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Radiohead em mil pedaços

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O Radiohead sugere o que fazer na quarentena ao lançar um quebra-cabeças de mil peças! O “desperdiçador fragmentado de tempo” já está em pré-venda no site da banda – e eles avisam na caixa: “Não vai ser fácil. Não foi feito pra ser fácil. Vai ser fácil. Foi feito pra ser fácil”. Dá pra encomendar o seu no site deles.

A pureza de Daniel Johnston celebrada pelo Built to Spill

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Saiu o disco Built To Spill Plays The Songs Of Daniel Johnston, em que o trio liderado pelo guitar hero Doug Martsch homenageia a lenda indie que morreu no ano passado. E em vez de solos épicos sobre canções perfeitas, o guitarrista, acompanhado do baterista Steve Gere e do baixista Jason Albertini, recria estas mesmas canções, com toda sua fragilidade definitiva, em um universo folk elétrico que vai à alma de um cancioneiro norte-americano dos anos 60, entre os Byrds e os Beach Boys, com aquela psicodelia infantil dos anos 70 que ecoa tanto os Monkees quanto as trilhas sonoras de desenhos animados daquele período. É um ensaio acadêmico e apaixonado sobre a importância de Johnston, com Martsch colocando todo seu intelecto instrumental para reluzir ainda mais a obra do mestre.

Conversando no rádio

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Fui entrevistado pelo Fabio Shiraga, dono do programa Intervenção Urbana, na Mutante Rádio, sobre os 25 anos do Trabalho Sujo e o que tenho feito ultimamente, além de ele ter me pedido pra escolher algumas músicas… Saca só:

Ouviram a banda nova do Ian McKaye?

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“Formado em 2015, o Coriky não tocou seu primeiro show até 2018. Eles gravaram um disco. Eles esperam poder excursionar”. Assim, sucintamente, o novo grupo do vocalista do Fugazi, Ian MacKaye, lança seu disco de estréia, batizado apenas com seu nome. MacKaye reuniu o baixista de sua banda Joe Lally e sua esposa Amy Farina na bateria e gravaram um disco seco e direto, embora melódico e, de certa forma, introspectivo. Canções pop tocadas em ritmo marcial ou taciturno, com vocais calmos e claros, mesmo quando estão sendo berrados. Parece esquisito, mas flui bem e tem tudo a ver com a biografia de MacKaye – aquele pézinho no pós-punk e o olhar num horizonte cada vez mais desesperador.

Emicida falando sobre abismo social e racismo no Faustão

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Emicida aproveitou mais uma oportunidade para fazer história durante a quarentena, usando o coronavírus como deixa para escancarar problemas essencialmente brasileiros (como já tinha feito quando fez um show de mais de oito horas transmitido pela internet). E, neste domingo, ao ser convidado para participar do programa de Fausto Silva na Rede Globo, aproveitou para falar sobre o paradoxo entre o abismo social que sempre rasgou o Brasil ao meio e a pandemia que assola o planeta.

“As mudanças que a gente precisa não estão ligadas ao coronavírus. A pandemia não é uma escolinha onde a gente está aqui parado aprendendo sobre a situação e como a gente é humano e precisa ajudar todos os outros seres humanos. Muito pelo contrário. O que eu acredito que a gente está vivendo é um paradoxo muito triste. Por um lado a gente enfrenta um vírus que se espalha muito rápido, mas não tem uma letalidade tão grande. O que é extremamente letal são os abismos sociais que a nossa sociedade produziu e finge que não existem. Todas as pessoas estão sujeitas a se contaminar, mas nem todas as pessoas podem se tratar após se contaminar. Temos uma situação muito emblemática no Brasil que a primeira vítima do coronavírus é uma empregada doméstica que pegou o vírus de sua patroa, aparentemente. Isso é muito simbólico. As pessoas pobres se contaminam mais, tem menos condições de se cuidar e essa letalidade é amplificada não pelo vírus, mas pelos abismos sociais.”

