Christopher Nolan peitou a quarentena e a pandemia e vai conseguir estrear seu novo filme nos cinemas ainda em 2020. Mesmo que isso queira dizer que o filme vai estrear onde der, buscando salas de cinema em cidades que já estão em situação mais tranquila em relação ao coronavírus ou que fingem que a pandemia não é tão séria quanto realmente é, como nos Estados Unidos e no Brasil. E o último trailer, com uma música besta do Travis Scott, parece mostrar que a ação verdadeira do novo filme acontece para além das explosões e perseguições que vimos até agora, colocando seus personagens num inusitado cenário de guerra.
Mas mesmo no Brasil Tenet não vai estrear tão cedo – e sua estreia acaba de ser adiada do dia 10 para o dia 24 do mês que vem.
Minha empolgação com filmes do Batman terminou antes que o segundo Batman do Christopher Nolan estreasse: por melhor que fossem as adaptações do diretor de Inception, desde o primeiro filme dava pra saber que ele era outro personagem, de novo, bem diferente do personagem dos quadrinhos. Encarnado em grande estilo por Michael Keaton, Val Kilmer, George Clooney e Christian Bale, o homem-morcego no cinema sempre foi um super-herói porradeiro, um Homem de Ferro monocromático, bem diferente do maior detetive do mundo vendido pelos quadrinhos – um personagem que usa a força quando necessário, mas quase sempre trabalha de forma cerebral. Por melhor que tenha sido a trilogia de Nolan (que não foi tããão melhor assim), ela pecava frontalmente ao transformar o herói em um justiceiro que dependia de armas e tecnologia para fazer seu melhor – sem contar a voz de monstro ridícula que o ator fazia quando colocava a fantasia, que com Bale se tornou uma armadura militar de vez.
Até me animei quando soube que Robert Pattinson (que, depois da saga Crepúsculo, tem se revelado um bom ator) assumiu o lugar de Ben Affleck (um acinte em muitos níveis ao personagem), mas mais pela carreira do novo ator do que propriamente pela possibilidade de finalmente a franquia da DC chegar direito às telonas. Tanto que quando o trailer do novo filme foi anunciado, eu nem me animei nem pra clicar para assistir. Mas alguns amigos falaram para dar uma chance e, tudo bem, é bom. Parece o final da série Gotham (que não vi até o fim) e Pattinson pelo menos não faz voz de monstro quando fala como o super-herói, mas tirando o esperto uso de “Something in the Way” do Nirvana, a impressão é que vamos ver mais do mesmo mais uma vez…
O diretor Matt Reeves tem crédito – é quem segura a câmera no excelente Cloverfield e acerta de jeito em dois filmes da trilogia do Planeta dos Macacos. E o filme ainda traz a Zoe Kravitz de Mulher-Gato, o Paul Dano como Charada, o Colin Farrell como Pinguim, o John Torturro como Carmine Fantino, o Andy Serkis como Alfred e o Jeffrey Wright como Comissário Gordon. Parece promissor, mas não tenho grandes esperanças…
Por que o cinema é tão obcecado com o fim do mundo? Distopias políticas, tragédias naturais, guerras aniquiladoras e destruições apocalípticas estão sempre na pauta de produções cinematográficas desde o início do cinema, mas no fim do século 20 este tema virou praticamente um gênero à parte. Mas o que acontece com o cinema quando vivemos em uma distopia? Quem ainda quer ver a civilização morrendo, o planeta explodindo ou a natureza definhando nos filmes quando a realidade mostra algo bem parecido? Eu e André Graciotti escolhemos este tema para conversar no Cine Ensaio desta semana.
Mais uma segunda-feira, mais um Festa Solo – a versão ao vivo do Vida Fodona no twitch.tv/trabalhosujo, às 21h – este foi o da semana passada…
Thiago França – “São Paulo de Noite”
John Coltrane – “Giant Steps”
Douglas Germano – “ISO 9000”
Rodrigo Campos + Kiko Dinucci – “Clareza”
Siba – “Marcha Macia”
Elis Regina – “Bala com Bala”
Trupe Chá de Boldo – “À Lina”
Vovô Bebê – “Êxodo”
Lulina – “N”
Destroyer – “Kaputt”
Glue Trip – “La Edad Del Futuro”
Stephen Malkmus – “Brainwashed”
Angel Olsen – “Whole New Mess”
Joana Queiroz – “Tempo Sem Tempo”
Josyara – “Solidão Civilizada”
John Cale – “I Keep a Close Watch”
Weyes Blood – “Andromeda”
Serge Gainsbourg – “La Ballade De Melody Nelson”
Gilberto Gil + Jorge Ben + Sergio Mendes- “Emoriô”
Elizeth Cardoso – “Eu Bebo Sim”
Erasmo Carlos – “Mané João”
Curumin – “Tudo Bem Malandro”
Felipe Dylon – “Musa do Verão”
Zombies – “Time of the Season”
XTC – “Mayor of Simpleton”
Paul Simon – “You Can Call Me Al”
Yo La Tengo – “Moby Octopad”
PELVs – “Even When the Sun Goes Down (I’ll Surf)”
Alanis Morrissette – “You Oughta Know”
Alanis Morrissette – “Ironic”
Alanis Morrissette – “Hand in My Pocket”
Green Day – “Welcome to Paradise”
Green Day – “Longview”
Pixies – “Winterlong”
Sonic Youth – “Incinerate”
Courtney Barnett + Kurt Vile – “Over Everything”
Crosby, Stills & Nash – “Suite Judy Blue Eyes”
Fleetwood Mac – “Dreams”
Edwyn Collins – “A Girl Like You”
A dupla australiana Avalanches lança mais um single de seu terceiro álbum, desta vez gravado com a International Space Orchestra, em colaboração com artistas tão diferentes quanto Jamie xx, Clypso, Neneh Cherry e o clash Mick Jones, além de usar samples do disco que a sonda espacial Voyager carregou consigo com sons que representassem o planeta para uma possível civilização alienígena que eventualmente a encontrasse no espaço.
