Sexta-feira 13 é um ótimo dia pra se acabar numa festa online, dizaê… Cola lá às 23h45 no twitch.tv/trabalhosujo – e assim foi a edição da sexta passada.
Big Star – “Thirteen”
Billie Eilish – “Therefore I Am”
Céu – “Rotação”
New Order – “Age of Consent”
Pixies – “Winterlong”
Otto – “Soprei”
Mutantes – “Jogo de Calçada”
Lô Borges – “Faça Seu Jogo”
Queen – “Play the Game”
Goblin – “Witch”
PJ Harvey – “The Last Living Rose”
Patti Smith – “Land”
Of Montreal – “The Past Is A Grotesque Animal”
Daft Punk + Giorgio Moroder – “Giorgio by Moroder”
Digitaldubs- “Fleetwood Dub”
Avalanches + Leon Bridges – “Interstellar Love”
Zé Manoel – “Adupé Obaluaê”
Luedji Luna – “Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água”
Neville Brothers – “In The Still Of The Night”
Yma – “No Aquário”
Dharma Lovers – “Peixes”
Jupiter Apple – “Over the Universe”
Jorge Ben – “Cinco Minutos”
Djavan – “Samurai”
Jards Macalé – “Let’s Play That”
Vovô Bebê – “Êxodo”
Luisa e os Alquimistas + Jéssica Caitano – “Descoladinha”
Katy Perry + Juicy J – “Dark Horse”
Internet – “Dontcha”
Lauryn Hill – “Doo Wop (That Thing)”
Racionais MCs – “Você Me Deve”
Taylor Swift – “Blank Space”
My Chemical Romance – “Teenagers”
David Bowie – “Moonage Daydream”
T-Rex – “Telegram Sam”
Blue Oyster Cult – “(Dont Fear) The Reaper”
Stealers Wheel – “Stuck in The Middle With You”
Steve Miller Band – “Abracadabra”
Kinks – “David Watts”
Doors – “You’re Lost Little Girl”
Velvet Underground – “Candy Says”
Nick Drake – “Poor Boy”
Dionne Warwick – “Walk On By”
Caetano Veloso – “Nine Out of Ten”
Can – “She Brings The Rain”
Carole King – “Beautiful”
Paul McCartney – “Check My Machine”
Bárbara Eugenia + Pélico- “Roupa Suja”
Letrux – “Ninguém Perguntou Por Você”
Eddie – “Sentado Na Beira Do Rio”
Boogarins – “As Chances”
Beatles – “Not Guilty”
“Sou cobrada há anos pelo pessoal que acompanha meus lançamentos para disponibilizar também essas gravações antigas”, me explica Lulina por email, sobre a caixa de músicas que começa a lançar nesta sexta-feira 13 (claro) em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. “Já prometi tantas vezes organizar isso, que tenho até vergonha de só lançar agora.” A “caixa” é digital, chama-se Pequena Coletânea de Gravações Caseiras e vem no formato playlist no YouTube, que ela torna pública no final desta sexta-feira, e que é praticamente seu próprio Arquivo X.
“Adelaide”, do disco inédito Brebotes
Quem conhece o trabalho da cantora e compositora pernambucana a partir de sua discografia inicial, iniciada com o ótimo Cristalina, que completou dez anos no ano passado, sabe só de metade da história, que ela começa a mostrar para o grande público vinte anos depois de ter começado a gravar. Antes de mudar-se para São Paulo, Lulina era quase um segredo do então jovem indie brasileiro, lançando discos compulsivamente em CD-Rs artesanais que mandava pelo correio. Fazia as capas à mão, desenhadas, que acabavam traduzindo o espírito caseiro das gravações e das letras, que falavam de paixões, alienígenas, uma saudável (pelo menos para mim) obsessão pelo número 13 e de fatos que iam acontecendo em sua vida, de diagnósticos médicos, piadas internas e
“Birigui”, do álbum Abduzida, de 2003
“A ideia de uma coletânea surgiu da minha falta de organização: como tem algumas músicas que estão perdidas e capas com resolução baixa, achei mais fácil fazer uma seleção, aproveitando a imagem de um flyer divertido que o Binho Miranda tinha feito para um show meu. E claro que passar mais tempo em casa também me fez ter vontade de visitar e celebrar essas produções caseiras.” Não me culpo de assumir que era um dos que mais pilhava a artista para retomar essa parte de sua discografia.
