Depois que o Prince morreu seu enorme acervo começou a ser aberto ao público e a mais nova obra a ser dissecada é seu clássico duplo Sign O’ The Times, que lançou em 1987, quando estava no topo de sua popularidade e importância no mundo da música pop. A reedição vem em versão cavalar, numa caixa com 8 CDs ou 13 vinis, além de um livro de 120 páginas com ensaios escritos por amigos do monstro sagrado como Dave Chappelle, Lenny Kravitz e a engenheira de som Susan Rogers, entre outros, fotos inéditas de Jeff Katz e as letras do disco com a caligrafia de Prince.
Na parte musical são 63 músicas inéditas, gravadas no mesmo período do disco, e 45 tiradas de seu baú, como uma versão para “I Could Never Take The Place Of Your Man” gravada em 1979, duas versões inéditas (incluindo um remix de Shop Pettibone) para “Strange Relationship”, versões alternativas para “The Ballad of Dorothy Parker” e “Forever in My Life” e músicas que Prince nunca lançou, que iriam para três discos que ele gravou e desistiu de lançar em 1986, The Dream Factory, Camille e Crystal Ball, entre elas uma versão para “Witness 4 the Prosecution” que foi antecipada com o anúncio da caixa, que será lançada em setembro e já está em pré-venda.
A editora Companhia das Letras segue com seu festival de não-ficção online Na Janela, que desta vez promoveu uma série de debates sobre racismo no Brasil em seu canal no YouTube e a mesa que reuniu os acadêmicos Cida Bento, Silvio Almeida e Jurema Werneck sobre a questão do racismo estrutural e institucional no Brasil, com ótima mediação feita por Ronilso Pacheco, é mais uma dessas aulas que a gente precisa parar e assistir com atenção.
Parecia mesmo que “Black Parade” não era um single isolado: a mulher mais importante da música pop atualmente acaba de anunciar que irá lançar um novo vídeo-álbum. Black is King será mostrado pela primeira vez no último dia de julho, exclusivamente no canal de streaming Disney Plus, um longa metragem escrito, produzido e dirigido por Beyoncé. O álbum conversa com a trilha sonora que ela fez ano passado para o remake do desenho animado Rei Leão, chamada The Gift, e ela deu um breve aperitivo do que esperar em um clipe de um minuto em seu site.
Tomara que ela não repita o vacilo de prender o novo álbum à plataforma de seu marido, Jay-Z, o que acabou restringindo o alcance de seu Lemonade.
Jards Macalé – “Farinha do Desprezo”
João Bosco – “Cobra Criada”
Systema Solar – “Bienvenidos”
Manu Chao – “Desaparecido”
Kaoma – “Chorando Se Foi”
JJ – “Ecstasy”
Lee “Scratch” Perry – “Makumba Rock”
João Donato – “Sambongo”
Criolo – “Mariô”
Daft Punk – “Voyager”
Stretch – “Why Did You Do It”
Bixiga 70 – “Ilha Vizinha”
Tame Impala – “Remember Me”
Gilberto Gil – “2001”
Supergrass – “Sun Hits the Sky”
Daryl Hall & John Oates – “Rich Girl”
Fafá de Belém – “Alinhamento Energético”
Depois de “Love Is All We Share”, o grupo australiano Cut Copy lança mais um single melancólico e contemplativo e embora “Cold Water” tenha um pulso mais firme, ainda não é o delírio de pista de dança característico da banda.
“Cold Water” também foi a deixa para anunciar seu novo disco, o sexto da carreira da banda. Freeze, Melt (já em pré-venda) deve ser lançado em agosto – veja a capa e o nome das músicas abaixo.
