Trabalho Sujo - Home

X is back!

x-2020

A mais clássica banda punk de Los Angeles já havia dado sinal de vida no ano passado, quando lançou uma nova versão para a velha “Delta 88 Nightmare”. Os quatro integrantes da formação original da banda, o casal Exene Cervenka eJohn Doe, o baixista Billy Zoom e o baterista DJ Bonebrake se reuniram pela primeira vez em 35 anos em novembro do ano passado, quando a versão inicial tornou-se um EP com cinco faixas recicladas. Mas a empolgação continuou 2020 adentro e mesmo antes da epidemia paralisar o planeta, o grupo conseguiu gravar Alphabetland, que estava agendado para ser lançado em agosto, mas o grupo resolveu antecipar para já. A voz de Exene está ótima e a de Doe parece não ter envelhecido um centímetro, tornando a principal marca registrada do grupo – o jogo de vozes do casal-líder – perfeito mesmo 40 anos depois de lançarem o primeiro disco, produzido por Ray Manzarek do Doors. Discão!

Soledad entre pássaros e peixes

soledad2020

A cantora cearense Soledad mostra em primeira mão no Trabalho Sujo o segundo clipe de seu disco Revoada, lançado no ano passado, mais uma parceria com a diretora Patrícia Araujo. O clipe é da ótima versão que ela fez para a tocante “Pássaros, Mulheres e Peixe”, de Alessandra Leão. “O que está visível hoje?”, pergunta-me de volta quando a pergunto a relação entre o novo clipe e a situação que atravessamos por conta do coronavírus. “O isolamento pandêmico destaca e fortalece as diferenças sociais, políticas e culturais nas quais as mulheres são inseridas. Ficamos ainda mais expostas ao desamparo e às violências do machismo, o aumento do feminicídio em alguns países desde que a quarentena começou comprova isso, por exemplo.”

O clipe foi gravado antes do período de confinamento, à exceção das imagens de Soledad, feitas por ela mesma com inspiração em técnica de stop-motion da cineasta Agnès Varda “Eu e Pati conversamos há algum tempo sobre como a arte e os valores feministas podem, e devem, refletir a nossa responsabilidade cidadã e humana, e também a de personagens da natureza. Como artistas, precisamos estabelecer alguma conversa com o mundo e sua realidade, vislumbrando transformações. Desde o nascimento do Revoada, nós ficamos muito atraídas pela ideia de criarmos juntas um vídeo-arte para essa canção, pelo que ela conta e nos une afetivamente e politicamente na nossa condição de mulher, esse momento se deu agora. É impressionante o que uma música, uma dança, um texto, ou um filme podem comunicar, atravessar e construir.”

“Há quarenta dias tento deixar a respiração pacífica para que seja possível imaginar o mar e desenhar uma linha do horizonte para a vida futura”, responde quando pergunto a ela sobre os dias de isolamento social. “Mergulho em leituras e filmes que me dão possibilidades de criar uma paisagem melhor para essa vida, a desejada por mim e pelas pessoas que se colocam perto e distante. Também tenho me dedicado ao pequeno livro que pretendo lançar em breve e a tentar entender se o que produzo contribui para a transformação social que manterá o planeta e as pessoas vivas ou não. Difícil falar sobre a pós pandemia agora, por enquanto penso o quão é importante nos posicionarmos politicamente e enxergarmos nossas responsabilidade sócio-afetivas.” Ela planeja lançar mais um clipe deste mesmo disco (a música escolhida ainda é segredo), mas já começa a compor novamente…

Um Anthology ao vivo

beastieboys

No final dos anos 90, os Beastie Boys resolveram tirar uma onda com os Beatles, que encerravam seu Anthology, projeto que consolidou a reputação da banda de Liverpool no final do século passado, e eles mesmos lançaram sua coletânea dupla, batizando-a com o mesmo nome. Beastie Boys Anthology: The Sounds of Science vasculhava a discografia da banda até 1999, cobrindo seus cinco primeiros discos, remixes, sobras de estúdio, lados B e os quinze primeiros anos da banda. Ninguém tinha como saber que eles já haviam passado a metade de suas carreiras e que não teriam mais outros quinze anos pela frente, uma vez que o integrante que botou pilha nos outros dois para que eles se tornassem uma banda, Adam Yauch, partiria para o outro plano em 2012.

