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Bom Saber #023: Renata Simões

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Acompanho o trabalho da Renata Simões bem antes de nos tornarmos amigos e sempre fui fã de sua curiosidade cara-de-pau, que descobre histórias nos intervalos das gravações, puxa personagens improváveis para assuntos pouco óbvios ou simplesmente aponta pessoas que estão fazendo diferença, sempre experimentando linguagem, tom e abordagem num meio tão engessado como a televisão. Do Vídeo-Show ao Urbano, passando por seu documentário e agora as reportagens no Metrópolis, ela mistura jornalismo, entretenimento e crônica de um jeito em que tanto ela, o espectador e o entrevistado se sintam bem à vontade. E como ela é comadre, o papo nunca termina…

Todo o Show: Angel Olsen ao vivo no Tiny Desk da NPR

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Angel Olsen tocando quatro músicas dela na varanda de sua nova casa, em Asheville, na Carolina do Norte, nos EUA. Precisa de mais algo?

“Whole New Mess”
“Iota”
“What It Is (What It Is)”
“Waving, Smiling”

Johnny Nash (1940-2020)

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Johnny Nash, que morreu nesta terça-feira, viu o reggae nascer quando se mudou dos Estados Unidos para a Jamaica em 1965 e descobriu uma banda local promissora chamada The Wailers liderada por um cantor e compositor carismático chamado Bob Marley. Tentou fazer sucesso como um intérprete de rocksteady local, mas logo estava incorporando a nova sonoridade que surgia na ilha caribenha à medida que Marley misturava o mento e o ska locais com a soul music que chegava pelas ondas do rádio dos Estados Unidos. Nash logo começou a compor suas canções, tornou-se o primeiro não-jamaicano a gravar reggae em Kingston e, após uns pequenos hits na Inglaterra, ganhou o planeta com o hit avassalador “I Can See Clearly Now”, um dos grandes hinos fundadores do gênero e o primeiro single de reggae a vender mais de um milhão de discos, lançado no mesmo 1972 que Bob Marley derrubava tudo com seu álbum Catch a Fire.

De timbre doce e sinuoso, ele foi um nobre coadjuvante no início da história do gênero e um dos responsáveis por tornar Bob Marley mais conhecido – e a ter seu primeiro contato assinado com uma gravadora. Nash chegou a emplacar mais hits através dos anos 70, entre eles versões reggae para canções de Sam Cooke. Mas desde os anos 80 não conseguiu levar sua carreira adiante, embora seu papel histórico seja claro como a forma que ele conseguia ver em seu grande hit.

Altos Massa: Você é o que você gosta?

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Mais uma vez eu e Pablo Miyazawa questionamos a forma como valorizamos a cultura a partir do momento em que a usamos para nos rotular – seja em tribos, em estilos de vida, em estilos artísticos, preferências e gostos pessoais. Estas tags se misturam à imagem que queremos que as pessoas tenham sobre a gente ao mesmo tempo em que moldamos nossa própria personalidade a partir desta criação, que é quase um escudo. E o Altos Massa dessa quinzena fala sobre como transformamos substantivos próprios em adjetivos para nossa conveniência emocional – e como podemos sair disso.

John Cale só na preguiça

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O fundador do Velvet Underground, John Cale, começou o ano preparando-se para lançar seu primeiro disco desde 2016 – até conversamos sobre isso quando ele passou pelo Brasil em março -, mas a pandemia teve de fazê-lo adiar o disco que indefinidamente. Mas isso não o estagnou e ele preparou algo específico para esse período de quarentena: ” então me ocorreu que eu tenho algo para o momento, uma música que eu terminei recentemente…”, explicou em um comunicado. “Com o mundo saindo de sua órbita, eu queria parar a guinada e desfrutar de um período em que podemos tomar nosso tempo e respirar nosso caminho de volta para um mundo mais calmo”, encerra, apresentando seu novo single, “Lazy Day”.

“Now here you go again…”

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E o viral do ano começou a ganhar outras versões, incluindo do próprio autor da música que o inspirou, Mick Fleetwood…

E ele está longe de ser o único…

https://twitter.com/ThePest89/status/1312854390194212866

Outros tantos virão… Duvida? Agora que apareceu o primeiro famoso…

Eddie Van Halen (1955-2020)

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Mais uma perda triste deste ano funesto: agora foi a vez do guitarrista Eddie Van Halen, que vinha lutando contra um câncer na garganta há pelo menos cinco anos. O virtuose holandês, que fundou o principal grupo de hard rock dos anos 80 ao lado do seu irmão, o baterista Alex, também reinventou o conceito de guitar hero transformando a técnica em uma espécie de superpoder, desprendendo a guitarra do blues e jogando para um território sônico completamente novo, hiperbólico e lúdico ao mesmo tempo em que preciso e detalhista, influenciando praticamente todos os guitarristas de hard rock e heavy metal que começaram depois dele. Um gênio do pop, também sabia equilibrar a seriedade de sua técnica com o escracho de sua presença de palco, transformando-se numa figura onipresente na década em que dominaram o planeta, nos anos 80, e mudando os rumos do showbusiness. Não é pouca coisa…