“O que você estiver vendo a nuvem forma agora”, do disco Bolhas na Pleura (2004)
Ela começa a mostrar estas músicas pelo seu canal no YouTube. “Essa coletânea não chega a revelar tanta coisa assim de cada disco caseiro, é um passeio relâmpago, que tenta mostrar a diversidade de gravações e temas, indo de músicas mais zoeiras – muitas feitas entre cervejas e amigos em chãos de apartamentos – até as mais significativas para mim, feitas em momentos difíceis como a perda repentina da minha vó.”
“Tangerine girl”, do álbum Abduzida (2003)
Quando pergunto se ela vai lançar alguma coisa inédita, ela já responde de cara: “Tu acabou de me dar uma ideia. Essas primeiras 33 que selecionei aqui são de discos caseiros já lançados. Mas tenho muita gravação caseira antiga que não foi lançada, que faria parte do disco ‘Brebotes’ que nunca chegamos a lançar, então pode ser uma boa resgatar essas antiguidades e jogar como velhas novidades na coletânea também. O legal desse formato de playlist no Youtube é que fica uma coletânea viva, vez por outra vou adicionando coisa lá e quem estiver me seguindo vai ser notificado.”
“Chico”, do álbum Aceitação do 14 (2008)
Quando a pergunto sobre essa volta ao próprio passado, ela viaja: “É sempre muito estranho, porque é literalmente a trilha sonora da minha vida. Morro de rir ouvindo as gravações do disco Abduzida, de 2003, por exemplo, porque era tudo muito espontâneo e novo, era o meu primeiro ano em São Paulo e tudo era motivo para apertar o REC. Já o disco Sangue de ET, de 2005, eu não consigo ouvir sem chorar. Lembro de estar sozinha no meu quarto gravando tudo e a tristeza daquele período transparece na minha voz.”
“Fuga pelo miojo”, do disco Aos 28 anos dei reset na minha vida (2008)
Inevitável perguntar sobre a quarentena, mas ela saca uma surpresa da cartola: “Para minha surpresa, tive a inspiração de compor muitas músicas sobre uma temática que não costumo visitar tanto: o amor. Junto com meu amigo Hurso Ambrifi, vou lançar em breve um disco – já tá pronto – que gravamos em trocas de emails e áudios de celular nessa quarentena, numa tentativa de realizar uma promessa antiga, que surgiu lá em 2016: a de compor e produzir canções inspiradas em um estilo que compartilhamos certa afeição, que é o city pop. E dessa mistura surgiram 11 músicas sobre a temática amorosa e um disco/artista novo, que chamaremos de Hursolina.”
“Clausura da Rima”, do álbum Translúcida (2006)
E não é só isso: “Além disso, também penso talvez em gravar no futuro um disco novo a partir dessa coletânea de gravações caseiras”, divaga. “Meu primeiro disco de estúdio, o Cristalina, de 2009, é uma coletânea das gravações caseiras dos meus primeiros anos compondo. Então, de repente lanço um Cristalina II, ou melhor, um Opaca, caso algumas dessas músicas se destaquem no meu Youtube.” Como não amá-la?
Em mais um programa dedicado à dissecar as idas e vindas do jornalismo que cobre música no Brasil, faço a conexão com Salvador para falar de um jornalistas mais influentes em cenas locais dos últimos anos, embora seu baixo perfil pareça colocá-lo alheio à cena. Luciano Matos cobre a cena soteropolitana há décadas em seu Elcabong e vem mexendo com a autoestima da cena da capital baiana para além do texto de seu site, em outras encarnações que vão para outros formatos, como festa, programa de rádio, festival e agora livro, uma novidade que ele conta em primeira mão.
Desde o final do ano passado Billie Eilish vem ameaçando seu segundo álbum mostrando aos poucos músicas novas: primeiro foi a melancólica “Everything I Wanted”, que seguiu-se da suntuosa “No Time to Die”, tema do próximo filme de James Bond, para finalmente chegar à balada “My Future”. Em comum, as três músicas encontravam-na mais reservada, mais séria e de alguma forma introspectiva, mas finalmente ela mostra que a Billie que encantou o mundo ano passado segue firme, ao apresentar o single – e o clipe – de “Therefore I Am” nesta quinta-feira.