Oito anos após a morte de Yauch, os dois beastie boys remanescentes – Adam Horovitz e Michael Diamond – se juntam ao amigo e diretor Spike Jonze para finalmente ter seu Anthology propriamente dito. Beastie Boys Story, que estreou nesta sexta-feira no streaming da Apple, é a versão oficial da história do grupo e um tributo a um amigo que por toda a história da banda, também era um mentor. O documentário devia ter estreado na edição deste ano do SXSW e poderia ir para os cinemas, mas como o coronavírus mudou a cara de 2020, o lançamento ficou apenas no formato digital e, por enquanto, exclusivo para a plataforma da Apple, produtora do documentário, o que restringe bastante seu alcance.

O formato “documentário ao vivo”, que podia transgredir parâmetros cinematográficos uma vez que foi proposto por um diretor com esta afinidade, é apenas o registro dos melhores momentos das três apresentações que Ad-Rock e Mike D fizeram entre 8 e 10 de abril do ano passado no Kings Theatre, no Brooklyn, em Nova York. E o filme da história dos Beastie Boys contada por eles mesmos, talvez a parte final de um processo que começou com o livro de mesmo nome que foi lançado em 2018 e seguiu nas citadas apresentações ao vivo de 2019, não é o documentário definitivo sobre a história da banda – e sim a versão que os dois integrantes querem passar de sua saga para o público, além de ter altas doses de auto-ajuda, ao mesmo tempo em que Adam e Mike explicam como se tornaram gigantescos, quebraram a cara e amadureceram neste processo.

A química entre os dois beasties sobreviventes é impecável. O filme de quase duas horas é uma longa apresentação dos dois em formato stand-up, contando suas próprias histórias ao mesmo tempo em que vão ilustrando-a com fotos e vídeos disparados por Spike Jonze. A forma como um passam o microfone para o outro e seu inevitável domínio sobre a plateia nos faz esperar por um momento musical a qualquer instante, como se eles pudessem começar a rimar em cima de alguma base instrumental de surpresa, mas isso nunca acontece. Em vez disso, os dois trocam olhares cúmplices, piadas internas e tiram sarro um do outro como os conhecemos há décadas. Mas nunca voltam a ser uma dupla de MCs – são apenas amigos lembrando de histórias.

Os registros do passado, claro, são deslumbrantes. Especialmente os primeiros anos da banda, quando ainda tocavam hardcore com quinze anos de idade, apresentando-se em programas de TV local e falando de suas raízes punk. Eram literalmente moleques e a simples visão daquelas tenras imagens da inocência de uma juventude que mal sabia o que era ter uma banda de rock já valem o documentário, bem como sua brusca transformação em um trio de rap no momento em que o gênero começava a ensaiar voos mais altos.

Beastie-Boys-Story-

Mas, principalmente, Beastie Boys Story é uma carta de amor a MCA. A imagem de Adam Yauch paira por toda a extensão do filme mais do que a lembrança de um saudoso amigo, mas como se ele mesmo fosse a encarnação do espírito beastie boy. São os momentos mais tocantes e introspectivos do documentário e talvez seja o ponto de desequilíbrio que não o torne perfeito. É como se o Anthology dos Beatles fosse feito para engrandecer a figura de John Lennon. Por mais que, como Lennon nos Beatles, Yauch fosse o ponto de parte e a força-motriz na parte de criação do grupo, ele não era mais importante que os outros dois. Como nos Beatles, não havia um melhor – quando muito, há um preferido. A magia vem do equilíbrio de seus integrantes – e para celebrar o amigo, Ad-Rock e Mike D dão passos para trás, deixando de falar de sua própria importância. A banda não acabou porque seu fundador morreu – caso qualquer um deles tivesse morrido antes, é impossível imaginar que Yauch quisesse seguir o grupo com o outro sobrevivendo.