Cine Ensaio: O Novo Cinema de Classes

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Dois dos filmes mais bem-sucedidos do ano passado – Bacurau e Parasita – reforçaram uma tendência cinematográfica recente de questionar o sistema a partir da realização que ele é composto por pessoas. São filmes como Nós, Sobre Facas e Segredos, Coringa, entre vários outros, que parecem despertar uma consciência das classes oprimidas ao mesmo tempo em que revêem o papel dos ricos nessa história. No Cine Ensaio desta semana, eu e André Graciotti nos aprofundamos nessa tendência recente para também lembrar a forma dúbia que milionários foram retratados na história do cinema.

Miriam Martinez (1955-2020)

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Lembro a primeira vez que entrevistei um artista através de assessoria de imprensa quando Arnaldo Antunes iria lançar seu segundo disco solo, Ninguém. Havia acabado de começar a carreira entrevistando artistas depois de shows, lidando com produtores e empresários sem saber qual era a diferença entre estes diferentes cargos. Quem me explicou que eu poderia não apenas ouvir um disco antes de ele ser lançado como entrevistar o artista antes desse disco sair foi Mirian Martinez, que nos deixou nesta segunda. Ela viu meu nome assinando matérias sobre música num jornal no interior de São Paulo e resolveu entrar em contato para saber se eu não queria entrevistar o ex-titã. Quando ela entendeu que eu não conhecia nada deste circuito, me explicou como funcionava e pediu para que eu me apresentasse pra ela ao final da entrevista, que aconteceu ao vivo, no prédio da antiga gravadora BMG. Ao final da coletiva, apresentei-me e ela me explicou pacientemente como era o processo de agendar entrevistas, para que servia o assessor de imprensa, o produtor e o empresário do artista. Uma pequena aula, de graça. No final ainda puxou uma sacola cheia de CDs: “Não esquece que toda semana a gente te manda o suplemento!”

Se fosse só por esse primeiro contato, Miriam já teria minha gratidão eterna por ter explicado algo que a maioria dos profissionais aprende na marra. Mas sempre que a via era uma festa, com seu jeito expansivo e sua longa gargalhada, dominava qualquer ambiente e contagiava a todos com seu astral. Muita gente a conheceu ali na entrada lateral da Via Funchal, certamente as últimas vezes que a vi, recebendo imprensa e convidados daquela que era a melhor casa de shows que São Paulo já viu. Perdi o contato mas sabia que ela ainda estava por aí, ajudando a espalhar a boa música e contagiando novos e velhos amigos com sua simpatia imensa. Saudades, Miriam, fica bem.

Vida Fodona #680: Festa-Solo (28.9.2020)

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Começando outra semana, lembrando que toda segunda tem Vida Fodona ao vivo a partir das 21h no twitch.tv/trabalhosujo – este foi o da semana passada…

BaianaSystem + Curumin + Edgar – “Solar”
Rockers Control – “Soltinho Dub”
Anelis Assumpção + Liniker & Os Caramelows + Victor Hugo – “Paint My Dreams”
Céu – “Cangote”
Gilberto Gil – “Toda Menina Baiana”
Mayer Hawthorne – “A Long Time”
Tops – “Way to Be Loved”
Taylor Swift – “Blank Space”
Racionais MCs – “Você Me Deve”
Salt-N-Pepa – “Push It”
Run-D.M.C. – “It’s Tricky”
Beastie Boys – “No Sleep Till Brooklyn”
Planet Hemp – “12 Com Dezoito”
Usher + Ludacris + Lil’ Jon – “Yeah”
Missy Elliot + Gramatik – “Work It”
Justin Timberlake – “Rock Your Body”
Nelly Furtado + Timbaland – “Promiscuous”
Justice & Simian – “We Are Your Friends”
Technotronic – “Move This”
Skylar Spence – “Can’t You See”
Arctic Monkeys – “Fake Tales of San Francisco”
Radiohead – “Jigsaw Falling Into Place”
Cure – “Killing An Arab”
R.E.M. – “It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)”
Billy Joel – “We Didn’t Start the Fire”
Fall – “Mr. Pharmacist”
Rádio Taxi – “Garota Dourada”
Queens of the Stone Age – “Make it Wit Chu”
Prince – “Raspberry Beret”
Guilherme Arantes – “Cheia de Charme (Extended Version)”
Marvin Gaye – “Mercy Mercy Me (The Ecology)”
Isaac Hayes – “Never Can Say Goodbye”
Dionne Warwick – “Walk on By”
Elis Regina – “As Curvas da Estrada de Santos”
David Bowie – “Changes”
Beatles – “I’ve Got a Feeling”
Beatles – “Old Brown Shoe”
Beatles – “The Ballad of John & Yoko”