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Lá vem o Maurício Pereira…

Que beleza começar a terça-feira com notícias do Maurício Pereira, que lança o primeiro aceno de seu nono disco, o single “Casamata de Amoreiras”. Composto em parceria com Rômulo Fróes, produzido por Biel Basile que também está na bateria, ao lado de Fábio Sá no baixo, o filho Chico Bernardes e o compadre Tonho Penhasco nas guitarras e Julia Toledo no piano, o novo single abre os trabalhos para o disco que será lançado no final de julho, terá participações de Tim Bernardes (o outro filho de Maurício) e da Charanga do França e é seu primeiro disco de inéditas desde o excelente Outono no Sudeste (de 2008). Chega mais, Maurício!

Ouça abaixo:  

Clairo falando sozinha sobre processo criativo

Parece que agora vai! Dia desses, Clairo ligou o celular pra falar sozinha – e ao mesmo tempo com os fãs – e contar que finalmente está no completo modo inspiração para seu quarto disco e resolveu compartilhar algumas impressões – deixando de lado fotos cifradas e vídeos curtos com músicas que estão mexendo com ela. É muito bom ouvi-la falar sobre ter medo de arriscar – mesmo sabendo que quer fazer isso -, da importância de registrar e conversar sobre o processo criativo, sobre juntar cacos de criatividade sem rumo para depois reuni-los num mesmo trabalho, sobre subir o próprio patamar para atingir novos rumos e sobre a possibilidade de não gostarem do que ela está fazendo. “Música é incrível”, diz ela no fim de um de seus vídeos, “música é vida!”. Vai, Clairinho, estamos esperando esse disco!

Assista abaixo:  

Camadas e camadas

Entre me levantar da poltrona em que vejo a apresentação até cumprimentar os artistas em seguida (algo que leva entre cinco e dez segundos), ouvi três vezes comentários que usavam a palavra “camadas” – sempre no plural – logo após a terceira noite da temporada Acontecimento que o trio Crizin da Z.O. vem fazendo no Centro da Terra, em que receberam o produtor de Guarulhos MNTH e o conterrâneo carioca Lcuas Pires. Só a configuração de palco já foi radicalmente diferente das noites anteriores, em que seus respectivos convidados (Kiko Dinucci e Deafkids) trouxeram guitarras e incitavam a percussão. Esta última até esteve presente na noite, embora tocada com apenas um atabaque e disparadores mecânicos de beats. Em sua terceira segunda-feira, a temporada Acontecimento mergulhou na eletrônica, distorcendo timbres, letras, sequências e até transmissões de rádio para criar justamente as tais camadas mencionadas em voz alta por vários dos presentes após a noite, criando uma trama ambient de noise que abriu uma outra dimensão na textura sonora do grupo. Hipnose de fim de mundo.

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Haruomi Hosono vem aí

Único remanescente vivo da lendária Yellow Magic Orchestra, o japonês Haruomi Hosono vive dias de glória ao ser reverenciado por uma nova geração de artistas – além de sampleado pelo Vampire Weekend e gravado pelo Mac Demarco e pelo conterrâneo Cornelius, ainda abriu as portas de sua casa para receber tanto Mac quanto o geese Cameron Winter em suas recentes passagens pelo Japão. Pioneiro do rock psicodélico japonês ainda nos anos 60 (com a banda Apryl Fool, criada uma década antes do YMO que fundou ao lado dos saudosos Yukihiro Takahashi e Ryuichi Sakamoto), ele acaba de anunciar o lançamento de Yours Sincerely, seu primeiro álbum desde 2019, agendado para setembro deste ano. Não há maiores informações sobre o disco além do título, capa, data de lançamento e dos nomes das músicas e que ele fará alguns shows para aproveitar o novo álbum, dois deles nos Estados Unidos, quando apresenta-se no Radio City Music Hall de Nova York no dia 16 de setembro e no Greek Theatre de Los Angeles no dia 20, ambas apresentações com abertura de Toro y Moi. Mas ele soltou um post em sua conta no Instagram para comentar o novo trabalho:

Agora tenho 78 anos, mas, desde então, sinto uma crescente curiosidade pela música desconhecida que meu novo eu criará, ao mesmo tempo que acolho a música do meu eu anterior — como se agora carregasse dois mundos musicais dentro de mim…

“Tudo começou com uma pergunta simples: como expressar em inglês as ideias japonesas de omoiyari (思い遣り), jihi (慈悲) ou boseiai (母性愛)? Procurei, mas nenhuma palavra parecia certa. Cada uma se aproximava, mas carregava uma nuance ligeiramente diferente. Talvez a mais próxima fosse ‘compaixão’, que é frequentemente traduzida como ‘omoiyari’ em japonês, mas seu significado original significa ‘sofrer junto’. Tende a carregar um sentimento de simpatia ou pena — algo que parece distinto do sentido japonês de ‘omoiyari’. Em japonês, ‘omoiyari’ também inclui o sentimento de ‘ficar feliz junto’. Nesse sentido, pode até parecer o oposto. A perspectiva, o ângulo emocional — sutil, mas fundamentalmente diferente. Por essa razão, optei por não usar ‘compaixão’. Em vez disso, recorri a uma palavra mais familiar, frequentemente usada para encerrar uma carta: ‘Atenciosamente’”.

