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Um Baggio solo

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O guitar hero sergipano Julico Andrade prepara-se para lançar seu primeiro disco fora dos Baggios, chamado Ikê Maré, e convidou Curumin pra dividir vocais no groove pesado “Todo Santo Dia”, terceiro single que mostra do disco e a faixa que mais lembra a banda da qual faz parte, em que esmera um solo à altura de sua reputação no instrumento.

Mas o resto do disco vai por uma linha estética bem diferente dos Baggios, mesmo que o compositor seja o mesmo. Ele começou a mostrar o disco no início do mês passado, começando pela triste e acridoce “Nuvens Negras”…

…e depois emendou com a psicodélica e sinuosa “Eu São / Curtis Says”.

Curioso pra ver como este disco soa como um todo, que chega pra gente no fim desse mês.

Vida Fodona #679: Só no 109 BPM

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O mesmo beat o programa inteiro…

Escort – “Cocaine Blues”
Diana Ross – “Upside Down”
Virgins – “Rich Girls”
Jessie Ware – “Read My Lips”
Céu – “Perfume do Invisível”
Mahmundi – “Hit”
Emílio Santiago – “Bananeira”
Ariana Grande – “Thank U, Next”
Daft Punk – “Lose Yourself to Dance”
Radiohead – “Reckoner (Cubicolor Remix”
Chromatics – “Lady”
Commodores – “Brick House”
Pharrell – “Frontin”
Digitaldubs – “Fleetwood Dub”
Pixies – “Gigantic”
Tame Impala – “Breath Deeper”

Billie Eilish dá mais um passo

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2020 tem sido um ano de detalhes para Billie Eilish, mas isso não quer dizer que estes sejam pequenos. Agora é a vez em que ela mostra a versão visual da canção-tema que compôs para o novo filme de James Bond, a bela balada “No Time to Die”, que a reúne com os arranjos orquestrais de Hans Zimmer e a guitarra de Johnny Marr. Billie é a artista mais jovem a compor uma música para a famosa grife cinematográfica, cuja nova versão tem a direção do Cary Joji Fukunaga que fez sua fama na primeira temporada de True Detective. O clipe chega na hora em que a produção anuncia que o próximo filme do agente secreto britânico estreia nos cinemas no mês de novembro.

E a música ficou linda.

Quando Joni Mitchell era uma cantora folk

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Ao preparar o lançamento da caixa Joni Mitchell Archives Vol. 1: The Early Years (1963-1967), que será lançada no fim deste mês, a cantora e compositora canadense faz as pazes com o seu passado ao se reconhecer como uma cantora folk, rótulo que odiava que lhe pregassem desde o início de sua carreira. “Eu não deveria ser tão esnobe contra minhas primeiras músicas”, ela contou em uma declaração em seu site. “Muitas destas músicas eu acabei as perdendo. Elas ficaram pelo caminho. Só existem estas gravações. Por muito tempo eu me rebelava contra o termo: ‘Eu nunca fui uma cantora de folk’. Eu ficava putaça se me rotulassem. Eu não acho que era uma boa descrição para o quem eu era. E aí eu escutei e… era lindo. Me fez perdoar meu início. E eu tive essa revelação… Eu era uma cantora folk!” E depois de revelar a primeira gravação que fez na vida (uma deslumbrante versão para “The House of the Rising Sun” dos Animals), ela agora mostra outra joia da caixa que está vindo aí: a primeira demo que gravou na vida!

“Day After Day” foi registrada para ser enviada a Jac Holzman da gravadora Elektra, muito antes de ele lançar os Doors e os Stooges. Gravada numa sessão no dia 24 de agosto de 1965, a faixa nasceu junto com outras: “What Will You Give Me”, “Let It Be Me”, “The Student Song” e “Like the Lonely Swallow”, todas presentes na caixa e todas mostradas para o público pela primeira vez. A caixa segue em pré-venda.

