Qual e Melina Mulazani para mostrar suas composições servindo de banda de apoio uns para os outros (mais informações aqui) e finalmente, dia 18, a baiana Livia Nery convida Luiza Lian para o espetáculo Beco do Sossego (mais informações aqui). Os espetáculos começam sempre às 20h – e o ano está só começando…
Prestes a lançar seu segundo disco, o grupo Amanticidas escancara sua principal influência, a vanguarda musical que girava ao redor do teatro Lira Paulistana durante os anos 80 e convida uma de suas principais seguidoras desta linhagem, no single que antecipa o novo lançamento. “Paisagem Apagada” é um pequeno e importante aperitivo de Teto, que foi produzido por Fernando Catatau, e está sendo antecipado em primeira mão para o Trabalho Sujo. A faixa também é um comentário sobre o Brasil de 2020 ao cantar que “Foi minha distração, sou eu que sou culpada, agora condenada assistir o desmonte do meu mundo”.
“A gente escolheu a Juçara muito tempo atrás, ela que foi ficar sabendo depois! Quando o Alex (Huszar, baixista e vocalista) chegou com essa canção, voz e violão, lá em 2017, foi imediato e unânime: a gente quer, a gente precisa, ouvir isso na voz dela”, explica o guitarrista e vocalista João Sampaio. “Não sabemos se é a letra, o clima, tudo isso junto: a gente sabia que tinha que ser a Juçara. Aí no ano passado durante as gravações nosso produtor Fernando Catatau – sem palavras, que homem – fez a ponte e o negócio virou realidade. Trabalhar com ela foi um prazer, uma honra e uma aula: é sempre bom quando você é fã de uma pessoa faz tempo e descobre que além do talento ela também é generosa, gente boa e uma baita profissional.”
João continua fazendo a conexão entre a cena que inspirou a criação do grupo, cujo nome saiu de uma música de seu maior ídolo, Itamar Assumpção, e a cena atual. “O legado mais forte talvez seja essa afirmação de que é possível fazer música autoral, original, diferente e interessante nessa cidade esquisita e imensa. Que tem gente pra fazer, gente pra ouvir, que não é fácil mas que vale a pena. Mas é um pouco difícil falar em descendência porque o pessoal da vanguarda original via de regra ainda tá por aí a mil, lançando coisa nova, então as gerações vão se confundindo, trocando. A gente quer mais é entrar nessa confusão”.
E não mediram esforços para se misturar: além da inspiração em Itamar, o grupo já dividiu o palco com alguns dos principais protagonistas daquela cena (Arrigo Barnabé, Banda Isca de Polícia, Ná Ozzetti, Alzira E, Suzana Salles, Orquídeas do Brasil, entre outros) e de se enturmar com artistas que orbitam ao redor deste grupo (como Tulipa Ruiz, Tom Zé, Maurício Pereira), além de ter seu primeiro álbum produzido por Paulo Lepetit. “A inspiração, na verdade, veio um pouco da necessidade”, continua João. “Lá nos idos de 2012 o Alex já tinha juntado a gente pra fazer um som assim meio vanguarda paulista. Tínhamos ensaiado umas poucas vezes, começado a levantar um repertório e conversado sobre as influências – Itamar já era a maior -, mas tudo naquele estágio bem preliminar de banda que quase-existe. Aí uma outra banda que o Sampaio tinha acabou e eles tinham um show marcado pra dali a duas semanas; ele ligou pra todo mundo, a gente escolheu o nome, se matou de ensaiar – algo que logo se tornaria um hábito -, levantou um show e seguiu dali.” Além de João e Alex, a banda ainda conta com Luca Frazão (violão de sete cordas e voz) e Joera Rodrigues (bateria).