“Cold Water”
“Like Breaking Glass”
“Love Is All We Share”
“Stop, Horizon”
“Running In The Grass”
“A Perfect Day”
“Rain”
“In Transit”
A capa e o nome das músicas do disco, produzido mais uma vez pelo chapa da banda David Fridmann, que era do Mercury Rev, vêm abaixo:
“Will You Return / When You Come Down”
“Watching the Lightbugs Glow”
“Flowers Of Neptune 6”
“Dinosaurs On The Mountain”
“At The Movies On Quaaludes”
“Mother I’ve Taken LSD”
“Brother Eye”
“You n Me Sellin’ Weed”
“Mother Please Don’t Be Sad”
“When We Die When We’re High”
“Assassins of Youth”
“God and the Policeman” (com Kacey Musgraves)
“My Religion Is You”
Assistir ao show de aniversário que Gilberto Gil apresentou na internet para comemorar seus 78 anos nesta sexta foi lavar a alma deste peso desse enclausuramento a que estamos submetidos. Acompanhado parte pelos filhos (Nara Gil nos vocais e percussão, Bem Gil nos vocais e violão e José Gil na bateria) e por Jorginho Gomes na zabumba e Mestrinho no acordeão, ele puxou o Brasil inteiro para a festa junina que não pudemos ter nessa quarentena e desfilou um rosário de xotes, baiões, forrós e xaxados, reverenciando suas raízes musicais e nosso mestre Luiz Gonzaga, além de pinçar pérolas de seu repertório, cheio de clássicos nestes gêneros (a dobradinha “Lamento Sertanejo” e “Cajuína”, nesse contexto 2020 embaçou a vista de qualquer coração que ainda pulse). Nosso artista mais iluminado, ele irradiou uma energia boa para o país todo, mostrando, na prática, a força e a magia da arte, lembrando pra gente que tudo que é ruim há de passar. Nada como a sabedoria de um preto velho.
“Fé na Festa”
“A Dança da Moda”
“Óia Eu Aqui de Novo”
“Assim Sim”
“Respeita Januário”
“O Xote Das Meninas”
“Eu Só Quero Um Xodó”, com Preta Gil
“Andar com fé”
“Asa branca”
“A volta de Asa Branca”
“São João Xangô Menino”
“Madalena”
“Lamento Sertanejo”
“Cajuína”
“Baião da Penha”
“Vem Morena”
“Esperando na Janela”, com Preta Gil
“Qui nem Jiló”
“Expresso 2222”
“Pedras que Cantam”
“Isso Aqui Tá Bom Demais”
“Toda Menina Baiana”
“Olha Pro Céu”
Fiz um vídeo antecipando a terceira temporada da série alemã Dark e explicando porque a considero uma das melhores séries que já vi. Dark encerra sua saga no tempo neste sábado com o lançamento da última leva de episódios – e daqui uma semana volto para comentar o que achei do final.
Gilberto Gil, o maior nome vivo da música brasileira, recebe as merecidas honras da família, de outros mestres e fãs em seu aniversário ao completar 78 anos. Chico Buarque puxa uma versão estelar de “Andar com Fé” que reúne aquele Brasil que faz falta nesses dias – tem Jorge Ben e Zeca Pagodinho, Caetano Veloso e Emicida, Fernanda Montenegro e Alcione, Daniela Mercury e Stevie Wonder, Teresa Cristina e Djavan, Milton Nascimento e Margareth Menezes, entre muitos outros.
Como esquecer das clássicas sextas-feiras Susi in Dub no início dos anos 2000, quando o selecta Yellow P e a banda Rockers Control debulhavam raízes jamaicanas com um clima pesado e mágico no mitológico Susi in Transe, uma das mais importantes casas noturnas de São Paulo na virada do milênio? O supergrupo composto por Cris Scabello na guitarra, Mau no baixo e e Bruno Buarque na batera atravessou a primeira década do século engrossando o caldo jamaicano e celebrando a cultura do reggae e do dub numa São Paulo que se equilibrava entre o indie rock, o hip hop e a música eletrônica, abrindo, com groove, uma picada que hoje é uma rodovia. Os três formaram a base da banda Amigos Imaginários que acompanhava Anelis Assumpção e aos poucos foram ficando com muitos trabalhos à medida em que Cris fundou o Bixiga 70 e Mau e Bruno passaram a acompanhar Karina Buhr. Lançaram um disco que poucos ouviram em 2008 (Jacuípe Sessions) e entraram a década passada num ritmo bem mais lento que o que tocaram a anterior.