Muito bom, assista ao vídeo:

Burt Bacharach reaparece

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Depois de 15 anos sem dar as caras, o mestre da canção americana volta a aparecer dividindo um EP com o produtor e compositor Daniel Tashian, o artesão musical por trás do disco Golden Hour, de Kacey Musgraves, e líder a cantor do grupo The Silver Seas. “Como cantor, há uma diferença entre cantar uma melodia do jeito correto e soar cool”, explicou Tashian em sua conta no Instagram, anunciando a colaboração. “Quando você quer a melodia do jeito correto, há apenas um homem que você precisa procurar. Este homem é Burt Bacharach”. O disco Blue Umbrella, com cinco canções da parceria dos dois, é o primeiro disco que o autor de faixas clássicas como “I Say a Little Prayer”, “The Look of Love”, “What The World Needs Now”, “(They Long to Be) Close to You” e “Raindrops Keep Fallin’ On My Head” lança desde At This Time, de 2005, que teve participações de Elvis Costello e Rufus Wainwright. A parceria veio a público com o single “Bells of St. Augustine”, anunciando o lançamento para o último dia de julho.

Mais uma do “disco perdido” de Neil Young

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Na próxima sexta, dia 19, Neil Young revela ao mundo um disco que engavetou no início de 1975 por lhe lembrar do relacionamento com sua ex-mulher, a atriz Carrie Snodgress, de quem se separou na época. Ele já começou a revelar Homegrown ao mostrar a faixa “Try” há algumas semanas – e agora mostra “Vacancy”, que aponta para um lado mais elétrico do disco (que já está em pré-venda).

E o velho canadense está aproveitando a quarentena para abrir seu baú – ainda mais! Além de Homegrown, ele está planejando outros discos perdidos para este ano: o show que fez com o Crazy Horse em 2003 tocando sua ópera rock Greendale na íntegra (Return to Greendale deve sair no mês que vem); o segundo volume de sua caixa Archives (finalmente! A data ficou pra agosto), o disco ao vivo Rust Bucket gravado com o Crazy Horse em 1990 (para outubro) e o solo Young Shakespeare, que traz o show que Young fez no Shakespeare Theater, na cidade norte-americana de Stratford no dia 22 de janeiro de 1971 (esse agendado para novembro). Tá tudo lá na timeline de seu arquivo online.

Michael Stipe está chegando…

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Depois de mostrar três canções solo após um longo período longe da música, Michael Stipe parece estar próximo de lançar seu primeiro disco solo. Primeiro foram as faixas “Your Capricious Soul” e “Drive to the Ocean” e depois a demo de “No Time for Love Like Now”, lançada já durante a quarentena, que agora ganha um novo corpo ao lado do grupo Big Red Machine, que reúne o homem-Bon Iver Justin Vernon e o guitarrista e tecladista do grupo National Aaron Dessner, que também produziu a faixa, que ficou ainda mais linda, como eu tinha imaginado.

A quarentena não para o Chromeo

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A dupla canadense Chromeo lança o EP Quarantine Casanova, que faz dançar enquanto canta as dores do enclausuramento de 2020. “Na real começou como uma piada”, explica o vocalista do duo, Dave 1. “No começo da quarentena nós fomos para o estúdio e improvisamos uma música chamada ‘Clorox Wipe’ (“lenço com água sanitária”, em referência à prática de desinfetar tudo contra o coronavírus) e a publicamos na internet pra animar as pessoas. A resposta foi impressionante. Então gravamos outra e outra e os fãs perguntaram se a gente ia lançá-las de verdade e depois de umas semanas, mós topamos.” São cinco faixas que tratam diretamente das questões da pandemia, falando em máscaras, ficar em casa de moletom, em desinfetar as coisas, conversas em vídeo, cabelos sem cortar e de distanciamento social. O resultado desliza como se o tal novo normal fosse só esta fase que estamos atravessando…