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Um Anthology só para Get Back

Get Back - The Beatles

Tido com o período mais desgastante da história dos Beatles, janeiro de 1969 não apenas acompanhou a primeira gravação de um disco da banda longe de Abbey Road, o familiar estúdio da gravadora EMI em que gravaram todos seus discos, como culminou com a última apresentação ao vivo da banda, quando tocam músicas destas gravações no topo do prédio de sua gravadora Apple. Mas o diretor Peter Jackson, contratado para afundar-se no material registrado neste período – centenas de horas de áudio e vídeo que pouquíssimos puderam ter contato -, afirma textualmente que irá mudar a cara que este período tem na história dos Beatles, ao apresentar o documentário The Beatles: Get Back, cujo lançamento foi adiado para agosto do ano que vem.

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A novidade é que junto com o filme, o grupo lançará seu primeiro livro desde que resumiram sua história na Bíblia oficial do grupo que acompanhou o projeto audiovisual Anthology. O livro The Beatles: Get Back tem 240 páginas, capa dura e traz a transcrição de diálogos tirados das mais de 120 horas do grupo no estúdio, primeiro no Twickenham Film Studios e depois no novíssimo Apple Studio do próprio grupo, centenas de fotos inéditas, tiradas por Ethan A. Russell e Linda McCartney, introdução escrita pelo romancista Hanif Kureishi e prefácio assinado pelo diretor do filme. Escreve Kureishi reafirmando a impressão de Jackson: “Na verdade, este foi um momento produtivo para eles, quando criaram alguns de seus melhores trabalhos. E é aqui que temos o privilégio de testemunhar seus primeiros rascunhos, os erros, as derrapagens e digressões, o tédio, a empolgação, a interferência alegre e as descobertas repentinas que levaram ao trabalho que agora conhecemos e admiramos.”

O livro já está em pré-venda, mesmo que chegue apenas em agosto do ano que vem.

Bom Saber #020: Ava Rocha

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Mais do que cantora e compositora, Ava Rocha é uma artista completa. Seu olhar e sensibilidade vão para além da canção ou do palco e incluem outras disciplinas, fazendo que ela naturalmente ultrapasse barreiras artísticas e de linguagem sem que isso pareça um empecilho ou uma novidade. Convidei-a para a edição desta semana do Bom Saber para ouvi-la falar sobre como ela está atravessando este estranho 2020 e como isso está impactando em sua vida e, portanto, em sua arte. É o início de uma conversa sobre o papel da arte e do artista, redes sociais, mercado de entretenimento, vocação e expressão, novas tecnologias, preconceito artístico e hegemonia de padrões e, claro, sobre seus planos futuros, que incluem o lançamento do disco que gravou na temporada que passou na China.

O Bom Saber é meu programa semanal de entrevistas que chega primeiro para quem colabora com meu trabalho, como uma das recompensas do Clube Trabalho Sujo. Além da Ava, já conversei com Bruno Torturra, Dani Arrais, Negro Leo, Janara Lopes, Tatá Aeroplano, Ana Frango Elétrico, João Paulo Cuenca, Eduf, Pena Schidmt, Roberta Martinelli, Dodô Azevedo, Matias Maxx, Larissa Conforto, Ian Black, Fernando Catatau, Pablo Miyazawa, Mancha, André Czarnobai e Alessandra Leão – todas as entrevistas podem ser assistidas aqui no Trabalho Sujo – ou no meu canal no YouTube, assina lá.

Avalanches com data marcada

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A dupla australiana Avalanches finalmente marca o lançamento e apresenta o título de seu terceiro disco, We Will Always Love You, que deverá sair em dezembro, depois de quase um ano dando dicas de que viria aí. E depois de mostrar as faixas “Wherever You Go“, “Running Red Lights” e a faixa que agora sabemos que é a faixa-título, o grupo lança mais duas, “Take Care In Your Dreaming”, que conta com as participações de Tricky, Denzel Curry e Sampa The Great, e “Music Makes Me High”, além de mostrar a capa do disco – aí em cima (que já está em pré-venda):

Tá fino, hein.

O disco de versões do Lambchop

Lambchop2020

O grupo norte-americano Lambchop, mestres do country moderno, acaba de anunciar o lançamento de seu décimo quarto álbum, um disco inteiro dedicado a versões de músicas alheias, uma escolhida por cada integrante do grupo. Trip começou a partir de uma ideia do líder e principal compositor do grupo, Kurt Wagner, que queria “ver o que aconteceria se eu me retirasse do processo o máximo que pudesse” e assim seus companheiros de banda escolheram músicas do Stevie Wonder, das Supremes, de George Jones, dos Mirrors e de James McNew, do Yo La Tengo. Para abrir o disco e os trabalhos do álbum que será lançado em novembro, o grupo foi com a música escolhida pelo baterista do grupo, Matthew McCaughan, que pinçou “Reservations” do Wilco. Ele comentou sobre sua escolha:

