Aos poucos os Flaming Lips vêm antecipando seu próximo disco, American Head, no contagotas. Depois de mostrar “Flowers of Neptune 6“, “My Religion is You” e “Dinosaurs On The Mountain“, o grupo psicodélico norte-americano lança a bucólica “You n Me Sellin’ Weed”, que tem um estranho flerte com a country music.
Lou Reed passou os anos 80 queimando seu filme com discos irregulares e produções que não tinham nada a ver com a sonoridade que consolidou com sua clássica banda, o Velvet Underground, e em sua primeira década como artista solo. Mas ao chegar no final daquele período, ele finalmente se redimiu lançando um disco batizado com o nome de sua cidade. New York o reabilitou em 1989 e a partir deste álbum, que agora ganha tratamento de luxo graças à gravadora Rhino, ele pode retomar seus trabalhos com dignidade.
Na nova edição, que comemora 30 anos do disco com um ano de atraso, New York vem como uma caixa com três CDs, um DVD e um vinil duplo – a primeira vez que o disco é lançado em vinil 180 gramas. O DVD traz várias faixas do disco em apresentações ao vivo, enquanto os CDs dividem-se em uma remasterização do disco feita este ano, outra versão ao vivo de New York com versões diferentes das apresentadas no DVD e um CD só com raridades, demos e outtakes do período. A única coisa que não dá pra perdoar Lou Reed nessa época é o mullet – mas tudo bem.
New York: Deluxe Edition será lançado em setembro e as pré-vendas já estão ativas – quem comprar o pacote agora ainda ganha uma versão em cassete do disco.
CD1: Original Album (2020 Remaster)
“Romeo Had Juliette”
“Halloween Parade”
“Dirty Blvd.”
“Endless Cycle”
“There Is No Time”
“Last Great American Whale”
“Beginning Of A Great Adventure”
“Busload Of Faith”
“Sick Of You”
“Hold On”
“Good Evening Mr. Waldheim”
“Xmas In February”
“Strawman”
“Dime Store Mystery”
CD2: “New York” – Live
“Romeo Had Juliette”
“Halloween Parade”
“Dirty Blvd.”
“Endless Cycle”
“There Is No Time”
“Last Great American Whale”
“Beginning Of A Great Adventure”
“Busload Of Faith”
“Sick Of You”
“Hold On”
“Good Evening Mr. Waldheim”
“Xmas In February”
“Strawman”
“Dime Store Mystery”
CD3: Works In Progress/Singles/Encore
“Romeo Had Juliette (7” Version)”
“Dirty Blvd. (Work Tape)”
“Dirty Blvd. (Rough Mix)”
“Endless Cycle (Work Tape)”
“Last Great American Whale (Work Tape)”
“Beginning Of A Great Adventure (Rough Mix)”
“Busload Of Faith (Solo Version)”
“Sick Of You (Work Tape)”
“Sick Of You (Rough Mix)”
“Hold On (Rough Mix)”
“Strawman (Rough Mix)”
“The Room (Non-LP Track)”
“Sweet Jane (Live Encore)”
“Walk On The Wild Side (Live Encore)”
DVD
“Romeo Had Juliette”
“Halloween Parade”
“Dirty Blvd.”
“Endless Cycle”
“There Is No Time”
“Last Great American Whale”
“Beginning Of A Great Adventure”
“Busload Of Faith”
“Sick Of You”
“Hold On”
“Good Evening Mr. Waldheim”
“Xmas In February”
“Strawman”
“Dime Store Mystery”
“A Conversation with Lou Reed” (apenas áudio)
Vinil
Lado A
“Romeo Had Juliette”
“Halloween Parade”
“Dirty Blvd.”
“Endless Cycle”
Lado B
“There Is No Time”
“Last Great American Whale”
“Beginning of a Great Adventure”
Lado C
“Busload of Faith”
“Sick of You”
“Hold On”
“Good Evening Mr. Waldheim”
Lado D
“Xmas In February”
“Strawman”
“Dime Store Mystery”
“É uma aglutinação de linguagens, o que sempre resulta em novidade, não é? A situação não permite previsões, tédio e invenção andam de mãos dadas e nos puxam”, me explica por email Tulipa Ruiz quando lhe pergunto se Tulipa Noire, que ela apresenta neste sábado às 21h (mais informações aqui), é uma evolução do conceito de shows transmitidos pela internet. O concerto acontece na Casa de Francisca e é o primeiro show dirigido pela cineasta Laís Bodanzky, diretora do filme Bicho de Sete Cabeças, que foi convidada pelo capo da mágica casa, Rubens Amatto, para assumir a curadoria de cinema do local em tempos de pandemia, elevando as lives a outro patamar.