O guitarrista lembra dos primeiros contatos que fizeram com os integrantes da vanguarda paulistana: “Teve um marco inicial bem claro nisso tudo que foi um evento em 2015 no qual tocamos antes da Isca de Polícia – a ideia dos produtores era justamente esse encontro de gerações. Aí tiramos um arranjo bem cascudo do Itamar pra impressionar – “Peço Perdão”, do disco Às Próprias Custas S/A – e funcionou: conhecemos o pessoal todo da Isca e o Lepetit falou pra gente que tinha um estúdio e adoraria que a gente gravasse lá. Dito e feito, em 2016 sai nosso primeiro disco com produção dele, que trouxe junto as participações incríveis de Arrigo Barnabé e Tom Zé. Com esse impulso inicial do Lepetit a gente foi indo atrás dos nossos caminhos pra buscar todo mundo daquela geração, querendo aprender: dividimos palco com Suzana Salles e Vange Milliet, com as Orquídeas do Brasil, Alzira E, gravamos no disco do Tom Zé, só alegria. Em 2018 fizemos uma turnê estadual em que cada show teve uma participação diferente desse pessoal, como o Maurício Pereira e a Ná Ozzetti. Estamos sempre nessa busca, que enxergamos um pouco como um longo processo de pesquisa mas também como uma realização pessoal e profissional gigante.”
“O jeito que esse processo de pesquisa se traduz no nosso trabalho é um pouco misterioso pra nós mesmos, continua o guitarrista. “A gente tenta assimilar, se apropriar e depois fazer do nosso jeito, mas o que sai e o que soa fica por conta do ouvinte. Mas claro que existem algumas inspirações mais diretas e conscientes, como estar no nosso processo de arranjo a coisa Itamarística das linhas instrumentais individuais se somando, um negócio meio contraponto até, que sempre nos fascinou e que a gente enxerga muito também nos trabalhos de um pessoal mais recente aqui de SP que admiramos demais, como Metá Metá, Passo Torto, Juçara Marçal…”
Mais uma do disco novo do alter ego mais conhecido do canadense Dan Snaith, “Never Come Back” é o segundo single do álbum Suddenly, que o Caribou materializa no final do mês que vem.
Os últimos anos foram puxados para os dois Beastie Boys sobreviventes. Depois de lançar sua autobiografia em 2018 e transformá-la em um espetáculo dirigido por Spike Jonze, Mike D e Ad-Rock levam sua Beastie Boys Story para um outro nível e anunciam o lançamento da versão em vídeo de sua história. O “documentário ao vivo”, seja lá o que isso signifique, que será exibido primeiro no SXSW, em março, para depois ir para os cinemas (por enquanto apenas nos EUA) e no serviço de streaming da Apple no final de abril. Sente o trailer:
Spike Jonze, que trabalhou com o trio desde o memorável clipe de “Sabotage”, também anunciou há pouco que iria lançar um livro de fotos que fez com o grupo quando trabalharam juntos. O livro já está em pré-venda e tem essa capa maravilhosa abaixo:
Célebre autora de obras intrinsecamente ligadas ao dia a dia do paulistano, como o Masp e o Teatro Oficina, a arquiteta Lina Bo Bardi é homenageada pela Trupe Chá de Boldo no primeiro lançamento do grupo em 2020, o EP Viva Lina. São cinco faixas que festejam a importância da artista paulistana e falam da relação que a arquiteta tem com a própria banda, que escolheu o Trabalho Sujo para lançar o primeiro single, “À Lina”, cujo clipe, gravado no próprio Oficina, você vê em primeira mão abaixo. O disco será lançado no último dia deste mês.
Também bati um papo com alguns dos integrantes da banda, que fará o show de lançamento no teatro do Sesc Pompeia (outra obra da Lina) no próximo dia 8 de fevereiro (mais informações aqui).
O produtor inglês Kieran Hebden, que todos conhecemos e amamos pelo pseudônimo Four Tet, fixou um post-it em suas redes sociais anunciando que terminou seu décimo álbum, batizado de Sixteen Oceans, que deverá ser lançado em março deste ano. Para celebrar a confirmação, ele também mostrou uma das novas faixas, a ótima “Baby”, gravada ao lado da vocalista inglesa Ellie Goulding.
Kieran passou 2019 lançando singles esporádicos e um deles, “Teenage Birdsong” (abaixo), também estará incluso no novo álbum.
Céu aprofunda-se na viagem de Apká, levando seu disco para outras dimensões, no clipe da ótima “Corpocontinente”, que ainda traz Edgar como coadjuvante de uma viagem surrealista.