O disco já está em pré-venda. Veja abaixo a capa e o nome das músicas:  

Um festival para lembrar os dez anos sem Prince

Responsáveis pelo legado de Prince já começaram a lembrar os dez anos de sua morte com o lançamento do single “With This Tear” e agora acabam de anunciar um festival para festejar a importância do mestre da soul music ao revelar o evento “Celebration of Life” que acontecerá entre os dias 3 e 7 de junho no próprio Paisley Park em que Prince conduzia seu trabalho e em áreas de sua cidade-natal, Minneapolis, nos EUA. Entre os nomes confirmados estão as duas bandas que o acompanharam em diferentes momentos de sua carreira – a Revolution e a New Power Generation -, além de outros favoritos do gênio como a musa Chaka Khan, o implacável Morris Day, entre outros, além de participações de Bootsy Collins, Jimmy Jam e Terry Lewis, que também estarão presentes em mesas de discussões que acontecerão durante o evento. Além dos shows e dos debates, ainda haverá um brunch dominical com festa gospel ao ar livre, uma audição com material inédito que será lançado futuramente, uma mesa que contará os planos de lançamentos do artista nos próximos dez anos, visitas ao estúdio, exibições de filmes e shows do homem e discotecagens. Os ingressos já estão à venda.

Noca da Portela (1932-2026)

Baluarte da Portela, o mineiro Osvaldo Alves Pereira, mais conhecido como Noca da Portela, morreu neste domingo, no Rio de Janeiro. Nascido em Leopoldina, mudou-se para o Rio de Janeiro ainda criança, mas só passou a frequentar a clássica escola de samba azul e branco depois do convite de Paulinho da Viola, em 1967, e dali nunca mais saiu. Autor de sambas-enredos clássicos como “Recordar é Viver” (1985) e “Gosto Que Me Enrosco” (1995), ambos campeões em seus respectivos anos, compôs outros cinco que representaram a escola. Parceiro de Candeia, Martinho da Vila e do próprio Paulinho (e autor do clássico “Virada”, eternizado por Beth Carvalho), ele também teve vida política ativa, sendo primeiro militante do Partido Comunista Brasileiro e depois como secretário de cultura do estado do Rio de Janeiro, em 2006. No anúncio sobre seu falecimento, a Portela decretou três dias de luto.

Uma boa e uma má notícia para os fãs da Oklou

Uma boa e uma má notícia para os fãs brasileiros da francesa Oklou, uma das atrações do C6Fest desse ano. A boa notícia é que ela se encontrará com os fãs para dar autógrafos no próximo sábado num evento cujo local ainda será anunciado e que acontece no dia anterior ao show que fará domingo no festival. A má notícia é que as inscrições para o evento foram tantas que os organizadores já fechou o site em que era possível se cadastrar para o encontro, infelizmente.

Saíram os horários do C6Fest!

Eis os horários das atrações do C6Fest deste ano, que começa na próxima quinta. Quinta e sexta não tem discussão porque os shows de jazz no Auditório Ibirapuera não acontecem simultaneamente a nenhum outro show, ao contrário do que acontece no fim de semana. E pelo que eles divulgaram, alguns shows vão acontecer ao mesmo tempo que outros, mas acho que menos trágico do que poderia acontecer. Especialmente porque este ano haverá um quarto palco além da arena, da tenda e da área dedicada à pista de dança ao incluir dois shows – Mabe Fratti no sábado e Cameron Winter no domingo – no mesmo Auditório em que aconteciam os shows de jazz, o que não aconteceu nas edições anteriores do festival. E estes shows – que terão capacidade menor devido ao tamanho do Auditório – acontecerão no fim do dia e brigarão apenas com as atrações de pista e não com os principais shows do evento. Ainda lamento começar um festival que termina tão tarde às 14h, o que restringirá o público das primeiras atrações, O mais complicado vai ser pra quem quiser ver Robert Plant e Cameron Winter, que vai ter que largar o show do vocalista do Led antes do final pra assistir ao show do jovem mestre do Geese, e quem quiser assistir a Oklou, Beirut e Lykke Li, que terá que sacrificar trechos alguns desses shows. Uma notícia boa é que a passarela de transição entre a arena e a tenda (que estava aberta na primeira edição do evento e ficou fechada nas duas seguintes) voltou a funcionar, diminuindo pelo menos quinze minutos de caminhada entre estes dois palcos. Além disso, o norte-americano Dijon não comparecerá ao festival e seu show foi substituído por uma apresentação de Mano Brown com participação de Rincon Sapiência. Ponto pro festival, que perde uma atração gringa importante, mas substitui com um show talvez melhor que o original, mesmo que o show de Brown não seja inédito.