“Gosto de dizer que ‘Reservations’ do Wilco é uma música que sempre quis fazer uma versão, mas, honestamente, depois que um amigo mencionou isso em uma história, tive que voltar e ouvi-la novamente. Escolher uma versão é estressante para mim. É uma coisa meio idiota para se estressar, mas tantas músicas têm memórias ligadas a elas, e eu não quero obscurecer essas memórias. Geralmente escolho uma daquelas músicas que eu sinto que se encaixaria na banda, mas então vou e volto, pensando na melhor maneira de abordar o arranjo. Devemos honrar o original e tentar recriar fielmente todos os sons e feitos que tornam a música especial para mim ou devemos desmontá-la e começar de novo? Em seguida, acrescente o fato de que a versão será gravada e preservada para sempre. Eu não conseguia pensar em uma música que não pudesse servir de argumento para ambas as abordagens, então sempre terminava em um impasse para uma só pessoa. Então decidi que escolheria uma música que, embora eu a ame e saiba disso, não fosse uma que tivesse sido repetida por meses em algum momento da minha vida, nem que estivesse permanentemente ligada a alguma lembrança minha própria. Em vez disso, usei as memórias e lembranças de minha família e amigos com ou sem a permissão deles. Assim eu estragaria tudo para eles. Mas é o pensamento que conta.”

E a versão ficou linda, mesmo esticando-se por treze minutos:

Trip já está em pré-venda e abaixo segue sua capa e a ordem das músicas.

TRIP-lambchop

“Reservations” (do Wilco)
“Where the Grass Won’t Grow” (de George Jones)
“Shirley” (dos Mirrors)
“Golden Lady” (de Stevie Wonder)
“Love Is Here and Now You’re Gone” (das Supremes)
“Weather Blues” (do James McNew do Yo La Tengo)

Esquece os shows

Fui entrevistado pela Camila, do site Brasil Econômico, sobre a possibilidade de volta de apresentações musicais ao vivo seis meses depois de declarada a pandemia e não acho nada legal a ideia de ter shows com público antes de termos domado o coronavírus – confere a íntegra da matéria aqui.

Cine Ensaio: A Adolescência nas Telas

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A adolescência transformou-se à medida que começou a ser representada no cinema e a partir de filmes de diferentes épocas – e tantas outras séries de TV -, eu e André Graciotti entramos de cabeça num cânone que inclui Rebelde Sem Causa, os filmes dos Beatles, Nos Tempos da Brilhantina, Picardias Estudantis, Skins, Porky’s, os filmes de John Hughes, a Revolta dos Nerds, A Culpa é das Estrelas, Freaks & Geeks, Vidas Sem Rumo, Mean Girls, Malhação, 13 Reasons Why, Barrados no Baile, Superbad, Confissões de Adolescente, That 70s Show, Juno, Sex Education… Cada uma destas obras retratando um momento diferente da sociedade e como a adolescência retrata essas transformações.

Vida Fodona #674: Festa-Solo (7.9.2020)

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Mais uma segunda, mais um Festa-Solo ao vivo na twitch.tv/trabalhosujo a partir das 21h – este foi o da semana passada. Quem vem hoje?

Haim – “Summer Girl (Amber Mark Remix)”
Dua Lipa – “Pretty Please”
Jessie Ware – “Spotlight”
Pet Shop Boys – “West End Girls”
Letrux – “Coisa Banho de Mar (Tin God Remix)”
Waterboys – “The Whole of the Moon”
Joe Goddard + Betsy – “Endless Love”
LA Priest – “What Moves (Soulwax Remix)”
New Order – “Bizarre Love Triangle”
Lizzo – “Juice”
Cut Copy – “Hearts on Fire (Holy Ghost Remix)”
Chaka Khan – “I Feel For You”
Curtis Mayfield – “Superfly”
Bixiga 70 – “100% 13”
Karina Buhr – “Conta-Gotas”
Rita Lee – “Ovelha Negra”
Ritchie – “Vôo de Coração”
Orange Juice – “Falling and Laughing”
Whitest Boy Alive – “1517”
Beta Band – “Dry the Rain”
Pink Floyd – “Free Four”
Cat Power – “The Greatest”
Van Morrison – “Astral Weeks”
Lana Del Rey – “Venice Bitch”
Weyes Blood – “Wild Time”
Angel Olsen – “(We Are All Mirrors)”
Stephen Malkmus – “Shadowbanned”
Ariel Pink’s Haunted Graffiti – “Round and Round”
Bárbara Eugênia – “Coração”
Amy Winehouse – “You Know I’m No Good”
Arctic Monkeys – “You Know I’m No Good”
Al Kooper + Shuggie Otis – “Lookin’ for a Home”
Beatles – “Happiness Is A Warm Gun”

Yumi Zouma reinventado

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O grupo neozelandês Yumi Zouma lançou seu disco mais recente, Truth or Consequences, no dia seguinte em que a Organização Mundial da Saúde declarou que o coronavírus era efetivamente uma pandemia, no meio de março, e, assim, ficou sem poder fazer shows, como todos os artistas do mundo. A alternativa que eles inventaram foi começar a recriar aquele mesmo disco a partir das condições de isolamento social a que todos fomos submetidos, mantendo o vínculo com as músicas que estavam prontas para encontrar o público ao vivo, num outro tipo de show. Eles estão aos poucos mostrando as novas versões deste Truth or Consequences – Alternate Versions (já em pré-venda), que deve ser lançado em

E pra quem não ouviu a versão original do disco, olha ela aí:

Sempre bom, né?