A cantora conta que estava esperando o momento certo para trabalhar neste formato. “Nossa proximidade com o Rubão e a Casa de Francisca é antiga e sabíamos que a qualquer momento ia acontecer alguma coisa entre a gente nesse momento live. Quando o nome da Laís entrou na jogada, tudo ficou mais saboroso. Vivo com a Tulipa Noire, o filme do Delon, marcado na alma. A associação era inevitável, noir-noire-cinema-Laís. Mesmo assim uma associação solar – o filme original era colorido!”, conta, fazendo referência ao filme que inspirou seu pai, o mestre guitarrista Luiz Chagas, a batizá-la com este nome.
Pouquíssimas pessoas estarão presentes no evento, apenas a cantora, seu irmão Gustavo Ruiz no violão, a diretora Laís e a fotógrafa Thaís Taverna. A única certeza é que será em preto e branco. Tulipa nem sabe o que fará com o show depois de ele ter acontecido. “É algo a ser pensar. Será meu primeiro registro cinematográfico. Vou decupar essa ideia”, conta.
Pergunto como ela está atravessando a quarentena e ela tasca que “como a maioria das pessoas que tem a oportunidade de ficar em suas casas, esse negócio de ‘tempo livre’ é bobagem. Nunca estive tão ocupada em minha vida, nem que seja para não fazer nada ou dormir. Isso te ocupa muito”. Ela também menciona lives que a emocionaram: “Várias, a começar pelo João Donato que introduziu muita vida na dele; Teresa Cristina, maravilhosa; o Gil, divino; o Curumim e a Anelis fazem umas aqui na esquina de casa, mas que parecem vindas da Lua. “
Lovecraft Country, a nova série de Jordan Peele e J.J. Abrams inspirada na mitologia do escritor de horror H.P. Lovecraft, libera seu último trailer e começa a mostrar seus monstros – especificamente de Cthulhu, o deus supremo deste universo maligno, que finalmente vemos seus tentáculos na tela.
Lovecraft Country estreia dia 16 de agosto, na HBO.
Autor de Fama, O Expresso da Meia-Noite, Quando as Metralhadoras Cospem, Asas da Liberdade, Mississipi em Chamas, Pink Floyd – The Wall, Evita e Coração Satânico, o diretor Alan Parker morreu nesta sexta-feira, vítima de uma doença que lhe acompanhava há tempos, como revelou sua família. Ele pertencia à última geração de diretores ingleses a ser bem sucedida comercialmente, ao lado de nomes como Ridley Scott, Adrian Lyne e John Boorman, e equilibrava sensibilidade e tino comercial em filmes que sempre iam bem nas bilheterias, mesmo tratando de temas delicados ou fugazes. Havia parado de dirigir em 2003 e deixa um legado vivo, embora sem o peso histórico que suas obras tiveram em seu tempo.
A partir dos anos 1980, a ficção científica determinou que o futuro havia chegado. A partir deste período, as histórias do gênero passaram a abordar questões como compulsão tecnocientífica, cataclismo ecológico, realidade virtual, ultracapitalismo e rebeldia política, para vislumbrar um futuro distópico que parecia ser o estágio final da humanidade. Filmes como Blade Runner, Akira, 12 macacos, Matrix, Wall-E, A.I., Exterminador do futuro e Gattaca, entre outros, estabeleceram que o futuro seria necessariamente opressor e pessimista. As características comuns a essas produções, entre outras, serão analisadas no curso, a fim de mostrar como elas contribuíram para uma ideia cínica e pessimista de futuro. Este é mais um curso que eu e o André Graciotti ministramos, a partir do próximo dia 3, na Casa Guilherme de Almeida. Ele acontece online durante todas as segundas de agosto e as inscrições, gratuitas, podem ser feitas no site da Casa Guilherme.
Billie Eilish lançou sua “My Future” na calada da noite e ela a princípio parece ser só mais uma balada triste com as que lançou depois que seu When We All Fall Asleep, Where Do We Go? se tornou um fenômeno – a lilyallenesca “Everything I Wanted” e a música-tema do próximo filme de James Bond, “No Time to Die“. Mas aí, antes de chegar nos dois minutos de música, ela engata um groovezinho macio e aponta para um futuro improvável para ela mesma, entre o soul, o funk e a disco music, como se vislumbrasse sua versão para o Melodrama da Lorde – um segundo disco suntuoso e classudo, bem diferente do minimalismo do primeiro.