Os Beastie Boys eram três, o número mágico, e ao enxugar sua importância em si mesmos – a autonomia que conseguiram a partir dos anos 90, depois que se recuperaram do tombo comercial que foi o lançamento do Paul’s Boutique, em 1989 – mudaram a história de seu tempo. Como as principais memórias oficiais de quaisquer artistas, o documentário Beastie Boys Story peca por não ter um olhar externo que se aprofunde na influência e importância do grupo, inclusive para além do rap, e prefere um olhar cândido e tenro sobre o passado e um respeito profundo pelo amigo morto. É uma história pessoal: feridas são expostas e mea culpas são feitos, o que deixa o ar sentimental ainda mais carregado. E mesmo que traga lágrimas aos olhos em vários momentos, é um documento divertido e nostálgico, trazendo surpresas e gargalhadas que temperam o tom emotivo com o melhor gosto que lembramos do grupo. Uma viagem!

Vida Fodona #635: Pra dar uma desopilada

vf635

Que sexta!

Pink Floyd – “Scream Thy Last Scream”
Erasmo Carlos – “Maria Joana”
Beastie Boys – “Gratitude”
ESG – “Erase You”
B-52’s – “Throw That Beat in the Garbage Can”
Can – “Moonshake”
Chico Science & Nação Zumbi – “Corpo de Lama”
Public Image Ltd. – “Swan Lake”
Dua Lipa – “Break My Heart”
Daft Punk + Giorgio Moroder – “Giorgio by Moroder”
John Carpenter – “Vortex”
Goblin – “Snip Snap”
Funkadelic – “Comin’ Round The Mountain”
Novos Baianos – “Besta é Tu”
A Cor do Som – “Palco”

“E os meus olhos ficam sorrindo…”

ceu-carinhoso

Céu revisita o clássico “Carinhoso”, de Pixinguinha, transformando-o em um simpático reggae – o desenho da capa do single é um autorretrato da própria cantora.

A música é uma das doze versões que a canção terá dentro de uma nova série do Netflix da Globo, Todas as Mulheres do Mundo, que ainda terá interpretações feitas por Elza Soares, Marisa Monte, Alcione, Ana Cañas, Elis Regina, Maria Bethânia, Nara Leão e mais.

Milton Nascimento ♥ Criolo

Foto: Fred Siewerdt (Divulgação)

Foto: Fred Siewerdt (Divulgação)

O caso Milton Nascimento e Criolo está ficando sério: depois de duetos ao vivo, os dois ícones da música brasileira anunciam o lançamento de um disco em conjunto, o EP Existe Amor, que será lançado no mês que vem e antecipam o que vem por aí ao mostrar regravação da faixa “Não Existe Amor em SP”, com produção de Daniel Ganjaman e arranjos do pianista Amaro Freitas, que acompanha os dois na gravação. E como se não bastasse, o EP também conta com arranjos de outro mestre, Arthur Verocai.

Isso promete…

“However you feel, whatever it takes…”

stephen-malkmus-spit-on-a-strangeR

O blog francês La Blogothèque publicou nesta quinta-feira a gravação de um show que Stephen Malkmus fez em um café em Paris no fim de 2019, cantando a clássica “Spit on a Stranger”, do último disco do Pavement, Terror Twilight.

O Pavement iria se reunir pela primeira vez em dez anos em duas apresentações no festival Primavera no meio deste ano e Malkmus acabou de lançar um disco folk (o ótimo Traditional Techniques), então o registro acaba funcionando como um consolo uma vez que estas apresentações foram adiadas para um futuro indefinido.