O penúltimo disco dos Doors com Jim Morrison, Morrison Hotel está sendo revisitado em uma reedição de aniversário de 50 anos, trazendo uma versão remasterizada do disco em vinil e CD e um segundo CD cheio sobras de estúdio, incluindo uma versão para “Money (That’s What I Want)”, além de um encarte com textos sobre o disco. A nova versão será lançada em outubro e já está em pré-venda no site da banda, que também liberou uma das versões alternativas de “Peace Frog” com “Blue Sunday”, que pode ser ouvida como aperitivo.
Eis a cara do disco e, abaixo, a ordem das músicas:
Disco 1: The Original Album
“Roadhouse Blues”
“Waiting For The Sun”
“You Make Me Real”
“Peace Frog”
“Blue Sunday”
“Ship Of Fools”
“Land Ho!”
“The Spy”
“Queen Of The Highway”
“Indian Summer”
“Maggie M’Gill”
Disco 2: Mysterious Union
“Queen Of The Highway” (Take 1, She Was A Princess)
“Queen Of The Highway” (Various Takes)
“Queen Of The Highway” (Take 44, He Was A Monster)
“Queen Of The Highway” (Take 12, No One Could Save Her)
“Queen Of The Highway” (Take 14, Save The Blind Tiger)
“Queen Of The Highway” (Take 1, American Boy – American Girl)
“Queen Of The Highway” (Takes 5, 6 & 9, Dancing Through The Midnight Whirlpool)
“Queen Of The Highway” (Take 14, Start It All Over)
“I Will Never Be Untrue”
“Queen Of The Highway” (Take Unknown)
“Roadhouse Blues” (Take 14, Keep Your Eyes On The Road)
“Money (That’s What I Want)”
“Rock Me Baby”
“Roadhouse Blues” (Takes 6 & 7, Your Hands Upon The Wheel)
“Roadhouse Blues” (Take 8, We’re Goin’ To The Roadhouse)
“Roadhouse Blues” (Takes 1 & 2, We’re Gonna Have A Real Good Time)
“Roadhouse Blues” (Takes 5, 6 & 14, Let It Roll Baby Roll)
“Peace Frog/Blue Sunday” (Take 4)
“Peace Frog” (Take 12)
No começo deste mês o grupo Washed Out mostrou seu novo disco, o excelente Purple Noon, em que retoma sua sonoridade já clássica depois do experimento funky Mister Mellow. E para marcar o lançamento do disco, cuja atmosfera foi inspirada no filme franco-italiano O Sol por Testemunha, de 1960, com sua vibe de por do sol no Mar Mediterrâneo, o grupo apresentou-se ao vivo na beira do mar, ao por do sol, numa apresentação deslumbrante…
“Time to Walk Away”
“Reckless Desires”
“Too Late”
“Face Up”
“Hide”
“Paralyzed”
“Leave You Behind”
De quebra, o cérebro e coração da banda, Ernest Green, apresentou novamente parte do repertório do disco em um show na cozinha de casa gravado para a rádio KEXP, ao lado de sua companheira e também integrante da banda, Blair Greene.
“Paralyzed”
“Time To Walk Away”
“Face Up”
“Too Late”
Em outra reedição caprichada da Rhino, o disco que consolidou a importância do Sepultura na cena mundial, Beneath the Remains, ganha uma nova versão em vinil com direito ao disco de 1989 remasterizado a partir das fitas originais, além de um segundo disco com faixas gravadas no Rio de Janeiro, algumas em versão instrumental, antes do grupo registrar as versões definitivas na Flórida, e músicas tiradas do show que o grupo mineiro fez no clube Zeppelinhalle, na cidade alemã de Kaufbeuren, no dia 22 de setembro do ano de lançamento do disco, com direito a versões para “Symptom Of the Universe” do Black Sabbath e “Holiday In Cambodia” dos Dead Kennedys:
Íamos falar de Juntatribo, mas Lovecraft Country, a nova série de horror da HBO, nos fisgou logo após seu primeiro episódio, por isso pulamos o festival indie campineiro para dedicar a edição desta semana do DM à investigação da obra e do personagem que inspiraram a série, o incel chamado H.P. Lovecraft, bem como a história de seu legado e sua mitologia, que foi parar inclusive nas mãos de Alan Moore. Também celebramos as cabeças por trás da série – nominalmente JJ Abrams, Jordan Peele e Misha Green – e descobrimos que o futuro da era de Aquário é o Grande Lebowski.
Azymuth – “As Curvas da Estrada de Santos”
Negro Leo – “Esplanada”
Tatá Aeroplano – “Trinta Anos Essa Noite”
Taylor Swift – “The Lakes”
Weyes Blood – “Wild Time”
Caetano Veloso – “You Don’t Know Me”
Pink Floyd – “Sheep”
Carole King – “Beautiful”
Chico Buarque – “Pelas Tabelas”
Hot Chip – “Flutes”
Tame Impala – “Is It True (Four Tet Remix)”
Chromatics – “Twist The Knife (8 Track Instrumental)”
Lana Del Rey – “LA Who Am I to Love You”
Khruangbin – “Dern Kala”
Doors – “The Changeling”
Bonifrate – “Psykick Dancehall”
Herb Alpert – “This Guy’s In Love With You”
Angel Olsen – “Waving, Smiling”