A metamorfose de Laura Wrona

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“Faz um tempo que tenho vontade de criar dentro de um projeto, sem ser assinando meu nome e sobrenome, o que acaba sendo extremamente pessoal, e pretendo focar nessa construção a partir de agora”, ela explica, quando pergunto quais os próximos passos após o lançamento do novo single, “Se acaso a casa”, que lança nesta sexta-feira e antecipa seu clipe em primeira mão nesta quinta, no Trabalho Sujo. “O single de certa forma representou o fechamento de um ciclo – que sempre é também a abertura de outro”, prossegue. “Por ser algo ainda em gestação, não posso adiantar muito sobre a forma final pois eu mesma não sei… ”

O single canta as indecisões e incertezas de 2020, mas abre a janela para a transformação, que parece ser o próximo passo de sua carreira: “Se acaso a casa cair, a asa pode se abrir”, canta no refrão. A faixa é fruto de uma parceria com o produtor Pipo Pegoraro, que quando estava lançando seu disco Antropocósmico no início do ano, chamou a amiga cantora, que também é fotógrafa, para fazer fotos de divulgação para seu novo trabalho. Laura topou e decidiu receber pelo serviço na forma da produção deste novo single, que, por sua vez, foi feito todo à distância, uma vez que Laura mudou-se para Atibaia, no interior de São Paulo.

“Minha intenção é seguir trabalhando com o Pipo, pois achei que nossa dinâmica criativa funcionou muito bem na produção desse single”, conclui, falando na produção de um EP com músicas antigas que ainda não tinham arranjo e outras novas composições, além de esperar a possibilidade de voltar a fazer shows, pois tinha marcado de ir para Portugal. “Era meu plano para esse ano, interrompido por conta da quarentena, por ter gravado António Variações no disco anterior, fui cultivando esse desejo de apresentar minha versão por lá e assim que possível o farei.”

Como se fosse 2009…

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Lembram dos tempos que um meme na internet melhorava a vida de todo mundo envolvido? Nathan Apodaca estava voltando pra casa, em Idaho Falls, nos Estados Unidos, na sexta-feira passada quando ficou sem gasolina. Pegou seu skate e foi pegar combustível ouvindo música e aproveitou a descida para gravar um vídeo no TikTok, rede social que vinha brincando misturando música com situações do seu cotidiano. Ouvindo “Dreams” do Fleetwood Mac e tomando suco de Cranberry, ele de repente olha para a câmera e se entrega à canção.

Parcos segundos de alto astral viralizaram – e não precisa nem lembrar que é 2020 pra entender porque. O vídeo, que publicou na sua conta 420doggface208, já tem mais de vinte milhões de views, sem contar as inúmeras vezes que foi reproduzido, reeditado e misturado com outras mídias. Até aí, só um viral.

Mas o TMZ conversou com ele e descobriu que ele, que mora em um motorhome sem água corrente, conseguiu arrecadar 10 mil dólares e virou uma celebridade instantânea, ajudando inclusive o Fleetwood Mac voltar a ser ouvido nas plataformas de streaming (a banda twittou que amou – e mesmo que não tivesse gostado, aprenderia a gostar pois a música teve um aumento de audições em quase 90% e outro de vendas digitais de quase 400%).

Que história boa… Alto astral com alto astral se paga!

Bom Saber #022: Vladimir Cunha

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Vladimir Cunha é o melhor narrador que você pode encontrar para o que acontece na principal capital do norte do Brasil. O jornalista e diretor paraense atravessou três décadas acompanhando de perto as transformações culturais de Belém, tanto como agente cultural como registrando tudo que acontecia – das aparelhagens à volta da guitarrada, do tecnobrega à criação de uma cena independente única no país. Além de fissurado por teorias da conspiração e pela cultura da internet, Vlad também é um grande broder e ótimo contador de causos, o que tornou esta a edição mais extensa do Bom Saber até hoje.