Yma submarina

yma2020

Depois de lançar um dos melhores discos do ano passado, a cantora paulistana Yma começa a ensaiar seu futuro próximo e lança o primeiro single após Par de Olhos nessa sexta-feira, antecipando a balada beatlesca “No Aquário” em primeira mão aqui para o Trabalho Sujo. A faixa faz parte da coletânea Emaranhado, produzida pelo site Crush em Hi-Fi, que propôs uma espécie de amigo oculto entre cantores e compositores, deixando o acaso formar parcerias. A letra de “No Aquário”, composta pelo músico Lau, do projeto Lau e Eu, foi parar nas mãos de Yasmin Mamedio, que trouxe a letra solitária para o universo misterioso de Yma.

“Esse single foi uma experiência mágica e inteiramente coletiva”, ela me explica por email. “Quando recebi a letra do projeto Emaranhado, me veio uma melodia de samba, me juntei com o Uiu e o Dreg e fizemos um sambão. Ficou interessante, mas tinha a sensação de que ainda poderia ser outra coisa. Não lembro se foi no mesmo dia, mas Dreg começou arranhar uma harmonia aqui, Uiu foi ajudando e colocando as notas no baixo ali, e eu falei que tinha que ter a onda a graça e malemolência de ‘Grilos’ de Erasmo Carlos. Logo fui soltando a melodia e voi là! Depois de um show que participei da banda de jazz do baterista Marquinho, fomos pro estúdio gravar. Pensa que a sessão de gravação começou 1h da madrugada e o Nando Rischbieter, o produtor, é uma pessoa super matinal. Acho que a parte graciosa e sonhadora do arranjo tem a ver com isso, ele já estava em outro plano naquela hora”, ri.

Quando pergunto sobre o futuro de seu trabalho após o disco de estreia, ela se estende: “Acho que tem muita novidade em relação ao Par de Olhos. O disco tinha uma amarração, uma atmosfera de voz bem peculiar. E pra mim single é uma oportunidade de ser mais inconsequente, no bom sentido. Testar, entortar as coisas, ver no que dá… Mas sinto que mantém aquela energia surreal, onírica. Acho bem Yma. Vejo esse single dessa forma: uma experiência divertida, gostosa, ao mesmo tempo desafiadora – não foi fácil abrir mão dos efeitos do pedal de voz. É cedo dizer que indica um novo caminho… Não sei. Pode ser. Talvez… Quem sabe?”

Ela no entanto não tem nada do segundo disco definido. “Tô compondo, sem pressa. Acho que o assunto segundo disco ainda vai pintar no horizonte. Quero experimentar e me aventurar nos singles enquanto isso. Mas é um dia por vez. Agora temos que ser criativos também para resolver a logística de se fazer música e ser artista nessas condições”, conta. Quando pergunto sobre o lançamento acontecer na quarentena, ela me conta que o lançamento já estava previsto para agora, mesmo antes do confinamento começar. “A pandemia virou tudo de cabeça pra baixo e pensei muito no que significa lançar alguma coisa neste cenário”, divaga. “Ouvi recentemente ótimos trabalhos que me trouxeram momentos de paz e alegria e me senti encorajada a seguir em frente. E acabou que a letra de ‘No Aquário’ parece dialogar com tudo isso do isolamento.”

Rolling Stones em plena quarentena

stones2020

O decano grupo Rolling Stones lança sua primeira música inédita em oito anos; “Living in a Ghost Town”, gravada remotamente por seus integrantes, comenta esses dias de isolamento e, mesmo que seja um single bem previsível, mostra que a banda ainda tem o que dizer.

Náusea mineira

Foto: Natália Bandera

Foto: Natália Bandera

A cena mineira está sempre em transformação – e a quarentena traz à nota mais uma destas mutações musicais que pouco a pouco mexem a cara com a música de Belo Horizonte. Náusea é um trio formado por ex-integrantes das bandas Miêta e El Toro Fuerte, que buscam outras referências musicais para além dos estilos que investigavam em seus grupos originais e lança a primeira música, “Tarde Demais”, em primeira mão no Trabalho Sujo.