E agora eles estão voltando à ativa. Aproveitaram a quarentena para retomar os trabalhos e desde o mês passado vêm separando a última sexta do mês, como era na programação da festa, para lançar singles que fizeram nos últimos anos, mixados pelo mestre Victor Rice, outro integrante crucial daquela cena. O primeiro foi “Pluggin Out” (gravado com o vocalista Giba Nascimento e Rice nos teclados e escaleta), lançado no mês passado, e agora eles vêm com “Ancient Woman”, gravada com o vocalista nigeriano Afrikan Simba, que lançam em primeira mão no Trabalho Sujo – com direito, inclusive, a uma versão dub!
“O Rockers nunca parou de produzir, a gente continuou trabalhando do nosso jeito, sem pressa, sem pressão e sem um deadline para entregar”, explica Cris Scabello, por email. “Queríamos fazer algo bem feito, durasse o tempo que fosse necessário, trabalhando com as pessoas que a gente gosta – Victor na mix, Magrão na arte, etc. A gente parou de fazer shows porque, nesses últimos 10 anos, a gente se dedicou muito a outros trabalhos, bandas, produções, estúdios e por conta dessa dedicação e dessa demanda nesses inúmeros outros trabalhos, o Rockers acabou ficando um pouco de lado. E depois desse tempo todo, trabalhando com tanta gente, foi um processo natural a gente sentir a necessidade de botar mais energia no nosso trabalho.”
“Mas durante esse tempo todo, a gente seguiu trabalhando em novas gravações e re-trabalhando o material que a gente já tinha”, continua Mau. “A maioria desses singles que vamos lançar até o final do ano foi trabalhada nesse período em que estivemos ‘parados’…. ‘Ancient Woman’, por exemplo, é uma faixa gravada nas Jacuípe Sessions”. “Esse disco novo é o ‘Rockers Control apresenta Cristopher Dilovah'”, prossegue Bruno, “a idéia foi recriar as músicas que o Cristopher Dilovah cantava nas festas de rua com o Dubversão. A gente já vem trabalhando nesse disco faz um tempo. A sessão de gravação da base de ‘Bom Dia’, o próximo single, foi em 2017!”. Dilovah é o pseudônimo de um dos integrantes, que soltava a voz nas festa. A volta do grupo já havia sido planejada para este semestre e a quarentena não mudou os planos. “A gente achou legal manter o cronograma, apesar dessa loucura toda, colocar música boa no mundo num momento como esse, acaba sendo um serviço a humanidade…”, conclui Cris.
Gravado entre os estúdios Minduca, do Bruno, e Traquitana, de Cris, o disco contou com a participação da vocalista Marietta A.K.A MassaRock, do tecladista da Nômade Orquestra Marcos Maurício, dos metais do Bixiga 70 (Daniel Gralha no trompete, Cuca Ferreira no sax, Doug Bone no trombone) e do tecladista do Bixiga Maurício Fleury. A princípio o trabalho sairá apenas digitalmente e depois até poderia chegar ao formato vinil.
Sobre a quarentena, o grupo responde em conjunto. “O trabalho não só diminuiu radicalmente, mas vai tomando outras formas… A nossa pretensão, a princípio, não é retomar a agenda de shows, mas como núcleo de produção – o que de fato somos – se juntar os discos que nós ou produziramos ou tocamos nos últimos anos, dá uma coleção legal. Se os shows vierem, se houver uma demanda, a gente vê o que faz. Até por que o Rockers agora somos nozes – Bruno, Cris e Mau – , então a gente teria que ver como isso iria funcionar. Mas a gente tem focado bastante nesses lançamentos, organizando e formatando melhor a ideia do nosso selo Garradna, capitaneado pelo Mau, projetar como isso será prensado em vinil, fortalecendo as redes sociais e se reapresentando para quem já nos conhecia e para quem ainda não nos conhece. De resto temos cuidado da cabeça e da casa, todos temos filhos pequenos, então as prioridades nesse momento são outras, mas temos estudado e pesquisado bastante também.”