Veja abaixo:  

Ótima sexta

Sexta-feira surpreendente na Porta Maldita, quando tivemos três estreias na edição desta semana do Inferninho Trabalho Sujo. A noite começou doce e delicada com o folk da dupla Nalu & Annina, grata surpresa acústica e com sensibilidade musical para unir universos musicais distintos como Adrianne Lenker (“Not a Lot, Just Forever”), Simon & Garfunkel (“Kathy’s Song”), Beto Guedes (“Amor de Índio”), Neil Young (“Harvest Moon”), Lô Borges (“Como o Machado”) e Milton Nascimento (“Mistérios”) que soavam gêmeos a partir de sua conjunção vocal e leveza de vozes. Acompanhadas pela quieta e habilidosa Lorena Braco ao violão, as duas ainda mostraram músicas próprias que, apesar de pertencer ao universo que descortinaram com as canções alheias, têm personalidade distinta o suficiente para referendar um trabalho autoral em construção. No final do show ainda convidaram a amiga Lígia de Castro e o duo vocal virou trio para uma versão maravilhosa para “These Days” que Jackson Browne compôs com 16 anos e que ficou eternizada pela Nico, além de um bis em cima de outra joia, “Desenredo”, de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro. Fizeram bonito e estão prontas.

Depois de Nalu & Annina a festa seguiu com um dos pés em Minas Gerais, mas sai a delicadeza folk para entrar o peso jazz rock da banda Caruma, liderada pelos compositores Tom dos Reis (vocais e baixo) e Pedro Caldeira (vocais e guitarra), que já começou o show, ainda que na brincadeira, usando “Don’t Let Me Down” pra mostrar a dupla formada à frente do grupo, que ainda conta com sopros de Ma Vettore (flauta), Vinícius França (sax) e Daniel Gerecht (sax e flauta) e a bateria absurda de Tommy Coelho. Mas a canção dos Beatles acidental foi só pra esquentar os instrumentos e começar a tocar sério. E põe seriedade nisso porque quando entram no território que estão mapeando como seu (e só tocaram músicas autorais), criam um universo sonoro particular a ponto de incluir todo o jazz mineiro descendente do Clube da Esquina (dá pra ouvir de Toninho Horta a Novelli, passando por Beto Guedes, Tavito e Flávio Venturini) mas misturando com linhagens de rock progressivo que passam pelas vertentes brasileiras (Mutantes fase Sérgio, Som Imaginário, Moto Perpétuo e Terreno Baldio) e estrangeiras (e de todo tipo, indo de Rush a King Crimson, passando por Geneis e Yes). E além da verve instrumental de todos os integrantes, destaca-se o entrosamento dos dois compositores, tanto em termos vocais quanto instrumental, e o baixo inacreditável de Tom, que é puro carisma tanto quanto canta quanto quando toca. A banda tá prontinha, só decolar!

E a noite de sexta fechou com Pra Sempre Pepito, projeto autoral do guitarrista Pedro Amaro, o próprio Pepito, que também é baterista da banda Florextra (que inclusive já tocou no Inferninho). Lançando seu EP A Vida é Muito Vibes, ele equilibra-se entre a seriedade e a ironia com o mesmo senso lúdico e bem humorado que desafia um meio-termo entre o indie rock e o jazz pop, com o auxílio luxuoso de uma banda formada por Pedro Abujamra (teclados), Toti Villares (sax), Ma Vettore (que estava tocando flauta no Caruma e agora assumiu o baixo) e Luigi Delphino (bateria). Tocando inéditas e uma (ótima) música instrumental, encerrou a noite colocando o astral lá em cima, numa sexta-feira muito, como ele mesmo diz, ~ vibes ~.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Nalu & Annina, Pra Sempre Pepito e Caruma @ Porta Maldita (15.5)

A próxima edição do Inferninho Trabalho Sujo acontece nesta sexta-feira, dia 15, quando reunimos na Porta Maldita as bandas Caruma, Pra Sempre Pepito e a dupla Nalu & Annina, todos fazendo suas primeiras apresentações na festa. A Porta Maldita fica no número 400 da rua Luiz Murat, em frente ao cemitério de Pinheiros, abre a partir das 20h e os ingressos já estão à venda. Vamos?