Fora que esse singelo clipe em animação também abre outras possibilidades de formato…
O Sesc Pinheiros está começando um projeto chamado Radar Sonoro, que irá registrar a movimentação da música brasileira durante a quarentena de 2020. O projeto trará textos e vídeos que dissecam como anda nossa produção nesta época tão estranha e para inaugurar a série, me chamaram para escrever um panorama de como foram estes primeiros quatro meses de clausura e como artistas de diferentes cidades e gêneros musicais estão conseguindo trabalhar neste período. Escrevi sobre esta intensa quarentena e pincei vinte artistas que lançaram seus trabalhos desde que entramos neste estado de suspensão. Confere lá no site do Sesc. E na sexta, às 11 da manhã, entrevisto o Felipe S., do Mombojó, sobre seu disco Deságua, cujos planos de lançamento tiveram que ser redesenhados por conta da pandemia.
Depois de anos tocando em bandas e apresentando programas sozinho, Luiz Thunderbird finalmente sai solo em um disco. Este Pequena Minoria de Vândalos ainda não tem data para ser lançado, mas foi idealizado quando Thunder juntou músicas para um novo disco e viu que suas duas outras bandas estavam em momentos opostos: enquanto o Devotos de Nossa Senhora Aparecida completa 35 anos no ano que vem, o Tarântulas, que agora chama-se Elektromotoren, viu-se confrontado com a agenda de lançamento do primeiro disco solo de seu outro integrante, o guitarrista Guilherme Held. Assim, Thunder resolveu partir para este álbum, que vem lançando no contagotas. Começou fazendo uma versão para “A Obra“, do grupo pós-punk mineiro Sexo Explícito, e agora vem com “Insuportável”, com sua guitarra ruidosa emulando a de Andy Gill, falecido guitarrista do Gang of Four, cujo clipe estreia em primeira mão no Trabalho Sujo.
“As minhas várias bandas sempre tomaram muito do meu tempo e energia”, ele me explica quando pergunto sobre este primeiro disco. “Eu tinha essa vontade há muito tempo e dei inicio à pré-produção no final de 2019, gravações começando em novembro”, mas como todos em 2020, teve seus planos atropelados pela quarentena. “Estava no meio do processo de gravações e composições”, ele diz, contando que já tem sete músicas prontas e quatro em processo. “Creio que a melhor coisa a fazer é lançar singles, mostrando aos poucos parte do disco. Por enquanto estamos indo bem nessa estratégia. A cada single, produzo um videoclipe. Estou curtindo esse trampo de, após gravar a música, partir pra videografia dela. É muito prazeroso e abriu uma nova frente de trabalho pra mim. Desde sempre dirigi meus programas na internet, desde 2008, pelo menos. Ano passado dirigi, ao lado do Zé Mazzei, um doc sobre a Lucinha Turnbull. Curti estar do outro lado da câmera!”
Os ecos pós-punk dos primeiros singles não vêm por acaso. “Tenho uma relação muito íntima, desde os anos 80, com o gênero e minhas bandas preferidas vêm desse período: Gang of Four, Pixies, James Chance and the Contortions, mais experimental. Eu curto disco-punk do ESG, do Liquid Liquid e até reconheci similaridades do single “Insuportável”com o som do Speedtwins da Holanda.” Mas o disco vai para além do pós-punk e flerta com a poesia concreta, em parceria com Held, com o rock psicodélico, em parceria com a banda Bike, e com o rock clássico, ao lado de Odair José.
Enquanto a quarentena não acaba, Thunder segue lançando o disco aos poucos. “Aguardo com tremenda ansiedade uma vacina para poder voltar aos palcos, adoro ensaiar, arranjar as músicas, pensar no setlist, fazer shows com platéia, excursionar, isso me faz muita falta.” Ele compensa essa falta, como todos, usando a internet. “Tenho me divertido com lives no instagram, faço todas as terças, às 21h, a live do meu podcast Thunder Radio Show, onde entrevisto convidados. Já faz sete anos que faço esse podcast e achei que as lives seriam a continuação desse trabalho, que depois publico no IGTV. Todo domingo, às 19h, eu faço a live Dedo Mingo, tocando violão e cantando. Nunca toquei tanto violão na minha vida. Isso tem me ajudado a encarar essa quarentena.”
Ele acaba de lançar sua autobiografia (Contos de Thunder) e já tem mais dois livros engatilhados. “No mais, eu queria poder passear com minha bicicleta com mais segurança. Eu, às vezes, dou uma volta, mas pareço um astronauta paramentado. É o mínimo que eu posso fazer nesse caso. Responsabilidade comigo e com o próximo.”