“Era um experimento que adiamos um bocado, eu e o João (Carvalho) tocamos juntos há cinco anos na El Toro Fuerte e sempre comentamos sobre fazer um som juntos explorando outras linguagens, indo pra outro caminho”, explica a baixista Marcela Lopes, que convidou sua companheira de Miêta, a guitarrista Bruna Vilela para esta nova experiência no final do ano passado. “A partir disso, fizemos um encontro pra trocar ideia sobre música e a vida num geral na minha casa”, continua Bruna. “A gente tinha muita ideia na cabeça pra palestrar sobre tudo. E, no segundo encontro, já na casa da Marcela, fizemos uma jam da qual nasceram as premissas de todas as faixas do EP. Ficamos meio assustades com a sintonia, a congruência de caminhos e o rendimento.” “Acho que a gente já se conhecia há muito tempo, e já tinha percebido que queríamos estar mais próximos e criando mais juntos, e foi o primeiro momento pensando nas nossas agendas e nos nossos outros trabalhos em que foi possível a gente se aproximar. E tá dando muito certo!”

Bruna segue explicando os novos rumos musicais: “Acho que todos tinham um desejo forte de encontrar um espaço de produção alheio ao que já dedicávamos nos nossos outros projetos. Pode ter sido um caminho alternativo do alternativo. mas acredito que nós, enquanto músicos, sempre nos prendemos de alguma forma em nossas criações. E uma das coisas a se fazer com essa sina inconsciente é tentar achar sempre outros lugares que fujam do que já foi feito. A Náusea se tornou esse espaço de tentativa do incomum e da busca por uma expressão mais orgânica e primitiva, ainda que com muitas arestas do que imaginamos que isso possa ser.”

Ela continua falando sobre o primeiro single: “‘Tarde Demais’ se mostrou como uma das primeiras músicas em que conseguimos desenvolver uma narrativa com tudo o que queríamos experimentar. É uma faixa nascida de jam e aperfeiçoada dentro dela. Ela apresenta dinâmicas diferentes que se construíram de forma orgânica e abriram possibilidade pra diversas espaços sonoros que nos representam. É uma música de ideia concisa mas que, na prática, se expande muito. Todos nós gostamos muito dela já de cara. E ela já tava basicamente pronta desde as primeiras execuções. Pareceu uma faixa de abertura de caminhos muito simbólica.” “Foi uma questão do acaso mesmo”, completa João. “Foi a primeira música que ficou pronta – no que se referem aos processos de mixagem e tudo mais, mas não tomamos nenhuma decisão consciente a esse respeito. Curiosamente, eu acho que ela dialoga com tudo que tem acontecido. É muito apocalíptica em algum sentido, mas é o resultado de uma potência de criação muito intensa de nós três… acho que o fim de alguma coisa é sempre o começo de uma nova.”

“Tarde Demais” faz parte do primeiro EP, que já está a caminho: “Ele já tem basicamente toda a estrutura gravada”, explica Bruna. “Talvez a gente tenha que acrescentar alguma linha ou ajustar algumas coisinhas. Mas estamos trabalhando com calma dentro dessa quarentena, na medida em que o corpo e a cabeça permitem – buscando fazer limonadas diárias -, para ir ajeitando todo o registro e lançar quando for possível. Temos outros projetos individuais e outros em que os três também atuam juntos. Ainda precisamos analisar as limitações para fazer com que esse seja um processo efetivo, seguro e prazeroso no meio dessa loucura.”

A dúvida agora diz respeito ao lançamento do disco, uma vez que não poderá ser feito ao vivo por motivos de epidemia. “A gente tava, desde o ano passado, em uma rotina bem desenhada de criação”, continua Marcela. “Toda semana na minha casa a gente sentava pra ouvir música, discutir questões da finaleira do EP. Tamo morrendo de saudades desses encontros, mas tamo dando conta de se comunicar legal online e redesenhar, aos poucos, nosso plano de lançamento do EP – respeitando as limitações técnicas, práticas e emocionais.”