Sozinha num shopping center (a Glendale Galleria, um dos maiores shoppings de Los Angeles), ela diverte-se sozinha, passando por cima de balcões, surrupiando comida e dominando o cenário como se fizesse uma metáfora para a invasão que fez ao showbusiness no ano passado. A letra encerra um pé na bunda com estilo e o clipe, filmado em uma noite, com um iPhone, reforça que ela só precisa dela mesma para seguir galgando rumo ao topo do pop.
O clássico grupo indie escocês Teenage Fanclub mostra “Home”, single que anuncia o lançamento do primeiro álbum do grupo após a saída de Gerard Love em 2018. Endless Arcade será lançado em março do ano que vem e traz pela primeira vez a formação do grupo como um quinteto, com Norman Blake e Raymond McGinley nas guitarras e vocais, Francis MacDonald na bateria e os novatos Dave McGowan, no baixo, e Euros Childs (sim, o mesmo do Gorky’s Zygotic Mynci) nos teclados.
Amo o solo dobrado da música. Endless Arcade, cuja capa e ordem das faixas vêm abaixo, já está em pré-venda.
“Home”
“Endless Arcade”
“Warm Embrace”
“Everything is Falling Apart”
“The Sun won’t shine on me”
“Come With Me”
“In Our Dreams”
“I’m more inclined”
“Back in the Day”
“The Future”
“Living with You”
“Silent Song”
Luiza Lian entrou no ano disposta a lançar o sucessor do ótimo Azul Moderno que lançou há dois anos, mas teve, como todos nós, de refazer seus planos pois o 2020 que não esperávamos aconteceu. Vendo seu planejamento se desfazer, ela também reviu o disco que estava terminando com o produtor Charlie Tixier por uma nova luz, o que lhe trouxe a um novo entendimento de um álbum que já tem título e está quase finalizado, à exceção de sua extensão audiovisual que, sem previsão de voltar a fazer shows, ganhou outra conotação para a cantora e compositora paulistana. Conversamos sobre processo criativo, sua relação com a espiritualidade, como lançar um disco nessa época estranha que vivemos e como Luiza enxerga esse momento que estamos atravessando.
O produtor inglês Sam Shepherd, o nome por trás da grife eletrônica Floating Points, remixou “Fair Chance”, que o músico norte-americano Thundercat compôs em homenagem ao falecido rapper Mac Miller em seu disco mais recente, It Is What It Is, e o resultado, graças a um grauzinho esperto dado por sintetizadores precisos, leva a faixa, que ainda tem participação de Lil B e Ty Dolla $ign para outra dimensão. Sente só:
A irmãs Haim lançaram “Feel the Thunder”, metal farofa fuleiro para a animação The Croods: A New Age e visitam a região de Los Angeles que, felizmente, deixaram de fora de seu ótimo Women in Music Part III.
É uma das piores – talvez a pior – músicas do trio. Não tem ironia que salve isso.
Já que a pandemia mudou todas agendas, o New Order resolveu abrir 2021 lançando mais um disco ao vivo: o registro do único show que o grupo de Manchester deu em 2018, quando tocou no clássico palco do Alexandra Palace (o mesmo em que Nick Cave gravou sozinho seu Idiot Prayer). O grupo aproveitou o aniversário de dois anos do show, que aconteceu no dia 9 de novembro, para anunciar o novo disco, que virá em “múltiplos formatos” e não tem título definido ainda, mas deve ser lançado em abril do ano que vem. Para antecipar o lançamento, eles soltaram a versão do show para “Sub-culture”:
E o repertório do show original foi esse (incluindo esse bis Joy Division):
“Singularity”
“Regret”
“Love Vigilantes”
“Ultraviolence”
“Disorder” (Joy Division cover)
“Crystal”
“Academic”
“Your Silent Face”
“Tutti Frutti”
“Sub-Culture”
“Bizarre Love Triangle”
“Vanishing Point”
“Waiting for the Sirens” Call”
“Plastic”
“The Perfect Kiss”
“True Faith”
“Blue Monday”
“Temptation”
Bis:
“Atmosphere”
“Decades”
“Love Will Tear Us Apart”
Um momento de introspecção envolto em uma bebida quente. Eu e Polly Sjobon paramos para um chá e para refletir sobre o impacto destas infusões em nossas vidas, tanto do ponto de vista pessoal quanto cultural. E viajamos por hábitos e crenças que associam esta pausa a uma nova forma de encarar a vida e o ritmo por trás de nossas rotinas, em um Polimatias que estica a cadeira para que você se junte à nossa conversa vespertina.