O Bom Saber é meu programa semanal de entrevistas que chega primeiro para quem colabora com meu trabalho, como uma das recompensas do Clube Trabalho Sujo. Além do Vlad, já conversei com Bruno Torturra, Dani Arrais, Negro Leo, Janara Lopes, Tatá Aeroplano, GG Albuquerque, Matias Maxx, Ana Frango Elétrico, João Paulo Cuenca, Eduf, Pena Schidmt, Roberta Martinelli, Dodô Azevedo, Larissa Conforto, Ian Black, Fernando Catatau, Pablo Miyazawa, Mancha, André Czarnobai e Alessandra Leão – todas as entrevistas podem ser assistidas aqui no Trabalho Sujo ou lá no meu canal no YouTube.

43 músicas alheias em 35 minutos

deerhoof

Sem avisar ninguém, o grupo indie norte-americano Deerhoof lançou Love-Lore, um impressionante exercício em que enfileiram quarenta e três músicas alheias em trinta e cinco minutos, misturando versos, riffs, melodias, solos, grooves e efeitos sonoros ao superporem pedaços de clássicos do rock, hits new wave, temas de seriado, experimentos de vanguarda, hits pop, trilhas de filmes e obras eruditas, misturando Velvet Underground, Sun Ra, Caetano Veloso, Beach Boys, Baden Powell e Vinícius de Moraes, Police, Gary Numan, John Williams, Parliament, Silver Apples, Ennio Morricone, B-52’s, e muito mais. De tirar o fôlego – a bula com todos os nomes das músicas vem abaixo:

Ornette Coleman – “in All Languages”
J.d. Robb – “Excerpt from Spatial Serenade”
Voivod – “Macrosolutions to Megaproblems”
Earl Kim – “Earthlight”
Stu Phillips – “Knight Rider”
Raymond Scott – “Ohio Bell”
Mauricio Kagel – “Music for Renaissance Instruments”
Eddie Grant – “Electric Avenue”
Gary Numan – “Cars”
Karlheinz Stockhausen – “Kontakte”
The Beach Boys – “Wonderful”
Gerald Fried – “Star Trek: Balance of Terror”
Pauline Oliveros – “All Fours”
Paul Williams – “Rainbow Connection”
James Tenney – “for Ann (rising)”
Silver Apples – “Oscillations”
The Police – “Driven to Tears”
Kraftwerk – “We Are the Robots”
John Williams – “Close Encounters of the Third Kind”
Morton Feldman – “Patterns in a Chromatic Field”
Sun Ra – “They Dwell on Other Planes”
Parliament – “Unfunky Ufo”
Asha Puthli – “Space Talk”
Ennio Morricone – “Ottave Comandamento: Corri Veloce”
Milton Babbitt – “Homily for Snare Drum”
The B52s – “Song for a Future Generation”
Sofia Gubaidulina – “Mechanical Accordion”
Vinicius De Moraes & Baden Powell – “O Astronauta”
Dionne Warwick – “Do You Know the Way to San Jose?”
David Graeber – “of Flying Cars and the Declining Rate of Profit”
Derek Bailey – “Improvisation”
William Hanna & Hoyt Curtin – “The Jetsons”
Anthony Braxton – “C-m=b05”
Gyorgy Kurtag – “Shadows for Contrabass Solo”
Eric Siday – “The Perking Coffee Pot”
Igor Stravinsky – “Variations Aldous Huxley in Memoriam”
Caetano Veloso – “Pulsar”
Luigi Nono – “Uno Espressione”
Krzysztof Penderecki – “Threnody for the Victims of Hiroshima”
John Cage – “Empty Words”
George Brecht – “Drip Music”
The Velvet Underground – “All Tomorrow’s Parties”
Laurie Anderson – “Example #22”

Girl Talk de volta

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O produtor norte-americano Gregg Gillis, mais conhecido como Girl Talk, ressurge depois de anos sem lançar nada com um single ao lado do rapper novato Bas. “Fallin'” é um rap quase clássico, melancólico e bluesy, bem distante dos mashups que o tornaram conhecido.

Mas isso não o impede de faturar com o passado – e ele acaba de colocar seus dois discos mais recentes (All Day, de 2010, e Feed the Animals, de 2008) em pré-venda para o lançamento pela primeira vez em vinil. Queria mesmo era o Night Ripper e o Unstoppable… Será que ele lança?